Agora a Bélgica

A guerra chegou à Europa

Carlos Completo - Sábado, 9 Abril, 2016

BombMosul2Claro que os recentes actos de terror praticados em Bruxelas, espalhando a morte e o horror entre a população, e levados a cabo por elementos afectos ao chamado Estado Islâmico, do mesmo modo que os anteriormente verificados em Paris, Madrid, Londres, Nova Iorque e outros locais, são altamente condenáveis. Como também o são (não o esqueçamos) as agressões militares efectuadas no Iraque, Palestina, Afeganistão, Jugoslávia, Líbia, Síria (e não só) pelos EUA, pela NATO e por vários países cúmplices desta política imperialista. Política que, sob o pretexto de levar a “democracia ocidental” a outros países e continentes, o que pretende é, de facto, apropriar-se das matérias primas, nomeadamente do petróleo, abrir mercados para os seus produtos e subjugar os povos.

O terror e as agressões de uns e de outros — do imperialismo ocidental e do chamado Estado Islâmico — são inaceitáveis. Só que a magnitude dos massacres praticados por uns e por outros não tem comparação. E não se diga, demagogicamente, que as agressões militares e o terror perpetrados pelos países e blocos do ocidente dito democrático foram apenas da responsabilidade dos governantes dos respectivos países e blocos, pois foram muitos os que no ocidente, por acção ou omissão, deram aval a estas políticas criminosas. Nessas alturas, apesar das corajosas e honrosas excepções, não vimos nem ouvimos a generalidade dos media e parte significativa das populações ocidentais contestarem as agressões imperialistas, assumindo: “todos somos iraquianos” ou” todos somos líbios”. A título de exemplo, veja-se o caso de Portugal: o comportamento ignóbil dos seus governantes e da comunicação social, assim como a indiferença da própria população, nos casos das agressões imperialistas ao Iraque e à Líbia.

As medidas dos dirigentes burgueses

O teor das manifestações de repúdio pelo recente massacre de Bruxelas ditas e escritas pelos governantes e pela maioria dos analistas ocidentais de serviço primam por um elevado nível de hipocrisia. Os dirigentes burgueses, pelos seus interesses de classe, não se revelam dispostos a (ou não podem) romper com as políticas de agressão imperialista que têm levado a cabo ao longo de muitas décadas, políticas em grande parte responsáveis pela actual radicalização de muitos dos atingidos pelas criminosas agressões militares do ocidente.

Geralmente, os governantes e os analistas das classes dominantes limitam-se a analisar o funcionamento das polícias, o que correu mal na recolha, tratamento e coordenação das informações, na análise dos meios e na capacidade de resposta ou, ainda, a mencionar a ausência de uma piedosa inclusão social das populações encarceradas nos guetos, onde são manifestamente curtas as perspectivas de vida. E procuram resolver os problemas suscitados pelas acções do chamado Estado Islâmico sobretudo com o agravamento da legislação já existente e a adopção de diversas medidas de segurança, que efectivamente cerceiam as liberdades individuais (opondo segurança a liberdades) e ofendem a dignidade humana, encerrando fronteiras aos refugiados das guerras e da destruição promovidas pelo imperialismo ocidental (veja-se o que está a acontecer na Europa com os refugiados do Iraque e da Síria) e propondo, sobretudo, o reforço do papel das polícias e de todo o aparelho repressivo do estado.
Ora, estas medidas não vão resolver as questões de fundo e vão, certamente, infernizar ainda mais a vida das classes trabalhadoras e dos povos.






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