Com a greve geral

Terça-feira, 25 Junho, 2013

Convocada e/ou apoiada pela CGTP, UGT, vários sindicatos, comissões de trabalhadores e organizações cívicas, realiza-se a 27 de Junho uma Greve Geral contra as brutais medidas, ditas de austeridade, aplicadas pelo governo do PSD/CDS. Esta greve pode, também, dar um bom contributo para a demissão deste governo do Capital.
Hoje são milhões os trabalhadores portugueses, os jovens e os idosos atingidos pelo desemprego, pelos saques governamentais, pelos cortes na saúde, na educação e na segurança social, pelo empobrecimento generalizado da população e pela fome impostos pelas classes dominantes. Mais, o governo Passos/Portas prepara-se agora para adoptar mais medidas gravosas, que visam continuar o desmantelamento do Estado Social (Saúde, Educação e Segurança Social), entregando parte destes sectores à chamada iniciativa privada.

Os diversos protestos, as várias lutas e as greves contra este governo da burguesia e o patronato são justas, mas não têm sido suficientes. É necessário persistir e ir bastante mais longe. E será justo recorrer a todos os meios, de modo a que os explorados e oprimidos possam recuperar aquilo de que têm sido desapossados.

A participação e o apoio a esta Greve Geral não é apenas um acto de luta, resistência e dignidade. Pode também constituir um passo no sentido de inverter o rumo político imposto pelo governo ao país.

Como sublinha o manifesto “Enfrentar a crise, lutar pelo socialismo”, as medidas de austeridade são cada vez mais graves mas mostram-se incapazes de qualquer melhoria económica. As promessas de crescimento futuro, na verdade, mascaram uma realidade muito diferente: o Capital leva a cabo uma política de esmagamento das classes trabalhadoras.

Este ataque não pode ser travado com meias medidas. Será possível fazer recuar o patronato, o Governo e a Troika se os trabalhadores conseguirem reunir as forças sociais dispostas a obrigar o Capital a pagar a crise. A resposta à crise e ao governo não está na habilidade das soluções propostas, mas na força colocada no confronto de classes.
É preciso, pois, incentivar a disposição de luta da população que vem para a rua e rejeitar a chantagem sobre os perigos de “convulsão social”. Com o argumento da ordem e do civismo, as classes dominantes pretendem assegurar as condições para continuarem a esmagar os de baixo. Contra isso, é preciso unir todas as forças que se juntam à luta de massas e declarar a legitimidade da luta social em todas as suas formas.

As grandes manifestações realizadas desde há mais de três anos demonstram que a miragem de aceitar sacrifícios em nome do futuro está a desfazer-se. Um número crescente de trabalhadores rejeita a austeridade, reclama um novo rumo político e quer ver pelas costas o Governo e a Troika. Centenas de activistas perseguem ministros e secretários de Estado por todo o país manifestando-lhes repúdio e boicotando actos públicos.
Importa que esta ideia de mudança ganhe cada vez mais adeptos. A continuidade deste movimento de protesto, o seu alargamento a novos sectores da população, a rejeição plena das medidas de austeridade, é portanto essencial para derrotar as forças que aprovaram e que aplicam o programa da Troika.

O fracasso das metas do Governo é coisa patente. Mas nem por isso as medidas de austeridade vão parar se não houver uma oposição popular à altura.
Foi a resposta maciça dada nas ruas às medidas de austeridade que contribuiu para isolar o Governo. É isso que pode bloquear a política de austeridade.

O ponto central da nossa posição é que os trabalhadores devem rejeitar pagar os custos da crise – pela acção de massas, pelo apoio mútuo, pela solidariedade de classe nacional e internacional.
Reerguer a luta contra o Capital não é uma utopia, nem representa um estreitamento do campo da luta de massas. Pelo contrário, é a condição de fazer despertar o sentido de classe dos trabalhadores, de os colocar na dianteira da acção e de alargar o campo da resistência popular.

Por tudo isto, não hesitamos em estar com a greve geral e exortamos todos os trabalhadores a fazer do dia 27 uma grande jornada de luta reivindicativa e política.






3 Comentários a “Com a greve geral”

  1. afonsomanuelgonçalves disse:

    Mais uma greve-geral condenada ao fracasso por quem a clama só porque se trata de uma greve de trabalhadores. Marcelo R. de Sousa numa intervenção humorística dominical reclamou uma greve-geral mensqal contra as 40 horas. Justificou assim que seriam deste modo repostas as 35 horas de trabalho semanal. E para enaltecer esta maravilhosa válvula de escape dos trabalhdores disse ainda que o Verão seria um óptimo aliado deste triunfo laboaral. Os trabalhdores gozariam um dia de praia esplêndido e o governo ver-se-ia obrigado a reconhecer as 35 horas de trabalho semanal. depois ouvimos com muito e3ntuisiasmo as pqalavras sábias do Secr5etári.geral da CGTP. Muito eloquente disse que sta greve iria fortalecer notavelmente a luta dos trabalhdores e o pequeno e médio comércio. Apesar de Stalin ter dito que e revolução não ser exporta, é tempo de rtectifuicarmos esta afirmação depois de termos ouvido as fantáticas afirmações do secretário-geral da Inter.

  2. mraposo disse:

    Pela própria forma descuidada como escreve, se percebe que Afonso Gonçalves não está interessado em que o percebam. De resto, mesmo que estivesse, seria igualmente difícil percebê-lo, porque na verdade não tem nada a dizer.

    Há quem prefira tratar dos animais abandonados, por desgosto dos seres humanos. Há quem prefira ir ao cinema ou ao teatro em vez de pôr os pés numa manifestação, por achar que manifestações não resolvem nada. E há quem prefira ficar em casa a deliciar-se com os comentadores que lhe saem do ecrã para poder depois fazer uns comentários de cátedra, debitando citações de cor sobre livros que terá lido em tempos.

    AG não tem qualquer consideração pelo esforço de milhares de trabalhadores que deixam de ganhar um dia de salário para mostrarem a sua indignação, ocupando na rua o lugar que AG não ocupa. Para AG estas manifestações estão “condenadas ao fracasso” porque não estão à altura dos grandes projectos sociais que ele cultiva (nos meandros do espírito, claro). Para AG as limitações dos movimentos de massas são motivo de gozo, não de empenho militante — alinhando bem com o governo e com os comentadores de direita, cuja orientação foi a de tentar desvalorizar a greve geral.

    Pergunto: em que é que comentários como os de AG contribuem para levar o movimento de massas que realmente temos do nível em que está para outro nível mais elevado — nem que seja apenas um milímetro?
    Uma triste falta de modéstia impede as pessoas como AG de verem que um passo dos trabalhadores na rua conta mais que mil elucubrações suas. Por outras palavras: não se enxergam.

  3. afonsomanuelgonçalves disse:

    Seria talvez mais interessante que M. Raposo perguntasse que contributos políticos e revolucionários têm resultado na sua luta contra o sistema capitalista virando constatemente de camisola política e ideológica, isolando-se cada vez mais dos seus aliados de origem e aproximando-se sem pinta de vergonha do revisonismo contemporâneo, insultando aqueles que se mantêm fiéis aos seus princípios desde que estudaram atentamente todo o percurso de traição que levaram à prática desde a 2ª metade do séc. XX. Não insulte e recorra a argumentos políticos sérios e historicamentge comprovados.

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