Editorial

O que faz falta

Segunda-feira, 26 Abril, 2010

A acesa guerrilha travada há meses entre os partidos do poder é tudo menos luta política. A corrupção e as golpaças reveladas têm, seguramente, absoluto fundamento: fazem parte do modo de vida do capital e do poder político que o serve. Como disse Marx, vivemos no tempo em que “tudo se torna objecto de tráfico” e isso significa “o tempo da corrupção geral, da venalidade universal”.

Mas o fogo cruzado de escândalos serve apenas para que as forças do poder disputem entre si lugares e supremacia política. Nada que tenha a ver com uma correcção do rumo que o país leva. A política do PS reúne no essencial a concordância dos homens de negócios e essa é que é a bitola. PSD e CDS limitam-se a reclamar afinações e a anunciar, desde já, medidas ainda mais violentas.

Com efeito, o bloco do poder, correspondendo ao imperativo do mundo dos negócios, declarou por consenso uma guerra de classe aos trabalhadores, materializada no Orçamento do Estado e no Programa de Estabilidade e Crescimento.
No OE e no PEC não se vislumbra uma orientação de combate ao desemprego ou à degradação das condições de vida da população. Pelo contrário, todo o “estímulo” ao crescimento económico passa por reduzir o valor do trabalho; e a diminuição do défice do Estado passa por extorquir mais dinheiro aos assalariados. Qualquer ideia que restasse de “pacto social” entre capital e trabalho foi varrida.

Cabe particularmente ao movimento sindical levantar uma barreira a esta ofensiva. Só o conseguirá se eliminar as ilusões sobre bons e maus patrões, se não esperar bom senso da parte do capital, se fizer apelo às energias de classe dos trabalhadores, se estimular a combatividade, se der a perceber que as vitórias terão de ser arrancadas a partir de posições de força.
É esse o sinal que se espera das próximas manifestações de 25 de Abril e 1 de Maio; e sobretudo das greves dos Transportes e da Função Pública.






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