Há que pedir contas

Onde estão os 150 mil novos empregos prometidos pelo PS?

Pedro Goulart - Quarta-feira, 3 Setembro, 2008

Na campanha eleitoral de 2005, o PS prometia 150 mil novos postos de trabalho. Muita gente ingénua terá acreditado então que numa nova legislatura, com este partido no poder, diminuiria efectivamente o desemprego. Julgavam tratar-se da promessa de um saldo líquido positivo entre a criação de novos empregos e a destruição de emprego resultante da modernização, encerramento e deslocalização de empresas. Hoje, com um desemprego real envolvendo mais de 500 mil trabalhadores, está bem à vista como essa credulidade saiu cara a alguns, assim como o tipo de manipulação eleitoralista que se escondia em tal promessa.

Agora, Sócrates surgiu de parceria com a PT a prometer mais 1200 postos de trabalho num call center em Santo Tirso. Mas promessa a cumprir eventualmente só no segundo semestre de 2009. E não dizem que se trata de uma efectiva deslocalização de serviços da PT de Lisboa para Santo Tirso, isto é, que sob a capa da descentralização, a empresa pretende colocar serviços nos locais onde sabe estar garantida uma força de trabalho mais barata!

Por outro lado, quando temos bem presente a constante propaganda do governo sobre a necessidade de trabalho qualificado e de excelência, que dizer do tipo de empregos criados e a criar durante este governo do PS? Em grande parte, empregos precários e mal pagos. Significativo é que muitos dos jovens licenciados actualmente só consigam emprego em call centers. Mas, apesar desta evidência, a demagogia eleitoralista do governo e do PS prosseguem.

Assim, com a próxima imposição do novo Código do Trabalho, desenvolvem-se condições para a generalização do trabalho precário, para a intensificação da exploração da força de trabalho e, claro, para uma maior acumulação de capital. Aliás, é para cumprir estas tarefas que o governo do PS lá está. Neste campo, o governo de José Sócrates tem-se revelado indubitavelmente bastante mais eficaz que os restantes partidos do capital.






Deixe o seu Comentário