Derrubando mitos

Quarta-feira, 29 Novembro, 2017

O historiador Fernando Rosas apresenta na RTP2, aos domingos, um excelente programa sobre o colonialismo português em África. Desde as guerras ditas de “pacificação” do final do século XIX, até à criação do mito salazarista da pátria multicontinental e multi-racial, são escrutinados os processos de implantação do domínio colonial, através dos seus momentos mais significativos. A expropriação das populações rurais autóctones, o trabalho forçado, a criação dos empórios dos diamantes, do café, do cacau, as violências diárias, as prisões para os “recalcitrantes”, as execuções sumárias, mas também a resistência das populações africanas e o nascimento do nacionalismo independentista — são passados em revista, dando uma perspectiva que subverte a história dominante sobre a suposta brandura do império luso. Caem por terra os mitos da harmonia inter-racial, da “assimilação” dos povos colonizados, da “igualdade” entre brancos e negros. E fica-se a perceber como é que esses povos foram capazes de erguer e de suportar guerras de libertação nacional que duraram 13 longos anos. Guerras que nos libertaram também a nós, portugueses, e das quais somos afinal tributários.
Todos os episódios estão disponíveis no site da RTP2.






2 Comentários a “Derrubando mitos”

  1. Jorge Pereira Gonçalves disse:

    Tem vindo a ser muito gratificante este novo redigir da nossa História recente, tão maltratada por pseudocronistas, ao sabor de conveniências várias. Bem haja Fernando Rosas.

  2. leonel clérigo disse:

    É facto incontroverso que o Império luso se foi para sempre, até porque a nossa condição de “país subdesenvolvido” – apesar de alguns “chico-espertos” o tentarem – não consente veleidades de “neo-colonialismo”: isso é só para “desenvolvido” que são poucos, como todo o mundo deve saber.

    Mas também é facto incontroverso, julgo eu, se o “Império se foi”, a última “nata” imperialista de Salazar sobreviveu ao pseudo conturbado 25 de Abril e cá ficaram todos a cantar de poleiro. Dizia-me recentemente alguém que muito prezo as suas opiniões e a propósito da Catalunha, como a “genealogia” dos Rajoys estava repleta dos fascistas de Franco o que me levou a “re-olhar” Passos e Cristas como “descendentes” de “retornados”. Acasos da vida?…

    A persistência com que o império sustentou por vários séculos uma classe dominante rentista lusa – que passou a desprezar a produção interna – e à medida que os “ciclos” que a alimentavam se sucediam (o da pimenta, do pau-brasil, da cana-do-açúcar, do ouro e diamantes, do algodão, do café…), criou uma tal inércia histórica nos modos de vida e mentalidades do país, que fez com que essa classe sobrevivesse para além da queda do Império, sustentada agora como capacho duma “Europa connosco”, que impõe a “existência assassina” de uma “economia aberta” a um país subdesenvolvido e sem indústria.

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