Acordo de viabilização da Maconde é bom negócio para o BCP

Continua incerto o futuro da empresa e dos postos de trabalho

Urbano de Campos - Sábado, 3 Novembro, 2007

O banco liderado por Jardim Gonçalves (BCP) é o principal beneficiário do acordo de viabilização da Maconde, empresa têxtil e de confecções de Vila do Conde.
O acordo, firmado em final de Outubro com um consórcio bancário formado pela CGD e pelo BCP em resultado de negociações que decorreram desde Março, prevê um empréstimo de 6,6 milhões de euros para resolver o passivo de 32 milhões de euros que estrangula a firma. Para que o acordo fosse assinado, o BCP exigiu a divisão da empresa, passando a MacVila para as mãos de dois quadros da Maconde indigitados pelo banco. Os bens imóveis da empresa, entregues por conta da dívida, vão parar principalmente à posse do BCP. Acontece que a zona em que as instalações da Maconde se localizam está sujeita a forte pressão imobiliária, pelo que não é difícil prever que o fito dos bancos, sobretudo o de Jardim Gonçalves, será o de rentabilizar os terrenos numa operação urbanística, eliminando a unidade industrial que resta.

A crise da Maconde levou ao despedimento de cerca de 50 trabalhadores e mantém os restantes, quase 500, há meses com salários e subsídios de férias em atraso. A salvaguarda dos empregos que restam tem sido destacada como um dos méritos do acordo. Mas nas entrelinhas das declarações do presidente da mesa da assembleia geral da empresa e do secretário de Estado da Indústria, que mediou o acordo, pode ler-se uma dose razoável de incerteza. Com efeito, o primeiro disse que o acordo permitiria salvar “ a quase totalidade” dos postos de trabalho; e o segundo rodeou-se de cautela ao afirmar que o acordo garantia “a viabilidade económica imediata da Maconde”.

Diante das incertezas que continuam a pairar sobre o futuro próximo, não parece aconselhável que os trabalhadores descansem sobre o acordo. A hipótese de greve que puseram em meados de Outubro para forçar o pagamento dos salários atrasados pode voltar a tornar-se actual.






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