Europeias, um fino verniz democrático

Manuel Raposo - Quinta-feira, 23 Maio, 2019

Logo a seguir ao número de votos que esperam obter, a maior preocupação dos partidos concorrentes às eleições europeias é o nível da abstenção. Na verdade, nem as esforçadas campanhas partidárias, nem a extensa cobertura mediática que lhes é dada alteram as previsões de que mais de metade dos eleitores não votará. Talvez tivesse interesse tentar ver qual a raiz deste desinteresse e não apenas apontá-lo como o “grande inimigo”, como disse a cabeça de lista do BE, expressando de resto uma ideia geral.

Não sendo um exclusivo destas eleições, a percentagem dos que viram costas às urnas nas europeias tem certamente a sua razão própria. Na verdade, mais do que em eleições nacionais, a maioria dos cidadãos sente que nas europeias não está a decidir nada. Está simplesmente a dar uma carta branca a uns quantos deputados, pagos a peso de ouro, que nada podem fazer (alguns nada mesmo querem fazer, senão juntar um bom pé-de-meia) para que o país beneficie alguma coisa.

A maioria deles é, de facto, não mais do que uma peça da burocracia que põe em movimento a máquina do grande capital europeu. Os laços nacionais que mantêm com os países de origem são meramente formais e correspondem ao necessário regateio de vantagens que qualquer capitalismo particular pratica face aos seus concorrentes.

A União Europeia é uma construção imperialista. Nasceu e cresceu em competição, sobretudo, com o imperialismo norte-americano, mesmo se com ele vai mantendo laços de entendimento e colaboração. Edificar uma potência deste tipo só pode ser feito por vias antidemocráticas — os países mais fortes impondo-se aos mais fracos e todos eles subjugando os respectivos trabalhadores e povos. Prova disso está no facto de a maioria das instituições da UE, e as mais importantes delas, não serem eleitas nem escrutinadas pelos cidadãos europeus.

Fala-se a cada passo em “melhorar” a democracia europeia. Mas o que se vê é o caminho contrário: cada vez mais, o sistema político montado pela UE decorre dos entendimentos entre os poderes cimeiros de todos os seus membros, grandes e pequenos — com peso maior, obviamente, para os mais poderosos.

“A paz” é um património da UE, como se ouve dizer? Nem mesmo a respeito da Europa isso se pode afirmar. O desmembramento de Jugoslávia — estimulado pelas grande potências europeias, com a Alemanha à cabeça — e a guerra contra a Sérvia são exemplo de que as ambições do capital imperialista europeu não tem barreiras nem escrúpulos. A expansão da NATO para leste e o golpe fascista praticado na Ucrânia são exemplos de acções guerreiras a que a UE está inteiramente associada.

Essa “paz” é ainda menos verdadeira se olharmos para as intervenções militares, da UE ou de países membros, no Iraque, na Síria, no Afeganistão, na Líbia, na África Central, no Iémen; ou se lembrarmos as múltiplas cumplicidades com as agressões do imperialismo norte-americano, como recentemente na Venezuela; ou a tolerância diante da usurpação colonialista da Palestina pelos nazis israelitas.

Há quem se regozije com o “modelo social europeu”, sem falar do seu declínio evidente e acelerado. As democracias capitalistas como a da UE, e o estado social a elas associado, assentaram numa condição: o crescimento económico contínuo. Foi isso que proporcionou margem de ganhos ao capital para satisfazer parte das exigências das classes trabalhadoras. Com isso, o capital obteve em troca paz social e montou um sistema institucional e partidário que, durante algumas décadas, pareceu responder às necessidades de todos, tanto os de baixo como os de cima.

Essa ilusão desfez-se. A estagnação económica do capitalismo mundial veio retirar base àquele “modelo social”, defraudou as expectativas de progresso dos trabalhadores e, consequentemente, deu cabo dos equilíbrios partidários antes existentes.

É neste terreno que crescem as forças da extrema-direita, que propõem um (utópico) regresso ao passado das “nações”. E a sua tarefa é tanto mais fácil quanto não existe da parte da esquerda anticapitalista uma crítica radical da UE, do imperialismo europeu e do declínio do estado social que aponte para uma saída do capitalismo em crise senil, a única ideia capaz de mobilizar as forças dos milhões de assalariados europeus que vêem o seu futuro pintado de negro.

As eleições para o parlamento europeu são uma tentativa de legitimação do poder de facto exercido pelo capital. São um verniz destinado a dar um brilho democrático a instituições e políticas que estão fora do controlo dos povos dos países membros. Talvez por ter o instinto desta realidade, boa parte do eleitorado dá por inútil o esforço de votar.






12 Comentários a “Europeias, um fino verniz democrático”

  1. Manuel Martins disse:

    E nós, aconselhamos o voto ou abstenção?

  2. mraposo disse:

    Caro Manuel Martins

    O artigo não procura determinar o voto aqui ou ali. Procura entender as razões da imensa abstenção, na ideia de que isso pode ajudar a esquerda anticapitalista a perceber como deve actuar. Se há tanta gente que não vota, talvez na maioria trabalhadores, cabe perguntar: Porque é que esses trabalhadores não se sentem representados pelos partidos que vão a votos? E quantos deles se sentiriam atraídos por propostas políticas claramente anticapitalistas?

    A sua pergunta, essencialmente “prática”, parece-me deixar de lado desta questão. Mas, sem uma resposta ao problema, o “grande inimigo” que a Marisa Matias refere continuará a andar por aí e até a crescer.

    Já agora: qual é a sua opinião sobre os argumentos apresentados no artigo? que razões encontra para a abstenção? porque é que a esquerda não mobiliza mais gente descontente?

    Não sou adepto da abstenção. Mas na ausência de uma força política com propostas revolucionárias, anticapitalistas, o mais que posso dizer aos trabalhadores é que não votem nos partidos de quem os explora, de modo a derrotar a direita.

    Convido-o a ver a posição que o colectivo Mudar de Vida tomou acerca da abstenção e da necessidade de tomar posição contra a direita nos artigos seguintes, publicados em 2011, na altura das presidenciais que deram a vitória a Cavaco Silva:

    http://www.jornalmudardevida.net/?p=2206
    http://www.jornalmudardevida.net/?p=2164

    Escreva sempre.
    Saudações,
    Manuel Raposo

  3. leonel clérigo disse:

    ELEIÇÕES

    A “pergunta” de Manuel Martins e em minha opinião, faz todo o sentido: não se pode ser “avestruz”. Efectivamente, só a uma ave de “asas curtas”, que “não voa”, lhe resta esconder da “realidade” ou seja: “enfiar a cabeça na areia”.
    Manuel Raposo referiu a contradição duma realidade “adversa”: como homem de Partido, percebe bem que o “panorama social” actual deixa desarmado qualquer um. Por isso, julgo eu, vale a pena voltar a “raciocinar”, não no segredo da “toca” de cada um, mas em lugar mais “alargado”. E se o tempo pesa…a massa cinzenta é, por vezes, como o “vinho do Porto”.

    Se aquilo que julgo que originou a interrogação de Manuel Martins e tem todo o cabimento “prático”, há por detrás dela o “desejo” de encarar a “cegueira” de frente. Como dizia o outro, quando “ninguém vê um boi à frente do nariz” a paralisia frutifica.

    Mas “Moralismos” aparte, deixo aqui e dadas as circunstâncias, um “pouco” da “companhia” de Lenine. E com votos de “bom proveito”. (1)

    “SOBRE A PALAVRA DE ORDEM DOS ESTADOS UNIDOS DA EUROPA (Edições Avante)

    (…) Objectar que …As transformações políticas numa direcção efectivamente democrática, e por maioria de razão as revoluções políticas, não podem em caso algum, nunca e em nenhumas condições, encobrir ou enfraquecer a palavra de ordem de revolução socialista…é totalmente incorrecto… Pelo contrário, elas aproximam-na sempre, ampliam a base para ela, atraem para a luta socialista novas camadas da pequena burguesia e das massas semiproletárias.

    (…) Do ponto de vista das condições económicas do imperialismo, isto é, da exportação de capitais e da partilha do mundo pelas potências coloniais «avançadas» e «civilizadas», os Estados Unidos da Europa, sob o capitalismo, ou são impossíveis, ou são reaccionários.

    (…) Assim está organizada, na época do mais elevado desenvolvimento do capitalismo, a pilhagem de aproximadamente mil milhões de habitantes da Terra por um punhado de grandes potências. E no capitalismo é impossível qualquer outra forma de organização. Renunciar às colónias, às «esferas de influência», à exportação de capitais? Pensar nisso significa descer ao nível dum padreco que todos os domingos prega aos ricos a grandeza do cristianismo e aconselha a dar aos pobres … bem, se não uns quantos milhões, pelo menos umas quantas centenas de rublos por ano.

    (…) Os Estados Unidos da Europa, no capitalismo, equivalem ao acordo sobre a partilha das colónias. Mas no capitalismo é impossível outra base, outro princípio de partilha que não seja a força. (…) O capitalismo é a propriedade privada dos meios de produção e a anarquia da produção. Preconizar a «justa» partilha do rendimento nesta base é proudhonismo, estupidez de pequeno burguês e filisteu. Não se pode partilhar de outra maneira que não seja «segundo a força». E a força muda no curso do desenvolvimento económico.

    (…) Naturalmente, são possíveis acordos temporários entre os capitalistas e entre as potências. Neste sentido são possíveis também os Estados Unidos da Europa, como acordo dos capitalistas europeus… sobre quê? Unicamente sobre como esmagar conjuntamente o socialismo na Europa, defender conjuntamente as colónias roubadas

    (…) Na actual base económica, isto é, no capitalismo, os Estados Unidos da Europa significariam a organização da reacção para retardar o desenvolvimento (…) Os tempos em que a causa da democracia e a causa do socialismo estavam ligados somente à Europa ficaram definitivamente para trás.

    (…) Os Estados Unidos do mundo (e não da Europa) são a forma estatal de unificação e de liberdade das nações, que nós relacionamos com o socialismo — enquanto a vitória completa do comunismo não conduzir ao desaparecimento definitivo de todo o Estado, incluindo o democrático. Como palavra de ordem independente, a palavra de ordem dos Estados Unidos do mundo, todavia, dificilmente seria justa, em primeiro lugar porque ela se funde com o socialismo; em segundo lugar, porque poderia dar lugar à falsa interpretação da impossibilidade da vitória do socialismo num só país e das relações deste país com os outros.

    (…) Eis por força de que razões, em resultado de repetidas discussões da questão na conferência das secções do POSDR no estrangeiro, e depois da conferência, a redacção do Órgão Central chegou à conclusão de que a palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa é errada.

    (1)- O texto integral é de 1915, mas entendo-o de grande actualidade: ajuda a apreciar as sérias contradições com que se depara a “Europa do Capital”. Para os curtos de cabeça, é forçoso recordar que a Europa – no seu sentido civilizacional específico – está a milhas de distância do “mundo tacanho” do Burguês e não é sua PROPRIEDADE. Os “extractos” que coloco aqui, não dispensam, naturalmente, a leitura do texto. E não esquecer que o SOCIALISMO é um “fruto legítimo” da Prática Social e Política assim como do Melhor Saber nascido no Lugar geográfico “europeu”.

  4. dias disse:

    Caro(s) amigo(s) e

    Se o amigo acha que deve votar em algum partido que minimamente defenda as suas ideias, acho que deve ir votar. Mesmo votando tem várias opções votar nulo ou branco. Senão há nenhum partido que se identifique só tem a fazer uma coisa:abster-se como eu. Já pertencia a um partido que faz parte do Bloco. Neste momento para o peditório das eleições já dei. Encontrei a luz ao fundo do túnel. Sou um sonhador pela auto-gestão, pela anarquia e pela auto-organização pelo anarco-sindicalismo. Digamos que neste momento me sinto mais um anarco-individualista. Não é com partidos que lá vamos. Os chefes dos partidos são muito hierárquicos e quem não pensa como eles é expulso. Os partidos são e estão corrompidos com o sistema social democrata, liberal capitalista ou comunista. Os partidos sejam eles “socialistas” “comunistas” democratas ou fascistas querem é poder. Estando lá usam os mesmos instrumentos de repressão uns dos outros: a polícia, os exércitos, as leis, os impostos, etc para massacrar o povo.Quando há crise o povo é quem paga.

  5. mraposo disse:

    O que o amigo Dias diz de todos os partidos pode dizer-se de qualquer organização — até anarquista ou anarco-sindicalista. Essa crítica, só por si, não nos leva a lado nenhum. Se não forem os membros, como indivíduos e como colectivo, a imporem-se, serão as chefias a fazê-lo. Até numa colectividade de recreio.

    Talvez por isso o amigo Dias acabe por se declarar “anarco-individualista”. A meu ver, a burguesia agradece esse individualismo entre os trabalhadores. É isso mesmo que ela fomenta a cada passo para não ter de enfrentar uma classe organizada. Donde eu concluo que, para as classes trabalhadoras, a “iluminação” que o amigo Dias diz ter encontrado não representa nenhuma luz ao fundo do túnel, é antes o prolongar do túnel sem luz. É apenas divisão e cada um por si.

    Penso o contrário. O operariado e o conjunto dos trabalhadores assalariados precisam de uma organização de classe, de um partido (visando o comunismo) através do qual possam unir-se como classe social e levar a cabo a sua própria política. Sem isso, o proletariado fica debilitado, dividido e à mercê das políticas burguesas (e pequeno-burguesas) nas suas diversas variantes. É isto que temos diante de nós.

    Saudações

  6. afonsomanuelgoncalves disse:

    Colocando-se ideologicamente com clareza, M. Raposo teve a lucidez de não descriminar duas forças de esquerda concorrentes a estas eleições e ao mesmo tempo de se abster sobre a não comparência às urnas. Como se deprende, a condiçâo de ser partidário da esquerda revolucionária dá para entender que nestas eleições nenhuma organização política prenche esse espaço, razão pela qual provavelmente conduz a uma forte abstenção. Mas como se sabe, temos no acto eleitoral os partidos habituais de direita que o passado provou sâo causa de grandes transtornos na vida dos trabalhadores, pensionistas e desempregados e isso não se pode descurar levianamente. Mas uma vez que se confrontam duas forças de esquerda com projectos distintos deve reconhecer-se que cabe aos eleitores de esquerda decidir em que votar Deste modo acho que é tempo de os presíiteros das paróquias recolherem ao seu abrigo e rezarem aos céus desejando que tudo corra pelo melhor..

  7. JML disse:

    Concordo com a resposta do MR ao comentário do amigo Dias, nesse sentido era bem importante que se promovesse um encontro para discutir tais assuntos.

  8. mraposo disse:

    Caro JML
    Como bem sabes, o MV não se furta a encontros para discutir estes e outros temas. Mas, para que isso dê frutos, é preciso primeiro clarificar ideias e definir o que se pretende de facto. Doutra maneira, como a prática tem mostrado, acabamos por regressar cada um ao seu cantinho. É essa clarificação que tentamos fazer nas páginas do MV, que estão inteiramente abertas ao debate.
    Saudações

  9. JML disse:

    Não disse que o MV se furtava a isto ou aquilo, nem sugeri que tal encontro fosse realizado pelo MV, mas sim por todos quanto estivessem pessoalmente interessados em discutir o que propões:

    “O operariado e o conjunto dos trabalhadores assalariados precisam de uma organização de classe, de um partido (visando o comunismo) através do qual possam unir-se como classe social e levar a cabo a sua própria política. Sem isso, o proletariado fica debilitado, dividido e à mercê das políticas burguesas (e pequeno-burguesas) nas suas diversas variantes. É isto que temos diante de nós… e para que isso dê frutos, é preciso primeiro clarificar ideias e definir o que se pretende de facto”

    Saudações para ti também

  10. leonel clérigo disse:

    UM SILÊNCIO de “CORTAR À FACA”

    «Há tempos de usar o olhar da coruja e tempos de voar como o falcão»
    D. João II, Rei de Portugal e último da Dinastia de Avis.

    Terminou o “acto eleitoral” para escolha dos “deputados” que compõem o “poderoso” Parlamento Europeu. E se há hoje uma coisa digna de nota, trata-se do silêncio imposto pela grande maioria das “organizações políticas”: nenhum dos problemas reais que mereciam debate aberto e esclarecimento, se permitiu sair à luz do dia.

    Só há uma conclusão possível a tirar: os “burocratas europeus” têm hoje receio daquilo que eles próprios criaram: um fantasma. Há uns anos atrás, referia-se isto de outra maneira: “alienação” ou seja, o “criador” fica subjugado por aquilo que ele próprio criou.

    Isto devia conduzir a um alerta: será que nas “legislativas” de Outubro servirá isto de “ensaio geral”, centrando-se a “discussão” em problemas igualmente “laterais” para ocultar os problemas reais do País, o seu “DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO”? Receio bem que sim.

    Comprei esta manhã o JORNAL de NEGÓCIOS cativado pela sua 1ª página: “As Ideias dos líderes para o País”. E mais: “As propostas dos alunos das business schools”.
    Na 1ª página, mostra-se igualmente as “fotos” dos crânios dos tais “lideres”. Bonito de se ver. Só é pena que as vulgaridades “milenares” continuem a ditar a sorte do “Desenvolvimento do País”. A decrépita burguesia portuguesa nem sequer é capaz de assumir as suas responsabilidades o que significa que vamos ter “mais do mesmo”. A não ser que…

    Mas julgo que poderia haver uma possível maneira de abalar isto: que as mulheres e os homens de ESQUERDA deste país “trocassem as voltas” e apresentassem um “Plano de Desenvolvimento para o País” (1), terminando com a treta do “comando” da “iniciativa privada” que já se viu à saciedade não conduzir a lado nenhum.

    (1) – Há que recordar que isto não é matéria virgem: a equipa que girou em torno da Prof.ª Doutora Manuela Silva – Secretária de Estado do Planeamento – já o tentou concretizar e até o Próprio PS tem no seu “arquivo” a “Política Económica de Transição”.
    E cabe também notar aqui que o PPD/PSD e CDS sempre boicotaram tal coisa o que traduz ser “gente combatente” de qualquer planeamento. A “anarqueirada” da célebre “iniciativa privada” são os seus deuses e senhores, coisa sempre bem adequada a uma enfezada burguesia.

  11. dias disse:

    Caro Manuel Raposo
    Sou anarco-individualista mas não me furto a colaborar num colectivo sindicato ou num grupo anarquista que queira fazer alguma coisa de novo contra a sociedade actual. Para um partido para o comunismo autoritário como os que há ou que virão não me convidem. Este tipo de comunismo marxista-leninista maoista guevarista troykista faliu.É necessário um comunismo livre rumo Anarquia que será a luz ao fundo do túnel.

  12. mraposo disse:

    Caro Dias
    Comunismo só vejo um: a sociedade sem classes. Não é o fruto de nenhuma cabeça iluminada. Resulta do fim da sociedade burguesa, porque ela não é eterna. É essa a concepção marxista. Não se pode confundir isto com as tentativas revolucionárias de superar o capitalismo que, por razões históricas que agora não vêm ao caso, não chegaram ao seu termo. Destas há que tirar lições.
    Quanto a fazer alguma coisa contra a sociedade actual, como dizes, estamos do mesmo lado. Onde divergimos, parece-me, é quanto aos princípios a seguir, isto é, por onde começar. E o começo não pode deixar de ser uma revolução política e a criação de um estado de ditadura do proletariado. Só isso dá meios aos trabalhadores para eliminarem pela raiz a sociedade burguesa. E para tal precisam de agir como uma classe, com visão política própria. É esse o sentido que dou a um partido comunista — um partido para os fins imediatos e para os fins últimos.
    Saudações

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