Só a luta anticapitalista porá fim à crise!

José Borralho - Sábado, 1 Dezembro, 2012

A luta contra a fascização do regime político e, consequentemente, para manter as liberdades democráticas burguesas, faz parte da luta diária e permanente de qualquer agrupamento ou partido político que se situe numa perspectiva de esquerda, se até a direita precisa de manter a fachada democrática.
A questão que nos está colocada não é pois a de elevar a luta democrática ao expoente máximo e ficar nesse terreno que, sendo necessário, não põe contudo em causa o sistema capitalista, este mesmo que está envolto numa crise sem retorno e que descarrega sobre os trabalhadores todos os seus malefícios.

E é aí que bate o ponto. o crescimento económico está bloqueado, o sistema debate-se com problemas de excesso de produção e de baixa da taxa de lucro, o que provocou duas consequências palpáveis para todos: o desmantelamento de partes do aparelho produtivo menos rentáveis e o desemprego galopante que acarreta a miséria.

A crise, que não tem a sua origem no sistema financeiro mas sim na própria economia real, não tem solução no quadro capitalista, por muito boas intenções dos partidos da esquerda do regime, que não se cansam de apresentar bons planos para pôr o país a produzir e a crescer, tornando a economia mais controlada, olvidando que as leis da concorrência ditam as regras do jogo.
A crise que aí está por todo o mundo burguês está prenhe de ser solucionada, mas fora do quadro capitalista, que se mostra ultrapassado, embora queira continuar a ditar as leis sobre as vidas dos trabalhadores e dos povos.

É por isso que não se pode fugir à questão: como vamos deitar abaixo este sistema podre e caduco, isto é: por onde vai romper a revolução?
Só uma lógica política que não deite esta questão para debaixo da mesa, fingindo que ela não existe, estará à altura das tarefas históricas do proletariado.

Unir tudo contra o capital. Fazer com que seja o capital a pagar a crise e não os trabalhadores. É por aqui o caminho da luta reivindicativa, democrática e revolucionária.






2 Comentários a “Só a luta anticapitalista porá fim à crise!”

  1. afonsomanuelgonçalves disse:

    Os últimos acontecimentos têm mostrado com grande evidência que uma imensa maioria do povo trabalhador está unido contra as medidas levadas a cobo pelo sistema capitalista para debelar a crise profunda que atravessa. No entanto, até agora o capital não foi molestado num cêntimo na contribuição do desagravar da crise. Os trabalhadores e a pequena burguesia têm sido o alvo preferível do poder político nessa tarefa. As manifestações de protesto seguem-se umas atrás de outras, no facebook lavram-se os mais destemidos escritos contra o governo e seus submissos subordinados.
    Isto revela que não é por falta de luta e de vontade política que os trabalhadores vêm satisfeitas as suas reinvindicações, o que significa que existe qualquer coisa muito mais grave que impede a mudança tão desejada e é neste ponto que a política de oposição ao capitalismo se revela impotente e sem os requesitos vitais capazes de levar por diante esses objectivos prementes. Sendo o impasse cada vez mais visível a burguesia cose à sua maneira a crise até à exaustão de quem trabalha e de quem não tem trabalho. Não há tempo para criar ilusões nesta crise insolúvel.

  2. António alvão disse:

    É uma vergonha três estrangeiros impor ao seu grande lacaio do capitalismo, medidas para a destruição dum país com dez milhões de habitantes e toda a “esquerda” e sindicatos e restantes “esquerdas” avulsas assobiar para o lado, excepto uma greve aqui e ali; sem pensar em conjugar esforços, no sentido de se fazer uma união de luta. Mas por favor, não me falem na ilusão das eleições, porque elas são a arte de iludir e de domesticar os povos, subjugando-os assim aos interesses do capital. Nada se transforma sem acção directa! É isto o que faz o capitalismo.
    Como fazer uma revolução num país cheio de correias de transmissões, quintas colunas, etc. E sem revolucionários capazes de acção?
    Unidos e organizados, nós damos-lhes a crise? (!!!).
    A.A.

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