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Segunda-feira, 11 Setembro, 2017

O PSD, que, há coisa de um ano, juntamente com o CDS, bramava contra a paralisia dos sindicatos, acusando-os (visando sobretudo a CGTP) de estarem feitos com o governo, parece ter passado das palavras aos actos. Dizem as más línguas que o protesto dos enfermeiros tem a mão do PSD. Na verdade, a acção conta com o apoio da UGT, liderada por esse exemplo de lutador sindical que em 2015 pugnou pela reedição de um governo PSD-CDS, em vez da aliança do PS à esquerda. E conta, claro, com a movimentação incansável da actual bastonária da Ordem, Ana Rita Cavaco, membro do conselho nacional do PSD. O propósito seria entalar o governo nas vésperas das eleições autárquicas.
Verdade ou não, o certo é que a direita vê nisso o sinal de “uma guerra a estourar” no Serviço Nacional de Saúde, “um tsunami que se está a formar” — como exultava o pouco subtil director do Público em editorial de 6 de Setembro. Pena é, lamentava ele, que Marcelo se tenha metido “na guerra” e esteja a “fazer de escudo” do governo.
Que os enfermeiros, e outros profissionais da Saúde, têm razões de queixa, não há dúvida. Que a direita também sabe estabelecer as suas “correias de transmissão”, ninguém igualmente ignora. Resta esperar que os trabalhadores ganhem independência — política e reivindicativa.






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