13 anos depois

EUA “comemoram” aniversário da invasão do Iraque com ataque aéreo à Universidade de Mossul

Comunicado do Tribunal-Iraque

Domingo, 17 Abril, 2016

UniMossul_antesEntre 19 e 22 de Março, a força aérea dos EUA bombardeou a Universidade iraquiana de Mossul, causando dezenas de mortos e feridos civis. O ataque, desencadeado sob o pretexto de que o Estado Islâmico procedia ao fabrico de bombas nas instalações da Universidade, foi iniciado três dias antes dos atentados de Bruxelas e não mereceu qualquer destaque na comunicação social ocidental. Pode mesmo dizer-se que foi simplesmente ignorado — a melhor forma de tornar “inexistentes” para a opinião pública os actos de terror maciço praticado pelas exemplares democracias europeias e norte-americana.
O mesmo não se passa com as vítimas e em geral no mundo árabe. A iraquiana Souad Al-Azzawi, professora e investigadora em engenharia geológica e ambiental, difundiu nas redes sociais os seguintes testemunhos sobre o ataque, dando conta da barbaridade dos EUA e da revolta das populações atingidas.

22 de Março
“Em 19 e 20 de Março, a Força Aérea dos EUA bombardeou a Universidade de Mossul com bombas anti-bunker, como as que usou para matar os civis refugiados no abrigo de Al Ameria [um bairro de Bagdade] em 1991.
Com isto, os EUA enviaram uma mensagem de ódio e vingança no 13.º aniversário da invasão do Iraque. Os EUA costumam bombardear serviços e instalações do Estado à noite. Mas agora bombardearam a Universidade à 1h30 da tarde, quando a zona está cheia de gente. Eu tenho familiares em mais de 30 residências em Mossul. Todos eles estão aterrorizados, dia e noite, porque na realidade o bombardeamento não tem por alvo os centros de reunião do Estado Islâmico, mas sim as infraestruturas, os serviços do Estado e os civis.
Hoje [22 de Março], bombardearam o restaurante Kough, que também fica perto da Universidade, e todas as vítimas são civis.
Em 20 de Março, bombardearam a reitoria da Universidade, a faculdade de educação de mulheres, a faculdade de ciências, o centro de edições da Universidade e os dormitórios femininos. O número total de mortes é cerca de 50 e mais 120 feridos.
Matar civis inocentes não resolve o problema do Estado Islâmico — só empurrará mais gente a juntar-se a ele para vingar as perdas de bens e de familiares.”

23 de Março
“Um relato do jornal Al Hadath afirma que há 95 mortos e 155 feridos, todos estudantes e membros da Universidade.”

24 de Março
“O professor Dhafer al Badrani, ex-reitor da faculdade de Ciências Computacionais foi morto, com a sua mulher, em 20 de Março, no ataque à Universidade de Mossul. Os aviões norte-americanos bombardearam o edifício residencial dos membros da faculdade. Apenas uma criança sobreviveu em todo o edifício. Mulheres e filhos de outros membros da faculdade estão entre as vítimas.”

Ver vídeo do ataque em: https://www.youtube.com/watch?v=QOZKA2K4aB8

Tribunal-Iraque
13 Abril 2016






Um Comentário a “EUA “comemoram” aniversário da invasão do Iraque com ataque aéreo à Universidade de Mossul”

  1. leonel clérigo disse:

    A RANHOSA COMUNICAÇÃO SOCIAL QUE NOS CALHOU NA RIFA

    Estas informações que vemos acima, não nos é possível encontrar na maravilhosa Comunicação Social portuguesa de hoje. E porquê? Será que as fontes de informação que dispõe são “fracas” – como o boletim meteorológico que ficou sem o “satélite” por causa da “austeridade” e hoje se “alimenta” da “estatística” das dores “reumáticas” dos nossos velhos – ou, pelo contrário, a “censura” capitalista dos patrões das TVs e Jornais as “proíbe” de irem no “sentido certo”? O burguês capitalista não brinca em serviço: tudo faz e fará pela sua sobrevivência e hoje a aldrabice ideológica é peça essencial. Do Grupo Impresa – Balsemão/SIC (o da “Mulher suicida-se e mata o marido à paulada”) – aos espanhóis da Prisa/Média Capital; do Grupo Sonae – do nosso querido Belmiro – ao grupo Control Investe e ao grupo Cofina; do Grupo Ongoing ao do “Jornal Sol”, etc., todos se regem pela “informação opaca” e “mentirosa”, empenhados em fazer de todos nós “atrasados mentais”, gente “balhelha”, consumidores compulsivos de “antí-depressivos” e candidatos a um lugar permanente no Júlio de Matos. Já há bons estudos sobre isso.

    1 – Que “informação” nos apresenta a Comunicação Social capitalista dos nossos dias? Um verdadeiro inferno de estupidez, parecendo estarem interessados em fazerem dos portugueses gente sem cérebro. Os “nossos” empresários capitalistas da Comunicação, entendem fundamental que os portugueses devem apenas “saber” que uma camioneta caiu numa ravina da América Latina morrendo dois terços dos passageiros, um filho matou a mãe à facada altas horas da noite e um pilha-galinhas do bairro-de-lata, que traficava droga e era de etnia cigana, foi levado de cana às “quatro da madrugada”. O resto é futebol, futebol, futebol…

    2 – Estes “graves problemas” do nosso mundo não podem aparecer por acaso e como “Tema Maior” na Comunicação Social, sobretudo quando se faz “racionamento” das importantes lutas em França que põem Paris ao rubro, ou escondem o Trabalhista Jeremy Corbyn, ou deforma o que se passa hoje no Brasil. Podemos entender que a burguesia capitalista e em época de grave crise, ande seriamente “preocupada” e lute pela “paz e sossego” social. Mas é preciso ter maneiras: reduzir os “cidadãos” a um frasco de anti-depressivos não é coisa de “bom-tom”.

    3 – Então, duas coisas parecem já hoje indispensáveis. Uma delas, iniciar uma luta sem tréguas contra a indesejável Comunicação Social Capitalista dos nossos dias, que passa por formas de luta e boicote. A outra, puxar pela cabeça e começar a pensar numa solução alternativa à mentirosa Comunicação Social capitalista.

    D

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