25 Abril . 40 anos

Independência nacional ou internacionalismo proletário?

Pedro Goulart - Segunda-feira, 12 Maio, 2014

InternacionalismoCom o capitalismo globalizado e Portugal integrado na União Europeia há quase 30 anos (por imposição das classes dominantes portuguesas), os trabalhadores e os pobres foram submetidos a uma forte exploração e sofreram várias ignomínias, com destaque para o nefasto papel dos governos de Sócrates e de Passos Coelho, lacaios e cúmplices do imperialismo europeu, particularmente da Alemanha. A entrada acrítica na União Europeia e no Euro foram os responsáveis por grande parte das malfeitorias que mais recentemente atingiram a maioria dos portugueses.

Mas não se revelam credíveis as “soluções” apontadas por alguns sectores de esquerda e de centro-esquerda no sentido da saída do país da União Europeia e do Euro. Com tal política, pensam alguns, salvar-se-ia Portugal da crise e ficaríamos libertos do imperialismo. Mas, da actual crise capitalista, enquanto estivermos enquadrados neste sistema sócio-económico mundial de exploração, não vemos como Portugal possa libertar-se. Pois a crise capitalista é geral e inerente ao próprio sistema, encontrando-se hoje numa fase aguda, sem fim à vista.

Que classes sociais suportariam tal política de afastamento em relação à Europa? Só a pequena burguesia e alguns elementos (poucos) da média poderiam apoiar aqueles sectores de esquerda que hoje propugnam afincadamente tal política. E esta “solução”
não nos livraria do empobrecimento nem de um aparelho de dominação sobre os trabalhadores. Mais, as relações sociais de trabalho não sofreriam quaisquer alterações significativas. Mas não parece que esta questão fundamental constitua grande preocupação para os sectores e os indivíduos que defendem tal política.Com ela, capitalismo e imperialismo não arredavam pé daqui!

Numa perspectiva que defenda realmente os interesses imediatos dos trabalhadores, assim como o seu futuro poder, o acertado será que à globalização do capitalismo e às suas instituições de classe burguesa (centrais patronais, CE, BCE, FMI, NATO, etc), em vez das lutas isoladas em cada país, os trabalhadores portugueses oponham as suas organizações e lutas de classe proletárias, articulando-as a nível europeu e mundial. Nesta linha de pensamento, “o proletariado deve rejeitar tanto a miragem do regresso a um passado nacional morto, como as promessas imperialistas de uma “Grande Europa”.






3 Comentários a “Independência nacional ou internacionalismo proletário?”

  1. leonel clérigo disse:

    1 – Se entendi bem o texto de Pedro Goulart (PG), parece existir para ele um antagonismo entre “independência nacional” e “internacionalismo proletário” e que se mostra no “ou” e no ponto de interrogação que encabeça o texto de PG.

    2 – Face a isto, julgo útil passar em revista uma questão. Desde o seu início que o capitalismo foi acelerando a divisão do mundo entre nações “industrializadas”, “desenvolvidas” e colónias, semi-colónias e países dependentes “subdesenvolvidos”. Essa divisão inicial permanece ainda hoje “vivinha da costa” e desde que me entendo que oiço falar do “eterno” G7 “industrial” e do “resto do mundo” subdesenvolvido. Portugal é um exemplo dessa persistência subdesenvolvida e há cerca de dois séculos que se fala por aqui de “desenvolvimento” sem resultados.

    3 – A Revolução de Outubro na Rússia Soviética mudou este estado de coisas e com a acção de Estaline e dos planos quinquenais, a Rússia industrializou-se. Curiosamente e desde o fim da 2ª guerra mundial, que isto foi entrando no “esquecimento” e hoje, a derrota que o Exército Vermelho infringiu aos exércitos de Hitler, aparece-nos como uma espécie de “roda da sorte” ou “bruxaria”, como se o aniquilar da fina-flor da guerra motorizada dos exércitos nazis fosse levada a cabo por um monte de camponeses siberianos armados de varapaus. Ora para se vencer a 2ª guerra e chegar em primeiro lugar a Berlim, era preciso “indústria”.

    4 – Com o prestigio que foi obtendo a União Soviética, nada mais natural que ela servisse de exemplo aos povos dependentes do mundo e aos seus desejos de libertação. E o movimento dos “Direitos das Nações a disporem de si próprias” ombreou com a Revolução Socialista, ampliando a luta e forçando a derrota do colonialismo com o 25 de Abril a preencher um dos seus aspectos finais. É certo que esse movimento de “independência nacional” contra o colonialismo viu logo de seguida o Imperialismo mudar de cara e mascarar-se de “neocolonialismo”, uma dominação agora mais subtil, mais “democrática”, “igualitária” e “globalizante”, sobre os povos. E é essa mascarada “neocolonial” que podemos apreciar hoje, com toda a clareza, na “zona de tempestades” do médio oriente e, sob outra forma, nos PIGS da Europa.

    5 – Sendo assim e por considerar que a “Revolução Socialista não é um acto único, uma única batalha numa só frente, mas sim toda uma época de agudos conflitos de classe, uma longa sucessão de batalhas em todas as frentes, em todas as questões de economia e política…”, é que não entendo bem o sentido “antagónico” que PG dá no seu texto. A não ser que PG queira chamar a atenção sobre as “prioridades” no arrumar da casa: e aí, talvez até lhe dê uma certa razão.

  2. leonel clérigo disse:

    Um acontecimento cheio de interesse: o novo Banco de Desenvolvimento dos BRICs ou como a Wall Street e a City podem ficar de “calças na mão”

    Na continuação do meu comentário feito acima a PG, a 15 de Julho de 2014 os BRICs anunciaram em Fortaleza, Brasil, o lançamento dum novo Banco de Desenvolvimento com Sede em Xangai. E apesar de não ser nem entendido nem grande apreciador de futebol, arrisco dizer que este foi o melhor golo do campeonato mundial. E se este “golo” tiver continuidade, talvez até se venha a fazer, com a música de Chico Buarque, um novo refrão para o “Fado Tropical”: “ Ai a Wall Street vai cumprir seu ideal, ainda se vai transformar num banco de Portugal”.

    1 – Desde Bretton Woods e sobretudo da sua “científica”revisão dos tempos de Nixon, que as impressoras do Banco FED trabalham “incansavelmente” na impressão das “célebres” notas verdes. Um dia, alguém me contou que, num país africano, o governador do Banco Nacional apresentava com “orgulho” uma “casa forte” cheia de “dollars” mal sabendo ele que o “respaldo” daquele “papel” não era o ouro mas os porta-aviões da US Navy. É evidente que não é a primeira vez na história que se imprime dinheiro falso mas não nos podemos deixar de admirar com as gigantescas proporções a que isto chegou. Li uma vez que, quando chegaram à América do Sul, os “Conquistadores” surpreenderam as civilizações que lá existiam com a sua “tara” da “febre do ouro”: foram os primeiros Tio Patinhas da América. E a tal ponto se admiraram que e no sentido de os “curarem”, quando apanhavam um europeu a jeito, abriam-lhe as “goelas”, enfiavam lá um funil e despejavam para dentro do estômago ouro derretido. A prática era, de facto, bárbara e só espero que não se invente um novo funil para encher, no futuro, o estômago dos nossos “financeiros” com “papel comercial”.

    2 – Já se tinha visto que a criação do Banco BRICs – que tem como objectivo ser ”alternativa ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional” – não é nada do agrado do “ocidente” imperialista: já houve quem pagasse por isso com a vida – Saddam Hussein e al-Kaddafi, por exemplo – e o que se vai seguir parece não prometer nada de bom. Não é para admirar: sem o monopólio das impressoras, a Wall Street e a City “globalizadas” irão precisar de mais de um milhão de Granadeiros para lhes comprar “papel comercial”.

    3 – Ou muito me engano ou a coisa vai começar a ficar preta mas, também, muito mais “interessante”. David Cameron, já inchou o peito de ar e parece agora – sob a ameaça de inundação de “papel” na City – um galo na capoeira capitalista das galinhas europeias, convencido que a conversa dos “direitos humanos” pode durar “até à eternidade”. Quanto ao Financial Times, já está sob ameaça de perder o “mercado” de leitura dos “subdesenvolvidos” e a rapaziada de trejeitos neoliberais da nossa “imprensa” económica “científica”, arrisca-se a ficar sem “orientação ideológica” e, como diz o Sérgio Godinho, “com o cérebro bloqueado”: a “concorrência” não é só maravilhas mas também faz os seus estragos tornando preferível o “monopólio”. Quanto à pequena-burguesia portuguesa vai-se claramente dividir e acabar com a sua suposta “terra de ninguém”: os que são tidos de “direita”, vão acompanhar a “aliança rentista” lusa e dependente do imperialismo versão “europeísta”, enfileirando com as tropas “ocidentais” dos “direitos humanos”. Quanto aos de “esquerda”, aumentarão a “simpatia” pelo “terceiro mundo” ao mesmo tempo que vão ver neles um seu retrato sem possibilidades de rasgá-lo enquanto não mandarem o “saco de gatos” da Europa do Capital às urtigas. O “arco da governação”, mais do que nunca irá tocar a reunir: veremos um “pleno”, o que não deixa de ser uma coisa boa para se poder ver, de modo claro, como é traidora a “social-democracia” dita “socialista”. Razão tem Alfredo Barroso. Fica só por esclarecer o que pode acontecer aos nossos “gestores” nacionais – Cavaco, Durão, Coelho, Portas, Gaspar, Albuquerque, Crato, Macedo e outros que tais – que nos vêm governando. Mas isso, deixo à imaginação de cada um.

    4 – Finalmente, a Guerra. Bem, essa já começou…

  3. leonel clérigo disse:

    Com este comentário espero não abusar da paciência de Pedro Goulart e por isso ele decidirá, ou não, fazê-lo passar. Mas como o tema – o novo Estado do “Crescente Fértil” ou EI – tem tido pouca “abordagem” e debate entre nós e, de alguma forma, tem a ver com o “Direito das Nações a disporem de si próprias” – como a Nação Árabe – vou colocar aqui este 3º comentário.

    1 – Duma concepção do mundo, diz-se que é um sistema de ideias sobre o mundo como um todo, um conjunto de princípios básicos com os quais os homens – e as mulheres – procuram explicar a realidade que os cerca retirando dessa explicação orientações para a sua vida prática. Entre estas concepções do mundo estão as concepções religiosas que, como todas elas, “reflectem” a fase da História do Homem em que surgiram, suas contradições, aspirações e conflitos. Por isso se pode dizer que as concepções milenares de tipo religioso são “filosofias da infância da Humanidade” (Gramsci), explicações que “reflectem” os conhecimentos de um mundo já bem distantes dos conhecimentos de hoje.

    2 – Três dessas concepções religiosas – judaísmo, cristianismo e islamismo – são geralmente denominadas “as 3 religiões do livro” o que nos dá conta da existência de intimas relações entre elas. Com algo em comum, é esse algo o velho “Livro” de Abraão – a Bíblia Hebraica fundadora do monoteísmo dos judeus – que, apesar de ser “origem”, tem também ele próprio uma “causa anterior”: os conjuntos religiosos do henoteismo e da monolatria já presentes, desde há muito, no largo espaço cultural que vai do Egipto (o culto de Anton) ao Irão (o monismo de Ahura Mazda).

    3 – A ocupação, pelo Homem, das terras do chamado Médio Oriente, fez aí surgir velhas e florescentes civilizações. Mas surgiu agora por cá um clima que quer fazer desse lugar um habitat de gente “bárbara”, à maneira dos idos 75 quando os “verdadeiros democratas” fabricaram, a partir do Tejo, a “guerra” dos “mouros” do sul e do norte “cristão”. A ciência e a cultura nascidas no Médio Oriente, como em muitas outras regiões do Planeta, não nasceram agora: há muito que vêm dando o seu largo contributo aos avanços da Sociedade dos Homens.

    Quando se fala do Milagre Grego dito “ocidental”, parece “esquecer-se” o contributo do Egipto e, quando se fala dos Árabes, “esquece-se” igualmente que foi através deles que os “Bárbaros Ocidentais” tiveram a oportunidade de poder ler Aristóteles. O próprio Deus do Ocidente, é um fruto do Oriente Médio e, quando agora se fala de “Cruzadas” e de “Barbárie”, “esquece-se” que, enquanto decorriam as cruzadas de “libertação” de Jerusalém das mãos do “infiel”, os Albigenses – aqui mesmo no sul de França, em Albi – tiveram a sua “muito” particular.

    4 – As Religiões, como concepções do mundo, são ideologias de uma forma particular. Jesus Cristo “construiu” uma delas e, para o que interessa aqui, serviu-se dela difundindo-a entre os judeus como ele, utilizando-a como forma de combate contra a ocupação da sua terra pelo Império que, no seu tempo, era o Império Romano. Lutou, à sua maneira, por essa causa e, por ela, deu a vida. O tempo deu-lhe razão como acontece geralmente a quem luta pela sua terra. E a tal ponto, que o Imperador Constantino acabou por adoptar o cristianismo como “seu”. E hoje, aprendendo dessa lição, há que aclarar quem são os do “Império”, os ricos “fariseus e saduceus” e os comerciantes “vendilhões do templo” ou seja e dito de outra maneira, quem – duma maneira ou de outra – guarda e aceita no coração as “saudades Imperiais”. Ou seja e dito de forma mais clara: quem é pela exploração do trabalho dos trabalhadores e dos povos e pela rapina das riquezas de suas terras ancestrais.

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