Editorial

Eleições

Quarta-feira, 3 Junho, 2009

A sequência de eleições que aí vem é uma temporada óptima para fazer crer que as respostas à crise económica e social estão nos programas dos partidos concorrentes. E que para curar os males do país basta escolher “bem”.
Ora, se em tempo de negócios normais as eleições não têm a virtude de fazer valer os interesses da massa trabalhadora, em tempo de descalabro económico ainda menos. Toda a propaganda dominante, com efeito, vai no sentido de sugerir “medidas”, propor “alternativas”, penalizar “más políticas” – sugerindo que o êxito na “resposta à crise” é uma questão de competência.

Mas se há mérito nesta crise é o de mostrar que os interesses de quem possui capital não são conciliáveis com os de quem trabalha. Não há outra maneira de responder à crise senão pelo reforço da luta de classes para que, pela força dos protestos, os interesses de quem trabalha travem as ambições de quem explora e despede. A resposta não virá, pois, de soluções “técnicas” (económicas ou político-partidárias), mas da força posta na acção para fazer valer os respectivos direitos. É o que o capital está a fazer – apoiado na lei, na autoridade, nos tribunais, nas polícias. E também nos actos eleitorais, de forma a legitimar de novo o exercício do poder.

A defensiva em que o povo se encontra, põe de lado qualquer mudança de fundo do quadro político actual. Mas, ainda assim, o resultado das próximas eleições não será indiferente para o curso da luta dos trabalhadores. Importa que os partidos do capital (PS, PSD e CDS) sofram, por junto, uma derrota e que nenhum deles obtenha maioria absoluta. Isto daria uma pequena, mas importante, margem de iniciativa política ao campo popular. Mas este cálculo só tem sentido nas condições de desenvolvimento da luta de massas. Pequenos ganhos políticos podem ser importantes se resultarem dessa acção – fora disso não haverá seguramente quaisquer ganhos.






4 Comentários a “Eleições”

  1. Emanuel disse:

    Nem todos as forças políticas promovem a competência para gerir a crise do capital, isto porque nem todas as forças políticas acreditam na boa gestão capitalista da sociedade! Temos a CDU a convergência de esquerda de Portugal que tem em vista o fim do capitalismo e o comunismo como base para o futuro de Portugal: temos portanto uma força política que sabe que os problemas que enfrentamos não se resolvem com competência, mas sim com direitos, com justiça, e com igualdade.

  2. Bakunine disse:

    Claro, no quadro das eleições os trabalhadores já perderam porque os chamados partidos de esquerda PCP/BE estão enfileirados no sistema e nada se pode esperar deles.
    A única saída para os trabalhadores só pode ser a sua luta diária pela sua emancipação social de luta por melhores condições de vida e de trabalho e é nas empresas que essa luta começa. A greve geral contra este sistema e contra este governo reaccionário poderia ser um primeiro passo.
    Mas no estado em que estão os trabalhadores a sua capacidade reivindicativa autónoma e o seu ânimo é muito baixo e depois não temos sindicatos à altura de confrontar a ofensiva do capital.
    Primeiro temos que nos juntar formar novo (s) sindicato de ofícios vários, revolucionários e depois vamos reunir em assembleia e formar a nossa estratégia de defesa dos trabalhadores.

  3. Manuel Baptista disse:

    Como é de esperar, a esquerda reformista vai fazer pesar um enorme esforço de propaganda para a tal «alternativa eleitoral» de esquerda. Isto significa que os militantes dos partidos de esquerda que estão a participar activamente em processos da luta de classes (seja ao nível das empresas ou de outras lutas de classe não directamente laborais) serão induzidos a pôr entre parêntisis essas tais lutas, para se dedicarem à propaganda política. Surgirá mais uma vez uma acalmia da luta de classes num momento em que a classe trabalhadora está sob fortíssimo ataque.
    Por outras palavras, os burocratas sindicais/políticos estão já a congeminar um desviar das energias para a pugna eleitoral, a qual nunca irá resolver nada, sobretudo porque é escusado termos a ilusão de que com ESTES burocratas na direcção dos sindicatos e dos partidos teremos uma perspectiva revolucionária da luta de classes.
    Sempre, em Portugal, os períodos eleitorais são de «paz social».
    Muitas lutas, ou são completamente abandonadas pelos trabalhadores, desencorajados pelo fraco apoio e solidariedade, ou então mantidas num isolamento pavoroso, num silenciamento, não apenas pelos detentores do poder capitalista, como dos representantes sindicais nos quais os trabalhadores confiaram.
    A luta em Portugal é mais difícil porque é necessário conduzi-la desde o seio da classe trabalhadora contra o grande capital, mas igualmente contra a classe coordenadora que se apossou das direcções sindicais para se auto-perpetuar.

  4. j.m.luz disse:

    É justo que se fundamente e denuncie as razões pelas quais não se deve votar nos partidos do capital, não só pelos ataques que estes promoveram aos direitos dos trabalhadores, como mesmo aqueles que têm já projectado para combater a crise económica e resolver esta a seu favor, com consequências gravíssimas para o proletariado.
    No entanto, o texto produzido pelo MV deixa de fora o papel desempenhado ao longo de todos estes ataques pelos partidos parlamentares de “esquerda”, que apesar da sua demagogia e alguma “oposição” inconsequente não deixaram de ter sérias responsabilidades nesses ataques e em alguns acordos anti-operários realizados.
    Aliás, foi notório nos “debates” entre os vários líderes, como também agora na campanha eleitoral, que estes partidos, quanto ao problema da resolução da crise económica, não apresentaram, nem têm propostas políticas diferentes dos partidos do capital, P”S”,PS”D” e C”D”S/P”P” e para que não haja dúvidas a esse respeito passo a citar uma breve passagem do programa eleitoral do PCP/CDU, e que não difere do programa do B.E.
    Vejamos só o que o PCP entende e propõe como objectivos, de RUPTURA, PATRIÓTICO e de ESQUERDA.
    Passo a citar:”Um programa de RUPTURA, PATRIÓTICO e de ESQUERDA, que contrapõe às políticas económicas ao serviço do grande capital, uma nova política de desenvolvimento económico ao serviço do País e que tem como objectivos centrais: O pleno emprego como a grande prioridade; O crescimento económico, pelo aumento significativo do investimento público e da eficácia e eficiência na utilização dos fundos comunitários, pela ampliação e dinamização do mercado interno, acréscimo das exportações, aumento da competitividade e produtividade das empresas portuguesas e a defesa e afirmação do aparelho produtivo nacional como motor do crescimento económico”.
    Como se pode verificar, trata-se de um conjunto de objectivos que não só estão contra os interesses do proletariado, como aprofundam a sua exploração e a sua miséria social e que se configuram plenamente nos objectivos dos partidos do capital, como do próprio sistema capitalista.
    Portanto, quando se quer intervir e produzir algum APELO, caso do MV, deve-se de ter o cuidado, não só de analisar e chamar a atenção para as forças do capital, mas também para aqueles que com ele conluem e que em todos os momentos da vida procuram enganar os trabalhadores.
    Seja qual for o resultado eleitoral, ou o governo a constituir, seja de BLOCO CENTRAL, ou P”S”/B.E. ou qualquer outro, ele será sempre um governo REACCIONÁRIO e que terá como objectivo, ATACAR a crise em que o capitalismo português está ATOLADO, criando condições necessárias de salvaguarda dos interesses do capital e obrigando os trabalhadores a pagar a crise.
    Assim, o mais importante era denunciar esta situação à massa trabalhadora, e propôr-lhe um programa MÍNIMO de LUTA em torno dos seus problemas concretos e imediatos, devidamente SUSTENTADO, não só do ponto de vista orgânico, como politico.
    Um abraço
    JMLuz

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