As lamúrias anti-Trump

Pedro Goulart - Terça-feira, 31 Julho, 2018

Donald Trump, após reunião com Jean-Claude Juncker, em 25 de Julho, anunciou que norte-americanos e europeus “vão trabalhar em conjunto” visando estabelecer uma relação comercial livre de taxas alfandegárias, livre de barreiras e livre de subsídios para bens comerciais. Assim, aquilo que parecia um cenário de guerra comercial EUA-UE, acabou, momentaneamente, por não acontecer. Há uma trégua, foi criado “um grupo de trabalho”, mas a luta prossegue. E Trump já cantou vitória sobre a União Europeia.

Desde que Donald Trump foi eleito presidente dos EUA, contra Hillary Clinton, não têm faltado, em Portugal e lá fora, as lamúrias de numerosos defensores da “democracia” norte-americana, que se opõem à maneira desajeitada como, na sua opinião, Trump conduz a política daquela potência imperialista. Em geral, estes críticos e queixosos, políticos, analistas e jornalistas de serviço, não põem em causa, devido à sua posição e/ou interesses de classe, o essencial da política exploradora e agressiva dos EUA, mas a forma como esta aparece à opinião pública. Em Portugal, veja-se, por exemplo, um recente comentário de Miguel Sousa Tavares, na SIC, assim como artigos de Filipe Santos Costa, no Expresso, e de Teresa de Sousa, no Público.

O Expresso socorre-se, entre outros, do Guardian, de um antigo director da CIA e do ex-candidato presidencial republicano John Mc Cain para fundamentar a sua taxação de “vergonhoso” e de “traição” ao comportamento de Trump quando este parece dar mais crédito às afirmações de Vladimir Putin do que às alegações dos serviços secretos americanos. Para essa gente, os serviços secretos americanos parecem confiáveis e até uma instituição que pratica o bem. Querem tomar-nos por tolos, esquecendo as malfeitorias contra países e povos pelas quais tais serviços têm sido responsáveis ao longo dos tempos?

Relembramos que o que estava aqui em causa eram a alegada interferência de Moscovo na campanha presidencial americana, favorecendo Trump. Na mesma linha do Expresso, de Francisco Balsemão & cia, salientam-se as notícias e o comentário de Sousa Tavares, na SIC, dos mesmos patrões, ou os artigos de Teresa de Sousa, no Público (da família Belmiro de Azevedo), salientando que Putin deu a Trump o que ele queria, mas que Trump lhe deu muito mais em troca.

O que uma parte dos críticos democratas-burgueses de Trump, aqui e lá fora, tentam é atacá-lo em aspectos de forma e de conduta — pela sua incultura, a sua boçalidade, por um comportamento político aparentemente errático. Mas o que verdadeiramente está em causa é o enfrentamento brutal dos concorrentes pelo imperialismo norte-americano (certamente potenciado pelo carácter de Trump) e a consequente inflexão da política dos EUA que a sua administração leva a cabo.






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