Trabalhadores em luta

Cofaco ameaça despedir 180 operárias conserveiras

Greve de solidariedade em perspectiva

Pedro Goulart - Quarta-feira, 31 Janeiro, 2018

greve-cofaco-picoA empresa conserveira Cofaco abriu uma fábrica na ilha do Pico em 1963. Dona das conservas Bom Petisco, a Cofaco pretende actualmente construir uma nova unidade fabril na Madalena, mas anunciou que vai despedir cerca de 180 trabalhadores da actual fábrica durante o período em que a infraestrutura estiver a ser edificada. Apesar de a administração se ter comprometido aos trabalhadores — na maioria mulheres — reintegrar, dentro de cerca de dois anos, grande parte dos funcionários, as dúvidas são muitas.

Entretanto, mais de 50 trabalhadoras fizeram de barco os cerca de oito quilómetros que separam a ilha do Pico da ilha do Faial e foram manifestar-se junto ao parlamento açoriano na defesa dos seus postos de trabalho.

A questão dos apoios públicos à Cofaco, nomeadamente por via de fundos comunitários, mereceu reparos de vários partidos, que pedem a defesa absoluta dos postos de trabalho e advogam que tal deve ser uma condição indispensável para futuros apoios à conserveira. Assim, o parlamento açoriano aprovou por unanimidade quatro propostas para que sejam salvaguardados os postos de trabalho dos funcionários da conserveira.

Mas, mais importante que isso, será o apoio que os trabalhadores agora ameaçados consigam obter: os operários da outra fábrica da Cofaco, na ilha de São Miguel, admitiram partir para uma greve de solidariedade com os seus colegas do Pico.






Um Comentário a “Cofaco ameaça despedir 180 operárias conserveiras”

  1. leonel clérigo disse:

    O FIM DA COSMÉTICA DEMOCRÁTICA?…

    Os “bons resultados” da economia lusa não chegam já para ocultarem a “crise“ aguda que ameaça tomar conta da economia capitalista mundial e que de pouco se fala.
    Como vem nos livros, a crise começa sempre por afectar e em primeiro lugar, o conjunto das economias “dependentes” e “subdesenvolvidas” – como a portuguesa. Numa primeira fase, surgem os despedimentos em cadeia como consequência directa da quebra do lucro que leva ao inevitável “fecho da fábrica”, “termómetro certeiro da “crise” que se instalou. O MV, com os dois textos em sequência de Pedro Goulart, dá-nos conta do que pode ser indício da verdadeira chegada dum inferno.
    É costume dizer-se que é de bom tom ver a “floresta” para além das “árvores”. Por isso vou-me arriscar a uma caminhada pela “floresta”, na esperança de não me perder e acabar, afinal, por só ver “árvores” à minha volta.

    1 – Apesar da “mascarada” do “em vias de desenvolvimento” – seguida de perto por revoadas de promessas de “desenvolvimento” do País – é difícil esconder ser Portugal um “País Subdesenvolvido”. Contudo, sempre me surpreendeu porque se obscurece o “facto” quando tudo parece indicar que, para se resolver um “problema”, o primeiro passo é “admiti-lo” e não “escondê-lo”.
    Um segundo passo para o Desenvolvimento é assumir de modo claro – independentemente das dificuldades – a necessidade de se industrializar o País. Efectivamente, para se aumentar “eficazmente” a produção e melhorar a vida dos portugueses, tirá-los do “sufoco” que os “aperta” permanentemente, é necessário Industrializar o País, dar primazia à Industria, e pôr no lixo as patranhas tontas do Prof. Cavaco sobre a nossa “vocação para os Serviços”, que é como quem diz, para a continuação do nosso já esburacado mas sempre presente Rentismo. Nós, portugueses, parecemos umas baratas tontas: passamos a vida a olhar com “inveja” os “industrializados do Báltico” e do Mar do Norte, mas nada fazemos para ser como eles. Para um Povo que se aventurou pelos “sete mares” não deixa de ser estranho.

    2 – É certo que o caminho não é fácil mas, curiosamente, nem sequer nos perguntamos das razões porque – apesar das frágeis tentativas – não nos conseguimos industrializar. Melhor: poucos se perguntam sobre o que vem impedindo Portugal de se desenvolver. E mais: quais as forças sociais – externas e internas – que não estão interessadas em que aconteça por cá esse “tipo” de desenvolvimento?
    Estas, julgo, são questões fundamentais para o nosso destino próximo como País: tudo parece indicar que o Sistema “Globalizado” do Capitalismo se aproxima, “a galope”, duma crise de amplas dimensões e que é preciso estar preparado. Essa da “Maria vai com outras”, já foi “chão que deu uvas”.

    3 – A História ensina-nos que, nestes períodos de crise profunda do Capital, uma das suas consequências é o “amortecimento” dos laços de “dominação imperialista” sobre as economias “dependentes”, subdesenvolvidas, como a nossa. Os “desenvolvidos”, preocupados internamente com os efeitos da crise na sua “máquina produtiva” caseira, redobram aí a sua atenção e “descuram” um pouco a “dominação” sobre os países “dependentes do “seu imperialismo”. E este descurar é “directamente proporcional” à intensidade da crise.

    4 – Um exemplo curioso disto tem a ver com a tentativa recente em “restaurar” uma “vaga de fundo anti-populista”, promovida pelos “centros da ideologia” imperialista como se fosse a máxima preocupação do nosso tempo.
    Há já excelentes estudos que mostram que um dos efeitos da crise dos anos 30, traduziu-se no facto dos “países dominantes” se verem forçados a “amortecer a sua dominação” sobre os subdesenvolvidos, levando as burguesias locais “dependentes” do “mercado internacional” e do imperialismo a perderem “força” política interna nos “seus” países e a “darem lugar” à ascensão das facções burguesas locais – mais dependentes do Mercado local/nacional – e que “erguem” como sua ideologia o “nacionalismo” e o “desenvolvimento interno” – o denominado “desenvolvimento para dentro”.
    É a percepção deste possível “aperto” dos seus interesses que leva a fracção “dependente” e pró-imperialista a “prevenir-se” e a erguer a cosmética do “anti-populismo”.
    Foi em “clima” de crise aguda que surgiu no Brasil o dito “ditador” Getúlio Vargas. Este, o que pretendia de facto, era aproveitar a fraqueza momentânea – causada pela crise profunda do Capitalismo – da “ingerência” imperialista sobre o seu País – sobretudo do Imperialismo Estadunidense – e promover o desenvolvimento do Brasil e a sua Industrialização, como aliás pode ser apreciado por quem, minimamente, se interessa pela história dos povos e não pelos “interesses” mesquinhos de vigaristas do pensamento.

    4 – Hoje, já se começa a vislumbrar o agudizar da luta entre as diferentes fracções da burguesia dependente lusa o que ajuda a destapar o véu das suas “dependências” e seus compromissos e ligações com os diferentes imperialismos. É essa burguesia dependente o mais poderoso inimigo do “desenvolvimento do país”: a sua “base material” está orientada “para fora” e sustentada nas negociatas dependentes – grandes mas fundamentalmente mixurucas – do “mercado globalizado”.
    Não deixa de ser curioso ver estes figurões, armados em “portugueses de gema”. A sua “nata” política mais “visível”, encontra-se principalmente no PPD e CDS – articulado a um numeroso “séquito” espalhado pela Imprensa (escrita e TV), pela Administração do Estado Central e Local, assim como pelas Associações Patronais e outras de “pendor rentista” – que agudizam agora sua luta antevendo já o “pior”. O tempo já não está de reunir “canhotas” mas, no “duro”, dispará-las: tal como se pode ver na “luta assanhada” que se ergue em redor dos recentes processos judiciais e onde a “balança da justiça” parece surgir como “guarda avançada”…

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