Repressão sobre os imigrantes na Coreia do Sul

Indymedia (adaptação) - Sábado, 8 Dezembro, 2007

coreiasul.jpgEm 27 de Novembro, três funcionários do Sindicato dos Migrantes da Coreia do Sul (SMCS) foram presos à saída de casa ou do emprego. A direcção do SMCS tem sido um alvo preferencial da intensificação geral da repressão do governo sobre os imigrantes indocumentados naquele país. Desde Agosto, cerca de 20 membros e funcionários foram detidos pelas autoridades. Reside na Coreia do Sul cerca de 1 milhão de estrangeiros, calculando-se que 230.000 deles sejam trabalhadores sem documentos. Atraídos pelo “sonho coreano”, o número de trabalhadores imigrantes na Coreia do Sul não pára de crescer. Como a política de imigração tem sido incapaz de encontrar soluções legais, o governo resolveu recorrer à brutalidade das detenções e das deportações.

Na manhã de 27 de Novembro, o presidente do SMCS, Kajiman, e o vice-presidente Raju, ambos nepaleses, e ainda o secretário-geral Masum, do Bangladesh, foram alvo de esperas separadas dos agentes da imigração, à saída de casa e do local de trabalho. Após alguns protestos iniciais, foram presos à força. Sabe-se que andavam já a ser vigiados há bastante tempo, a ponto de os agentes saberem que Masum precisa de tomar determinado medicamento. Os três homens foram logo transferidos para um centro de detenção em Cheongjiu, na província de Choonhjeong Norte, um pouco ao sul da capital Seul.

As actuais condições laborais na Coreia do Sul são restritivas e opressivas, mas são piores ainda para os trabalhadores imigrantes que não têm quaisquer direitos cívicos e enfrentam duros obstáculos quando tentam organizar-se. Estas recentes prisões conseguiram suprimir toda a direcção executiva do sindicato. Apesar das críticas internacionais à sua política de imigração, o governo coreano parece determinado a proteger a possibilidade de a indústria explorar o filão do trabalho imigrante, negando a este a possibilidade de se organizar em defesa dos seus direitos básicos. A nova política de imigração, consubstanciada no Sistema de Autorizações de Trabalho, adoptado em 2004, encoraja a ilegalidade e institui um sistema de escravatura virtual. Segundo a nova lei, os trabalhadores imigrantes só podem trabalhar na Coreia do Sul durante 3 anos e para um único patrão. Impossibilitados de mudar de emprego, fica o patrão com o controlo total sobre os salários e as condições de trabalho. E os trabalhadores que quiserem escapar a um emprego perigoso ou sobre-explorador sujeitam-se a serem criminalizados.






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