Derrota dos EUA e da NATO

Quinta-feira, 10 Maio, 2012

A situação no Afeganistão complica-se para os EUA. Depois de um ataque dos talibã à capital Cabul, em Abril, ter tomado conta, durante horas, das zonas onde se situam as embaixadas, o parlamento e o quartel-general da NATO, o presidente Karzai acusou os serviços de informação da NATO de fracasso. Em 1 de Maio, poucas horas depois de uma visita relâmpago de Barack Obama a Cabul, para assinar um acordo de “cooperação” com… o regime imposto pelos EUA, explodiu um carro bomba perto de uma base da NATO. Somado a isto, o presidente francês eleito, François Hollande, declarou que as tropas francesas (3300 homens) sairão do Afeganistão até final de 2012. Cheira a derrota ao estilo do Vietname.






3 Comentários a “Derrota dos EUA e da NATO”

  1. JT disse:

    Não é o vietname. Não está aqui em causa nenhuma libertação nacional (os próprios talibãs recebem as suas ordens de Islamabad, onde o fundamentalismo islâmico soma e segue), e os afegãos vão ficar novamente nas mãos da mais selvática forma de reacção que o mundo já conheceu em muito tempo.

    O Islamismo é o fascismo adaptado às condições da sociedade árabe e, tal como no fascismo clássico, a sua base de apoio é pequeno-burguesa, mas ninguém parece prestar grande atenção a isso. Algum comentário?

  2. mraposo disse:

    A comparação com o Vietname refere-se apenas ao modo como os EUA tiveram de sair de lá: sob o peso de uma derrota militar.

    Quanto ao mais, discordo de que não se trate de uma luta de libertação nacional. O país foi ocupado por potências estrangeiras e a resistência, seja ela qual for, procura expulsá-los – com larguíssimo apoio nas populações.
    E não espanta nada que recorra a apoios externos – os EUA não recorrem à União Europeia para manter a ocupação? Esta aliança é boa e a outra é má? Os EUA não fizeram do Paquistão uma base para atacar o Afeganistão? Neste caso têm legitimidade para o fazer?

    Outra coisa é saber se a libertação nacional em causa significa uma libertação popular, o que tem a ver com as forças que lideram a revolta.
    Por ser uma luta conduzida pela burguesia afegã a libertação da ocupação não representará, só por si, uma libertação do povo.
    Mas, nas condições políticas e sociais do Afeganistão de hoje (em que as forças progressistas foram dizimadas com o apoio do Ocidente, é bom lembrar), a emancipação dos trabalhadores afegãos só poderá seguir o seu caminho na sequência da libertação nacional que está em curso, quando as populações puderem ajustar contas com a sua própria burguesia.

    A comparação que faz com o fascismo é precipitada e a meu ver conduz em linha recta à conclusão de que os “Aliados” de hoje (EUA e UE, coligados na NATO) são os “libertadores” do povo afegão – coisa que os factos contrariam por inteiro.
    Ou não é assim que pensa?

  3. JT disse:

    Não sou ingénuo a esse ponto e não tendo a ver o mundo a preto-e-branco. Se quiser uma comparação mais adequada para o que está a acontecer no Afeganistão, eu proponho-lhe, não o Vietname, mas a invasão da Espanha (e Portugal) por Napoleão. O comportamento do exército invasor foi de tal forma violento e selvático, o seu apetite pelo poder e pelo domínio foi tão grande, que forçou o campesinato a aliar-se à aristocracia para o expulsar.

    Existem franjas da pequena-burguesia no mundo árabe que desejam abertamente a intervenção do imperialismo nos seus países (síria, irão, etc) como forma de derrubar os regimes vigentes. O problema é que o imperialismo não existe para ofertar democracia e progresso ás classes médias terceiro-mundistas, e sente frequentemente que os seus interesses são mais bem servidos por uma ditadura. As classes médias acabam por perceber isso…e odiar o ocidente.

    A situação paquistanesa é ambivalente. Eles colaboram com os americanos (porque foram ameaçados, como veio a transpirar)…enquanto que o seu serviço secreto protege os talibãs. O talibanismo foi produzido nas escolas islâmicas paquistanesas desde o início. Se há aqui uma aliança, é (como no caso da NATO), a de um vassalo com o seu senhor. E trata-se também de um grupo étnico (os pashtuns) a tratar de oprimir os restantes: tajiques, uzbeques, etc.

    Não empregue os termos «burguesia» e «trabalhadores» para caracterizar uma sociedade tão subdesenvolvida como a afegã. Temos ali camponeses e senhores tribais. Pouco mais. As cidades têm pouca importância. As poucas relações de produção capitalistas existentes são coisa recente e superficial, muito dificultadas pelo estado calamitoso do país.

    Não me interessa a que conclusões conduz ou pode conduzir a noção de que o islamismo é fascismo, mas se essa conclusão é correcta ou deixa de o ser.

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