Porquê votar contra Cavaco

Posição do colectivo Mudar de Vida sobre as eleições presidenciais

Quarta-feira, 19 Janeiro, 2011

O regime está plenamente representado nas diferentes candidaturas presidenciais, da direita à esquerda. Mas uma larga faixa de gente revoltada não acredita nas propostas de campanha e não vê saída para a situação do país. Será essa a base e a razão maior da abstenção.

Falta uma candidatura que ataque os problemas a partir de fora e não de dentro do sistema instalado; que apresente os interesses das classes trabalhadoras sem o complexo derrotista de ter de “defender o regime” e “salvar a economia nacional”.

Nada de fundamental mudará, portanto, com as próximas eleições. Mas há uma diferença entre uma vitória de Cavaco Silva e uma derrota de Cavaco Silva. Não porque qualquer dos outros candidatos possa operar uma mudança do quadro político, mas porque a derrota do principal candidato da direita seria um incentivo para a resistência de massas. A aposta tem, por isso, de ser feita no sentido de derrotar Cavaco Silva – votando contra Cavaco.

Leia o texto completo da posição do colectivo Mudar de Vida sobre as presidenciais.

Presidenciais 2011
Porquê votar contra Cavaco

1.
O regime está plenamente representado nas diferentes candidaturas presidenciais. Naquilo que importa para os adeptos ou defensores da actual ordem política e social, não sobra nenhum espaço por preencher, da direita à esquerda.

Mas, por isso mesmo – como nenhuma das candidaturas coloca em causa os fundamentos do poder e do sistema social –, resta uma larga faixa de gente descontente, indignada, revoltada, desesperada, que não se identifica com nenhum candidato, que não acredita nas suas propostas de campanha e que, por isso, não vê como sair da situação que hoje se vive no país. Será essa a base e a razão maior da abstenção.

2.
Cavaco Silva reúne o consenso da direita, o que inclui boa parte da direcção do PS e do seu eleitorado.

É sobretudo pelo apoio, velado ou aberto, com que conta dentro do PS que Cavaco tem probabilidades de ganhar as eleições sem recurso a uma segunda volta. Se tal vier a verificar-se, será mais uma confirmação da natureza de direita do PS e mais um feito para o palmarés pessoal de José Sócrates.

Cavaco apresenta-se como promotor de equilíbrios em torno do chamado “bloco central” porque a situação crítica do capitalismo português e a instabilidade política entre as forças do poder a isso o obriga. Mas é, sem dúvida, o candidato natural dos sectores mais à direita do regime (empresários, a generalidade dos capitalistas e proprietários, quadros, Igreja, partidos e forças sociais reaccionárias).

3.
Os promotores da candidatura de Fernando Nobre pretenderam criar uma alternativa a Cavaco Silva – mas só ligeiramente mais “à esquerda”. Procuraram roubar apoios a Cavaco e anular Manuel Alegre.

O resultado, porém, na ânsia de abarcar o maior espectro possível de eleitores e entrar pelo campo da direita, é uma miscelânea de nacionalismo reaccionário e de assistencialismo católico.

Prestigiado pelas suas campanhas humanitárias, mas tendo revelado sempre grande inconsistência política, Nobre surge como uma figura instrumentalizada, sem convicções políticas próprias, que procura acertar o discurso pelos ventos dominantes – o que o torna vulnerável sobretudo a ideias de direita.

4.
Manuel Alegre, que ganhou a aura de “esquerda do PS” (o que não é difícil), mostra-se incapaz sequer de dar voz a uma linha de contestação à política de José Sócrates – quanto mais de lhe criar uma alternativa.

O apoio, formal, de Sócrates compromete-o com a política de direita seguida pelo PS, como se comprova pela sua incapacidade de crítica às medidas de verdadeiro terrorismo social exigidas pelo patronato e aplicadas pelo governo, antes e depois da candidatura estar lançada.

O Bloco de Esquerda, que se iludiu com a ideia de fazer vergar Sócrates diante de uma esquerda mobilizada por Manuel Alegre (e de retirar, com isso, campo de manobra ao PCP ) vê-se agora na contingência de não fazer grandes exigências políticas ao candidato para ver se a direcção do PS não deserta por completo da campanha – correndo entretanto o risco de ver desanimar boa parte do próprio eleitorado bloquista.

5.
A candidatura do PCP, antes mesmo de se saber que o candidato seria Francisco Lopes, foi anunciada como a única que teria a liberdade de contestar a política do PS e de defender os interesses populares.

Tem sido esse o sentido da campanha. Mas o discurso de Francisco Lopes padece de uma falha grave: não ousa ultrapassar os limites do que se poderia chamar a “decência democrática” e a “decência nacional”. Fica-se pela indignação comum – nada contra o regime, nada contra o capitalismo. Numa palavra, não ousa atacar a política do patronato, do governo e dos partidos da direita nos seus fundamentos capitalistas e burgueses.

Ora, mais do que nunca, a presente crise capitalista mostra os limites do sistema social dominante e o futuro negro que está reservado para as próximas gerações.
Sem mostrar isso mesmo à população, sem apontar a incapacidade presente e futura do capitalismo para satisfazer as necessidades sociais – não se dá a entender aos trabalhadores quais são os caminhos de resposta. E não se libertam as energias sociais capazes de fazer frente à ofensiva direitista do patronato europeu e português.

A candidatura do PCP apresenta-se, assim, como porta-voz daquilo que mais à esquerda se pode dizer sem sair dos limites do regime político e social dominante – mas não do que de mais à esquerda se pode dizer contra o regime político e social dominante.

6.
Falta uma candidatura que ataque os problemas políticos e sociais a partir de fora e não de dentro do regime. Que apresente os interesses exclusivos das classes trabalhadoras sem compromissos nem meias tintas, sem o complexo derrotista de ter de “defender o regime” e “salvar a economia nacional”.

Nas actuais condições, isso significaria, do nosso ponto de vista, conduzir uma campanha em torno de uma ideia central: mobilizar forças para obrigar o capital a pagar a crise. Só a partir de uma tal posição, descomprometida com o regime, se poderia chamar à acção massas capazes de fazer frente à política actual.

A ausência na campanha destas posições políticas não pode, obviamente, ser assacada a nenhuma das forças partidárias existentes, que cumprem os seus respectivos papéis, cada uma no seu lugar. A falta de uma candidatura deste tipo tem de ser encarada como um sinal da fraqueza, política e organizativa, da esquerda revolucionária.

7.
Somos, por isso, indiferentes ao resultado da eleição presidencial? Não.

Estamos certos de que nada de fundamental mudará sem uma participação directa das massas trabalhadoras na acção política, em defesa dos seus próprios interesses. E que, portanto, nada de fundamental mudará com as próximas eleições.

Mas reconhecemos, apesar de tudo, uma diferença entre uma vitória de Cavaco Silva e uma derrota de Cavaco Silva.
Não por acreditarmos que qualquer dos outros candidatos possa operar uma mudança do quadro político no sentido que sugerimos – mas porque a derrota do principal candidato da burguesia alteraria, mesmo que momentaneamente, os equilíbrios políticos do poder; provocaria um período de confusão nas hostes da direita; seria um sinal público de condenação da política seguida pelo governo e, portanto, um aviso ao patronato que a promove, até aqui impunemente.
Mas, acima de tudo, daria conta de que uma alteração da relação de forças sociais é possível. E isso poderia ser um incentivo para a resistência de massas.

A abstenção do eleitorado situado à esquerda favorece, para mais nas condições em que decorre o acto eleitoral, a possibilidade de Cavaco Silva arrecadar mais de metade dos votos e, assim, ganhar à primeira volta. Mesmo sendo difícil inverter esta tendência, a aposta política tem, de qualquer modo, de ser feita no sentido de derrotar Cavaco Silva – votando contra Cavaco Silva.


Colectivo Mudar de Vida
18 de Janeiro de 2011






5 Comentários a “Porquê votar contra Cavaco”

  1. Manuel de Sousa disse:

    Votar para quê?

    Não compreendo como se pode, ainda, achar que o voto contribui para alguma coisa que não seja ajudar a dar legitimidade ao Estado e às classes dominantes, num contexto de descrédito crescente dos políticos e do Estado. Não é por acaso que todos estão muito preocupados com a abstenção.
    Tanto mais que esse Alegre é o mesmo da segurança do PS de 75, com seus amigos de direita, e das malas de dinheiro vindas da Alemanha e dos States, relatadas por Rui Mateus, o político profissional do PS que nunca deixou de acompanhar, no essencial, os zizagues do partido na restauração e gestão do Capital nacional… O resto é poesia, e dessa uns gostam outros não tanto.
    O nosso problema, dos anti-capitalistas, é o das ruas. Saber como, e de que forma, se pode contribuir para a luta social contra estas classes dominantes (nacionais e globais) e contra os donos do Poder. Quanto às máfias que dominam o Estado o nosso papel não é ajudar na sua selecção. A esses aplica-se o princípio da selecção natural de Darwin, até ao dia em que a plebe decida da sua supressão.
    O resto é a velha retórica das tácticas de «esquerda» da opção do mal menor: engolir sapos cada vez mais indigestos!!!

    Saúde e liberdade.

  2. A CHISPA ! disse:

    A “A Chispa!” concorda inteiramente com a análise feita pelo MV sobre as próximas eleições presidenciais, no entanto a derrota ou não de Cavaco obriga nas actuais circunstâncias a um aproximar de todas as forças revolucionárias,façamos por isso!
    A Chispa!

  3. afonsomanuelgonçalves disse:

    Manuel de Sousa reafirma de forma muito concreta e sucinta o estado de espírito da grande maioria dos trabalhadores portugueses relativamente às eleições presidenciais que decorrem no próximo domingo. Por isso o verredicto já está feito, ainda que subsistam algumas dúvidas ou surja um resultado inesperado surpreendente. Estas eleições serão em princípio a derrota cabal do próprio regime democrático burguês e por isso a abstenção será, eventualmente, neste momento a resposta mais clara dessa derrota.

  4. Pedro disse:

    CARTA ABERTA AOS MEUS AMIGOS E COMPATRIOTAS
    (ou a espasmo-provocação à Comissão Nacional de Eleições que deve ser constituída por pessoas que ainda votam)

    Boas,

    Não nos ensinaram nas escolas que escolhermos por nós mesmos é um acto de liberdade e que só pela nossa individualidade podemos crescer enquanto cidadãos, porquê? Porque é pela diferença de cada um que podemos enriquecer a igualdade de todos e assim partilhar as ideias e as responsabilidades, as tarefas e a gestão comum, que alguns querem guardar para si de modo a conservarem o seu poder sobre os outros; não nos disseram que os governantes ou os ditos presidentes, são cargos de irresponsabilidade já que estes perdem a sua individualidade, a sua pessoa, a sua subjectividade, para seguirem um programa politico, uma ideologia, ou a simples vontade comum que nada tem a ver com a economia popular em que todos deviam participar; precisamente “eles” são o contrário disso e protegem o sucesso e o poder económico de uma minoria milionária, isto por serem políticos fracos que se apoiam na fraqueza dos outros (não esqueçamos que todos os candidatos à presidência da républica são de uma certa forma burguseses, senão não permitiriam que se gastasse tanto dinheiro só para pedirem que votem por eles, a chamada “campanha”. Afinal estamos em crise, não!?).

    Esta irresponsabilidade do governado que pede para que o governem, ou do governante que abandona a sua própria personalidade para se tornar, por exemplo, “o presidente”, é um acto atroz e corrupto, pois desde o momento em que uma pessoa abandona a sua “subjectividade”, a sua personalidade, passa a colaborar com a aparência, a politica ilusória, enfim, a mentira. Como podemos ainda votar por alguém que quer ser presidente? Como podemos votar por alguém que pede que o escolham a ele? Vejam a perversidade das fraso-caricaturas seguintes: “Votem por mim! Sou eu que vocês precisam! Sou eu o salvador da pátria! Eu sou o melhor!”.

    A democracia representativa não é uma democracia, pois esta despersonaliza cada cidadão da sua individualidade e não permite a cada individualidade assumir as suas mesmas responsabilidades (o ser ele mesmo). Esta falsa democracia não permite a existência e a participação de todos os cidadãos na verdadeira politica. Assim sem expontâneidade o povo vota quando lhe dizem para votar, escolhe por entre os candidatos que os médias lhes propõem, e, tirando um ou outro referendo, come e cala durante quatro anos as maiores atrocidades que os dirigentes politicos lhes impõe, estes então, são apenas marionetas que se submetem ao grande jogo do mercado capitalista mundial.

    Repare-se também no facto de serem sempre os candidatos que possuem mais dinheiro os que têm mais mediatismo e por isso mais votos. Sei que alguns de entre vós são filiados e apoiantes de alguns partidos, ou praticantes de alguma ideologia, outros simplesmente simpatizantes de um candidato, outros já não votarão há anos por desconfiança e desmotivação, outros estão-se nas tintas, mas se vos escrevo esta carta é ainda na esperança que alguns de entre nós tome consciência do acto de inconsciência que é votar por alguém em nosso nome.
    A crise está para além da economia. Portugal que se tem mantido em valores conservadores, moderados, centristas, na moleza, desde a ditadura, não teve ainda tempo para explodir enquanto cultura e impôr a sua maior originalidade que é a de não acreditar mais em sistemas representativos.

    Não é por acaso que a Comissão Nacional de Eleições insiste que votos brancos e nulos não têm influência no resultado e claro que, com a ajuda dos partidos, sindicatos e candidatos, a informação se progaga e o português convence-se que é votando por um representante político que asseguramos o nosso futuro. Este futuro tem de repensar-se de base e talvez pelas nossas relações mercantis, salariais, intelectuais e manuais.

    Quem manda, é o grande capital abstracto que faz a regra, balançando as cartas no jogo onde uns perdem, outros ganham, mas os que perdem já sabemos quem são e fazemos parte deles. Se somos nós que perdemos que fariam eles se ninguém votasse? Esta coisa de governar ficaria uma coisa de filiados e adeptos do partido, com apoiantes, entre amigos/inimigos que decidiriam o que fazer? Lembremos o “Ensaio sobre a lucidez” do José Saramago e de como os dirigentes políticos se abanariam todos para combater o movimento “brancoso”. Isto é uma ficção, é óbvio, mas enquanto estivermos na realidade e seguirmos o movimento Barroso, votando por cordeirinhos maoistas que viram lobos maus sociais democratas, primeiros-ministros e presidem depois na Comissão da União Europeia abandonando os cargos porque lhes dá jeito ao bolso, acabamos sempre por perder. A esta instabilidade causada por pessoas que procuram o poder como salta-pocinhas que mudam de pele consoante lhes convém já estamos habituados… agora podemos votar pelo José Manuel Coelho que militava com o Partido Comunista Português até 1999, e depois para ir às eleições virou Partido Nova Democracia de tendência liberal e conservadora, totalmente defendendo o contrário do que defendia antes; o Fernando Nobre, que usa o culto da sua própria imagem e o populismo (típico dos ditadores em época de recessão económica), “fez parte da convenção do PSD em 2002, da Comissão de Honra e da Comissão Política da candidatura de Mário Soares pelo PS à Presidência da República em 2006, mandatário nacional do Bloco de Esquerda nas eleições europeias de 2009 e membro da Comissão de Honra da candidatura de António Capucho do PSD ao Município de Cascais em 2009 »; isto para despedir já dois candidatos de quem desconfiar e que não representam senão o lado indeciso e espertalhão que já conhecemos.

    Naqueles que são mais fiéis e sinceros encontramos uma moral escondida por detrás de cada ideologia. Mas como a moral é sempre a moral dos outros… o Francisco Lopes, electrecista no Partido Comunista Português, diz que a sua candidatura é “patriota” e assim vai repetindo o discurso reformista do partido que não convence neste momento de recessão; o Cavaco Silva, o actuel Presidente da Républica desde há 4 anos (este não precisa de apresentações pois foi Primeiro ministro durante quase 10 anos, e representou a política néo-liberal e conservadora da direita portuguesa) aparece apoiado por toda a direita-liberal que o quer proteger pois é ele quem protege os seus interesses privados, diz que a sua preocupação primordial é que não falte dinheiro aos desempregados, deficientes, reformados, enfim, aos precários, o que é bastante hipócrita pois é precisamente na miséria que estes têm sobrevivido nos últimos anos (senão não seriam precários!); o Manuel Alegre, a figura representada pela esquerda, com raízes socialistas, mas porém ligado à imagem do PS (partido de socialista só tem o nome), não deixa grandes esperanças a não ser para o Bloco de Esquerda que ainda quer chegar ao pódium pensando salvar-nos da crise para a qual ele mesmo não está preparado, e embora seja um dos grandes resistentes ao fascismo, um grande poeta, não deixa de se enganar ao querer ser Presidente da Républica. Defensor de Moura não tem razão de ser, pois o Partido Socialista já tem Manuel Alegre, mas também tenta a sua sorte, atrapalha a candidatura do precedente, investe uns trocos em si mesmo, enfim…

    Chamo ainda a atenção para o facto de uma das poucas funções do cargo de Presidente da Républica ser o da dissolução da Assembleia da Républica. Se o Presidente actual, o Cavaco Silva, fôr eleito de novo, pode muito bem usar o facto de estarmos em “crise” para acabar com o péssimo governo de José Sócrates, tudo isto não no intuito de salvar o país, mas meramente de instalar um governo de coligação de direita capaz de satisfazer os interesses da sua classe e daqueles que têm a barriga cheia.

    Assim quero terminar lembrando que se quisermos dissolver a Assembleia ou expulsar esse bando de irresponsáveis que submeteram o país às artimanhas do monopólio mundial corrupto e escravizante para aqueles que recebem, por exemplo, 485 euros por mês, não precisamos de presidente nenhum, precisamos simplesmente de estar unidos, sermos muitos, enfrentar a polícia que protege o Parlamento, forçarmos a passagem em força e com convicção, e ocuparmos os lugares daqueles que nos enterram todos os dias. Lembremos ainda que desde o 25 de Abril de 1974 o caminho de Portugal foi o de servir os caprichos de meia-dúzia de índivíduos, que acabou por abrir portas aos donos dos supermercados, às multinacionais, a muitos ministros e vários presidentes da Républica, que nos levam dia-a-dia ao abismo. Não precisamos deles.

    Alguns movimentos apareceram nestes últimos dias em Portugal reflectindo a angústia geral de país, como o Movimento Cívico de Cidadãos de Miranda e Lousã ou a Associação de Defesa do Património de Beja que apelam ao boicote das eleições. É preciso que o povo português seja solidário e tome as rédeas. Se a tentativa de reforma agrária no período do pós-25 de Abril nos foi roubada pelos agentes partidários da esquerda reaccionária e totalitária para depois ser entregue de novo nas mãos patronado, a vontade de tomarmos conta de nós mesmos não desapareceu, ou se desapareceu, começa agora a renascer.

    A cada um valha responsabilidade da coexistência entre humanos, entre conterrâneos, entre mulheres e homens capazes de levantar autónomamente um país. Por isso e por muito mais que fica por dizer:

    NÃO VOTEMOS POR NENHUM PRESIDENTE, RECUSEMOS SER REPRESENTADOS POR IRRESPONSAVEIS, RECUSEMOS QUE SE APRESENTEM EM NOSSO NOME, SEJAMOS SOLIDARIOS E MANIFESTEMOS O DESCONTENTAMENTO GERAL UNICO E SIMPLESMENTE PORTUGUES, FORA COM AS IDEOLOGIAS BARATAS DOS PARTIDOS E SINDICATOS, AGORA QUEM TEM QUE FALAR SOMOS NOS OS PORTUGUESES DE CULTURA E EXPRESSAO, COMECEMOS AGORA O PRINCIPIO DO FIM DESTA BALBURDIA ONDE OS LADRÕES-VICTIMAS SE SUCEDEM UNS ATRAS DOS OUTROS METENDO AO BOLSO O QUE NOS PERTENCE.

    Abstenção ou voto branco, VIVA O NÓS!!!

    Pedro
    (poeta com germes de cineasta, empregado e auto-exilado no estrangeiro

  5. Francisco Norega disse:

    abstenção essa que, no entanto, não altera nada.

    o voto não tem que anular a acção nas ruas, nem o contrário. batalhemos em duas frentes – enquanto não conseguirmos mudar o sistema, minimizemos os estragos por ele provocado!

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