Israel, um estado mercenário

Manuel Raposo - Terça-feira, 15 Janeiro, 2013

Nos primeiros dias de Dezembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou por grande maioria – 174 votos, com 6 contra (incluindo EUA e Israel) e 6 abstenções – uma resolução em que é exigido a Israel que abra o seu programa nuclear à inspecção da Agência Internacional para a Energia Atómica. Israel recusa confirmar ou negar que tem armas nucleares, mas toda a gente sabe que as tem e que elas lhe foram fornecidas, em primeira mão, pelos EUA.

A votação foi uma resposta ao cancelamento de uma conferência de alto nível destinada a proibir armas nucleares no Oriente Médio. Todas as nações árabes e o Irão tinham planeado participar na cimeira em meados de Dezembro, em Helsínquia, Finlândia, mas os EUA anunciaram em 23 de Novembro que ela não teria lugar, invocando a turbulência política na região e atitude desafiadora do Irão quanto à não-proliferação das armas nucleares. O Irão e alguns países árabes responderam que a verdadeira razão para o cancelamento foi a recusa de Israel a participar.

Antes da votação na ONU, um diplomata iraniano disse à assembleia que o regime israelita foi o único que rejeitou as condições para uma conferência, e apelou a que fosse exercida forte pressão para que Israel participasse sem quaisquer condições prévias.

Também um diplomata sírio apelou igualmente à comunidade internacional para pressionar Israel a aceitar o Tratado de Não Proliferação nuclear e a desfazer-se do seu arsenal nuclear de modo a permitir a paz e a estabilidade na região.

Cabe lembrar, nesta ocasião, que o pretexto para atacar o Iraque, vai fazer 10 anos, foi a acusação (comprovadamente forjada) de que o regime de Saddam Hussein tinha “armas de destruição maciça”. Na altura, o regime aceitou as inspecções dos agentes da ONU que nada descobriram depois de vasculharem o país durante meses.

A memória destes factos comprova, quando comparada com mais esta recente protecção dos EUA a Israel, o cinismo da política imperialista no Médio Oriente e o papel que os EUA reservam a Israel como seu mercenário na região.






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