Greve geral dos trabalhadores da PT

Contra ameaças de desmembramento e despedimento

Pedro Goulart - Sábado, 22 Julho, 2017

GrevePTMais de 2000 trabalhadores da PT de todo o país estiveram no dia 21 em greve de 24 horas, contra a transferência de funcionários desta empresa para empresas parceiras ou outras empresas do grupo Altice, iniciando uma marcha de protesto da sede da empresa, em Picoas, Lisboa, até à residência oficial do primeiro-ministro. Os trabalhadores da PT estão a levar a cabo uma luta pela defesa dos postos de trabalho, pelos direitos laborais e sociais, assim como por uma boa prestação de serviços à população.

Os métodos agressivos do grupo abutre Altice na gestão das questões laborais são já bem conhecidos lá fora, nomeadamente em França. Há poucos dias, em Portugal, bastou que António Costa manifestasse apenas um certo estado de alma (de indignação) a propósito da Altice, para que logo alguns dos mais destacados cães de fila do capital (dirigentes do PSD e do CDS e vários “analistas”, com destaque para Lobo Xavier) viessem tecer duras críticas ao chefe do executivo, por, segundo eles, intromissão em negócios privados. Preparando, assim, o terreno ao patrão, o cofundador da Altice Armando Pereira, que veio declarar que o Governo português, “muitas vezes, não vê essa importância” do investimento que está a ser feito na economia de Portugal.

O que está hoje em causa nesta luta é a mudança forçada de algumas centenas de trabalhadores para uma teia complexa e nebulosa de empresas do grupo da multinacional de comunicações e conteúdos franco-israelita Altice (que detém a PT Portugal), como a Tnord, a Sudtel ou a Winprovit, ou , ainda, da parceira Visabeira, recorrendo à figura de transmissão de estabelecimento. Furando assim o contrato de venda, que proibia o despedimento colectivo. Estando presente a perda de direitos e a precariedade para onde querem atirar os trabalhadores. E, em última análise, o seu desemprego num horizonte próximo.






3 Comentários a “Greve geral dos trabalhadores da PT”

  1. leonel clérigo disse:

    DEPOIS DA “AUSTERIDADE”, A ALEMANHA DE SCHäUBLE “PASSA A BOLA” À FRANÇA DE MACRON

    No segundo parágrafo acima, P. Goulart anota que os “mais destacados cães de fila do capital (dirigentes do PSD e do CDS e vários “analistas”, com destaque para Lobo Xavier)…” vêm agora “…”tecer duras críticas ao chefe do executivo, por, segundo eles, intromissão em negócios privados.”

    1 – Tem razão P.G. mas isso não é coisa que nos surpreenda: cada um “representa” o papel que lhe cabe na luta de classes. Mas o que já surpreende é um país de 10 milhões de pessoas não ter claro na cabeça o que representa para elas o PPD e o CDS – para além de serem “cães de fila do Capital” – e, de onde em onde, conferir-lhes o papel de “guia” dos seus destinos. Por isso e para além da designação de “cães de fila”, considero mais importante – direi eu, decisivo – saber porque se aplica essa designação. E com certeza não é porque, por exemplo, o Dr. Lobo Xavier ande na rua sem “açaime”, coisa que ficava bastante mal – a um homem de Direito – infringir a lei.

    2 – O PPD e o CDS, têm sua origem no regime fascista de Salazar. Francisco Sá Carneiro – o grande “criador” do PPD – “nasceu” como “político” na Assembleia Nacional de Salazar – em pleno período da “Primavera” marcelista – quando foi aí instituído o “grupo” da célebre “Ala Liberal”. Isto acontece, julgo, porque o esboroamento interno do fascismo em Portugal, mostrava já que o seu principal objectivo – conservar o Império Colonial – estava perdido para sempre, impondo assim um conjunto de contradições que vão dilacerar o próprio Regime.

    3 – A “ala liberal” – composta e depois da “morte” de Pinto Leite por, Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão, Mota Amaral, Joaquim Magalhães Mota (4 futuros “fundadores” do PPD) e do PS Miller Guerra – era inicialmente um “grão de areia” no meio dos “duros deputados” do Estado Novo, diferenciando-se por trazer “debaixo do braço” uma “proposta alternativa” ao colonialismo “puro e duro” de Salazar: o neocolonialismo, um truque já velho de modo a “endrominar” os povos das colónias para que tudo ficasse na mesma e o Império continuasse. Era tarde demais. Contudo, o “propósito” fez-lhes “ganhar dividendos” futuros nos lusos “incondicionais” do Império que, diga-se de passagem, eram numerosos e, por isso, o PPD irá crescer herdando esses “desprotegidos” do fascismo (a que se junta o “empurrão da Igreja” ao nortenho campesinato pobre da altura). Por isso, todos os “vícios” e “taras” do Salazarismo, irão transitar com armas e bagagens para o PPD, transformando-o progressivamente no partido “oficial” mais reaccionário de Portugal. E se Manuela Ferreira Leite anda desgostosa com isso, é porque de “analista” em “causa própria”, deixa muito a desejar.
    Quanto ao CDS, a história não difere apesar da grande “herança” vir da “gente fina” do campo: os latifundiários. Por isso sempre foi um “partido menor” e, de certa forma, a PAC fez-lhes o favor de lhes “tratar da saúde”, assim como à maioria do “campo português”.

    4 – A base de apoio que “emigrou” directamente e sem “dor”, do fascismo para a “democracia” – quase sem beliscadura e, fundamentalmente, para o “guarda-chuva” do PPD/CDS – acabou por ser um peso morto na evolução do País. De mentalidade “rentista” – e não “produtivista” – sempre aceitou de “bandeja” – e “mais papista que o Papa” – as propostas ilusórias vindas da “Europa connosco”, que sempre apontou baterias – como diz P.G. que faz a Altice – a qualquer transformação “desenvolvimentista” do país e do seu “mercado interno”. Como é possível os “mais ricos” de Portugal serem dois “comerciantes” e um “industrial de “rolhas”: como se pode desenvolver assim um país?…
    Por isso, não nos devemos admirar que a Dª. Cristas e o Sr. Passos – chefes de fila de rentistas de aviário – nos venham dizer – à maneira de Comissários do “Eixo Franco-Alemão” – que é crime o Estado meter-se com o “funcionamento” das Empresas – as tais que “criam valor” e o mandam logo de seguida para os “offshores”. É precisamente o contrário. Se Portugal se quer “Desenvolver” a “sério” isso só se faz com um “Plano” e com o Estado a meter as “Empresas na ordem”: já A. Sérgio sabia das consequências da “raposa livre na capoeira livre” dos “liberais”. Por isso é que o “populismo” à Vargas e Maduro anda hoje nas “bocas do mundo” (mais precisamente da lusa Burguesia dependente das “multinacionais”).
    As Multinacionais “poderem fazer o que querem” é que fazem “desenvolver os países” subdesenvolvidos, como dizem Passos e Cristas…? Já estou como o Jorge Palma: “Deixa-me rir…”
    5 – Ainda não consegui entender porque é que os Portugueses dão ainda “apoio” político a esta gente…Mas ando desconfiado que foi a doce ilusão da “Europa Connosco” que nos meteu na cabeça que se pode ser “desenvolvido” sem “vergar a mola” e que os outros vêm cá fazer por nós, o que só a nós diz respeito e só por nós pode ser feito.

  2. afonsomanuelgonçalves disse:

    A propósito desta forma de luta sindical desencadeada pelos trabalhadores da PT, parece-me que considerando esta estratégia sindical e todas as outras que no passado seguiram o mesmo método sem obtenção de resultados favoráveis para os trabalhadores, julgo que seria conveniente repensar toda a estratégia que nos últimos anos os trabalhadores de uma forma geral viram frustradas todas as expectativas que a luta, de certo modo, prometia.
    Considerando este impasse proponho que o movimento sindical realize um debate democrático sobre estes repetidos combates que ao longo dos anos nunca foram satisfatórios. Ainda tenho na memória, como professor do ensino secundário as lutas infrutíferas dos professores aos longo de 35 anos de funcionário público e até ter como adversário a direcção do sindicato, num determinado momento da carreira de professor, e como aliado o Ministro da Educação Roberto Carneiro. Nas malhas que o destino tece jaz morto e apodrece o movimento sindical neste país.

  3. António Alvão disse:

    O ESTADO
    (…) “O Estado garante sempre o que quer: a uns, a riqueza, a outros a pobreza; a uns, a liberdade assente na propriedade, a outros, a escravatura, consequência fatal da sua miséria; e obriga os miseráveis a trabalharem sempre e a manterem-se, para aumentar e protegerem esta riqueza dos ricos, que é a causa da sua miséria e escravidão. Esta é a verdadeira natureza e missão do Estado(…) – Bakunin.
    Este pequeno extracto das obras de Bakunin, com cento e muitos anos, parece-me estar actualizado ainda nos dias de hoje!? Como podemos cofiar nas estruturas estatais e suas ramificações, quando estas estruturas fazem parte do problema e não da solução, com a colaboração dos partidos de esquerda e sindicatos! Porque, isto, meus amigos, ninguém quer uma sociedade justa, porque a cultura dos membros das estruturas, e não só, é uma cultura individualista e não colectiva, porque enquanto o sistema capitalista lhes vá dando alguns privilégios para poderem olear o seu bem estar pequeno e médio-burguês, o sistema desigualitário e corrupto, agradece! Dar a vida pelos valores do socialismo e da sociedade justa, “foi chão que já deu uvas” – o revisionismo=5ª. coluna do capitalismo, tem isto muito bem controlado. Até quando???

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