José Afonso

O músico, o resistente, o homem solidário

Pedro Goulart - Sexta-feira, 14 Agosto, 2009

zecaafonso_web.jpgNa passagem dos 80 anos do nascimento de José Afonso (2 de Agosto de 1929) queremos relembrar o músico – grande compositor e intérprete – que nos deixou obras tão belas, generosas e combativas, que hoje permanecem vivas como arte e símbolo da resistência ao fascismo. Das quais destacamos: Os Vampiros, Grândola Vila Morena, A Morte Saiu à Rua, Venham mais Cinco, Utopia, Coro dos Tribunais ou Galinhas do Mato. Mas queremos, sobretudo, salientar a acção do resistente e do homem solidário.

Antes do 25 de Abril de 1974, a sua música foi profundamente marcada pela situação política ditatorial que então se vivia no País e procurou ser um factor de combate a essa mesma situação. Nos fins da década de sessenta, Zeca Afonso aparecia nitidamente como um dos símbolos da resistência à ditadura. Manteve, na altura, ligações com a LUAR e o PCP e, devido a estas ligações e à sua intervenção musical, sofreu várias prisões e perseguições (inclusive sendo expulso do ensino oficial, quando dava aulas no Liceu de Setúbal).

Depois do 25 de Abril, denunciou, através da sua música, os valores burgueses que então dominavam na sociedade portuguesa, esteve envolvido em várias iniciativas e lutas populares e foi solidário com os combatentes políticos vítimas da repressão do novo poder.

Em 1976, José Afonso apoiou a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho à presidência da República, candidatura e programa que, na altura, representavam parte significativa dos que então se reivindicavam em Portugal da esquerda popular e revolucionária.
Em fins de 1983, foi-lhe atribuída a Ordem da Liberdade, que rejeitou.

Nas décadas de oitenta e noventa destacou-se pela grande solidariedade manifestada aos presos políticos do capitalismo português: primeiro no caso PRP e, depois, quando já estava bastante doente (morreu em 1987), no caso FUP/FP-25.

Consideramos que estas questões devem ser particularmente salientadas, para que não se ouçam sobretudo as vozes daqueles que no poder (ou conluiados com ele) pretendem acentuar o aspecto artístico da obra do Zeca para ocultar a sua intervenção política, visando com isso normalizar/integrar no sistema capitalista a memória do resistente, que o José Afonso efectivamente foi.






Um Comentário a “José Afonso”

  1. Paulo Esperança disse:

    http://www.80anosdezeca.blogspot.com/
    Consultem o blogue “80 Anos de Zeca”
    Paulo Esperança

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