Caos instala-se na Saúde

Estagiários e estudantes asseguram urgências

Carlos Completo - Quarta-feira, 8 Outubro, 2014

SaudeAtouguiaHá dias o Diário de Notícias titulava: Médicos estagiários asseguram urgências em hospitais públicos. Mas, há várias semanas atrás, já um jovem médico nos alertara, preocupado com a vida dos doentes, quando apenas ele e outros médicos inexperientes e sem especialização ficavam responsáveis pelas urgências do Hospital Santa Maria, em Lisboa. Há também a notícia de que em alguns hospitais, noutros locais do País, tais serviços seriam, por vezes, assegurados apenas por estudantes de medicina do 4º e 5º anos.

No Centro Hospitalar Gaia/Espinho , são vários os estagiários imprescindíveis para que todas as necessidades dos utentes sejam satisfeitas. E, entre eles, há quem trabalhe no local há um ano sem receber qualquer salário ou subsídio. No Hospital Garcia de Horta, em Almada, por falta de enfermeiros, há menos camas e vagas na Unidade de Cuidados Intensivos. No Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, não há enfermeiros necessários para garantir os cuidados indispensáveis a todos os doentes. E isto são apenas alguns exemplos. Do Minho ao Algarve, são numerosas as queixas e as denúncias da falta de trabalhadores (faltam milhares) no sector da Saúde em Portugal: médicos, enfermeiros e técnicos de diagnóstico.

A acrescentar à situação extremamente grave que já se vive hoje no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, é de prever o que mais iria acontecer se fosse posta em prática a reforma hospitalar que o governo de Passos Coelho (com o hipócrita ministro Paulo Macedo), pretendia completar até fins de 2015, envolvendo hospitais, centros hospitalares e unidades locais de saúde através de encerramentos e de perda de valências, nomeadamente Cardiologia, Obstetrícia, Neonatologia, Urologia, Neurocirurgia, Dermatologia e Imunoalergologia. Só, a título de exemplo, com o desaparecimento de centenas de serviços, acabariam as cirurgias cardiotorácicas no hospital de Santa Cruz, em Lisboa, e no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia.
Com gravíssimos prejuízos para os utentes e para os profissionais de saúde.






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