Gatunos! Gatunos!

15 de Setembro, uma explosão de protestos

Pedro Goulart - Segunda-feira, 17 Setembro, 2012

Uma das palavras mais gritadas nas manifestações de 15 de Setembro foi: gatunos, gatunos! Raramente uma palavra se mostrou tão adequada para expressar aquilo que é hoje efectivamente sentido por milhões de portugueses que, diariamente e de diversas maneiras, são espoliados pelo governo do PSD/CDS, a mando do patronato e da troika. E, ao contrário do que pretendem certos analistas e serviçais do sistema, o que está essencialmente em jogo nestas manifestações é o conteúdo – o esbulho – e não tanto um “défice de comunicação”.

Que outro termo mais apropriado utilizar para qualificar um governo que retira violentamente salários e subsídios de quem trabalha, assim como as pensões dos reformados, entregando a seguir parte desse montante nas mãos dos capitalistas? Não será mais acertado gritar, em relação às extorsões levadas a cabo por este governo, a expressão popular “agarra que é ladrão”, no seu sentido próprio, do que fazê-lo quando um trabalhador ou um pobre rouba comida para a família?

Sabemos que o patronato subtrai diariamente aos trabalhadores parte do valor por estes criado nas suas empresas, e que tal constitui a mais-valia apropriada pelo capitalista, a que muitos, em linguagem vulgar, chamam roubo. Mas isto faz parte da engrenagem do sistema actual e, muitas vezes, não é apercebido por grande parte das pessoas. Contudo, no contexto actual, o esbulho escandaloso de salários e pensões, particularmente da TSU (em que se mostra bem do que esta gente é capaz), aparece muito mais claramente como um autêntico roubo.

A justa indignação manifestada de diversos modos pelos trabalhadores e pelo povo, muito significativamente expressa nas manifestações do dia 15, pode conduzir a formas de luta mais libertas de peias institucionais e, eventualmente, mais radicais. Assim, parece poderem justificar-se as advertências do SIS e da PSP, que aconselham os ministros a não saírem à rua sozinhos. Aliás, o governo, ministros e outra gente do aparelho de estado, receosos pelos seus crimes, não são parcos na garantia dos meios dedicados às forças de segurança. Aqui, não há lugar a cortes significativos nas despesas. Por exemplo, dos 27000 veículos do parque automóvel do Estado, mais de 58% estão dedicados às forças de segurança. Pois a corja que governa o País sabe que quem semeia ventos pode colher as tempestades.

Que este 15 de Setembro represente uma boa lição para muitos, assim como o início de uma nova fase de luta das classes trabalhadoras e do povo português, no sentido da sua plena emancipação!






3 Comentários a “Gatunos! Gatunos!”

  1. M. Ricardo Sousa disse:

    A saída do Povo à rua nestas grandes manifestações é decisiva para barrar as políticas anti-sociais das classes dominantes da Europa e da sua junta governativa local. No entanto, nas ruas desembocaram muitos e distintos descontentamentos. A diversidade etária, social, cultural e política era notória e isso é bom, mostra até que ponto num dado momento se podem reunir diferentes grupos e classes com objectivos comuns. O contraponto é que estas manifestações não apontam um caminho alternativo nem demonstram (ainda) uma nova esperança para a luta social, embora tenham posto termo a um longo ciclo de passividade fatalista da sociedade portuguesa…
    Sendo assim e porque a máfia do PS e as novas e velhas vanguardas já estão de olho nas oportunidades de disputa pelo Poder há um longo caminho a percorrer por uma verdadeira mudança social que meta o capitalismo, e o estado, no caixote do lixo da história.
    Mas mesmo que esse objectivo não seja possível no nosso tempo nem por isso deixa de valer a pena a luta contra os donos do Poder. Que as ruas se encham mais vezes com o Povo.

  2. Manuel de Sousa disse:

    A foto que ilustra o artigo é do 1.º de Maio de 1975!

  3. Redacção disse:

    Caro Manuel de Sousa:
    Tem a certeza? Ficamos na dúvida. Pelo sim, pelo não, pusémos outra foto, também do Porto, que é seguramente da manif de 15 de Setembro.
    Obrigado pela atenção.
    A redacção

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