O “Conselho do Povo” e o Conselho de Estado

José Borralho - Quinta-feira, 20 Setembro, 2012

“O país só se levanta quando a crise da dívida estiver resolvida, e por isso, em primeiro lugar é preciso equilibrar a situação financeira, dado que as empresas estão endividadas e precisam de ser ajudadas para procederem ao crescimento económico e ao emprego; só o povo pode salvar a situação suportando os custos da austeridade.” Esta é a tese defendida pelo governo e pela troika estrangeira. Mas quem provocou esta situação de endividamento e de estagnação da economia, foram os trabalhadores e o povo?

As causas da situação a que Portugal chegou residem na crise do capitalismo internacional provocada pela anarquia da produção de mercadorias e bens muito para lá da capacidade de compra social; crise de superprodução que, por sua vez, desencadeou a procura de lucros na especulação financeira e na liquidação das economias domésticas mais frágeis competitivamente.
Residem no enriquecimento brutal dos grandes patrões que investiram muitos dos seus lucros na compra dos mais diversos bens imobiliários e transferiram capitais para o estrangeiro.
Residem no enriquecimento de uma classe dirigente das empresas que usufruem de chorudos ordenados e benefícios milionários.
Residem no abandono do investimento no tecido produtivo, e no despesismo brutal do Estado em infraestruturas megalómanas incentivadas pela camarilha dirigente europeia.

Os resultados não poderiam ser mais desastrosos: quase um milhão e meio de desempregados, o 3.º país mais desigual da Europa, um endividamento externo que é de 124% do PIB. Uma classe burguesa a navegar em riqueza, um povo a empobrecer sem futuro nenhum, apesar das promessas para lá da austeridade.

Vivemos assim numa crise económica, social e política. Como resolvê-la é a grande questão que nos está colocada.
Os burgueses só têm uma coisa para oferecer: miséria, fome, desemprego.
Parece ter chegado a hora em que a iniciativa e a revolta das massas estão na ordem do dia, como aliás se começou a esboçar no grito de 15 de Setembro: a troika que se lixe, queremos as nossas vidas.
Eu acrescentaria: a troika, o governo e o capital que se lixem!

O governo de Passos Coelho, completamente vendido e rendido às imposições da troika, que sem dó nem piedade escraviza o povo, só pode conhecer um caminho: Rua!

Sintetizaria em poucas linhas o que exige o “Conselho do Povo” ao Conselho de Estado:
1- Anulação imediata de todas as medidas de austeridade sobre os trabalhadores e o povo e a sua passagem para as fortunas, privilégios, e mordomias das classes burguesas.
2- Demissão imediata do governo.
3- Fim das interferências da troika na vida do país.
4- Emprego para todos. Combater o desemprego exigindo a redução do horário de trabalho sem redução do vencimento.

Este poderá ser um caminho a seguir.

Portugal será um país livre e próspero se rejeitar as imposições imperialistas, rejeitar o modo de produção capitalista, socializar os meios de produção e confiscar as fortunas. É para aí que a história nos empurra, e esse momento chegará.






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