A campanha dos EUA para desacreditar as eleições no Irão

Paul Craig Roberts / MV (CM) - Sexta-feira, 3 Julho, 2009

irao.jpgA campanha de descrédito lançada sobre as eleições no Irão, com origem nos EUA e no Reino Unido, é desmontada por Paul Craig Roberts, num artigo publicado no site norte-americano CounterPunch, de que divulgamos um resumo. Paul Roberts, economista e ex-secretário adjunto para o Tesouro no governo de Reagan, conhece bem os processos usados pelos EUA, sendo uma das mais vozes mais críticas da política belicista da Casa Branca.

Os media norte-americanos, autêntico Ministério da Propaganda sob o controlo do Governo, reagiram à reeleição de Ahmadinedjad apresentando continuamente iranianos que, recorrendo à violência, contestavam eleições deturpadas pela fraude. Fraude tida por verdadeira, quando não existem quaisquer provas do facto. No tempo de George W. Bush et Karl Rove, uma fraude eleitoral perfeitamente desmontada foi pura e simplesmente ignorada pelos media dos EUA.

Os chefes de Estado britânico e alemão associaram-se às operações norte-americanas de “guerra psicológica”, por lhes estarem absolutamente rendidos. Mesmo desacreditado, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, David Miliband, exprimiu, por ocasião de um encontro interministerial europeu no Luxemburgo, as suas “sérias dúvidas” relativamente à vitória de Ahmadinedjad. Contenta-se em seguir as instruções ditadas por Washington e em fazer fé nas afirmações do candidato derrotado, o preferido pela administração norte-americana.

A chanceler alemã, Angela Merkel, também foi fácil de convencer. Dirige-se ao embaixador iraniano para exigir-lhe “mais transparência” em matéria eleitoral.

Sondagens desmentem fraude
Qual é a fonte de informação dos media dos EUA e dos estados sob a sua influência ? Exclusivamente as afirmações do candidato derrotado, aquele que Washington prefere.
Mas existem provas sérias do inverso. Antes das eleições, equipas de sondagens conduziram um inquérito independente e objectivo. Ken Ballen, inquiridor junto do Center for Public Opinion, e Patrick Doherty, da New America Foundation, duas organizações sem fins lucrativos, publicam os seus resultados no Washington Post de 15 de Junho. A sondagem foi financiada pela Fundação Rockefeller e realizada em língua persa por uma empresa de sondagens cujo desempenho na região, por conta da ABC News e da BBC, foi recompensado com um Emmy Award.

Os resultados desta sondagem, única informação verdadeira de que dispomos até hoje, demonstram que os números de votos registados correspondem à vontade do povo iraniano. Entre outras informações particularmente interessantes, ficamos a saber que:

“Vários peritos consideram que a larga vitória do presidente em funções, Mahmoud Ahmadinejad, resulta de uma fraude ou de uma manipulação, mas a nossa sondagem, levada a cabo por todo o país nas 3 semanas que antecederam as eleições, mostra que Ahmadinejad recolheria 2/3 dos votos – uma vitória mais clara ainda do que aquela que veio a verificar-se nas urnas.
Ao mesmo tempo que as notícias ocidentais mostravam, nos dias que antecederam as eleições, o entusiasmo da opinião pública em Teerão por Mir Hussein Moussavi, o principal opositor, as nossas amostras, recolhidas de acordo com métodos científicos na totalidade das 30 províncias, anunciavam que Ahmadinejad seria claramente vencedor.
Os únicos grupos que atribuíam a maioria a Moussavi, ou um número de votos tão importante, eram estudantes ou universitários e lares mais abonados. Quando levámos a cabo a sondagem, quase um terço dos Iranianos ainda estava indeciso. Mas a distribuição dos votos que constatámos reflecte aquela que foi anunciada pelas autoridades iranianas, o que sugere a ausência de fraude eleitoral maciça.”

Desestabilização programada pelos EUA
Inúmeras informações dão conta de um programa dos EUA de desestabilização do Irão. Já foi denunciado que os EUA financiavam atentados com explosivos e assassinatos em território iraniano. Para os media norte-americanos isto é motivo de fanfarronice, por ser uma ilustração da capacidade dos EUA de fazer alinhar os países que não pensem como eles. Para alguns media estrangeiros é a prova da amoralidade intrínseca da administração norte-americana.

O ex-chefe do exército paquistanês, o general Mirza Aslam Beig, declarou a 15 de Junho à Pashto Radio que informações não contestadas, recolhidas pelos serviços secretos, confirmam a ingerência dos EUA nas eleições iranianas. “Estes documentos provam que a CIA dispendeu 400 milhões de dólares para fabricar ex nihilo uma revolução colorida, mas vazia”.

Planos de agressão militar
A administração norte-americana utiliza os iranianos ocidentalizados para criar as condições de lançar o descrédito sobre as eleições e o governo iranianos.

No dia 14 de Junho, a sede de Washington da McClatchy – editora norte-americana que conta com 14 mil colaboradores responsável pela edição de vários jornais e sites na Internet – que procura por vezes prestar informações exactas, alinhou pela ideia de uma guerra psicológica conduzida por Washington e declarou: “Os resultados das eleições iranianas são prejudiciais para os esforços de Obama no sentido de estabelecer relações com o Irão”. Por detrás destas palavras perfila-se o esgar do “fracasso diplomático” que serviria de pretexto para o recurso à solução militar.

Conhecendo perfeitamente os meandros internos dos procedimentos da administração norte-americana, penso que esta administração, ao manipular os media norte-americanos e os dos seus estados-satélites, se propõe desacreditar o governo iraniano apresentando-o como opressor do seu povo, de quem asfixia a vontade. Desta forma, a administração norte-americana prepara uma agressão militar ao Irão.

A verdade e os factos não contam
Com o apoio de Moussavi a administração norte-americana fabrica outro “povo oprimido”, que, tal como os iraquianos sob Saddam Hussein, tem grande necessidade de fundos e de sangue norte-americano para libertar-se. Moussavi, o candidato dos EUA às eleições iranianas, que foi derrotado, teria sido escolhido por Washington para tornar-se o dirigente-fantoche do seu país?

A grande superpotência machista está sedenta para restabelecer a sua hegemonia sobre o povo iraniano e desta feita saldar as suas contas com os ayatollahs que em 1979 puseram fim à dominação norte-americana sobre o Irão. É este o cenário escolhido. Vemo-lo a cada minuto na televisão.

Ora, a única informação fundamentada é a sondagem acima referida, que colocava Ahmadinejad como favorito, com dois terços de intenções de voto. Mas aqui, como de todas as vezes em que se trata da hegemonia norte-americana sobre os outros povos, a verdade e os factos não desempenham qualquer papel. Estamos no reinado da mentira e da propaganda.

Devorados pela sua ambição hegemónica, os EUA estão condenados a triunfar sobre os outros, desprezando a moral e a justiça. Este cenário manter-se-á, ameaçando o mundo inteiro, até que eles próprios se conduzam à bancarrota, depois de se terem alienado do resto do mundo ao ponto de se encontrarem isolados e desprezados por todos.






Um Comentário a “A campanha dos EUA para desacreditar as eleições no Irão”

  1. anonimo disse:

    Os povos que realmente almejam ser livres, soberanos e independentes e que para isso venham aderir a um caminho adequado na construção do desenvolvimento democrático, conforme suas realidades sociais, políticas e econômicas, mesmo que para isso procedam não aceitando ficar nas “mãos” de “joelhos” submisso sob controle absoluto, obediente, e subserviente servindo aos interesses do Império, assim deixando de rezar na cartilha dos EUA, esses povos são perseguidos e suas eleições livres são consideradas irregulares ou fraudadas, pois, o império estadunidense apenas aceita eleições de regimes que lhes são favoráveis ou subservientes, ademais, o governo eleito é sempre rotulado pelos imperialistas estadunidenses de totalitário, tirânico, ditadura e seus inimigos.
    A “Democracia” é para os estadunidenses quando os EUA mandam, ditam as regras, subjugam e submetem os povos a condição e posição de dependência, obediência, sujeição, subserviência e controle, mas quando os povos se erguem e tentam colocarem-se contra a dominação, tirania, vontade e interesses dos EUA, então isso é considerado ditadura para o Nacional-imperialismo estadunidense.

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