Notas soltas a pretexto do Brexit (IV)

Mais EUA nas ilhas britânicas

Manuel Raposo - Sexta-feira, 12 Agosto, 2016

ObamaCameronA “recuperação da independência” de que a direita britânica se vangloria (e de que boa parte da pequena burguesia fez sua bandeira) é uma farsa que rapidamente se vai desfazer. A dependência face à UE que a maioria dos eleitores britânicos quiseram recusar, vão tê-la em dose dupla no que respeita aos laços com os EUA.

Pela economia e pela política, o Reino Unido sempre teve relações especiais com os EUA. A sua entrada para a UE em 1974 serviu não apenas os interesses do capital britânico mas também o interesse norte-americano em ter um agente especial no seio do bloco europeu em formação.

Através de uma Europa unificada e sujeita a um mando político único, foi mais fácil aos EUA fazer sentir a sua influência na Europa continental — unificar a Alemanha e fazer dela uma testa de ponte para o leste europeu, estender a acção e a presença física da NATO até às fronteiras da Rússia, bombardear a Jugoslávia e ocupar os Balcãs, obter apoios para a invasão do Iraque, combinar o golpe fascista na Ucrânia, impor sanções comerciais à Rússia, acertar planos para a destruição da Líbia, impor os termos para a formação de um espaço de livre comércio transatlântico (o secretíssimo TTIP), de que o RU foi o mais extremo adepto. Etc. Isto para falar apenas dos desenvolvimentos mais recentes.

Todos estes exemplos de colaboração entre o bloco europeu e os EUA tiveram como participante especial o RU — desde a venenosa Thatcher ao bobo Cameron, passando pelo venal Blair. O empenho de Obama na campanha pela permanência, ao lado de Cameron, já em desespero de causa, foi expressão deste interesse.

Quer para evitar uma queda aparatosa da economia britânica no difícil contexto mundial (à beira de nova crise financeira), quer para tentar manter o “nível de liderança” na Europa de que falava Boris Johnson (isto é, a influência do amigo americano) o Reino Unido só terá a via de se entrosar mais ainda com o capital norte-americano e de se tornar mais dependente da política dos EUA.

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Um Comentário a “Mais EUA nas ilhas britânicas”

  1. Carlos Alberto Ferreira da cruz disse:

    Ainda se quer presente com a saída da Inglaterra do projeto burguês imperialista,ou mesmo outros que saiam com o agravar da crise seja ela pela forma de imposição, ou com o apoio das burguesias nacionalista a globalização ainda se põem ou ela na realidade nunca existiu ? a um dado momento neste artigo não o consegues fazer qualquer ligação de atitude a não ser de cara-ter imperialista !?…

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