Transtejo / entrevista

Trabalhadores exigem que a administração anule processos disciplinares a grevistas

Solidariedade da Soflusa e vitória no Metro dão alento à luta

Vladimiro Guinot - Quarta-feira, 3 Outubro, 2007

transtejobarco.jpgNa sexta-feira, 14 de Setembro, os trabalhadores de Transtejo decidiram avançar para formas de luta mais radicais. Relembramos que estavam em greve a todo e qualquer trabalho extraordinário desde 23 de Julho, reclamando a abolição das sanções abusivas aplicadas pela administração aos 58 trabalhadores que, na greve geral de 30 de Maio, se recusaram a cumprir os “serviços mínimos” impostos pela empresa.
O plenário, realizado no barco S. Jorge, em Cacilhas, com uma participação recorde de delegados dos trabalhadores, decidiu manter a greve ao trabalho extraordinário, acrescentando mais duas horas de greve total por sector e por turno, até que a administração anule todas aquelas sanções.
O diálogo que aqui reproduzimos resultou de uma entrevista com alguns trabalhadores da empresa que, por receio de represálias da entidade patronal, preferiram manter o anonimato.

Os trabalhadores recusaram-se a cumprir os serviços mínimos?

Os serviços mínimos que a administração nos quis impor iriam permitir a circulação, praticamente normal, de todas as embarcações, cumprindo com as carreiras regulares. Isso não são serviços mínimos, são serviços máximos! Nós tínhamos piquetes preparados para assegurar a ligação entre as duas margens do Tejo se fosse absolutamente necessário. Por exemplo: se houvesse um acidente na ponte 25 de Abril.

O dinheiro “extra” que vocês recebiam com o trabalho extraordinário, e que agora não se vê no final do mês, chegou a ameaçar a vossa luta?

Nunca! O sacrifício é grande, os nossos salários são baixos, só as horas extras ajudam a “compor” o orçamento familiar. Contudo, a nossa solidariedade colectiva com os trabalhadores perseguidos nunca esteve em causa, antes saiu reforçada com a atitude dos nossos camaradas da Soflusa que manifestaram a sua solidariedade e se recusaram a furar a nossa greve.
Também estávamos cientes que qualquer recuo seria a derrota total, abrindo caminho para ainda mais repressão da administração sobre os trabalhadores. Esta luta é para levar até ao fim, e vamos ganhar!

Falaste da solidariedade dos camaradas da Soflusa. Existe alguma relação entre as duas empresas?

Os trabalhadores da Soflusa estiveram sempre nos nossos plenários, através de delegados, que apoiaram sempre a nossa luta. O patrão é o mesmo – o Estado – que tem a tutela das duas empresas e pôs em curso um projecto de fusão.
Os trabalhadores já têm uma posição sobre o assunto: aceitamos a fusão desde que seja salvaguardado o que de melhor existe, em matéria de condições de trabalho e salário, nas duas empresas. O governo não pensa assim. A coisa vai aquecer!
Deixa-me dizer ainda outra coisa muito importante: quando estávamos em plenário recebemos a informação que os trabalhadores do Metro, que também estavam em luta pelas mesmas razões que nós, obrigaram a administração da empresa a recuar completamente, limpando a “folha” dos trabalhadores. Já não há processos disciplinares nem faltas injustificadas. Isso também nos deu grande alento! Já avançámos com o pré-aviso de greve, temos de esperar dez dias úteis, é de lei, e depois vamos para a greve das duas horas.
Para já, já temos um sinal da administração: convocou os nossos representantes para uma reunião. Nós é que não voltaremos para trás!






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