25 de Novembro – o Prémio

Não à ilusão com os cantos de sereia

Pedro Goulart - Quinta-feira, 28 Novembro, 2013

eanes76Em 25 de Novembro passado, uma “comissão cívica” promovida por empresários, banqueiros, militares e civis de Novembro prestou homenagem a Ramalho Eanes e decidiu criar um prémio em sua honra. Da comissão promotora fazem parte, entre outros, Belmiro de Azevedo, Artur Santos Silva, Henrique Granadeiro, Jaime Gama, Mota Amaral, Manuel Alegre, Rui Rangel, Bagão Félix, António Capucho, Adriano Moreira, Pinto Monteiro, Leonor Beleza, Rui Rio, João Proença, António Saraiva, António Rendas, Sampaio da Nóvoa e Rui Veloso. No evento, aprazado para a data comemorativa do golpe reaccionário de 25 de Novembro de 1975, participaram também Loureiro dos Santos, Garcia Leandro, Guilherme D´Oliveira Martins, João Salgueiro, Jardim Gonçalves, João Lobo Antunes, Manuela Ferreira Leite, Arnaldo de Matos, Alberto Martins e António Barreto, cabendo a este último o anúncio do prémio Responsabilidade e Cidadania António Ramalho Eanes, no valor de 50 mil euros. E entre os patrocinadores do evento estão: a Sonae, a Mota Engil e a Silampos.

Da composição da dita comissão cívica, dos participantes, das diversas intervenções e dos objectivos enunciados fica claro que, para além de homenagear um dos seus, o que esta gente essencialmente pretende é branquear as malfeitorias do regime imposto no 25 de Novembro de 1975 (através do golpe coordenado por Eanes), procurando continuar vender-nos, embrulhado no referido prémio, um produto estragado numa embalagem bonita.

Não alimentar ilusões

Sendo de considerar todas as iniciativas que levem ao urgente derrube do actual governo, é bom salientar que algumas dessas iniciativas se cruzam, nomeadamente a realizada na Aula Magna, pela importância da participação de alguns dos seus elementos, com as responsabilidades desses mesmos elementos no já referido golpe do 25 de Novembro de 1975.

Nunca é demais lembrar que a intensa luta de classes verificada em Portugal no pós 25 de Abril de 1974 foi travada com o golpe direitista coordenado por Ramalho Eanes e sustentado por diversas personalidades e partidos políticos burgueses, com o objectivo de ficarem acautelados os interesses do capital (por oposição aos direitos e conquistas dos trabalhadores conseguidas nas lutas, particularmente depois daquele acto libertador).

É, igualmente, de destacar que foi o regime resultante daquele golpe reaccionário que gerou a situação opressiva em que hoje vivemos, nesta democracia de Novembro. Apesar de – diga-se – nem todos os mentores e apoiantes do regime imposto no 25 de Novembro de 1975 pretenderem ir tão longe nos ataques às conquistas dos trabalhadores e no cerceamento das liberdades a que hoje se chegou.

Neste contexto, é fundamental alertar as classes trabalhadoras e o povo no sentido de não se deixarem iludir (repetindo erros graves) pelos actuais cantos de sereia de alguns dos responsáveis do 25 de Novembro: personalidades e partidos, que certamente não estão arrependidos da sua participação no golpe reaccionário, mas que pretendem aproveitar o descontentamento gerado pelas graves condições de opressão e empobrecimento que hoje atingem a maioria da população, visando prosseguir na mesma os objectivos daquele golpe reaccionário, embora de modo “mais suave”, isto é, pretendem a continuação da exploração e opressão capitalistas, mas com recurso a métodos mais subtis.






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