Editorial

O capital que pague

Sexta-feira, 6 Fevereiro, 2009

Sejamos claros: é a classe operária que sofre em primeiro lugar, e acima de todas as outras, o desgaste da crise. Basta ver as notícias e os números dos despedimentos. E o grosso dos apoios do Estado exclui precisamente os que mais sofrem com a situação.
Não é de espantar: para os capitalistas, sair da crise é forçar os assalariados a produzirem mais valor por cada euro de capital investido. Ignorar isto é ignorar tudo.

Apelos vagos à defesa “das pessoas” ou a “outra política” estão longe de evidenciar o conflito fundamental de interesses que a crise traz à superfície; e, por isso, não traçam uma linha que ponha de um lado as necessidades da classe operária, e do outro as ambições do capital. Ora, sobretudo nas actuais condições, defender os interesses económicos e sociais da classe operária significará um ganho para todas as demais classes trabalhadoras – mas a inversa não é verdadeira.

Posta a questão neste pé, há duas necessidades vitais, imediatas, do operariado que são de defesa obrigatória: o emprego e o nível de vida. E as medidas para isso são óbvias:
Suspender os despedimentos.
Reduzir o horário de trabalho sem baixar os salários, criando mais empregos, incluindo emprego público de utilidade social.
Aumentar o poder de compra, reduzindo o leque salarial, subindo os salários e reformas mais baixos.
Destinar o dinheiro do Estado para apoiar o emprego e a produção.

Há quem veja nisto “irrealismo”. Mas irrealismo é acreditar que se possa defender as necessidades de quem trabalha sem atacar os ganhos do capital. E porque se trata de atacar os ganhos do capital, sabemos que tais medidas só se tornarão efectivas se um forte movimento dos trabalhadores as impuser.






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