Em 2013

PCR - Segunda-feira, 31 Dezembro, 2012

Em 2013 não sei se Obama continua a tolerar o aliado israelita e quantos palestinianos vão morrer, se o Irão anuncia a bomba nuclear, se a guerra termina na Síria, se o Líbano vai sobreviver, se os atentados prosseguem no Iraque, se mais tropas estrangeiras retiram do Afeganistão, se Guantánamo vai encerrar.

Em 2013 não sei se a Coreia do Norte prescinde de lançar mísseis, se as tiranias vão soçobrar, se novas bases militares serão instaladas no Pacífico, se mais países serão invadidos e destruídos, se mercenários serão recrutados e empréstimos financeiros para a reconstrução concedidos.

Em 2013 não sei se os Balcãs encontram uma paz justa, se a China entra em crise económica, se o Tibete protesta, se a Rússia continua a despovoar-se, se o Cáucaso se incendeia, se constroem uma central nuclear no Japão, se a Índia aumenta o arsenal militar, se a miséria alastra nas Filipinas ou no Sri Lanka, se intensificam os ataques com ‘drones’ no Paquistão, se a Al-Qaeda se impõe no Iémen e os tuaregues no Mali.

Em 2013 não sei se os islamitas vão ocupar o norte de África, se os imigrantes continuam a afogar-se no Mediterrâneo, se o sangue deixará de correr na Nigéria, no Congo ou na Guiné, se o Saara ocidental se autonomiza, se as Nações Unidas permanecem no terreno, se os curdos se independentizam, se haverá mais atentados terroristas e condenações à morte, se mais crianças vão ser massacradas nas escolas, se haverá novas armas para comprar nas lojas.

Em 2013 não sei se a Europa continua a envelhecer e os povos a empobrecer, se a democracia convencerá, se a “crise da dívida” se manterá, se a extrema-direita crescerá, se os militares conspirarão, se os donos do mundo se revelarão, se os serviços secretos se reforçarão, se os direitos das minorias serão preservados, se haverá imigrantes espancados e deportados e famílias ciganas desalojadas, se prosseguirá o tráfico de crianças, de mulheres, de órgãos humanos.

Em 2013 não sei se a Espanha paralisa, se a Grécia resiste, se Portugal cumpre, se a Irlanda se unifica, se a Catalunha e a Escócia caminham para a independência, se a ETA se dissolve, se Hollande volta a prometer, se Merkel vence as eleições, se Barroso continua a presidir, se Lagarde anuncia mais um perdão, se Berlusconi regressa ao poder, se Juncker garante um cargo vitalício, se a União sobrevive ao seu nobel da paz, se o euro contraria o dólar, se a banca continua a enganar, os poderes a corromper, os abastados a escapar, paraísos fiscais a florescer e a justiça a esmorecer.

Em 2013 não sei quantos estádios de futebol vão ser inaugurados no Brasil ou quem será campeão, se haverá jornalistas assassinados no México, se o narcotráfico continua a branquear-se na Bolsa, se anunciam um acordo de paz na Colômbia, se privatizam a TAP, se Chávez permanece no poder, se Fidel ainda pensará, se alastram os tumultos na Argentina, se a fome vencerá e a sede matará, se a ficção se imporá à realidade, se o jornalismo sobreviverá.

Em 2013 não sei se haverá sardinhas para provar, florestas para respirar, degelos nos pólos para investigar, rios e oceanos para mergulhar, montanhas para escalar, bebidas para compartilhar, novos impostos para descontar, ‘organizações não-governamentais’ para subsidiar.

Em 2013 não sei se haverá mais pedófilos detidos, violadores apanhados, padres acusados, mulheres agredidas, homens desesperados, idosos abandonados.

Em 2013 não sei quantos professores continuam nas escolas, médicos nos hospitais, funcionários promovidos e outros reformados, delatores medalhados, se o desemprego vai aumentar, se o Governo se vai remodelar, se as eleições vão resultar.

Em 2013 não sei quantos jovens vão emigrar, se a família continua a definhar, se os telefones deixam de tocar e a televisão de funcionar, quantas contas se não vão pagar, quantas falências declarar, bancos alimentares anunciar, voluntários alistar, missas programar.

Em 2013 não sei quantas mentiras se vão dizer e verdades esconder, traições cometer, dignidades insultar, utopias corromper, egoísmos prevalecer, umbigos crescer, animais maltratar.

Em 2013 não sei quantos amigos vão permanecer, quantas amigas deixarei de ver, quanto sexo se vai fazer, quantas crianças vão nascer, que doenças evitar, quantos computadores comprar e redes compartilhar, quanto ruído e silêncio se vão instalar.

Em 2013 não sei quantos abraços se vão dar, viagens sonhar, sorrisos trocar, olhares cruzar, afetos partilhar, corpos entrelaçar, livros ler, ideias escrever, música escutar, filmes ver, teatro saborear, museus percorrer, exposições admirar, histórias contar, vida confessar, gente nova descobrir, e gostar.

Em 2013 não sei quem vai continuar.

Em 2013 não sei se será possível cantar.

Em 2013, ainda não sei.

PCR
Dezembro 2012






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