Não há esquerda em Portugal

Vítor Colaço Santos - Quinta-feira, 6 Setembro, 2007

Este partido que está no poder, que desgoverna os pobres e governa com competência os ricos, que se auto-intitula socialista, é tão socialista como o Salazar foi democrata!
Se a Esquerda é esta no poder, disposta às maiores subserviências morais e aos maiores e mais repugnantes servilismos políticos –  então a Direita bem pode esperar sentada porque nem em 2009 está no Governo. Afinal, para quê haver Direita se este Governo é a Direita pura e dura? A Direita não dispõe de território, porque o Partido dito Socialista invadiu aquele que, tradicionalmente, a ela pertencia.
O capitalismo mais ignóbil e selvático que se vive na actualidade já perspectiva que neste ano (2007) vai ser o campeão do desemprego. Assiste-se à maior liquidação de postos de trabalho, 77 mil. Em substituição, criou-se mais precariedade – contratos a prazo, avenças, trabalho à hora, trabalho pago à peça, recibos verdes, etc., etc. Um em cada quatro trabalhadores encontra-se em situação laboral precária. 125 mil desempregados não recebem subsídio de desemprego. Um milhão de trabalhadores está a recibo verde!
Estes vivem amarrados ao dia-a-dia e sem horizonte, num universo onde só há «flexi» e ausência de «segurança». São mão-de-obra dócil e barata. Não têm quaisquer custos para o patronato e não têm qualquer direito, se são despedidos ficam sem ordenado e sem direitos sociais.
Este Governo é definitivamente neoliberal e a situação social degrada-se dia-a-dia. A sua política económica é duma insensibilidade total para com as classes mais despossuídas. Veja-se um só exemplo: A Saúde. O absurdo deste capitalismo sem veia, há-de conduzi-lo para o abismo. Nada do que promove é favorável ao ser humano – à esmagadora maioria. Sem entender que a liquidação do humano atinge a sua própria liquidação! A frustração, a hostilidade, a raiva, a extrema desigualdade social, a exploração, a injustiça e a pobreza não garantem a paz. Os pobres – organizados – um dia gritarão bem alto: BASTA! Não hão-de querer ser governados como antes…
Os cem mais ricos de Portugal detém 22% da riqueza nacional, em 2006 aumentaram a sua conta bancária em mais 36%, enquanto que para os mais pobres e a classe média o aumento não chegou aos 3% – de facto, a grande maioria passou a viver pior!
Sócrates é o Robin dos Bosques ao contrário: tira, rouba à maioria, aos que mais precisam, para dar à minoria, aos ricos. É inqualificável. Os mais ricos, os que negoceiam com o próprio dinheiro ou jogam na Bolsa, são os que pagam menos impostos, quer por as taxas para eles serem menores, quer por se servirem dos paraísos fiscais ou off-shores, quer por terem ao seu serviço especialistas pagos a peso de ouro, que aproveitam «buracos» na lei, que eles próprios fizeram ou ajudaram a fazer…
Sócrates e o seu executivo são maus. Portugal sobrevive num lamaçal em cujo negro horizonte não se vê nenhuma luz ao fundo do túnel.
Quando Sócrates desvaloriza e menoriza e vai à sem vergonha  de depreciar, com humor indecente, um artigo sobre o medo – que existe! – de Manuel Alegre, apenas reflecte o esvaziamento da sua pessoal perspectiva.
Portugal chegou ao precaucionismo. As pessoas por precaução não falam à vontade – têm medo! –, só conversam por meias palavras, figuras de estilo e discutem muito, muito futebol e novela… Falemos bem ALTO!, de política, discutamos política, organizemo-nos politicamente num Partido de Classe!, escrevamos sobre política, vivamos quotidianamente o regressar da política à posse de cada um. Essa coisa de cada um ter sido tratado como a propriedade do paizinho durou 48 anos. CHEGA!
O inconcebível aconteceu. Mais de 30 anos sobre o 25 de Abril, as quatro confederações patronais reclamam, querem mudar artigos da Constituição. Despedir os trabalhadores por motivos políticos ou ideológicos, limitar ainda mais o direito à greve, esvaziar as associações sindicais, matar a contratação colectiva. É o desrespeito completo pela democracia. É o assalto final dos predadores gordos e anafados de charuto e cheios de trabalhadores na carteira, confederados no lucro ao preço do sangue, suor e lágrimas dos trabalhadores. Pertencem à parte mais voltada para trás da sociedade portuguesa que dificulta o progresso social e põe em causa valores e modelos que deveriam ser INTOCÁVEIS! Temos que saber expulsá-los do futuro!






2 Comentários a “Não há esquerda em Portugal”

  1. M Chico disse:

    Acho o artigo interessante, mas o título não está correcto. Existe esquerda e é esta. Aliás esquerda e direita são as duas faces do mesmo sistema, o sistema capitalista. O que é mau é o sistema e não apenas uma das suas faces

  2. Viriaato Cabral disse:

    Há esquerda. Está é dispersa e um bocado perdida. Que fazer para conseguir que ela se encontre?

    Viriato

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