Conan Osíris ao serviço do apartheid

António Louçã - Sábado, 6 Abril, 2019

Roger Waters escreveu ao cantor português uma carta tocante e fraterna, convidando-o a boicotar o Festival da Eurovisão. Só tinha um erro: considerar Osíris “talentoso”. Na verdade, Osíris é um artista medíocre e cabotino, que irá a Tel Aviv prestar um serviço ao colonialismo israelita e cairá no esquecimento imediatamente a seguir.

Beethoven podia ser surdo e compor sinfonias imortais, porque o seu génio continuava a trabalhar a música que lhe tinha ficado no cérebro, como eco grandioso dos tempos em que ouvia. Osíris nunca soube música, é como um surdo de nascença que nunca fará nada de jeito, que encanta os pacóvios com encenações pirosas e ingenuamente acredita em Salvador Sobral, quando este lhe diz que pode ganhar o Festival da Eurovisão.

Claro que o Festival da Eurovisão não é um acontecimento artístico e, portanto, a pirosice não seria óbice: quem viu no ano passado uma galinácea a ganhar o festival poderia acreditar nas hipóteses de Osíris. Mas o Festival é um braço armado da política externa de Bruxelas e acontece que, para ganhar, não basta ser piroso.

Quando a Europa quer mostrar a sua face moderna e tolerante, ganha Conchita Wurst. Quando quer dissipar o azedume das primeiras reacções de Bruxelas à “geringonça”, promove Centeno na hierarquia eurocrática e dá um rebuçado a Sobral em Viena. Quando quer encorajar Israel ao papel de pequena Europa enxertada na Ásia, promove Neta Barzilai. Quando quer fazer respeitar a ficção dos “dois Estados”, impede o festival em Jerusalém e impõe a sua realização em Tel Aviv.

Tudo isto corresponde a prioridades políticas perfeitamente identificáveis. Mas … a que agenda política podia corresponder uma vitória de Osíris? A quem podia interessar uma vitória sua em 2019? A ninguém.

Temos portanto uma má notícia para Osíris: foi gravar vídeo-clips à vista dos Montes Golan, foi cantar para os racistas israelitas como cantavam os músicos judeus – muitos deles sim, talentosos – para os seus algozes nazis de Auschwitz e Bergen Belsen, e no final receberá apenas os trinta dinheiros de Judas, que se gastam num instante, e regressará à insignificância que por mérito e direito lhe cabe num mercado fértil em estrelinhas anãs e de brilho muito fugaz.

Visto que é surdo ao sofrimento do povo palestiniano, não digo que devia ter dado ouvidos, mas que tivesse dado pelo menos atenção ao que várias dezenas de artistas portugueses, gentilmente, lhe disseram numa carta: “Terás a oportunidade de fazer História, e de tomares uma decisão de coragem e princípio, recusando-te a ires para Israel e a ajudares a legitimar a opressão de todo um povo”.

Já vimos que Osíris não fará História. E dele não rezará a História.






3 Comentários a “Conan Osíris ao serviço do apartheid

  1. luis nascimento disse:

    Excelente, ilustre António, não acrescento mais nada, porque este é o foco. Dos imbecis não rezará a história e deve estar contentíssima a RTP por ver confirmada a ida desta coisa ao Eurofestival, caso contrário não havia festa…

  2. António Carlos Pinto Oliveira disse:

    A última palavra em nazi-trotskismo.

  3. Emília Montemor disse:

    Meu caro António Carlos Pinto Oliveira:
    não acha que a canção do Osiris é uma merda sem pés nem cabeça?
    Já não se pode dizer as verdades só porque se trata da “versão musical” da fantástica classe média?

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