Otelo – “arrependimento” e delírios

Paulo Guilherme - Segunda-feira, 30 Novembro, 2015

RalisJuramentoO artigo de António Louçã no MV, referente à recente e degradante entrevista concedida por Otelo (como é possível alguém descer tão baixo?) a António Nabo e a António Louçã, a propósito do 25 de Novembro, radica num erro — o de que é hoje possível atribuir qualquer credibilidade ao que afirma aquele capitão de Abril.

Para quem acompanhou de perto e com espírito critico o percurso de Otelo nestas décadas pós 25 de Abril de 1974, com envolvimento político activo e comum, assim como na participação no nefando processo judicial de perseguição política (o chamado caso FUP/FP-25) e que assistiu à construção das histórias e aos delírios de Otelo — só pode aceitar que, hoje, como em grande parte do passado, o valor das suas declarações (particularmente as que envolvem as suas responsabilidades) valem zero.
Há muitos anos, para muita gente de esquerda, Otelo é um caso perdido.

O que se passa com Otelo é em quase tudo muito semelhante ao que acontece com alguns outros ex-dirigentes da esquerda revolucionária que já desistiram dos seus sonhos e que, na ânsia de serem bem aceites pelas classes dominantes burguesas, tudo têm feito (inclusivé renegando princípios de décadas). E que, para além de outras coisas piores, têm procurado reconstruir a história política destes anos com alguns pormenores delirantes e de acordo com as suas mitomanias. Com eles, não vale a pena perder tempo em relação ao futuro.






Um Comentário a “Otelo – “arrependimento” e delírios”

  1. aov disse:

    O grande problema da chamada extrema-esquerda é a inconsequencia quando as coisas correm mal para a revolução como foi o caso do 25 de Abril e depois o 25 de Novembro que as coisas começaram a virar para a Direita e chegamos ao que temos hoje eles se passam para o lado da burguesia tentando ser aceites por aqueles que combateram nos periodos revolucionários.
    Aos em todos os partidos desde o MRPP, UDP, PCP, etc.
    Aliàs o Bloco e PCP pode-se considerar que estes partidos se passaram para o lado da social democracia, deixando os valores revolucionários que tanto no passado diziam lutar.
    Muito até já foram ministros ou secretários de estado, deputados ou estão bem instalados em bons tachos na administração ou empresas bem cotadas ou já reformados com brutas reformas.

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