Abóboda, Cascais

Trabalhadores da Multivending exigem pagamento de salários atrasados desde Novembro

Manuel Monteiro - Quarta-feira, 6 Agosto, 2008

Novos dados: Patrão impedido de sair com dinheiro da empresa. Ver na coluna ao lado Multivending: trabalhadores resistem.

multivending3_reduz.jpgO Mudar de Vida esteve com os trabalhadores da Multivending que cercam as instalações da empresa, situadas na rua Alfredo da Silva, na Abóboda, perto de Cascais. O ramo de actividade da empresa é o chamado “vending”, isto é, coloca máquinas de café e de sandes nos locais de trabalho. Os cerca de 40 trabalhadores estão em luta porque, desde Novembro do ano passado, têm ordenados e subsídios em atraso. A divulgação e o apoio às suas exigências são muito importantes, pois, como salientou um dos trabalhadores que falaram para o MV, “se ficarmos reduzidos à nossa pouca força e ao silêncio, poucas hipóteses teremos”.

MV: Quantos trabalhadores estão nesta situação?
Paulo Reis (trabalhador da Multivending): A totalidade, cerca de quarenta trabalhadores.

MV: Que formas de luta encetaram?
PR: Pois bem. Como a administração não nos pagava e até desapareceu, nós decidimos ocupar as instalações para evitar que eles transferissem a maquinaria e outros valores para outras instalações.

MV: Falaste em outros valores: que valores são esses?
PR: Sobretudo um cofre com cerca de 20 mil euros. Neste momento o Dr Mário Pinto, um dos administradores, entrou protegido pela Polícia de Intervenção e deve estar a roubar esses 20 mil euros, que bem falta nos faziam.

MV: Se vos fazem falta, e são o fruto do vosso trabalho, porque não ficaram com eles quando ocuparam as instalações?
Outro trabalhador: Porque queríamos fazer tudo dentro da lei.

multivending1_reduz.jpgMV: Pois, mas a lei protege os mais fortes e os vigaristas. Mas então o que se passou com a vossa ocupação?
PR: Estivemos três dias e três noites em ocupação e no fim veio a Polícia de Intervenção que nos expulsou com violência.

MV: Quantos trabalhadores é que estavam convosco na ocupação?
PR: Cerca de vinte, os mesmos que estamos agora aqui, no exterior.

MV: Quais são as vossas reivindicações?
PR: Que nos sejam pagos os salários e os subsídios em atraso; assim como as indemnizações a que temos direito. Exigimos que nos seja dada a carta de despedimento para irmos para o Fundo de Desemprego.

MV: Que negociações é que tem havido com a administração?
PR: Nenhumas. Eles desapareceram e nem o nosso advogado consegue falar com eles. Veio agora o Mário Pinto, protegido pela polícia, de certeza para gamar os 20 mil euros.

MV- Esses administradores devem ser chicos-espertos ou arraia miúda do capitalismo…
PR- Qual o quê. O Dr Mário Pinto está ligado à Sonae, e a Drª Isabel Silveira está ligada ao Balsemão, ainda é familiar dele. Existem mais dois administradores, cujo nome não me ocorre agora, que estão ligados ao BES.

MV: Vocês conhecem uma frase daquele escritor francês, o Balzac, que disse que “por trás de uma grande fortuna está sempre um crime”?
Outro trabalhador: Não conhecia, mas neste caso aplica-se às mil maravilhas.

multivending2_reduz.jpgMV: E agora?
PR: Agora, enquanto pudermos vamos ficar aqui a cercar as instalações para evitar o desvio das máquinas. Mas, com a polícia de choque do lado deles, vai ser muito difícil.

Outro trabalhador: Agradecemos ao MV o interesse pela nossa luta. Pedimos que alertem outros órgãos de informação para que a nossa situação seja divulgada. Se ficarmos para aqui reduzidos à nossa pouca força e ao silêncio, poucas hipóteses teremos.

MV: Vamos divulgar a vossa luta no MV net. Contactaremos outros órgãos de informação para que também a divulguem. E ficaremos em contacto convosco para vos apoiarmos e saber a evolução da luta.






4 Comentários a “Trabalhadores da Multivending exigem pagamento de salários atrasados desde Novembro”

  1. Marias disse:

    Força camaradas! Não desistam! Temos vivido esta luta com alguns trabalhadores da Multivending e sabemos o inferno que tem sido!
    As Duas Marias

  2. Manuel Monteiro disse:

    Depois de publicada esta entrevista, recebemos uma nota enviada pelos trabalhadores da Multivending fazendo-nos alguns reparos.
    Em primeiro lugar, acham que a reportagem não devia ter sido feita na forma de entrevista, mas de notícia. Em segundo, referem que trocámos o nome do administrador que estava na empresa; não era Mário Pinto mas sim José Mendonça.
    Como já tive oportunidade de dizer aos trabalhadores da Multivending, lamento não ter esclarecido que a conversa que estávamos a ter era para ser publicada em forma de entrevista, mas deduzi que não havia inconveniente nisso uma vez que outros meios de comunicação, como a TVI, fizeram o mesmo.
    As nossas desculpas aos trabalhadores pelo sucedido, sobretudo ao amigo Paulo Reis que tão atencioso foi para com a reportagem do MV.
    O nosso propósito é ajudar quem resiste; e, nisso, todos não somos muitos. Permanecemos, por isso, ao dispor dos trabalhadores da Multivending para a divulgação da sua luta.
    Como dizem as Duas Marias num comentário: Força camaradas!

    Manuel Monteiro

  3. Anónimo disse:

    O curioso, é que os agora administradores da MultiVending foram no passado sócios e representantes de empresas ligadas ao mesmo sector.

    Iniciaram-se no vending com uma empresa chamada Vendingportugal (quiçá até antes).
    Depois da dissolução dessa sociedade, apareceram à frente da Autocafé, Lda., NIF 503 964 859, se a memória não me falha.
    Se pesquisarem no google a palavra “autocafé”, a primeira opção logo no topo da lista reencaminhar-vos-á aos Contribuintes Colectivos Devedores entre € 100.000 a € 500.000, pelo que não creio estar longe da verdade.

    Após o insucesso desta última firma, surge a Multivending que, no decorrer do seu curto espaço de vida, conseguiu ainda adquirir a XisVending.

    Esta empresa detinha uma boa carteira de clientes e sólida reputação no mercado, fruto de uma gestão bastante profissional. É de louvar a forma prodigiosa como a administração da Multivending conseguiu comprar esta sociedade, não retirando qualquer proveito, quer economicamente quer pela assimilação dos excelentes processos pela qual se pautava a XisVending.

    Na minha opinião – e creio ter deixado dados suficientes para uma investigação mais completa – trata-se de um esquema fraudulento de criação e falência de empresas, com naturais benefícios económicos para os sócios.

    Os prejudicados contam-se os mesmos de sempre: fornecedores, credores, trabalhadores e empresas concorrentes do sector do vending.

    O pacote laboral podia e devia ter ido mais longe – porque não criar-se de igual modo um pacote empresarial, de modo a responsabilizar e condenar impiedosamente os empresários que se pautam por este tipo de condutas?

    Até lá, e sem tardar, ainda cá estaremos para ver os sócios fundadores da Multivending de volta ao sector do vending…

  4. Paulo Reis disse:

    Em meu nome e de todos os meus colegas, quero agradecer o apoio de todos os que estão connosco nesta luta que estamos a travar com a administração da Multivending – administração esta constituída pelo Dr. José Mendonça, Dr. Mário Pinto, Dr. Caetano Beirão da Veiga, Dr. Carlos Beirão da Veiga e Dr.ª Isabel Silveira (que por sinal é esposa do Dr. José Mendonça).
    Até à data de hoje, ainda não houve da parte de nenhum destes senhores qualquer palavra para com os trabalhadores, que estão à porta da empresa desde o dia 1 de Agosto, sem saberem o que o futuro lhes reserva.
    Um muito obrigado a Manuel Monteiro. Um abraço a todos (em especial aos meus colegas de luta).

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