O comício de Mário Soares na Aula Magna

A unidade soarista é um presente envenenado



José Borralho - Quinta-feira, 30 Maio, 2013

Mário Soares explora hoje, no dealbar da carreira, o sentimento de unidade existente entre as bases dos partidos e na esmagadora maioria das vítimas da política ultra reaccionária do governo a mando da troika, e é o patrono de um comício que envolve o PS o PCP e o BE. Este envolvimento consentido, parece contra-natura num político que sempre foi furiosamente contra as alianças à sua esquerda rejeitando sempre as propostas que esta incansavelmente lhe fez.



As suas alianças foram sempre com a direita — governo PS/CDS, governo PS/PSD — e se recuarmos ao auge da luta nos anos seguintes ao 25 de Abril, constatamos que a luta de Mário Soares pela instauração da democracia burguesa (esta besta que nos tira o sono), somos obrigados a revelar as suas alianças com Spínola e a extrema direita, a sua cumplicidade com Carlucci da CIA, a venda da sua alma ao diabo ao armar milícias para combater o avanço do movimento popular. 



Soares é credor de uma dívida de gratidão, não dos trabalhadores a quem sempre ofereceu leis antipopulares como os contratos a prazo, o lay-off, a lei Barreto e por aí adiante, mas uma dívida que o capital tem para com ele por ter salvo o seu sistema de exploração.



Podem os trabalhadores, as pessoas de esquerda confiar nas intenções de Soares? Parece-me evidente que não, e porquê?



Por tudo o que foi dito atrás e ainda porque: o seu objectivo é atrelar o PCP e o BE ao PS e à política de austeridade que a crise vai exigir dele. Isto é, Soares acha que o governo de Passos Coelho deve ir embora, e que o PS deve governar com a cumplicidade dos partidos à sua esquerda, e com um movimento popular domesticado.



É precisa a unidade dos trabalhadores dos vários partidos de esquerda e de grupos de cidadãos que querem este governo na RUA! 

Unidade para combater a austeridade passa irremediavelmente pela rejeição da austeridade, e pela reposição do que roubaram e direitos que cortaram aos trabalhadores e pensionistas e reformados. Unidade sim, para rejeitarmos a dívida que o capital contraiu e que está a ser descarregada sobre o Povo trabalhador. Unidade para que a crise seja paga pelo capital, taxando os seus lucros, as suas fortunas, os seus negócios, os seus offshores.



Os democratas são necessários para apoiarem um programa para pôr o capital a pagar a crise, e nunca para levarem os trabalhadores a reboque do pagamento da crise a meias! 

Esta reunião é um embuste para a esquerda, eu recuso-a e convido os meus amigos e amigas a virar-lhe costas: a esquerda não pode viver de joelhos!






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