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Manifestações contra a exploração e o empobrecimento, 7 Março

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A CGTP convocou para o próximo dia 7 de Março (6 de Março nos Açores e Madeira)uma Jornada Nacional de Luta que incluirá manifestações em todas as capitais de distrito, pela defesa dos serviços públicos e pela reposição dos direitos sociais e laborais dos portugueses.
Locais de concentração:

Aveiro – 15h00, Largo da Estação
Beja – 11h00, Junto à União Sindical

Braga – 15h00, Sector Público (Largo do Pópulo); Sector Privado (Largo da Estação)

Bragança/Mirandela – 15h30, Rua da República, em Mirandela

Castelo Branco/Covilhã – 15h30, Jardim Público da Covilhã

Coimbra – 15h00, Praça da República

Évora – 10h00, Praça 1.º de Maio
Faro – 15h30, Largo do Mercado
Funchal – 6 de Março, 15h30, Praça Central (junto à Secretaria dos Recursos Humanos e Educação)

Guarda – 10h3, Jardim José Lemos

Leiria – 15h00, Largo da Infantaria 7 (junto à Igreja de Sto. Agostinho)

Lisboa – 15h00, Campo das Cebolas
Ponta Delgada, Horta e Faial – 6 de Março, Junto à Assembleia Regional

Portalegre – 11h00, Largo Luís de Camões

Porto – 15h30, Praça do Marquês

Santarém – 15h00, Junto à Segurança Social
Setúbal – 15h00, Praça do Município

Vila Real – 10h00, Mercado Municipal (junto à Rodonorte)

Viseu – 15h30, Rua Formosa



Editorial

Internacionalismo, exige-se

Importantes sindicatos alemães manifestaram o seu apoio à viragem política na Grécia, repudiando as chantagens da União Europeia e apontando o resultado eleitoral como “um veredicto devastador” sobre a política de austeridade. Porque não fazem o mesmo as organizações sindicais e laborais portuguesas?

O sinal dado pelos eleitores gregos requer solidariedade entre todos os trabalhadores da UE, sobretudo dos que estão nas mesmas condições. Só essa solidariedade pode criar uma frente de oposição ao domínio do grande capital imperialista europeu. O reforço da luta contra a austeridade e contra o ruinoso pagamento da dívida, mais do que nunca necessário, passa por essa solidariedade. As vítimas da austeridade não conseguirão alterar os acontecimentos no seu país se não derem apoio e se não contarem com o apoio dos trabalhadores dos demais países na mesma situação. Ler o resto do artigo »



O Maquiavelzinho

Vários sindicatos convocaram uma greve de professores e educadores a todo o serviço que fosse atribuído entre 1 e 28 de Fevereiro, relacionado com a prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC). Depois, como não se verificou exame neste mês, os sindicatos marcaram a greve para o mês de Março.Trata-se de um protesto contra uma prova obrigatória para quem, mesmo com habilitações académicas para dar aulas, não tem vínculo efectivo, possui menos de cinco anos de serviço e quer candidatar-se a um lugar na educação pré-escolar ou nos ensinos básico e secundário. Ler o resto do artigo »



Elevada adesão à greve nas escolas

Centenas de escolas encerradas, nomeadamente em Lisboa, Porto, Braga e Santarém, numerosas escolas apenas a funcionar com serviços mínimos, tal o resultado concreto da greve nacional dos trabalhadores não docentes das escolas efectuada no dia 20 de Fevereiro: contra a falta de pessoal (cerca de 6000 trabalhadores a nível nacional) e a precariedade; pela reposição das 35 horas; contra a municipalização; em defesa da escola pública e de qualidade. Os sindicatos denunciam ainda que, dada a falta de trabalhadores, paralelamente, estão a ser recrutados funcionários sem experiência de trabalho com crianças a 3,20 euros à hora, estando o sector a ser suportado por “milhares de trabalhadores precários”. Ler o resto do artigo »



A luta diária tem um objectivo: a conquista do poder

José Borralho

bandeirasA prática é absolutamente necessária a todos os militantes que se empenham numa causa popular e ainda mais àqueles que se reivindicam de marxistas. Mas sem a teoria a dar consistência a essa prática, não vão longe; ficam para sempre enredados na reivindicação no quadro do sistema capitalista.
O mesmo se aplica aos que reclamam ser “anti-sectários”, sempre a levantar a bandeira da abertura às diversas classes, confundindo-se com elas, perdendo-se nelas, fundindo-se com elas numa degeneração reformista. Em nome do anti-sectarismo acabou por se abandonar a perspectiva comunista de conduzir o proletariado na via da revolução social e da tomada do poder político.
O que corrompeu a luta dos comunistas pelo poder, desde os anos 30 do século XX, foi a fusão de interesses entre o proletariado e a pequena burguesia. Ler o resto do artigo »



Trabalhadores não docentes das escolas em luta

Está marcada uma greve nacional dos trabalhadores não docentes das escolas para o dia 20 de Fevereiro: contra a falta de pessoal e a precariedade; pela reposição das 35 horas; contra a municipalização; em defesa da escola pública e de qualidade.
Por outro lado, hoje, dia 18, a federação sindical da função pública entrega um abaixo-assinado no Ministério da Educação ”com milhares de assinaturas de trabalhadores não docentes”, onde se apresentam estas reivindicações e se exige a abertura de negociações. Neste documento, os sindicatos manifestam a “vontade de prosseguir a luta”, caso as reivindicações não sejam satisfeitas.



Editorial

Todo o apoio ao povo grego!

1.
A vitória do Syriza na Grécia significa uma derrota da política de austeridade levada a cabo pela União Europeia.
Pela primeira vez em toda a Europa, desde que o brutal ataque às classes trabalhadoras foi desencadeado em 2010-2011, as forças partidárias que habitualmente representavam as classes dominantes foram derrotadas e afastadas do governo.

2.
O Syriza apresentou-se às eleições de 25 de Janeiro defendendo o fim da austeridade e a melhoria das condições de vida da população trabalhadora e dos mais pobres; e preconizou o alívio do garrote da dívida pública como passo para o desenvolvimento da economia grega.
Fez frente, deste modo, às imposições com que as potências dominantes da UE estrangulam os países economicamente mais débeis e mais dependentes — como são, além da Grécia, Portugal, a Espanha e a Irlanda. Com isso, pôs também em causa as políticas de ataque ao trabalho que, mesmo nos países economicamente mais fortes, degradam as condições de vida da população assalariada.
Foi precisamente por o Syriza ter prometido lutar pelo fim dessas políticas que a maioria dos eleitores gregos lhe deu a vitória. E é pelas mesmas razões que as populações trabalhadoras de UE olham com atenção e esperança o que se vai passar na Grécia. Ler o resto do artigo »



Contra a violência policial racista. Concentração em Lisboa, hoje, dia 12, às 17h, Assembleia da República

Num comunicado divulgado ontem, dia 11, o SOSRacismo denuncia as recentes agressões da polícia a moradores da Cova da Moura, apontando-as como actos com motivações racistas, e apela a uma concentração contra a violência policial. Publicamos na íntegra o texto do comunicado.

“A violência policial nos bairros periféricos da Área Metropolitana de Lisboa é sistémica. Muitos já o sabem, outros teimam em não admiti-lo.
Tal como acontece sempre que a polícia exerce violência física e simbólica nos bairros, a maior parte dos meios de comunicação social, através de um circo mediático metodicamente montado pela narrativa oficial das forças policiais, anuncia, grosso modo, que a polícia foi “obrigada a intervir”. E mais uma vez, como é prática corrente para não dizer quotidiana nos bairros em geral e, na da Cova Moura em especial. Ler o resto do artigo »



Em apoio do povo grego

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Convocadas através das redes sociais, vão realizar-se vigílias e concentrações de apoio ao povo grego, hoje e domingo que vem, em vários pontos do país.

Hoje 11 Fevereiro
Lisboa, 18h, Centro Jean Monet
Porto, 18h, Praça Carlos Alberto
Coimbra, 17h30, Praça 8 de Maio

Domingo 15 de Fevereiro
Lisboa, 15h, Largo Camões
Porto, 15h30, Praça da Batalha
Braga, 15h30, Arcada
Faro, 14h30, Consulado da Alemanha
Portimão, 15h30, CM Portimão



Repressão violenta na Cova da Moura

A violência policial voltou, uma vez mais, a um dos bairros populares onde se verifica um autêntico apartheid. Segundo várias testemunhas, os incidentes começaram com a detenção e brutal espancamento de um jovem. Face aos protestos populares, a polícia respondeu com balas de borracha, ferindo, entre outros, uma mulher de 35 anos, que foi atingida por disparos da PSP quando se encontrava na varanda da sua casa. A polícia admite ter disparado “tiros para o ar” quando tentava deter um rapaz.
Na sequência dos incidentes, um grupo de jovens negros, da Associação Moinho da Juventude, deslocou-se à Esquadra da PSP de Alfragide para apresentar queixa. Os jovens foram detidos e violentamente espancados. Cinco ficaram a aguardar julgamento sob a acusação de “invasão à esquadra”.



Greve dos professores à prova de avaliação

Vários sindicatos convocaram uma greve de professores e educadores a todo o serviço que seja atribuído entre 1 e 28 de Fevereiro, relacionado com a prova de avaliação de conhecimentos e capacidades (PACC). Trata-se de um protesto contra uma prova obrigatória para quem, mesmo com habilitações académicas para dar aulas, não tem vínculo efectivo, possui menos de cinco anos de serviço e quer candidatar-se a um lugar na educação pré-escolar ou nos ensinos básico e secundário. Ler o resto do artigo »



Editorial

Novos donos

A afirmação de Passos Coelho de que “os donos do país” estão a desaparecer, significando ele com isso os grandes grupos nacionais apoiados pelo Estado, tem de se entender como uma confissão. Passos Coelho assume, com efeito, o seu papel de agente do capital internacional para o efeito de “libertar” o capital português das suas âncoras nacionais e o levar a fundir-se por inteiro nos grandes grupos espanhóis, europeus ou mundiais. Retirar-lhe o apoio estatal é uma peça dessa manobra, como manda a UE.

É a isso que o primeiro-ministro chama “uma economia mais aberta”. E foi por desempenhar plenamente esse papel, escudado nos interesses maiores do capital europeu, que Passos Coelho, por exemplo, rejeitou os apelos de financiamento estatal por parte do grupo GES-BES — não por bravura política própria ou por pena dos contribuintes. Ler o resto do artigo »



Lutas dos moradores, lançamento de livro

No dia 30 de Janeiro, pelas 18h30m, no Bar A Barraca, Jardim de Santos, é apresentado o livro Sem Mestres, nem Chefes, o Povo Tomou a Rua. Trata-se de um livro sobre as lutas dos moradores no pós-25 de Abril de 1974, da autoria de José Hipólito dos Santos, militante político-social de pendor libertário e bom conhecedor deste tipo de problemas. Edição da Letra Livre.



No caso BES, o que é “toda a verdade”?

Manuel Raposo

RicSalgadoO propósito anunciado da comissão de inquérito ao caso BES foi o de apurar “toda a verdade”. O slogan foi repetido inclusive pela esquerda parlamentar, que assim parece acreditar que das audições à família Espírito Santo e quejandos possam sair revelações decisivas para perceber o que se passou. Que verdade “toda” é essa?
Serão as trafulhices de Ricardo Salgado e família? As ligações íntimas com o poder e os centros de decisão financeiros? A facilidade em usar dinheiro público? A cobertura dada ao “bom nome” do BES pelo presidente da República, pela ministra das Finanças e pelo primeiro-ministro quando estava em marcha o golpe final que afundaria o grupo? A tolerância das entidades “fiscalizadoras” para com as manobras dos Espírito Santo? As ligações pessoais que lhes permitiram desfalcar a PT? O golpe que levou à falência o BES Angola? Os subornos e os ganhos por baixo da mesa?
A menos que se apure quem são os cúmplices de mãos untadas que permanecem na sombra, tudo o mais já é sabido e não será mais do que confirmado. Ler o resto do artigo »



Missão de “vigilância”

Agora através de uma missão de “vigilância”, a União Europeia fiscaliza e faz recomendações ao governo sobre a política a seguir. Em Dezembro, esse herdeiro da troika atacou o que chamou a perda de ritmo do governo no que respeita a “reformas estruturais”. E passou de imediato a dizer o que será preciso fazer e não fazer, de acordo com os interesses maiores dos capitais europeus, obviamente.
Primeiro, o salário mínimo não devia ter sido aumentado. Segundo, o fim da contratação colectiva não deve ser travado nem protelado. Terceiro, é preciso liberalizar o mercado do arrendamento urbano e cobrar mais impostos sobre as rendas de casa. Ou seja, despejos mais fáceis e rendas mais altas. Ler o resto do artigo »



Bem na alma do regime

Urbano de Campos

Corrupção1Quando foi questionado sobre a prisão de José Sócrates, Cavaco Silva sublinhou, com a sua costumeira solenidade, que as instituições estavam “a funcionar com toda a normalidade”. A carga política desta declaração é evidente, sobretudo se lembrarmos o facto de Cavaco Silva não ter afirmado o mesmo a propósito do caso BPN, da compra dos submarinos, do caso Monte Branco, do conluio entre os serviços secretos e a maçonaria, do caso BES, do caso SEF, do caso Tecnoforma e por aí adiante.
Em torno destes casos, trava-se evidentemente, mesmo de forma surda, uma luta entre as classes dominantes de que a vingança política, a chantagem e a procura de vantagens são armas e desiderato. Uns casos escondem outros, ou colocam-nos na sombra. Basta ver como, em poucos meses, a fraude no BES apagou o caso do sucateiro Manuel Godinho, o escândalo do SEF tirou da primeira linha o BES e a prisão de Sócrates anulou o SEF. Ou como antes as patifarias de Duarte Lima apagaram o escândalo do BPN. Etc. Ler o resto do artigo »



Soflusa em greve nos dias 13, 14 e 15

Os trabalhadores da Soflusa vão fazer uma greve parcial nos dias 13, 14 e 15 de Janeiro, em protesto contra as alterações dos horários dos funcionários que atracam e desatracam os barcos da ligação Lisboa-Barreiro. Frederico Pereira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) disse à Lusa que o plenário dos trabalhadores se limitou agora a confirmar aquilo que já tinha decidido no dia 26. Quanto aos horários, vão confirmar a legalidade e, pensa-se, que alguns terão aspectos ilegais, dos quais será feita queixa à Autoridade das Condições de Trabalho.



Tão ou mais nojentos que a troika

Ir para além da troika foi uma das palavras de ordem do governo de Passos Coelho. No que respeita à Função Pública, a diminuição dos funcionários ultrapassará, nesta legislatura, o dobro da redução imposta por aquele trio imperialista. Entre os fins de 2011 e os fins de 2014, os funcionários do Estado, das autarquias, das regiões e das empresas públicas foram reduzidos em cerca de 80 mil trabalhadores. Para além das aposentadorias normais, surgiram as chamadas rescisões por mútuo acordo, onde predominou o terror infundido pelo actual executivo do capital. A passagem forçada à mobilidade é um dos elementos determinantes deste terror infundido que vai levando ao enorme “emagrecimento” da Função Pública.



Por “falta de provas”

O arquivamento do caso dos submarinos

Manuel Raposo

portasBarrosoAo fim de oito anos de “investigação”, o inquérito à compra de submarinos pelo governo português, conduzido pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal, foi arquivado por falta de provas. De qualquer maneira, para a Justiça os crimes já teriam prescrito em Junho de 2014.
Culmina assim o assunto à volta dos submarinos, depois de, em Fevereiro deste ano, terem sido absolvidos os 10 arguidos (três administradores alemães da Man Ferrostaal e sete empresários portugueses) acusados de burlarem o Estado português em 34 milhões de euros por contrapartidas económicas que não foram prestadas pela empresa alemã vendedora dos submarinos. Tudo em paz, tudo gente séria, portanto. Ler o resto do artigo »



Greve na Hotelaria da Madeira

Os trabalhadores do sector da hotelaria da Madeira vão estar em greve no final do ano contra a “denúncia do acordo coletivo de trabalho”. A greve foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Hotelaria, Turismo, Alimentação, Serviços e Similares da Região Autónoma da Madeira para os dias 30 e 31 de dezembro e 1 de janeiro, como forma de protesto face à “denúncia do contrato coletivo de trabalho, feito já em 2013”. Segundo o presidente do sindicato, as entidades patronais “querem impor o retrocesso social, ao retirar todos os direitos que os trabalhadores têm”.



Greves, seriam só quando eles quisessem

Pedro Goulart

TAPAvioesparadosA propósito da greve da TAP, como anteriormente acontecera com as greves dos professores, dos enfermeiros e dos médicos, assim como com as lutas de diversas outras empresas e serviços, o governo, os chefes do CDS e do PSD, os dirigentes de diversas entidades patronais, acolitados pela matilha de comentadores do regime nos média (os Gomes Ferreira, os José Manuel Fernandes, os Marques Mendes, os Marcelo Rebelo de Sousa), quase todos, como democratas que se dizem, normalmente não afirmam de forma aberta pôr em causa o direito à greve. Mas, em geral, consideram as greves indesejáveis, inoportunas e prejudiciais à “economia nacional”, às famílias (os cortes de salários e pensões, assim como os aumentos de impostos não o serão?) e ao País (a venda de empresas-chave ao estrangeiro também não o serão?). Mais, recorrem a diversas formas de chantagem sobre os trabalhadores e pretendem indicar-lhes quando podem fazer greve. Desde que a façam “moderadamente”. No essencial, o que as classes dominantes pretendem é esvaziar o direito à greve, retirando-lhe qualquer eficácia. Ler o resto do artigo »



Greve dos STCP em Janeiro

As organizações representativas dos trabalhadores da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) marcaram uma greve de quatro dias (de 6 a 9 de Janeiro) contra o despedimento de dez motoristas.
“A intenção do conselho de administração da STCP de proceder ao despedimento de dez motoristas no próximo mês (quando já há um défice de cerca de 140 motoristas) levará a uma firme e determinada resposta de todos os trabalhadores”, afirma a estrutura que os representa, para quem “está em causa não só a defesa dos postos de trabalho mas também a qualidade do serviço prestado aos utentes”.



Greve do Metro de Lisboa a 22 de Dezembro

Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa convocaram uma greve para o dia 22 de Dezembro, segunda-feira. Segundo a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), esta greve é convocada “em defesa do serviço público da empresa” e pela “resolução dos diversos problemas socio-laborais existentes”. A suspensão do serviço de transporte será entre as 23h15 de dia 21 de Dezembro e as 06h30 de dia 23 de Dezembro.



Conversa para estúpidos

“Donos do país estão a desaparecer”, diz Passos

Carlos Completo

pobreza_00000Passos Coelho, num jantar de natal das concelhias do PSD de Santarém, dizia que o seu Governo estava a conseguir “libertar e democratizar” a economia, que estava “aprisionada por grupos económicos”, e que “os donos do país estavam a desaparecer”. Claro que aqui há mais uma tirada demagógica de Passos, para, a propósito da falência do Grupo Espírito Santo, tentar captar votos dos tolos! Na mesma linha de efabulação, em Braga, num seminário sobre economia social organizado pela União de Misericórdias, o chefe do governo afirmava que quem mais contribuiu, em altura de crise social, “foi quem tinha mais” e não “os mesmos de sempre”. Ler o resto do artigo »



Clima de golpe

Manuel Raposo

PortasCoelhoDesde que entrou em funções, o governo de Passos Coelho apostou numa permanente confrontação com a Constituição e com o Tribunal Constitucional. Em todas as refregas, uma por cada Orçamento do Estado e mais umas quantas de permeio, a técnica foi a mesma: violar direitos, que o governo sabia estarem a ser infringidos, esperar o veredicto e culpar depois o TC e a Constituição pelas penalizações sobre os assalariados, quando não pela persistência da crise. Ler o resto do artigo »



A justiça burguesa e a prisão de José Sócrates

Pedro Goulart

jose-socratesA recente detenção e aprisionamento de José Sócrates levantou uma onda de choque, particularmente entre os seus correligionários e amigos. A indignação e as críticas focaram, não tanto a substância das acusações, mas em especial o modo como o aparelho repressivo de estado agiu neste caso. E, provavelmente, têm alguma razão em relação a este comportamento (às habituais fugas planeadas de informação, às amálgamas da acusação, às medidas de coacção inexplicadas, etc). Mais uma vez, a arrogância e a arbitrariedade do poder judicial ficaram aqui bem patentes. Pena é que muitos só protestem quando também lhes acontece a eles. Mas, sobre a arrogância e a arbitrariedade de alguma magistratura, do mesmo se poderão queixar, igualmente, vários elementos de outros partidos do regime. Ler o resto do artigo »



Intocáveis

Nos primeiros seis meses do ano o Estado pagou às PPP mais de 690 milhões de euros, tanto como vai cortar na Educação em 2015. A despesa aumentou 26% no segundo trimestre, apesar de as receitas com portagens rodoviárias terem subido em 12%. Para o governo, todos os contratos de trabalho ou pensões são revogáveis; os das PPP são intocáveis.



Contributo

Meditando sobre a bronca da colocação dos professores, Cavaco Silva concluiu que “algo não está bem” no país e convidou a uma reflexão “séria”. Aqui vai uma contribuição, extensiva aos problemas da Saúde: para que precisa o capitalismo em Portugal de gente instruída e saudável enquanto tiver uma imensa reserva de mão de obra, qualificada e não qualificada, entre a qual pode escolher os seus quadros e os seu trabalhadores braçais, à vontade e por baixo preço, sem ter sequer de firmar com eles contratos de longo ou mesmo de médio termo? É isto que fica patente quando o OE 2015 corta mais 700 milhões de euros na Educação e prosseguem os cortes na Saúde em meios e pessoal.



Em nome do povo

Mais de metade dos 750 eurodeputados exerce, no dizer condescendente da imprensa, “actividades paralelas”, que lhes rendem bom dinheiro e que acumulam com o chorudo vencimento de deputado. Sempre na vanguarda, a lusitana representação tem um homem que pede meças a qualquer europeu: Paulo Rangel, do PSD. Esse destacado representante do povo português, esse combatente da causa nacional, alinha entre os 12 deputados que declaram rendimentos extra acima de 10 mil euros por mês. Pelos números da Transparency International, que fez o inquérito, Rangel pode ganhar até 16 mil euros por actividades na Associação Comercial do Porto, na RAR, como professor universitário, como comentador político e como advogado.



Manual do lambe-botas

António Louçã

maçaesQue têm que ver Rui Machete, Bruno Maçães e os Tupolev russos que puseram em alvoroço a base aérea de Monte Real?
Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros, é o chefe de Maçães, secretário de Estado dos Assuntos Europeus. Quando Machete dizia “senta”, Maçães sentava. Mas Machete, repescado de uma longa vilegiatura à cabeça da FLAD para um cargo de ministro que já ninguém parecia querer, também tinha os seus donos, de quem era voz. Na dúvida, os Estados Unidos. Ler o resto do artigo »



Editorial

Separar águas

Que interessa aos trabalhadores que Passos tenha “derrotado” Portas, como disse o BE, ou que o governo tenha “extraordinária lata” e recorra a “manobras eleitorais”, como disse o PCP? As críticas do BE e do PCP ao Orçamento do Estado foram mais contundentes que as do PS, mas há dois factores de confusão nos seus discursos.

Um, é o crédito que também vão dando a uma suposta luta na coligação, sugerindo que o governo poderia cair por desagregação interna. Ou a insistência na “indignidade” do governo por não cumprir as promessas, numa espécie de apelo à honestidade — como se não fossem os interesses de classe a pautar a actuação de qualquer governo. Sobretudo numa época de crise dramática dos negócios, os disfarces que noutras ocasiões permitem mascarar esses interesses desaparecem ou tornam-se transparentes, mostrando a crueza do capital para com os proletários. Ler o resto do artigo »



OE 2015, manter a troika para além da troika

Fábulas do debate parlamentar

Manuel Raposo

Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, inaugura o Centro Escolar de ForjãesSintetizar o significado do Orçamento do Estado para 2015, é dizer que se trata de um instrumento com que o governo procura burlar os portugueses. Concretamente, os que vivem do seu trabalho.
Basta atentar na contradição da conversa do primeiro-ministro que, no discurso (escrito) de abertura do debate diz uma coisa sobre a reposição dos salários dos funcionários públicos, e meia hora depois diz o contrário.
A contradição foi, contudo, apenas de palavras: de facto (ai de quem lhe escreveu o discurso), o que Passos Coelho queria dizer e tenciona fazer é não cumprir a determinação do Tribunal Constitucional e manter os cortes salariais. Apesar disto, toda a polémica parlamentar à roda do OE se construiu à volta de fábulas, mostrando em última análise o à-vontade com que o governo persiste na sua política de esmagamento do trabalho, preparando-se para completar o último ano da legislatura como quem morre na cama, depois de tudo o que fez nestes três anos. Ler o resto do artigo »



As desigualdades aumentam

Pedro Goulart

PortugalPassaFomeUm em cada quatro portugueses (25%) está em risco de pobreza e quem recebe o salário mínimo ganha hoje, em valor real, menos 12 euros do que em 1974. Os dados também indicam que o risco de pobreza das famílias com crianças dependentes se tem vindo a agravar, como se tem agravado a taxa de intensidade de pobreza. De referir também que, já no ano passado, 29,3% da população infantil se encontrava em privação material. E, a par disto, é de salientar o crescente empobrecimento das chamadas classes médias. Ler o resto do artigo »



Corrupção: “excremento” ou parte inseparável do sistema capitalista?

Pedro Goulart

corrupcao_espanhaAlguns burgueses, ditos liberais, defensores de um capitalismo supostamente “generoso e ético”, entendem a corrupção como excrementos normais do sistema vigente. É o caso de um recente articulista (de página inteira) do Diário de Notícias de 10 de Outubro — Miguel Angel Belloso. Trata-se de um homem de direita, director da revista espanhola Actualidad Económica, ligada ao grupo empresarial de que faz parte o diário El Mundo. De salientar que a revista dirigida por Belloso, particularmente destinada a empresários e executivos, defende a redução ao mínimo daquilo que é referido como a intervenção dos governos nos mercados, assim como promove a privatização das empresas e serviços públicos, questionando, igualmente, o chamado estado de bem-estar social. Ler o resto do artigo »



Caos instala-se na Saúde

Estagiários e estudantes asseguram urgências

Carlos Completo

SaudeAtouguiaHá dias o Diário de Notícias titulava: Médicos estagiários asseguram urgências em hospitais públicos. Mas, há várias semanas atrás, já um jovem médico nos alertara, preocupado com a vida dos doentes, quando apenas ele e outros médicos inexperientes e sem especialização ficavam responsáveis pelas urgências do Hospital Santa Maria, em Lisboa. Há também a notícia de que em alguns hospitais, noutros locais do País, tais serviços seriam, por vezes, assegurados apenas por estudantes de medicina do 4º e 5º anos. Ler o resto do artigo »



O PS de Costa — renovar a ilusão

Manuel Raposo

ACostaNão faltaram frases grandiloquentes para enaltecer a vitória de António Costa na arrastada disputa interna travada no PS. “Nova esperança”, “o princípio do fim deste governo”, “o PS de novo alinhado com o povo” são algumas das tiradas que tentam projectar o novo líder e fazer crer que depende dele virar o país do avesso.
Todo este discurso não pretende mais do que renovar nos eleitores a ilusão de que o PS é a alternativa à parelha Coelho-Portas e à austeridade. É, por isso mesmo, um discurso de curta duração e de curto alcance. Ler o resto do artigo »



O caso BES e as regulações

Pedro Goulart

BdPApós o enorme e ainda bem presente escândalo do Banco Português de Negócios (BPN), em 2008, envolvendo crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais, e que implicaram numerosas figuras do PSD, como Cavaco Silva, Dias Loureiro e Oliveira e Costa, muita gente julgava que os problemas com a regulação e supervisão dos bancos já estariam ultrapassados. Puro engano. Aos milhares de milhões de euros gastos com o BPN vêm agora somar-se aqueles milhões que o Banco Espírito Santo (BES) certamente nos irá custar. Ler o resto do artigo »



Os impostores

Pedro Goulart

Desemprego_72Somos matraqueados diariamente pelos chamados órgãos de comunicação social com as habituais manipulações de números apresentados pelo governo do PSD/CDS sobre a alegada bondade da sua política em diversos domínios. No que respeita ao desemprego, os ministros do governo regozijam-se afirmando que as coisas estão a caminhar bem, que o desemprego diminui e que se verifica a criação de novos empregos. Ler o resto do artigo »



Menos médicos e professores, mais polícias e maior submissão ao imperialismo

Pedro Goulart

GreveEnfermeirosA pretexto da actual “crise”, milhares de médicos, enfermeiros, professores e investigadores têm sido afastados dos hospitais públicos, das escolas e dos centros de investigação, prejudicando-se gravemente a saúde e a formação dos portugueses, além de forçar muitos daqueles profissionais à emigração, à mudança de profissão e, até, ao desemprego. Isto, enquanto os governos do capital continuam a esbanjar milhões e milhões com polícias, tribunais, forças armadas e na ajuda aos bancos, gastando o dinheiro do OE com a defesa dos bens e interesses das classes dominantes. Ler o resto do artigo »



Eles comem tudo

Pedro Goulart

1_99Em recente estudo Portugal: consolidação da reforma estrutural para o apoio ao crescimento e à competitividade, elaborado por encomenda do Governo português e agora divulgado em Lisboa, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) refere que, perante a crise e as medidas tomadas nos últimos anos, é “notável a capacidade de Portugal em conter as consequências sociais negativas da crise”.
O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, que falava, em Lisboa, numa conferência de imprensa conjunta com Passos Coelho, defendeu que o programa de ajustamento português “não se fez a todo o custo” e que as “reformas não são um evento, são um processo” que nunca termina e que têm de se ir adaptando. Ler o resto do artigo »



Editorial

O “flagelo”

Muita boa gente se tem mostrado condoída com a má sorte dos desempregados.
Depois de em 2012 ter dito que o desemprego era “uma oportunidade para mudar de vida”, Passos Coelho veio agora, com dois anos de governação sua em cima, verter lágrimas por um mal “insuportavelmente elevado”. O Papa falou em “flagelo” e na “perda de dignidade humana” em visita a uma região pobre de Itália. E Felipe VI, no seu passeio por Lisboa, proclamou o combate ao desemprego “um desafio ibérico”.

“Flagelo” é a expressão que melhor define o discurso do poder sobre o desemprego: um mal de ressonâncias bíblicas, sem sinal de origem nem remédio humano. A versão terrena do desemprego é outra: em fase de crise dos negócios, os patrões despedem trabalhadores, fecham empresas, retiram capital das funções produtivas, reduzem em cadeia toda a actividade económica. Ler o resto do artigo »



Notas sobre o sentido das últimas eleições europeias

Manuel Raposo

UEeleiçoesOs muitos comentários e análises feitos à eleições europeias de Maio esgotaram praticamente todas as avaliações acerca da distribuição dos votos e o que isso significa para cada uma das forças concorrentes. Mas nesta contabilidade das árvores perde-se, na maior parte das vezes, o aspecto geral que a floresta, através do acto eleitoral, revela agora ter. Na verdade, o que mudou de facto no panorama das classes sociais na Europa? Dois factores são primordiais para se perceber a situação: o enorme nível de abstenção e a gradual cisão do eleitorado de centro. Ler o resto do artigo »



Na morte de Rui Tovar

António Louçã

RuiTovarO Mundial de 2014 concluiu-se apenas com Messi a jogar até ao fim. Começou logo sem Ribéry, perdeu Ronaldo nos oitavos de final, Neymar nos quartos de final. Mas a grande perda que sofreu o futebol foi Rui Tovar, durante décadas a referência do jornalismo desportivo.
À notícia da morte de Rui Tovar, sucederam-se as expressões de admiração pelo seu saber enciclopédico. Expressões justas, sem dúvida, a que nada posso acrescentar.
Há, no entanto, um outro lado menos conhecido de Rui Tovar. Trabalhei com ele, durante vários anos, na RTP Memória. Ao vê-lo no mesmo barco, comecei por surpreender em mim próprio um preconceito, relativamente difundido, que o dava como pessoa situada politicamente à direita. Vários tropeções da vida tinham-lhe colado essa etiqueta. Ler o resto do artigo »



António Costa, o desejado

Pedro Goulart

Seguro&CostaNos meios de comunicação social do regime prossegue o folhetim relativo à luta feroz que se vem travando pelo controlo do poder no interior do PS, como etapa necessária à ocupação do tão desejado cargo de primeiro-ministro.
Nos três anos deste odioso governo do PSD/CDS, António José Seguro (que ainda continua a dominar o aparelho partidário) demonstrou bem a sua “eficácia” no tipo de oposição que (não) foi capaz de fazer às malfeitorias praticadas pelo actual executivo do patronato. E o oportunismo de quem, “pássaro fora da gaiola”, só agora critica o governo de Sócrates. Ler o resto do artigo »



Coincidências?

Com um Serviço Nacional de Saúde (SNS) a rebentar pelas costuras, por via das chamadas medidas de austeridade (que visam sobretudo fortalecer a medicina privada), com os médicos em luta, destacando-se a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) que decidiu emitir um pré-aviso de greve nacional para 8 e 9 de Julho, surgiu agora notícia de que a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) enviou para o Ministério Público, para investigação de eventuais ilícitos criminais, os casos de médicos detectados a trabalhar em vários hospitais, públicos e privados, à mesma hora. Trata-se de um caso já referido em fins de 2013 e em Março deste ano e que, a ser verdade, é efectivamente uma fraude e, logo, condenável, mas que alguém agora veio plantar, requentada e convenientemente, nos media do regime. E quem paga estes oportunos “trabalhos” jornalísticos?



Aclarações e vigarices

Pedro Goulart

GovernoRuaNa sequência da declaração de inconstitucionalidade de três normas do Orçamento do Estado de 2014, que cortavam nos salários dos funcionários públicos, reduziam pensões de sobrevivência e tributavam os subsídios de desemprego e de doença, o governo e os partidos seus apoiantes, assim como o bando de assalariados e lacaios do capital que estes dispõem nos média, têm conduzido uma despudorada campanha contra o Tribunal Constitucional (e, também, contra a Constituição) que, por vezes, dada a actual situação económica e política, assume um discurso de carácter neofascista. Isto, apesar do TC ter aceitado perdoar o roubo de cinco meses de salários, pensões e subsídios, já este ano perpetrado pelo governo de Passos Coelho. Ler o resto do artigo »



Contra a liquidação do Serviço Nacional de Saúde

Carlos Completo

SNSSó nos primeiros cinco meses deste ano, 215 médicos abandonaram ou vão abandonar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), de acordo com as listas de aposentações de Janeiro a Maio. E, aos 215 médicos que já abandonaram ou vão abandonar o Estado, juntam-se 250 enfermeiros que já se aposentaram ou que o vão fazer ainda em Maio. Ler o resto do artigo »



25 Abril . 40 anos

A “reforma” do Estado

Manuel Raposo

25A8_adjustOs propósitos das classes dominantes portuguesas quando falam na “reestruturação” ou na “reforma” do Estado — e na revisão da Constituição — não podem ser compreendidos se não se perceber o que é e como foi instituído o Estado que temos hoje. Sem isso, a esquerda corre o risco de ficar por uma crítica de superfície ao “revanchismo” da direita e limitar-se a produzir comentários de circunstância sobre a “falta de sentido patriótico” ou “de espírito democrático” dos dirigentes políticos no poder. E, pior que tudo, a tomar o assunto como uma campanha política de uns quantos jovens fanatizados que desaparecerá com uma mudança governativa por via eleitoral — escapando-lhe a luta de classes que está por baixo desta ofensiva. Ler o resto do artigo »



Roubo agravado

A Contribuição Extraordinária de Solidariedade vai acabar. Mas em seu lugar entra em função em 2015 um corte permanente das pensões (baptizado de Contribuição de Sustentabilidade) de valor maior do que a CES primeiramente aplicada. A CES começou (2011, governo Sócrates) com um corte de 10% sobre as pensões acima de 5000 euros. Com Passos Coelho, em 2012, subiu para 25%, acima também dos 5000 euros. Em 2013 foi aplicada com taxas agravadas às pensões acima de 1350 euros. Este ano passou a atingir pensões acima dos 1000 euros. Em 2015 penalizará todas as pensões acima dos 1000 euros com taxas que começam em 2%, com a agravante de poder variar todos os anos em função de dados económicos e demográficos. Sai a troika, mas fica a austeridade.



Comadres

Silva Carvalho, o espião-maçónico amigo de Relvas, disse que foi convidado para secretário-geral do SIRP (Sistema de Informação da República Portuguesa) por “um dos assessores principais de Passos Coelho” na altura em que este constituía governo, em 2011. O pronto desmentido do primeiro-ministro não apaga os laços de Carvalho com Coelho e salpica o governo com a lama do escândalo de espionagem e favores de que Silva Carvalho foi o centro. Aguardam-se os próximos desenvolvimentos.



Editorial

Europeias

Quando em 1986 Portugal integrou a CEE, soaram as trombetas da paz, do progresso, da igualdade. Hoje, a UE tem no cadastro meia dúzia de guerras de agressão, regride economicamente, empobrece as classes trabalhadoras, corta apoios sociais, discrimina os povos do sul, discute a expulsão dos imigrantes.

Não é um desvio do bom caminho: é o resultado do alargamento das relações capitalistas a todo o continente. As burguesias nacionais agregaram-se na UE para reforçarem o seu poder comum. Uma união europeia capitalista só podia ser imperialista, menos democrática e mais desigual, como hoje a vemos. É por esta senda — aberta pelos governos capitalistas de todos os matizes, que se encarregaram de esmagar as aspirações populares — que a extrema-direita se prepara para cantar vitória nas eleições de dia 25. Ler o resto do artigo »



25 Abril . 40 anos

Em luta pela organização autónoma dos trabalhadores e pela revolução proletária

Pedro Goulart

25A12Com a luta de massas que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, foram grandes as conquistas obtidas pelas classes trabalhadoras e pelo povo: no domínio das liberdades, a nível da organização (comissões de trabalhadores e de moradores, sindicatos, poder popular), nos aumentos salariais, nas ocupações de casas, terras e empresas, no campo social (saúde, ensino e segurança). Mas a falta de experiência política e de capacidade organizativa revolucionárias da maior parte dos envolvidos nas lutas haviam de levar a uma pesada derrota no 25 de Novembro de 1975. E, daí para cá, sob a pata do patronato e com a intensificação da exploração capitalista, os trabalhadores e os oprimidos perderam parte significativa das suas conquistas, vendo mesmo atingidos alguns direitos fundamentais. Ler o resto do artigo »



25 Abril . 40 anos

Independência nacional ou internacionalismo proletário?

Pedro Goulart

InternacionalismoCom o capitalismo globalizado e Portugal integrado na União Europeia há quase 30 anos (por imposição das classes dominantes portuguesas), os trabalhadores e os pobres foram submetidos a uma forte exploração e sofreram várias ignomínias, com destaque para o nefasto papel dos governos de Sócrates e de Passos Coelho, lacaios e cúmplices do imperialismo europeu, particularmente da Alemanha. A entrada acrítica na União Europeia e no Euro foram os responsáveis por grande parte das malfeitorias que mais recentemente atingiram a maioria dos portugueses. Ler o resto do artigo »



25 Abril . 40 anos

Diz-me quem idolatras…

António Louçã

crato1A morte de Veiga Simão foi pretexto para os habituais elogios fúnebres. Até aqui, nada de extraordinário: mais longe já tinham ido um PS que andou com ele ao colo depois do 25 de Abril, um Mário Soares que o nomeou seu ministro da Indústria na coligação do Bloco Central, um António Guterres que o nomeou mais tarde seu ministro da Defesa. Elogiá-lo depois de morto terá sido, apesar de tudo, menos melindroso do que decidir atribuir-lhe responsabilidades políticas em vida. Sem surpresas, os encómios do PS concentraram-se principalmente na acção do falecido à frente dos seus dois Ministérios do pós-25 de Abril. Ler o resto do artigo »



25 Abril . 40 anos

Os valores de Abril e os valores populares revolucionários

José Borralho

25AEm Portugal, há 40 anos, o 25 de Abril constituiu um golpe de morte no regime fascista, e nesse desígnio esteve junta a maioria do povo português — as várias classes a quem o fascismo oprimia — a começar nas classes trabalhadoras, e na mais explorada de todas: a classe operária. Mas também as classes burguesas ansiosas de modernização do país. Foi assim, um acontecimento histórico que pareceu capaz de, momentaneamente, unir trabalhadores e patrões, as camadas populares e os burgueses; e como se sabe, esta é uma união impossível porque contém em si dois pólos opostos que se repudiam. Ler o resto do artigo »



É gente desta que gere a Comissão Europeia

Durão Barroso, um homem sem escrúpulos

Pedro Goulart

DuraoBushMerkelEm entrevista à SIC e ao Expresso, o actual presidente da Comissão Europeia “descobriu” recentemente, em público e convenientemente, várias coisas:
– que, quando era primeiro-ministro (2002 a 2004), chamara três vezes Vítor Constâncio a São Bento para saber se aquilo que se dizia do BPN (banco onde dominava a gente do PSD) era verdade – isto, enquanto o próprio Barroso não prestou quaisquer informações do tipo à primeira comissão parlamentar de inquérito a este caso;
– que, a propósito dos atingidos pelas medidas governamentais e subscritores do Manifesto pela Reestruturação da Dívida, Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix (seus ex-ministros), estes eram da classe média ou média-alta – a mesma classe dele, diga-se – e que, como tal, reagiam assim aos cortes; Ler o resto do artigo »



Editorial

Há saída?

Se tivermos em vista as grandes manifestações de 2011 a 2012 e as greves gerais, a situação actual mostra um abrandamento do movimento de massas, sem desprezar as greves e lutas locais que continuam a manter viva a chama da resistência.
Não admira este recuo: a expectativa de que o governo cairia de podre no verão passado saiu gorada, em boa parte graças à actuação do PS, mas fundamentalmente porque o próprio movimento popular esperou que os empurrões dados na rua seriam completados por eleições antecipadas. Foi um engano, que mostrou, apesar de tudo o que foi feito, a necessidade de uma acção de massas muito mais determinada — e que comprovou de novo que as “instituições democráticas” não existem para facilitar a vida à luta de classes mas para a debelar. Ler o resto do artigo »



A quem se dirige o Manifesto dos 70?

Manuel Raposo

Nao pagamosO sentido imediato que mais claramente se destaca do Manifesto dos 70 é este: a política do governo PSD-CDS-troika vai ser repudiada nas eleições legislativas de 2015 e os primeiros sinais podem ser dados já nas Europeias de 25 de Maio. Uma significativa deslocação de votos para a esquerda (PCP e BE); uma forte abstenção dos eleitores de centro que se sentem enganados, descalçando PSD e CDS; uma fraca vitória do PS — tudo isto pode criar uma grande fragilidade ao último ano de governo de Passos Coelho bem como ao governo que se seguirá. Prosseguindo as medidas de austeridade como até aqui, as condições sociais serão favoráveis a novas manifestações de descontentamento popular, as grandes movimentações de rua poderão voltar a agitar o país. Nem PS nem PSD teriam margem de apoio suficiente para prosseguir a política actual sem que a luta de classes se agudizasse; e as miragens de recuperação económica esfumar-se-iam. Ler o resto do artigo »



O caminho está na luta

José Borralho

MultidãoManifestámo-nos de novo em vários pontos do país no velho estilo passeata, com final virado para dentro, para consumo interno. Mais uma vez nos foi dito que a crise será travada com crescimento económico, levado a cabo por um governo patriótico e de esquerda.
Mas não nos esqueçamos: a esquerda vive encerrada num círculo de ferro. Resistindo, protestando, mas não ambicionando mais do que um capitalismo “melhor” que este. Círculo que tarda em ser rompido, e que nos amarra ao sistema económico real. Ler o resto do artigo »



Futuro zero

Manuel Raposo

reformados e pensionistasCom a aproximação da data de partida oficial da troika e sobretudo com novas eleições no horizonte, o governo e os seus porta-vozes inauguraram o discurso da “recuperação económica” como prova do “êxito” das medidas de austeridade.
O ministro da economia, Pires de Lima, foi um dos pioneiros desta nova linha de propaganda. Mas, para além da insegurança e da precariedade dos dados em que a conversa se baseia — sublinhadas de resto por fontes tão insuspeitas como o FMI — é o próprio discurso do ministro que revela a fraqueza do que é dito e das circunstâncias em que a falada “recuperação” se processa. Ler o resto do artigo »



Mekorot fora de Portugal!

No dia 25 de março, estaremos no Largo de Camões, entre as 18h e as 19h. Participa, traz garrafões de água vazios. Junta-te à semana mundial contra a Mekorot, empresa israelita responsável pelo apartheid da água na Palestina. A empresa das águas holandesa Vitens cancelou a sua parceria com a Mekorot. Na Argentina, o movimento de boicote fez perder à Mekorot um contrato milionário. Em Lisboa, queremos que a EPAL denuncie o seu acordo com a Mekorot.
Organizações participantes: Associação de Agricultores do Distrito de Lisboa – Associação Água Pública – Associação Intervenção Democrática – Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque – Casa Viva – Colectivo Mudar de Vida – Colectivo Mumia Abu-Jamal- Comité de Solidariedade com a Palestina – Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Conselho Português para a Paz e a Cooperação – Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal – Fórum pela Paz e pelos Direitos Humanos – Grupo Acção Palestina – Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente –
SOS Racismo.



Masoquismo, compromissos políticos e empobrecimento

Pedro Goulart

navio-afundandoPassos Coelho, que falava numa conferência sobre o pós-troika, irritado por o Manifesto dos 70 vir pôr em causa a única saída (a sua!) para a presente crise do capitalismo português e, ainda, por ter surgido num momento com eleições à vista, foi contundente na forma como se referiu às personalidades de diversos quadrantes políticos que subscreveram o Manifesto pela Reestruturação da Dívida. Passos Coelho acusou os subscritores de serem “os mesmos que falavam na espiral recessiva” e afirmou espantar-se que “pessoas tão bem informadas” levantassem tais questões. E o primeiro-ministro citou, a propósito, o Presidente da República, apoiando a ideia por este então expressa de que falar em reestruturação da dívida era um acto de “masoquismo”. Ler o resto do artigo »



A quem serve esta Justiça?

Enquanto era inaugurado o novo edifício da Polícia Judiciária, com a presença de Passos Coelho, António Costa, Alberto Costa e Paula Teixeira da Cruz, e era afirmado tratar-se de edifício do mais moderno a nível mundial (segundo Pedro do Carmo, da direcção nacional desta polícia), ficámos a saber que isto, para principiar, nos vai custar quase cem milhões de euros. Simultaneamente, esta mesma Justiça, de que a Polícia Judiciária faz parte, deixa prescrever milhões de euros de multas aos banqueiros Jardim Gonçalves, do BCP, e João Rendeiro, do BPP. E, entretanto, diz-se que falta dinheiro para escolas, hospitais, assim como para apoiar os desempregados.



Relvas, o indispensável

António Louçã

ZecaMendonçaO pontapé de “Zeca Mendonça” a um repórter fotográfico foi bem o símbolo de um estilo. Não havia dúvida possível: Relvas estava de volta. Com a agressão ao jornalista, o assessor do ex-ministro ilustrou todo um programa político. Era assim o Relvas que tutelou a RTP e era assim o que interveio na linha editorial de jornais que não tutelava (caso de Maria José Oliveira e do “Público”). Os jornalistas, quando saem da linha, devem ser tratados a pontapé.

Tratava-se de um mero resquício do passado? Se assim fosse, Relvas teria entrado no Congresso do PSD pela porta dos fundos e teria ocupado discretamente um lugar no meio da plateia. Mas ele reentrou pela porta grande e Passos Coelho pô-lo logo à frente da lista para o Conselho Nacional. Ler o resto do artigo »



Para a repressão há dinheiro

Diz o governo que o dinheiro é escasso para a Saúde, Educação e Segurança Social, mas o Ministério da Administração Interna (MAI) acaba de renegociar a renda paga pelas instalações que detém no Tagus Park. Segundo o DN, o gabinete de Miguel Macedo, em troca de um desconto de 7%, prolongou o contrato por mais cinco anos, passando a pagar pela renda 2,2 milhões de euros por ano (mas apenas em 2014 e 2015). Em vez dos 2,4 milhões acordados para dez anos (entre 2008 e 2018), no tempo do ministro Rui Pereira. Assim, a renda milionária continuará a ser paga pelo MAI à Fundimo (um fundo imobiliário) e o contrato foi prolongado por Miguel Macedo até 2023.



O PSD e o regresso de Miguel Relvas

Pedro Goulart

relvasO regresso de Miguel Relvas à ribalta política surpreendeu muita gente. A sua escolha para cabeça de lista do Conselho Nacional do PSD, avalizada no recente Congresso do partido, para além de acentuar publicamente a absoluta falta de vergonha de Passos Coelho e dos seus apoiantes, terá provocado algum mal-estar junto de vários congressistas presentes. Mas a cobardia e os interesses (de classe burguesa) instalados prevaleceram sobre qualquer pretenso mal-estar. As críticas anónimas ou as tíbias demarcações de militantes do partido em relação a esta imposição de Passos Coelho falam por si. É assim a natureza e a moralidade desta gente. Ler o resto do artigo »



A responsabilidade do voto

Carlos Completo

voto_basuraComo tens exercido o teu direito a voto nesta democracia burguesa em que vivemos? Antes de o fazeres tens pensado seriamente na tua responsabilidade pelos resultados?
Para não ir mais longe, relembremos as malfeitorias que os diversos governos dos últimos anos (do PS, PSD e CDS) praticaram contra os trabalhadores e o povo e que não são facilmente esquecíveis. Assim, votar hoje (após os vários actos eleitorais realizados em democracia burguesa) nestes partidos do chamado arco governativo só se compreende por mercenarismo de quem vota ou quando os interesses de classe burguesa do votante coincidam com os destes governos. Ler o resto do artigo »



O que significa afirmar: aproximemos a revolução

José Borralho

bandeira-vermelhaLutar para aproximar a revolução significa, antes de mais, manter o sonho de centenas de milhões de explorados, excluídos, perseguidos, vivendo a angústia provocada por um sistema que é ele a própria negação de dignidade, de liberdade, de uma humanidade com futuro, com direito à esperança. Aproximar a revolução é o mesmo que dizer: aproximemos o fim da ditadura do capital e construamos um outro sistema assente na apropriação colectiva da riqueza produzida e repartida com justiça.
Qualquer plataforma política que se pretenda hoje de esquerda, não pode deixar de ter no centro das suas preocupações políticas a mudança de paradigma social como forma de resolução da crise.
São importantes as denúncias políticas da devastação que este governo e a troika levam a cabo, e combatê-la por todos os meios possíveis; mas, verdadeiramente decisivo, é colocar no centro da luta a mudança de sociedade; não basta clamar por mais democracia e por inflectir os rumos da economia se as rédeas permanecerem nas mãos dos capitalistas. Ler o resto do artigo »



A degradação do Serviço Nacional de Saúde

Os privados agradecem, os utentes sofrem

Pedro Goulart

SaudeAs chamadas reformas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ocorridas nos últimos anos, muitas vezes a pretexto do combate a ineficiências e desperdícios (que, a par da corrupção, também existiam no sector) aumentaram as dificuldades das classes trabalhadoras e do povo no acesso aos cuidados de saúde. Os sucessivos cortes (a torto e a direito) no sector já ultrapassaram em muito as alegadas ineficiências e desperdícios, tendo conduzido ao afastamento de numerosos profissionais altamente qualificados (médicos, enfermeiros e técnicos de diagnóstico), produzido vários estrangulamentos e causado sérios problemas ao atempado e adequado tratamento dos doentes. Longas esperas nas urgências, para consultas de especialidade e para determinadas intervenções cirúrgicas têm sido as consequências mais penosas de tais políticas. E o caso recente dos trabalhadores da Linha de Saúde 24 (substituindo enfermeiros experientes por outros mais baratos e sem conhecimentos adequados) surge como mais um acto que vai na linha da crescente degradação dos cuidados de saúde prestados aos portugueses. Ler o resto do artigo »



Luta solidária dos estivadores europeus

Dia 4 de Fevereiro, solidários com a greve dos Estivadores de Lisboa, os estivadores europeus irão parar os portos durante duas horas. Nesse dia, o mesmo acontecerá em Setúbal e na Figueira da Foz. “O alargamento das fronteiras da nossa luta é uma resposta cabal à tentativa de isolarem a luta dos estivadores de Lisboa que enfrentam um conjunto de medidas que estão a ser programadas para aplicar em Portugal e exportar para toda a Europa. Se o que nos oferecem é a globalização da austeridade, dos despedimentos fraudulentos e da precarização do trabalho portuário, nós ripostamos com as lutas e a solidariedade internacionalistas” (do blogue O Estivador).



Dia nacional de luta – 1 de Fevereiro

Contra a política do patronato, manifestações e concentrações promovidas pela CGTP. É fundamental generalizar e aprofundar as lutas.

manif1Fevereiro14Lisboa e Setúbal 15h00 Cais do Sodré (para os Restauradores)
Porto 15h30 Praça dos Leões
Angra do Heroísmo 10h30 Praça Velha
Aveiro 15h30 Largo da Estação
Beja 14h30 Portas de Mértola
Braga 15h00 Parque da Ponte
Bragança 15h30 Praça Cavaleiro Ferreira
Coimbra 15h00 Praça da República
Covilhã 15h30 Ponte Mártir-In-Colo
Elvas 11h00 Rua Alcamim
Évora 11h00 Praça 1 de Maio
Faro 15h30 Largo do Mercado
Funchal 15h Assembleia Legislativa Regional
Guarda 10h00 Largo João de Deus
Leiria 15h00 Mercado Santana
Ponta Delgada 15h Portas da Cidade
Santarém 15h00 Segurança Social
Viana do Castelo 11h00 Praça da República
Vila Real 10h00 Palácio da Justiça
Viseu 15h00 Rua Formosa



Editorial

Pés de barro

A recente emissão de uns milhões de títulos de dívida portuguesa foi cantada pelo governo como uma demonstração da “recuperação” e do bom caminho do país. O mesmo com a descida dos juros verificada nos últimos dias. Não é isto uma prova da confiança “dos mercados” no rumo português de resposta à crise? e, desse modo, a prova de que, ida a troika dentro de meses, tudo correrá pelo melhor?

Fica, de facto, demonstrado o apreço do capital especulativo pelos efeitos da austeridade sobre a massa trabalhadora — mas apenas isso. Que melhor garantia pode haver para um especulador financeiro do que um governo que assegura o pagamento de juros agiotas à custa do empobrecimento dos assalariados? É isso que dá confiança ao capital volante que corre em busca de ganhos que não consegue obter em actividade produtiva. Ler o resto do artigo »



O ataque aos pensionistas

Prossegue a transferência de riqueza para o patronato

Pedro Goulart

pensionistasA pretexto de “tapar o buraco” deixado no OE 2014 pelo chumbo do Tribunal Constitucional ao chamado diploma da convergência de pensões, o Governo prepara-se para alargar a base de incidência (a partir de 1000 euros?) de um segundo imposto sobre os pensionistas — a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) — que já foi aplicada em 2013 a todas as pensões superiores a 1.350 euros. E, com o mesmo pretexto, também vai aumentar (para 3%?) os descontos para a ADSE (subsistema de saúde da Função Pública), que actualmente são de 2,5%.
Para além de execradas pelos mais directamente atingidos e da forte oposição de alguns partidos da esquerda parlamentar, tais medidas foram objecto de crítica mesmo de vários comentadores de direita, assim como de alguns constitucionalistas: “É incompreensível que o Governo insista em fazer uma correcção orçamental sempre sacrificando os mesmos”, salientou ao Expresso a constitucionalista Isabel Moreira, comentando o anunciado alargamento da base de incidência da CES dos pensionistas. Também o constitucionalista Jorge Miranda afirma: “Trata-se, no fundo, de um imposto sobre os mais fracos”. Ler o resto do artigo »



Nada de novo sob o sol?

António Louçã

andorinhasO ano de 2014 inicia-se como cópia ordinária de filmes que já vimos em versões mais frescas: o Governo a brandir estatísticas de recuperação económica e a prometer uma luz no fundo do túnel; o PS a juntar-se à festa com a ideia peregrina de que o bodo fiscal aos patrões (baixa do IRC) contribui para reanimar a produção; e o presidente com a ária estafada do casamenteiro — a única que sabe de cor e salteada —, a preconizar que o “arco da governação” esqueça as tricas e se entenda para roubar o povo. Única certeza palpável: esse povo nada sente das auspiciosas estatísticas, e continua a notar que uma ou várias mãos lhe remexem avidamente nos bolsos. Ler o resto do artigo »



Trabalhadores em luta – breve recensão

Pedro Goulart

INCMPese embora a poderosa ofensiva do patronato e de várias instituições nacionais — incluindo o governo lacaio de Passos Coelho — e internacionais do capitalismo (CE, FMI, BCE, OCDE), apesar do desemprego e do medo instalados na sociedade portuguesa, os trabalhadores, os reformados e os jovens não têm deixado de lutar e de manifestar-se dispostos à continuação do combate. De entre os numerosos protestos realizados nos últimos tempos, ou a realizar brevemente, de Norte a Sul do País, incluindo concentrações, manifestações e greves, destacamos alguns dos mais importantes. Ler o resto do artigo »



As escolhas de Marques Guedes

A propósito dos recentes e justos protestos dos professores contra as avaliações do ministro Crato, afirmava o ministro da Presidência Luís Marques Guedes: “Não há nenhum pai deste país que possa ficar sossegado se achar que alguma daquelas pessoas, com as cenas que assistimos ontem na televisão, possa ser professor de um filho seu”. Mas o mesmo ministro, tão sensibilizado com as cenas que tinha visto na manifestação dos professores, declarava, a propósito do “sucesso” da privatização dos CTT que o banco norte-americano Goldman Sachs, que adquiriu 5% do capital da empresa, “é uma entidade internacional financeira idónea”! Escolhas de classe.



Uma imagem antecipada da política do PS

Manuel Raposo

seguropassosO PS justificou o acordo feito com o governo para baixar o IRC com o propósito de “criar emprego” e garantiu que, lá por isso, não vê condições para outros entendimentos com o PSD e o CDS. O que fica à vista, porém, é o facto de o PS ter facultado um importante apoio político ao governo, possibilitando um desagravamento fiscal que beneficia exclusivamente o capital, sem quaisquer garantias de que os assalariados venham a beneficiar do mesmo tipo de tratamento. Ler o resto do artigo »



A matilha do patronato e o Tribunal Constitucional

Carlos Completo

TC1Antes e depois da recente decisão do Tribunal Constitucional (TC) sobre a chamada lei da convergência das pensões do sector público e do privado, ergueu-se nos media do regime um clamor da matilha do capital a favor desta lei. Primeiro, chantageando com a catástrofe que adviria, se chumbado, depois tentando desdramatizar e denegrir o Tribunal, muitas vezes argumentando, demagogicamente, que este considerava inconstitucionais certas leis que minavam a confiança dos cidadãos, mas não considerava inconstitucionais os aumentos de impostos que afectam os contribuintes. Para muita desta gente só o fim deste Tribunal e a revisão da Constituição — que foi boa enquanto foi servindo adequadamente os interesses da burguesia — resolveriam o problema, deixando mais livres as mãos de quem nos explora, assim como dos seus governos. Ler o resto do artigo »



Como fazer frente à ofensiva do capital?

Forças e fraquezas da luta dos trabalhadores

Manuel Raposo

basta19outNa sequência da publicação do manifesto Enfrentar a crise, lutar pelo socialismo – Uma perspectiva comunista (*) têm vindo a realizar-se reuniões de debate com diversos activistas. O presente texto, que transcreve uma apresentação do manifesto feita numa dessas reuniões, procura resumir as ideias principais do documento.

O nosso ponto de partida é uma constatação que pode colocar-se assim:
Não faltam lutas aqui e lá fora; algumas delas são mesmo consideráveis pela persistência, pela grande mobilização de massas que conseguem. Ao mesmo tempo, a crise do capitalismo desencadeada em 2007 não dá sinais de acabar, e não é exagero considerá-la a maior de sempre se levarmos em conta o grau de expansão do capitalismo actual e a delapidação de capital já verificada nas tentativas de segurar os sistemas financeiro e produtivo. Impõe-se então a pergunta: o que falta para se afirmar um movimento revolucionário, anticapitalista? Ler o resto do artigo »



25 de Novembro – o Prémio

Não à ilusão com os cantos de sereia

Pedro Goulart

eanes76Em 25 de Novembro passado, uma “comissão cívica” promovida por empresários, banqueiros, militares e civis de Novembro prestou homenagem a Ramalho Eanes e decidiu criar um prémio em sua honra. Da comissão promotora fazem parte, entre outros, Belmiro de Azevedo, Artur Santos Silva, Henrique Granadeiro, Jaime Gama, Mota Amaral, Manuel Alegre, Rui Rangel, Bagão Félix, António Capucho, Adriano Moreira, Pinto Monteiro, Leonor Beleza, Rui Rio, João Proença, António Saraiva, António Rendas, Sampaio da Nóvoa e Rui Veloso. No evento, aprazado para a data comemorativa do golpe reaccionário de 25 de Novembro de 1975, participaram também Loureiro dos Santos, Garcia Leandro, Guilherme D´Oliveira Martins, João Salgueiro, Jardim Gonçalves, João Lobo Antunes, Manuela Ferreira Leite, Arnaldo de Matos, Alberto Martins e António Barreto, cabendo a este último o anúncio do prémio Responsabilidade e Cidadania António Ramalho Eanes, no valor de 50 mil euros. E entre os patrocinadores do evento estão: a Sonae, a Mota Engil e a Silampos. Ler o resto do artigo »



Justiça para o Iraque

Rede de activistas contra a ocupação do Iraque reuniu em Lisboa

Cristina Meneses

IAONP1020904reduzPassados mais de dez anos sobre a violenta ocupação do Iraque, juntaram-se em Lisboa, entre 11 e 13 de Outubro, nas instalações da Biblioteca-Museu República e Resistência, cerca de 30 membros da rede de organizações e de activistas que, em diversos países, dá continuidade ao trabalho desenvolvido pelo Tribunal Mundial sobre o Iraque. Em três dias, foram trocadas informações e travados frutuosos debates sobre a situação no mundo árabe e no Iraque. Duas das sessões foram abertas ao público e realizou-se ainda um concerto de canções aramaicas na Sé de Lisboa, com o músico iraquiano Behnam Keryo e o português António Pinto. Ler o resto do artigo »



A vitória da Selecção

Na manhã seguinte à vitória da selecção nacional de futebol sobre a Suécia, uma rádio não encontrou melhor ideia do que tentar saber o que mudara numa fábrica da multinacional sueca Ikea, em Paços de Ferreira. Descobriu que, contra o habitual, a bandeira portuguesa foi a primeira a ser hasteada e só depois a da empresa. Talvez fosse a desforra “nacionalista” pela vaia com que os civilizados espectadores suecos acolheram na véspera o hino português. Mas, talvez sem querer, a rádio descobriu melhor. Um trabalhador da empresa respondeu ao jornalista de serviço nestes termos: “O que é que ganhámos? Ganhámos uma carrada de trabalho. Lá por a selecção ter vencido não vamos ter folga”.



Bóia de salvação

No início da discussão do Orçamento do Estado, Passos Coelho desafiou o PS a apresentar alternativas. O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, respondeu que o PS “não é bóia de salvação do governo” nem da sua “política de fracasso”. Pois não, agora já não é preciso. Foi bóia de salvação no momento certo, no verão passado, quando aceitou o convite de Cavaco Silva para negociações com um governo que ameaçava desmoronar-se. A mãozinha então dada por Seguro foi o sinal de que o PS não queria que o governo caísse nem desejava eleições. Foi esse o compasso de espera indispensável para que o governo se recompusesse e o PS fosse mandado de novo para o seu papel de oposição “construtiva e responsável”.



À pressa

Dois dias depois das eleições autárquicas de 29 de Setembro, foram nomeadas para diversos serviços da Câmara de Gaia 20 pessoas, militantes e simpatizantes do PSD, que trabalhavam para o anterior executivo, precisamente do PSD. Percebe-se a pressa: como o chefe Luís Filipe Meneses perdeu, sem esperar, a candidatura ao Porto não os pôde levar com ele.



Justiça EDP

Como foi noticiado, há algumas semanas funcionários da EDP, acompanhados de agentes da polícia, cortaram a energia eléctrica a várias casas de famílias pobres no bairro do Lagarteiro, no Porto, e anularam várias ligações ilegais feitas pelos moradores. A justificação são as dívidas por pagar dos consumidores. Os moradores receiam que venham a seguir os cortes da água, pelos mesmos motivos. Muitas dessas famílias já não têm água corrente em casa e valem-se da ajuda dos vizinhos. Para se avaliar da justiça da medida da EDP, saiba-se que a empresa anunciou 792 milhões de euros de lucros nos primeiros nove meses do ano, depois de ter lucrado 1012 milhões em 2012. E já agora saiba-se ainda que os sete membros do conselho de administração ganham, por junto, mais de 6 milhões de euros por ano, uma média de 870 mil euros a cada.



Mota Soares, o santarrão

O beato fingido que faz de Ministro do Emprego e da Solidariedade tem vindo a proclamar alto e bom som, a propósito do OE 2014, que o actual governo vai aumentar as pensões mínimas anteriormente congeladas pelo governo de Sócrates. O que não diz é que tal aumento, para pensões inferiores a 200 euros, se traduz num valor inferior a 3 euros! Agora, e em resposta ao relatório da OIT, onde se analisa o impacto da crise económica global no mercado de trabalho em Portugal e se defende a actualização do salário mínimo nacional (SMN), de modo a evitar o agravamento  das desigualdades salariais e de rendimento, Mota Soares afirma que, apesar do governo desejar fazê-lo, tal “só poderá acontecer quando acabar o Programa de Assistência a Portugal”. Ler o resto do artigo »



Editorial

O “milagre”

O governo acompanhou a apresentação do Orçamento do Estado de insistentes referências a “sinais de recuperação”, tendo o ministro Pires de Lima falado mesmo em “milagre económico”. O aumento das exportações, o ténue crescimento da produção industrial e mais uns quantos dados precários são os argumentos do governo para mostrar o êxito da sua política.

Mas, do outro lado, os números do desemprego não baixam, a quebra dos salários continua, a desesperança de quem trabalha não se esbate. Como se entende esta contradição? Não há contradição — o êxito que o governo e os patrões podem apresentar assenta precisamente na desgraça dos trabalhadores. Ler o resto do artigo »



Conversa para enganar tolos

Os média do regime propagandeiam acriticamente, como lhes ordena o patronato, as encenações, as palhaçadas, e as muitas conversas para enganar tolos provindas do governo, assim como dos dirigentes dos partidos da actual maioria parlamentar. É o caso recente da propalada ideia de que os deputados do PSD pretenderiam taxar extraordinariamente as chamadas parcerias público-privadas, as telecomunicações e a grande distribuição no OE 2014, de modo a aliviar as pesadas cargas tributárias que irão incidir sobre os trabalhadores. E que só não o fariam por resistência dos ministros das Finanças e da Economia. Alguém acredita nisto?



Trabalhadores da Casa da Moeda em luta

Hoje, dia 14, os trabalhadores da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (INCM) estão concentrados das 8 às 24h, à porta da empresa, em Lisboa. Protestam contra uma decisão da Administração, acusando-a de procurar roubar-lhes direitos no campo social, nomeadamente na saúde, e em relação aos seus filhos. Referem-se a uma decisão arbitrária desta Administração (ao serviço do governo e da troika), tomada sem os trabalhadores terem sido consultados. Assim, a Comissão de Trabalhadores considera nula a deliberação da Administração alterando o regulamento dos Serviços Sociais e, caso esta não retroceda nas suas intenções, dispõe-se a prosseguir a luta.



A espionagem e o bom aluno

António Louçã

espionagemUSSucedem-se as revelações sobre a espionagem da NSA. Os alvos não foram apenas governos considerados hostis, mas também amigos tão estimados como os governos da Alemanha, da Itália, da França, de Espanha. Não se procurava, portanto, informações úteis na chamada luta antiterrorista, mas também aquelas que fossem úteis às multinacionais norte-americanas, para torná-las mais “competitivas” contra as concorrentes europeias. Não espiavam apenas a CIA e a NSA, mas também os serviços alemães, que entregavam aos colegas ianques informações sobre os concidadãos alemães, os serviços franceses, os italianos e os espanhóis que faziam exactamente o mesmo sobre os seus concidadãos. Ler o resto do artigo »



Traços da guerra diplomática Lisboa-Luanda

Manuel Raposo

lisboaluandaA burguesia que governa Angola é, em essência, igual à portuguesa: exploradora e corrupta. Com a diferença de ter menos tempo de prática.
Acontece, porém, que a burguesia angolana se libertou da tutela colonial da burguesia portuguesa e agora está por cima à custa do petróleo, dos diamantes, dos imensos recursos do país e do crescimento económico impetuoso dos últimos anos — conseguido, aliás, com o fim de uma longa guerra civil grandemente promovida pela burguesia portuguesa. Em contrapartida, a burguesia portuguesa está por baixo. Penhorada ao capital europeu e com os negócios nacionais estagnados, precisa de investir em Angola, precisa dos investimentos angolanos em Portugal, precisa que os novos-ricos angolanos venham fazer compras de luxo a Lisboa. É esta a moldura dos negócios entre Portugal e Angola. Ler o resto do artigo »



Porto resistente

Manifestação da CGTP nos Aliados e Zeca Afonso na Casa da Música

Pedro Goulart

elescomemtudoEm 19 Outubro, dezenas de milhares de trabalhadores atravessaram a Ponte do Infante a pé, desfilaram pelas ruas do Porto e concentraram-se na Avenida dos Aliados. Durante o protesto organizado pela CGTP os manifestantes condenaram veementemente o Orçamento para 2014 e as políticas do governo, exigindo demissão deste. Aqui, ao contrário de Lisboa, não foi colocado qualquer obstáculo à passagem dos manifestantes a pé em cima de uma ponte.

Apesar da deslocação de milhares de trabalhadores dos distritos de Braga, Bragança, Viana do Castelo, Vila Real e Aveiro, o forte dos manifestantes provinha do concelho do Porto, assim como dos concelhos vizinhos. Além dos manifestantes da CGTP, estavam presentes trabalhadores de sindicatos independentes e outros não sindicalizados. Assim como vários militantes políticos de esquerda. Ler o resto do artigo »



Portugal desigual, causas e ilações necessárias

Pedro Goulart

Portugal passa fomeUm recente inquérito realizado junto de instituições de solidariedade social evidencia bem o aumento da pobreza verificado em Portugal nos últimos dois anos. Nesse estudo, promovido pela Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome em parceria com a Universidade Católica, mostra-se que “os mais pobres vivem cada vez pior e que a crise os atinge na satisfação das suas mais básicas necessidades”. De referir que 52% dos agregados familiares inquiridos recebem, por mês, menos do que um salário mínimo nacional e que perto de 25% dos agregados recebem menos do que 250 euros. De salientar, ainda, que estes valores, em 32% dos casos, dizem respeito a rendimentos de trabalho, isto é, referem-se a famílias que, apesar da crise, conseguem estar empregadas. Mais, 39% dos inquiridos afirmou ter passado um dia por semana sem comer, por “falta de dinheiro”. Ler o resto do artigo »



As autárquicas em análise

Depois da derrota da direita, todo o apoio às manifestações de Outubro

José Borralho

1. Sem sombra de dúvida, a direita no poder, revanchista e austeritária, sofreu uma derrota nas recentes eleições autárquicas que reflecte o repúdio pela política do governo e da troika. Ponto assente.
O voto maioritário no PS reflecte a rejeição da austeridade e a esperança numa política menos agressiva do que aquela que a direita aplica brutalmente. Os que se deslocaram para o PS vêem em Seguro e no PS um mal menor.

2. A CDU aumentou o número de votos, de câmaras e de autarcas. Foi recompensada pela sua luta de resistência à política reaccionária do governo e da troika imperialista. A sua insistência na derrota da actual política, embora sempre dentro dos parâmetros de soluções moderadas, como a luta pelo crescimento da economia capitalista e pela reestruturação da dívida do capital, retirou dividendos por aparecer aos olhos de muitas pessoas de esquerda como a força que dirige a resistência à política de austeridade. Ler o resto do artigo »



O poder é surdo à voz dos eleitores

Colectivo Mudar de Vida

A uma semana das eleições autárquicas, uma estação de rádio divulgou uma sondagem em que 55% dos inquiridos achavam que a campanha eleitoral em nada os esclarecia e 45% não tinham opinião; nem um achou que a campanha valesse a pena. Independentemente dos números, é esta a imagem da relação dos eleitores com os eleitos.

De facto, de ano para ano, não apenas as autárquicas, mas também todas as demais eleições, motivam crescente desinteresse, abstenção e até mesmo repulsa da parte dos eleitores. Que outra atitude seria de esperar quando os candidatos das forças do poder prometem o que não vão cumprir, mentem abertamente para ganhar votos e, uma vez eleitos, se gabam mesmo de levar a cabo medidas antipopulares como sinal de pulso forte? Que seria de esperar quando a experiência prática de quase cinco anos de austeridade mostra às classes trabalhadoras que a função do poder é forçar os de baixo a pagar os custo da crise dum sistema capitalista em ruptura? Ler o resto do artigo »



Executivos e cumplicidades

Nas próximas eleições autárquicas, para além dos cidadãos seriamente interessados na resolução dos problemas locais que afectam as populações, há toda uma corja de executivos do capital que a este procuram servir e, também, servir-se. Aqueles que ao longo das últimas décadas têm representado os patrões e os partidos do chamado arco governativo — PSD, PS e CDS — e muitas vezes estiveram envolvidos nas teias de corrupção existentes, não poderão servir os verdadeiros interesses dos trabalhadores e do povo. Mesmo a nível local, votar nesta gente, que até por vezes aparece camuflada de independente, é assumir uma cumplicidade criminosa com o actual estado de coisas.



Um cheque-ensino venenoso

O ministro Nuno Crato revela com bastante nitidez a política canalha do seu governo em relação à Escola Pública: retirar-lhe recursos, empobrecê-la, desarticulá-la, visando abrir maior espaço ao negócio do ensino privado. É totalmente falsa a “liberdade de escolha das famílias” de que fala o ministro, até porque o cheque-ensino não irá cobrir toda a despesa das escolas privadas: estas, agora com maior ajuda do Estado, escolherão os alunos que melhor entenderem (aqueles com maiores posses poderão continuar a optar pelas escolas privadas), deixando de fora os alunos com necessidades educativas especiais ou pertencentes a famílias mais pobres.



Outra vez em nosso nome, não!

Tribunal-Iraque

A vez da Síria
Com o mesmo argumento “humanitário” de defesa das populações e com falsificações tiradas a papel químico, foram desencadeados os ataques à Jugoslávia (1999), ao Afeganistão (2001), ao Iraque (1991 e 2003), à Líbia (2011).
Assad, o presidente sírio, será, assim, o segundo Kadafi, o terceiro Saddam, o quarto Bin Laden e o quinto Milosevic. Ler o resto do artigo »



EUA, França e Reino Unido preparam ataque à Síria

Mais um crime à sombra das “armas de destruição massiva”

Declaração do Tribunal-Iraque

As ameaças proferidas nos últimos dias pelos dirigentes norte-americanos, britânicos e franceses não deixam dúvidas de que está em marcha um ataque militar à Síria por parte destas potências. De novo se invoca a vontade da “comunidade internacional”, ou seja, a cobertura legal da ONU para levar a cabo o crime. Mas ao mesmo tempo vão-se ouvindo vozes de que a intervenção tem de ir por diante, com ou sem apoio das Nações Unidas. Antes mesmo de os inspectores da ONU chegarem a qualquer conclusão acerca das acusações sobre o uso de armas químicas, os EUA, seguidos pelos seus cães de fila em França e no Reino Unido, dão como culpado o regime de Damasco. Ou seja, a decisão está tomada, haja ou não provas. Lembram-se do Iraque? Ler o resto do artigo »



Uma cerimónia de abutres

No funeral de António Borges e em declarações aos média do regime, algumas dezenas de conhecidos abutres — capitalistas, gestores e porta-vozes do capital — teceram rasgados elogios ao homem do Goldman Sachs e do FMI. Ao conselheiro governamental para as privatizações, a um homem com rendimentos mensais escandalosos, mas que defendia o empobrecimento das classes trabalhadoras, ainda há pouco afirmando: “Reduzir salários não é uma política, é uma urgência”. Belmiro de Azevedo, Soares dos Santos, Passos Coelho, Pires de Lima, Rui Machete, Eduardo Catroga, Miguel e Leonor Beleza, Manuela Ferreira Leite, Ramalho Eanes, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Camilo Lourenço, tais alguns dos autores dos encómios, o que é bem significativo daquilo que António Borges representava – os interesses das classes que exploram e oprimem os trabalhadores e o povo português.



Zeca Afonso, concerto no Porto 20 Outubro, 21h, Casa da Música, sala Suggia

No seu 26.º aniversário, a Associação José Afonso promove uma evocação da vida e da obra dessa figura-chave da música popular portuguesa que foi José Afonso. No concerto juntam-se alguns dos seus companheiros e uma nova geração que cresceu com o “poeta, andarilho e cantor”: António Capelo, Coro Vox Populi, Grupo AL-DUFFeiras, Francisco Fanhais, Grupo Vocal Canto Décimo, Grupo Vozes Ao Alto, João Afonso + Rogério Pires, João Lóio + Regina Castro, Manuel Freire, Orquestra Ligeira de S. Pedro da Cova, Rui Pato, Uxia (Galiza) + Sérgio Tannus, Guilhermino Monteiro (Direcção Musical). Entrada 10€, bilhetes à venda na Casa da Música.



Um alerta terrorista

Carlos Completo

O alerta contra o perigo de uma ofensiva terrorista lançado pelos EUA de Obama (à semelhança da “descoberta” das armas de destruição maciça no Iraque, nos tempos de Bush), e logo repetido por vários países satélites da potência imperialista, foi, além do mais, uma cortina de fumo criada para justificar o tenebroso programa de vigilância levado a cabo pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA — o PRISM.
O PRISM é um programa secreto que permite entrar em todo o tipo de comunicações (dentro e fora dos EUA) e que gerou forte polémica quando foi denunciado (e bem) por Edward Snowden, actualmente asilado na Rússia. Ler o resto do artigo »



Um governo mal-cheiroso

Dos submarinos aos swaps, passando pelo BPN

Pedro Goulart

É já longa a lista de sondados e contactados para ministros ou secretários de Estado dos vários governos de Passos Coelho que neles se têm recusado a participar. A nova composição do governo, repudiado pelas classes trabalhadoras e desgastado pelas lutas de massas, reflecte as contradições internas nas classes dominantes (e na coligação PSD/CDS) e é produto da dificuldade em recrutar membros para um executivo desacreditado junto de vastos sectores da burguesia. Daí, a actual exposição pública de vários casos ministeriais de notório mau cheiro num governo recentemente recauchutado. Ler o resto do artigo »



As raízes a nossa “pseudo-democracia”

Manuel Raposo

Disse Mário Soares por um destes dias que vivemos numa pseudo-democracia. Grande mudança se deu na cabeça de Soares desde a altura em que elogiava Passos Coelho como um homem sério e inteligente — já as medidas antipopulares do governo faziam o seu curso. Como estes louvores, repetidos por mais de uma vez, agora lhe queimam a boca, Soares mudou de rumo.
É claro que vivemos numa pseudo-democracia. Mas não será inútil esclarecer de onde vem este regime, a que seria preferível chamar plutocracia, e qual foi o papel que o dr. Soares desempenhou na sua criação. Ler o resto do artigo »



Concerto de tributo a José Afonso

A Associação José Afonso (AJA) e a Reitoria da Universidade de Lisboa promovem, com o apoio do SPGL, no próximo dia 20 de Julho, um concerto assinalando os 50 anos da primeira edição de Os Vampiros. O concerto realiza-se na Aula Magna, em Lisboa, pelas 21h, e conta com a participação de Rogério Pires, Sérgio Caldeira, Pedro Syroh, José Fanha, o grupo Ensemble VOCT, Rui Pato, João Afonso, Manuel Freire, Luis Pastor, Lourdes Guerra, Pedro Fragoso e Francisco Fanhais.



Patrões apoiaram a greve geral?

Urbano de Campos

Nas vésperas da greve geral, quatro confederações patronais (indústria, comércio e serviços, turismo e agricultura) vieram a público reclamar uma política de “crescimento económico”. De passagem, repetiram que greves não resolvem nada, mas que, desta vez, entendiam as razões de queixa dos trabalhadores. Tanto bastou para choverem exclamações de que “os patrões apoiam a greve geral”! Ler o resto do artigo »



Esquecido

Um tal João Coutinho, gestor, saiu da CGD em 2004 com uma indemnização entre 500 e 800 mil euros. Entretanto, passou pelo Barclay’s Bank de onde teve de sair em Fevereiro deste ano pouco antes de a direcção do banco ter sido afastada por “más práticas”. Há dias foi proposto, de novo, para um cargo na mesma Caixa. Interrogado sobre o montante da indemnização de 2004 respondeu “já não tenho ideia sobre o valor exacto que recebi”. A Comissão de Selecção e Recrutamento da Administração Pública que agora o achou apto para o lugar na Caixa não considerou a indemnização recebida factor impeditivo, classificando o assunto como sendo “do foro ético”.



Seguro, o simples

No Fórum dos Progressistas Europeus, realizado em França, António José Seguro propôs que, acima dos 11% de desempregados, os subsídios de desemprego fossem pagos pela União Europeia. Se corre por aí a ideia de mutualizar a dívida que se situe acima dos 60% do PIB de cada país — argumenta Seguro — por que não mutualizar os custos do desemprego? Não passa pela cabeça de Seguro atacar as origens do desemprego, passa-lhe sim arranjar espertezas para o manter, repartindo os custos. Eis um exemplo vivo de como a nova socialdemocracia já não esboça um pequeno gesto que seja no sentido do progresso social, mesmo moderado, e apenas se procura afirmar como a face moderada da reacção capitalista.



Aniversário

Em 22 de Junho, solenemente, no mosteiro de Alcobaça, o governo comemorou dois anos de vida. Todos os números contrariavam o optimismo exibido: queda do PIB de 2,3%, em vez da subida de 1,2% prevista; desemprego em 18,2%, em vez de 13%; défice em 5,5%, em vez de 3%; dívida em 122,3%, em vez de 106,8%. A greve geral de dia 27 e a luta dos professores mostraram que a visão de quem trabalha é outra. A 1 e 2 de Julho demitiram-se Gaspar e Portas provando-se que as notícias sobre a unidade do balneário eram um pouco exageradas. O feliz aniversário quase redundou em funeral.



A lição de Saraiva

O ministro da Educação Nuno Crato não aprendeu a lição do ministro da Educação José Hermano Saraiva quando este, diante da greve de estudantes de 1969, veio fazer voz grossa ameaçando, façanhudo, impor a ordem em dois tempos. Julgava ele que o país ainda era amante da ordem e ficaria do lado do governo contra os estudantes. Enganou-se: a luta durou de Abril até ao verão e Saraiva acabaria substituído no ano seguinte. Crato quis vencer o braço de ferro com os professores pondo pais e alunos contra eles. Mas a maioria dos pais e dos alunos estão fartos do governo a que Crato pertence. A recusa em adiar o exame de dia 27 foi uma teimosia que ninguém entendeu a não ser como uma estúpida prova de força, na verdade uma bravata política. O governo perdeu em toda a linha e ficou provado que lutar compensa.



Às ordens da CIA

O avião do Presidente boliviano Evo Morales, que se dirigia de Moscovo (onde participou num fórum de países produtores de gás) para La Paz, foi impedido pelo governo português (e por vários outros governos europeus) de sobrevoar Portugal e aterrar em Lisboa, devido a “considerações técnicas”, que não foram explicadas. Esta decisão (que viola as leis internacionais sobre tráfego aéreo) implica todo o governo português, incluindo Paulo Portas que, mesmo demitido das funções de ministro dos Negócios Estrangeiros, não teve pejo de ceder a esta pressão do imperialismo norte-americano.
Na verdade, o avião presidencial boliviano foi proibido de ingressar nos espaços aéreos da França, da Itália e de Portugal, por suspeitas de que o ex-agente norte-americano Edward Snowden — que denunciou a espionagem de cidadãos dentro e fora dos EUA e que hoje procura asilo político — estivesse a bordo. Ler o resto do artigo »



Editorial

A briga

A crise governamental da última semana foi um momento de fractura que mostrou a podridão que alastra sob a superfície das instituições e dos discursos.

A consolidação das contas públicas revelou-se mais do que fictícia. A queda vertical da Bolsa, a subida vertiginosa dos juros da dívida mostram que tudo está por arames. Gaspar, o agente da troika, deixa o país em cacos. Fica patente que o dito “programa de ajustamento” se destinava tão só a reembolsar os credores à custa de tudo e de todos; e que novo resgate está à vista em condições ruinosas, implicando mais exigências políticas e custos sociais. Ler o resto do artigo »



Demissão do governo! Todos a Belém, sábado dia 6, 15 horas

A exigência de demissão do governo é a proposta política que faz hoje a maior unanimidade popular, pesem as divergências sobre os caminhos imediatos e futuros. Só este propósito popular poderá contrariar a reacção acantonada no governo, em Belém, em Bruxelas onde se congeminam planos para continuar o massacre social ao povo trabalhador.
Se a exigência de demissão do governo acarreta outra que é a realização de eleições, isso deve-se a que as relações de classe e o nível da luta de massas ainda se situam nesse patamar: o chamado jogo democrático e de alternância. Uma coisa porém é certa: é preciso derrotar a direita, vencer os banqueiros, a troika, o capital, e ao mesmo tempo levantar as bandeiras da luta actual com vista à viragem.
Governo e troika, Rua!
O capital que pague a crise e a dívida!
Anulação de todas as medidas de austeridade!
Taxar o capital!
Trabalho para todos!



Às ordens da CIA

O avião do Presidente boliviano Evo Morales, que se dirigia de Moscovo (onde participou num fórum de países produtores de gás) para La Paz, foi impedido pelo governo português (e por vários outros governos europeus) de sobrevoar Portugal e aterrar em Lisboa, devido a “considerações técnicas”, que não foram explicadas. Esta decisão (que viola as leis internacionais sobre tráfego aéreo) implica todo o governo português, incluindo Paulo Portas que, mesmo demitido das funções de ministro dos Negócios Estrangeiros, não teve pejo de ceder a esta pressão do imperialismo norte-americano.
Na verdade, o avião presidencial boliviano foi proibido de ingressar nos espaços aéreos da França, da Itália e de Portugal, por suspeitas de que o ex-agente norte-americano Edward Snowden — que denunciou a espionagem de cidadãos dentro e fora dos EUA e que hoje procura asilo político — estivesse a bordo. Ler o resto do artigo »



As lutas de classes agudizam-se por todo o mundo

Nos últimos (poucos) anos o mundo tem assistido, por vezes com surpresa, a grandes manifestações de massas que contestam a ordem dominante em países geograficamente afastados e também aparentemente distantes do ponto de vista social ou político.
As revoltas árabes de 2011, as greves dos mineiros sul-africanos ou dos operários chineses, os motins que abalaram as periferias de Londres, de Paris e recentemente de Estocolmo, as manifestações e greves gerais na Grécia, em Espanha e em Portugal contra a austeridade, os protestos na Europa de Leste, as explosões na Turquia e no Brasil — são os exemplos mais salientes da acesa luta de classes que atravessa praticamente todo o mundo.
A estas acções mais destacadas somam-se outras, como a recente revolta dos trabalhadores do Bangladesh após a derrocada de uma fábrica têxtil que causou a morte a mais de um milhar de operários, ou as grandes manifestações de trabalhadores imigrados nos EUA que marcaram o 1.º de Maio de 2006. Ler o resto do artigo »



A greve geral

José Borralho

O governo preferia que os trabalhadores trabalhassem. Bronco e sem escrúpulos, manda trabalhar um milhão e quinhentos mil desempregados, 30% de precários, 200 mil que já tinha mandado emigrar. Só faltou mandar trabalhar os reformados e os acamados. Passos Coelho, que desconhece o que é o trabalho, já pode ser justamente considerado o maior exterminador de emprego das últimas décadas.
Os trabalhadores responderam como puderam. Na sua maioria profundamente descontentes com a austeridade, aderiram à greve geral, mesmo que lhes doesse nos magros salários. Lutaram, fizeram greve, manifestaram-se, e, com mais ou menos convicção nos objectivos propostos, escolheram a via da luta de classe para desmoralizar e derrotar o governo e a sua política austeritária e autoritária, cruel e cega. Mesmo muitos dos que foram trabalhar no dia 27 estão descontentes com a política do governo. Ler o resto do artigo »



A chispa

António Louçã

A chispa que deita fogo à pradaria pode surgir quando menos se espera e pelos motivos mais improváveis. Na Turquia foi o centro comercial que o Governo queria instalar na praça mais emblemática de Istambul. No Brasil foi o aumento de vinte cêntimos no bilhete de ónibus. Mas, nesses dois países que observadores superficiais têm considerado casos de sucesso económico, o que estava em causa era muito mais do que isso. Havia em ambos uma pradaria pronta a incendiar-se à primeira chispa que a atingisse. Ler o resto do artigo »



Com a greve geral

Convocada e/ou apoiada pela CGTP, UGT, vários sindicatos, comissões de trabalhadores e organizações cívicas, realiza-se a 27 de Junho uma Greve Geral contra as brutais medidas, ditas de austeridade, aplicadas pelo governo do PSD/CDS. Esta greve pode, também, dar um bom contributo para a demissão deste governo do Capital.
Hoje são milhões os trabalhadores portugueses, os jovens e os idosos atingidos pelo desemprego, pelos saques governamentais, pelos cortes na saúde, na educação e na segurança social, pelo empobrecimento generalizado da população e pela fome impostos pelas classes dominantes. Mais, o governo Passos/Portas prepara-se agora para adoptar mais medidas gravosas, que visam continuar o desmantelamento do Estado Social (Saúde, Educação e Segurança Social), entregando parte destes sectores à chamada iniciativa privada. Ler o resto do artigo »



O negócio da doença

As empresas farmacêuticas estão a deixar de fabricar medicamentos cujo preço de venda seja baixo e cuja margem de lucro seja “desinteressante” para o negócio. Como os medicamentos são essenciais para os doentes, o Estado tem tentado suprir a falta recorrendo a laboratórios militares e hospitalares. Isto mostra duas coisas: que não é a saúde pública mas apenas o lucro que faz correr as empresas farmacêuticas; e que a resposta às necessidades sociais não cabe na tão glorificada “iniciativa privada”, só podendo ser assegurada por uma entidade pública. O caminho lógico que esta realidade aponta será então o de retirar ao capital a especulação com a doença e nacionalizar todo o sistema de saúde.



Confisco

“Temos dinheiro mas não vos pagamos”, foi o que Passos Coelho disse aos funcionários públicos sobre o subsídio de férias. Intimado pelo Tribunal Constitucional a cumprir a lei, o governo não só não o fez como, em vez disso, mudou a lei para dar cobertura à sua posição de caloteiro. Esta alteração legal (aprovada pela maioria) foi promulgada por Cavaco Silva em menos de 24 horas para que o governo possa dizer que está, de novo, dentro da lei. Sejamos claros: os funcionários públicos foram alvo de um confisco por parte do governo com a cumplicidade do PR. Para que se veja o valor que as classes dominantes dão à “sagrada” lei sempre que se sentem com poder para fazerem o que querem.



Cavaco Silva “interventivo”

Carlos Completo

À medida que a luta das classes trabalhadoras e a oposição da maioria do povo crescem contra as medidas do governo PSD/CDS, dificultando a política do executivo ao serviço do capital, e quando Cavaco Silva já vai no seu segundo mandato presidencial, mais clara surge a pseudo imparcialidade do actual PR. Isto, para quem ainda tivesse dúvidas!
Num recente seminário organizado pela Cáritas, o Presidente da República, embora embrulhando os verdadeiros objectivos da sua intervenção num conjunto de afirmações aparentemente pouco polémicas, criticou “o modelo social seguido na segunda metade do século XX, que duplicou a infra-estrutura de prestação de serviços, sendo que nem por isso se ganhou em eficiência ou poupança de recursos” e criticou, peremptoriamente: “criou-se uma cultura de proteccionismo social protagonizado pelo Estado”. Ler o resto do artigo »



A democracia levada à letra

Manuel Raposo

O primeiro-ministro, quase todos os ministros e secretários de Estado, o próprio presidente da República têm sido perseguidos e apupados por todo o país nos últimos meses. As suas intervenções públicas são muitas vezes sabotadas e mesmo impedidas. É a expressão do desprezo da população pelos governantes, do ódio à sua política e, em limite, da sua aversão ao poder. Não são grupos restritos: são trabalhadores, estudantes, jovens, sindicalistas, utentes de serviços de saúde ou de transportes, taxistas. Mesmo se os ajuntamentos contam dezenas de pessoas, eles expressam a opinião de milhões de cidadãos pelo país fora e, por isso mesmo, esses protestos são de facto protestos de massas. Por muito que isso custe à opinião dominante, é o direito à liberdade tomado à letra, é a democracia em acto. Ler o resto do artigo »



A corja

A propósito da greve dos professores deste mês de Junho, é vê-los a saltar: o governo, o presidente da República, os homens/mulheres de mão do capital, grande parte dos “analistas” do regime, argumentam que a greve não devia realizar-se naqueles dias, poderia ser noutra altura (nas férias, aos fins de semana?), porque lesa os estudantes, etc. E os milhões de prejudicados pelo desemprego, pelos saques governamentais, pelo empobrecimento e pela fome (que atinge mesmo muitas das crianças em idade escolar), quem se preocupa a sério (sem humanitarismos balofos) com isso? Ler o resto do artigo »



“Emagrecimento” do Estado

Um estudo do DN revela que em apenas dois anos o Governo PSD/CDS já nomeou 4463 pessoas: 1027 para gabinetes ministeriais, 1819 para grupos de trabalho e comissões e 1617 para cargos dirigentes da Função Pública. De igual modo, em 31 de Dezembro de 2012, existiam mais de 27.279 viaturas do Estado. Só o gabinete de Passos Coelho dispunha de 26. As polícias e os militares quase 20 mil viaturas. Trata-se do mesmo Passos Coelho que pretendia “Um Governo seco, enxuto, disciplinador e frugal” e que afirmava “Não podemos ter um Governo que tenha 16 ministros, mais o primeiro-ministro, e dezenas de secretários de Estado”? Vigaristas!



Ricardo Salgado, um dos vampiros

Pedro Goulart

Em recente apresentação do Alqueva a investidores agrícolas estrangeiros, Ricardo Salgado, presidente do BES, banco que apoia esta iniciativa em conjunto com a EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva), foi inquirido a propósito do grande número de imigrantes a trabalhar na região e, logo, explicou: “Há imigrantes que substituem os portugueses que preferem ficar com o subsídio de desemprego”. E prosseguiu: “Se os portugueses não querem trabalhar e preferem estar no subsídio de desemprego, há imigrantes que trabalham, alegremente, na agricultura e esse é um factor positivo”. Ler o resto do artigo »



Povos Unidos contra a troika

Debaixo da bandeira Povos Unidos Contra a Troika, o movimento Que Se Lixe a Troika apela a uma manifestação internacional contra a austeridade. A política de austeridade atravessa a Europa e deve ser derrotada pela luta internacional, defende a convocatória. Mais de 100 cidades de 12 países europeus vão manifestar-se no dia 1 de Junho. Em Portugal, o protesto, que vai decorrer em várias localidades, aponta ao governo de Passos Coelho o único caminho certo: Demissão!



O comício de Mário Soares na Aula Magna

A unidade soarista é um presente envenenado



José Borralho

Mário Soares explora hoje, no dealbar da carreira, o sentimento de unidade existente entre as bases dos partidos e na esmagadora maioria das vítimas da política ultra reaccionária do governo a mando da troika, e é o patrono de um comício que envolve o PS o PCP e o BE. Este envolvimento consentido, parece contra-natura num político que sempre foi furiosamente contra as alianças à sua esquerda rejeitando sempre as propostas que esta incansavelmente lhe fez.

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Um governo perigoso – há que correr com ele

Pedro Goulart

O governo PSD/CDS tem-se assumido desde o início do seu mandato como um bando extremamente perigoso, quer pelos brutais assaltos levados a cabo contra as classes trabalhadoras e a maioria do povo, quer pelas divisões — dividir para reinar — que tem procurado criar na sociedade portuguesa: novos contra velhos, trabalhadores do sector privado contra trabalhadores da função pública, desempregados contra pensionistas, etc. Nestas tarefas criminosas, o governo de Passos/Portas tem contado com a prestimosa colaboração e o apoio mercenário de um nutrido núcleo de jovens assessores governamentais, assim como de vários “analistas” de serviço à comunicação social do regime. E com a cobertura institucional de Cavaco Silva. Ler o resto do artigo »



Inspiração de Fátima, diz Maria

“Foi tomada uma decisão muito importante para o nosso futuro, que foi colocar atrás das costas, finalmente, a sétima avaliação. (…) E eu penso que foi uma inspiração – como já a minha mulher disse várias vezes – da nossa Senhora de Fátima, do 13 de Maio”, afirmou Cavaco Silva. Depois das famosas “inspirações” (consagradas nos seus relatórios) do FMI, da OCDE, da Troika e de Vítor Gaspar aplicadas a Portugal e que tanto têm massacrado as classes trabalhadoras e os pobres, só nos faltava mais este milagre anunciado pelo Presidente da República. Aonde isto já chegou!



Editorial

União Nacional

A política de austeridade chegou a um limite a partir do qual não poderá prosseguir sem o concurso de outras forças além das que compõem o governo. A ideia do banqueiro Ulrich de que o povo aguenta mais (porque ainda não está todo ele de mão estendida pelas esquinas…) traduz a convicção íntima da burguesia dominante. Mas, para ir avante, tal linha precisa de uma União Nacional. É esse o sentido do apelo, de todos os sectores das classes dirigentes, para que o PS seja incluído no “esforço patriótico”. Ler o resto do artigo »



Nós, risco sistémico

António Louçã

A histeria do Governo em torno do chumbo de alguns pontos, nem por isso muitos, do OE no Tribunal Constitucional não parece vinda de quem paga, sem pestanejar, a factura do BPN, a dos swaps, a das PPP e tantas outras. É que o preço do chumbo andará por um quarto ou um quinto do buraco negro do BPN, que nunca mais acaba de revelar-se em toda a sua extensão, metade dos swaps, uma fracção ínfima das PPP.
Mas a Constituição só deve cumprir-se enquanto for de borla e os compromissos com os bancos já se sabe que têm um preço. E, para o preço do BPN, o Governo até tem um argumento que começa a faltar-lhe em tudo o mais: é que ele deve ser tão óbvio e inquestionável que até o PS, no seu tempo de Governo, se pôs também a pagá-lo sem discutir. Para o dos swaps, tem o de os negócios de casino virem do tempo da governação PS. Para o das PPP, o de ter sido essa governação socialista a fabricá-las em série. Ler o resto do artigo »



“Democratizar o Regime” – um manifesto com futuro?

Carlos Completo

Enquanto o sistema capitalista se vai afundando, surge em Portugal mais uma tentativa de melhorar um regime político apodrecido. Tentativa, em parte, não muito distante dos limitados e contraditórios objectivos da esquerda institucional – PCP e BE. O “Manifesto pela Democratização do Regime”, onde se misturam numa santa aliança alguns homens e mulheres provenientes de diversos sectores da esquerda e da direita, abrangendo economistas, gestores, professores universitários, escritores e empresários, manifesta a sua preocupação com o estado a que isto chegou. Os autores criticam a situação económica e política, pretendendo interpelar “a consciência dos portugueses no sentido de porem em causa os partidos políticos que, nos últimos vinte anos, criaram uma classe que governa o País sem grandeza, sem ética e sem sentido de Estado, dificultando a participação democrática dos cidadãos e impedindo que o sistema político permita o aparecimento de verdadeiras alternativas”. Como se mudando os actuais governos do capital por outros gestores do capital se melhorasse a vivência democrática dos portugueses! Ler o resto do artigo »



Crise, crime e rap

Os dados sobre a criminalidade de 2012 mostram uma subida dos crimes de furto em relação a 2011. Aumentaram os assaltos a bancos e estabelecimentos de crédito (38%) e a residências (36%). Aumentaram também os casos de extorsão (25%) e os homicídios (27%). Comentando estes números, o porta-voz do Observatório da Segurança Criminalidade Organizada e Terrorismo, dr. Filipe Pathé Duarte, sossegou os espíritos afirmando que “não se deve cair na tentação de associar a situação de crise com o potencial aumento da criminalidade”. Mas não se coibiu de estabelecer uma possível relação entre os furtos e as letras de canções de protesto que apelam ao roubo. Portanto: a crise não, mas esses rappers…



Legalidade e moralidade

O espião Silva Carvalho, colocado pelo governo na Presidência do Conselho de Ministros, tem às costas um processo por violação de segredo de Estado, tráfico de informações, corrupção, etc. Não obstante, Passos Coelho considerou-o digno de confiança e deu-lhe mesmo a possibilidade de receber vencimentos retroactivos desde 2010. Amigo de Relvas, Silva Carvalho tinha posto Passos Coelho e Vítor Gaspar em tribunal, em Fevereiro, para os obrigar a reintegrá-lo no Estado. Conseguiu e é natural que agora retire o processo. António Vitorino (PS) acha que a decisão do governo é “legal mas imoral”. Então, o que o episódio mostra é que, neste regime, legalidade e imoralidade andam de mãos dadas.



Respeitinho

Quando anunciou que iria apresentar uma moção de censura ao governo, o líder do PS apressou-se a dar explicações não só à troika como aos embaixadores da União Europeia e dos EUA (!) a dizer uma coisa e o seu contrário: que “honrará os compromissos assumidos pelo Estado português” (o acordo com a troika) e que não abdica de “defender os interesses dos portugueses” (numa sugestão de que pretende rever alguma coisa do acordo). As explicações de Seguro destinam-se, claro, a garantir que o essencial do plano da troika não será posto em causa. Pressionado pelas circunstâncias o PS tem de dar o ar de que muda alguma coisa para que não se perceba que, por sua iniciativa, tudo ficaria na mesma.



Passos Coelho reage a chumbo do Constitucional

Uma comunicação cínica, vigarista e revanchista

Pedro Goulart

O chumbo do Tribunal Constitucional (TC) a alguns dos mais penalizantes artigos do Orçamento de Estado para 2013 gerou reacções indignadas de dirigentes do PSD e do CDS, de vários abutres do capital, nomeadamente Eduardo Catroga e Vítor Bento, de alguns assalariados do patronato nos media, assim como uma “resposta” cínica, vigarista e revanchista de Passos Coelho na comunicação social. O primeiro-ministro, armando-se em vítima e transformando o TC em bode expiatório da sua nefasta política, aproveitou a oportunidade para ameaçar com mais e pesados cortes nas áreas que desde o início do seu mandato sempre pretendeu atacar: Saúde, Educação, Segurança Social e empresas públicas. Mas Passos Coelho não referiu a necessidade de cortes significativos noutras áreas como a Defesa, Segurança/polícias ou nos gastos com a Dívida. Porque será? Ler o resto do artigo »



Selassie “desapontado”

O chefe da troika, e dirigente do FMI, Abebe Selassie, declarou-se “desapontado” com os preços altos da energia e das comunicações em Portugal. A coisa teria bom remédio: assim como o governo de Coelho e Gaspar decide roubar nos vencimentos e pensões e fazer subir os impostos, bastaria decidir baixar e tabelar os preços da electricidade e dos telefones. Mas como neste caso estão em causa os interesses milionários das operadoras (EDP, Iberdrola, Galp, PT, Optimus, Vodafone) Selassie limitou-se a lamentar o facto. O governo nem reagiu e as entidades reguladoras e as associações dos sectores, pelo sim pelo não, vieram dizer que é o mercado que manda nos preços. E ponto final.



Com Sócrates mascarado de D. Sebastião

O país num caldo de crise política

Manuel Raposo

Tudo se disse a propósito do regresso de José Sócrates à ribalta, agora como comentador político: que vinha disputar a liderança do PS, atacar o governo, vingar-se do presidente da República, desforrar-se dos críticos, candidatar-se a novos voos na política nacional, e o mais que a imaginação pode produzir. Tudo isto é ou pode ser verdade — mas que factor permitiu que esta nova aventura de José Sócrates se transformasse num vendaval político? A meu ver, o beco sem saída em que se encontra a burguesia portuguesa (e com ela todo o regime), sem capacidade de fazer frente à crise económica, confrontada com crescentes protestos populares e por isso mesmo progressivamente afundada numa crise política. Ler o resto do artigo »



Banditismo político, desemprego e salário mínimo

Pedro Goulart

Sobre a necessidade de aumento do salário mínimo nacional, defendida por trabalhadores e sindicatos (e até por algumas confederações patronais), um conjunto de indivíduos têm-se pronunciado de forma nojenta contra esse aumento, embora todos eles recebam valores mensais várias vezes superiores aos fixados 485 euros.
Passos Coelho afirmava recentemente na Assembleia da República que, para diminuir o desemprego, seria necessário reduzir o SMN e não aumentá-lo. Aliás, para António Borges, conselheiro do governo, “o ideal era até que os salários descessem como solução para resolver o problema do desemprego”. Também o economista Vítor Bento, conselheiro de Cavaco Silva, e o capitalista Belmiro de Azevedo, líder histórico da Sonae, afinam pelo mesmo diapasão, dando uma ajuda à orquestra que toca contra o salário mínimo. Belmiro de Azevedo, defende salários mais baixos, sob o pretexto de que sem mais mão-de-obra barata não há emprego para todos! Ler o resto do artigo »



20 Março 2003 / 20 Março 2013. O Iraque foi ocupado há 10 anos

Justiça para o Iraque, julgamento dos responsáveis pela agressão

Comunicado da Comissão Coordenadora do Tribunal-Iraque

Os dez anos decorridos sobre a invasão do Iraque exigem uma evocação e um balanço.

Desde 20 de Março de 2003, um milhão e meio de iraquianos morreram em consequência da guerra. Cinco milhões de pessoas estão deslocadas no interior ou no exterior do país. Há um milhão de viúvas e cinco milhões de órfãos. Estes números foram divulgados em Fevereiro de 2012 pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU.

Não falando já do embargo que estrangulou o Iraque entre 1991 e 2003, nos últimos dez anos as forças militares dos EUA e dos seus aliados procederam a ataques deliberados contra a população civil, tanto em operações terrestres como aéreas. Fizeram uso de armas proibidas com consequências devastadoras, imediatas e a longo prazo, para as pessoas, os solos, as águas e o meio ambiente. Estes factos são testemunhados por estudos científicos independentes, designadamente os que se debruçaram sobre o caso da cidade de Faluja. Ler o resto do artigo »



Documento

Enfrentar a crise, lutar pelo socialismo

Uma perspectiva comunista

“O que se passa sob os nossos olhos é a falência do sistema produtivo capitalista. É uma civilização inteira que se decompõe. A presente crise tem pois um potencial revolucionário como não tiveram as crises do passado mais recente: ela é o sinal de que se fechou a época de expansão capitalista iniciada com o segundo pós-guerra e que se criam, com isso, condições para um novo ciclo revolucionário à escala mundial”.

Este é um dos pontos de vista expressos no manifesto Enfrentar a crise, lutar pelo socialismo – Uma perspectiva comunista, divulgado no início deste ano, que publicamos de seguida na íntegra. Ler o resto do artigo »



Editorial

A alternativa desceu à rua

As grandes manifestações de 2 de Março voltaram a trazer à rua, de norte a sul, centenas de milhares de vozes contra o rumo que o país segue, mostrando pelo menos quatro coisas.

Primeira, o movimento que se levantou em Setembro passado voltou a erguer-se. Não se esgotou, não definhou em números e reforçou os seus alvos político ao focar-se na austeridade, no governo e na troika.

Segunda, fica a nu a corrupção desta democracia feita à medida dos poderosos e dos ricos. O truque de dizer que as eleições conferem a um governo legitimidade por quatro anos, faça ele o que fizer, já não convence. Desprezando esta vigarice e reclamando que o governo se vá embora já, as pessoas afirmam que esta democracia formal não lhes serve. Ler o resto do artigo »



Povo unido

Governo para a rua, já!

Passos Coelho, Miguel Relvas, Vítor Gaspar, Santos Pereira, Miguel Macedo, Paulo Macedo, Nuno Crato,… os símbolos de um governo detestado, foram sucessivamente perseguidos e vaiados nas últimas semanas, em todo o lado, por manifestantes que não pouparam palavras para dizerem o que pensam deles.

A 2 de Março, por todo o país, centenas de milhares de pessoas, com destaque para inúmeros jovens e reformados, confirmaram o desprezo que têm por um governo que lhes lixa as vidas mandando lixar tanto o governo como a troika.
Gatunos, Estamos fartos de ladrões, Devolvam o que nos roubaram – foram protestos repetidamente ouvidos.

Em síntese de tudo isto, ressalta um propósito político claro: Não à austeridade! Governo para a rua, já! E reforça-se uma convicção: O povo unido jamais será vencido!



Greves e manifestação nos transportes

Durante a semana iniciada dia 4, um conjunto de plenários, concentrações e greves afectará o sector dos transportes, particularmente na Grande Lisboa e Porto. No sábado, haverá manifestação, às 14h30, no Largo Camões, em Lisboa. Trata-se de uma iniciativa da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans). As paralisações parciais dos transportes envolverão, entre outras, as seguintes empresas: CP, Soflusa, Rodoviária do Tejo, Carris, Refer e STCP. Os trabalhadores protestam contra os cortes no pagamento das horas extraordinárias e do trabalho em dia feriado, as privatizações e a retirada de direitos. A luta continua.



“O povo é quem mais ordena”

António Louçã

O colectivo que convocou a manifestação de 2 março lançou, na campanha para preparar essa manifestação, a série de acções a interromper  discursos de ministros, ao som da “Grândola, Vila Morena”. Foi uma forma, pacífica mas incisiva, de chamar a atenção para o ror de mentiras que encobre uma política devastadora. Com imaginação e criatividade, os e as organizadoras dos protestos granjearam simpatia em larguíssimas camadas da população.

Os ministros, como sempre fazem quando se sentem encurralados, como já tinham feito em 15 de setembro perante a manifestação que os tratava de “gatunos”, tentaram fingir que não era com eles, colar-se aos protestos e lisonjear os protestatários. Fê-lo, na forma alvar que lhe é própria, Miguel Relvas, que por alguma razão insondável tinha sido convidado para um “Clube de pensadores”. Fê-lo também Passos Coelho, ao homenagear a “forma simpática” como fora interrompido. Ler o resto do artigo »



Fichar, atemorizar, desmobilizar

Após uma conferência de imprensa promovida pelo movimento Que se Lixe a Troika, à porta do Aeroporto de Lisboa (local de passagem da equipa da troika que regressava a Portugal), e onde foi publicitada a manifestação do próximo dia 2 de Março, uma agente da PSP mandou identificar um membro do Movimento, justificando-se com “ordens superiores”.Nuno Ramos de Almeida identificou-se. Não foi a primeira vez que um elemento do Que se Lixe a Troika foi identificado pela PSP. Também, Mariana Avelãs, após uma conferência de imprensa, a quando da manifestação de 15 de Setembro, foi identificada e, posteriormente, constituída arguida. Ler o resto do artigo »



Forças Armadas, missões e capacidades: gastos desnecessários

Pedro Goulart

Em recente entrevista a Judite de Sousa, na TVI24, com Medina Carreira de permeio, e a propósito do previsto corte de 4000 milhões de euros nos gastos permanentes do Estado (conforme combinação entre o governo e a troika) o general Loureiro dos Santos afirmou que os cortes previstos para as Forças Armadas (FFAA), se levados a cabo, podiam gerar indisciplina nos meios militares.
Da intervenção de Loureiro dos Santos, para além de uma crítica contundente ao relatório do FMI sobre os cortes no aparelho do Estado, ressaltou claramente um aviso/chantagem sobre o que poderia acontecer se o governo de Passos Coelho não cedesse às exigências dos chefes militares. Segundo o antigo vice-chefe do EMGFA, colocados os militares perante a incapacidade de cumprirem as suas missões, tornar-se-ia plausível uma insubordinação das FFAA. Ler o resto do artigo »



Governo, rua!

Que se lixe a troika! O povo é quem mais ordena!

José Borralho

Estou de acordo com o propósito certeiro dos promotores da acção de que este governo deve cair e, por isso, apoio inteiramente as manifestações do dia 2 de Março, e apelo a que todos participem para levar adiante esse objectivo: Governo Rua!
É com este propósito que tenho também participado nas manifestações da CGTP.

Vivemos momentos qualitativamente novos no nosso país que derivam da crise profunda da sociedade burguesa; da decadência da sua economia, da decadência dos seus valores morais que se expressam na corrupção e no enriquecimento escandaloso de uma minoria. Ler o resto do artigo »



“Roubaram-nos a fábrica”

A fábrica alemã Steiff (concelho de Oleiros, centro do país) encerrou a 5 de Fevereiro despedindo 102 trabalhadores, sendo 97 mulheres, e transferiu a produção para a Tunísia. Motivo: reduzir os custos de mão de obra, como abertamente disse a administração. “Os alemães roubaram-nos a fábrica; os alemães só viram dinheiro”, disseram as operárias à imprensa. De facto, além do lucro produzido em mais de 20 anos de laboração, a Steiff beneficiou em todo esse tempo de instalações (um pavilhão com 2 mil metros quadrados) cedidas gratuitamente pela Câmara Municipal de Oleiros, isto é, pagas pelos cidadãos do concelho.



Retrato social

Manuel Raposo

Vinhais, Fevereiro 2013: uma professora desempregada mata um filho de 12 anos e suicida-se depois. Porto, Janeiro 2013: uma imigrante com 25 anos, natural do Bangladesh, tenta atirar-se da ponte D. Luís com dois filhos de 1 ano e de 1 mês. Oeiras, Janeiro 2013: uma mãe divorciada mata os dois filhos, de 12 e 13 anos, e põe termo à vida. Alenquer, Dezembro 2012: uma imigrante brasileira de 32 anos pega fogo à casa e mata os dois filhos de 1 e 3 anos. Castro Marim, Agosto de 2012: uma dentista brasileira de 42 anos mata-se e aos dois filhos de 11 e 13 anos, regando a casa com gasolina e pegando-lhe fogo. Vila Pouca de Aguiar, Dezembro 2011: uma mulher de 34 anos suicida-se ao atirar-se de um viaduto com uma filha de 20 meses ao colo.
Em cada um dos casos foram assinalados: ou estados depressivos, ou dificuldades económicas, ou desemprego, ou desavenças familiares, ou violência conjugal, ou tudo junto. Ler o resto do artigo »



Jornada de luta nacional Sábado 16 Fevereiro

Convocada pela CGTP, vai realizar-se a 16 de Fevereiro uma jornada de luta nacional sob o lema Saúde, Educação e Segurança Social para Todos.

Aveiro, Largo da Estação de Comboios 15:30h, Desfile
Beja, Junto à Casa da Cultura 10:30h, Concentração
Braga, Parque da Ponte 15:00h, Desfile
Bragança, Praça Cavaleiro Ferreira 15:00h, Concentração
Covilhã, Campo de Festas da Covilhã 15:30h, Manifestação
Castelo Branco, Câmara Municipal 15:30h, Manifestação
Coimbra, Praça da República 14:30h, Concentração Ler o resto do artigo »



Regimes em desgaste

O escândalo de corrupção que atingiu o PP espanhol provocou uma queda de popularidade do partido e do governo, segundo sondagem recente. Apesar disso, o PSOE, na oposição, não ganha adeptos. Também por cá o PS não recupera eleitores na proporção do descrédito que atinge o governo de Coelho. Tudo indica que, sob pressão da crise, um número crescente de cidadãos vê nas principais forças do poder duas faces da mesma moeda. A sucessão de governos PS/PSD ou PSOE/PP, que até há pouco parecia inquestionável, começa a ser posta em causa. Na verdade, é a base social das forças do poder que vai sendo desgastada. Por enquanto, apenas por um virar de costas – amanhã certamente por uma rejeição activa.



O nome diz tudo

No final de duas agitadas semanas em que a liderança de Seguro parecia ameaçada, o PS saiu aos abraços de uma reunião magna realizada em Coimbra. Seguro acolheu propostas de Costa, para que Costa não se candidatasse a líder; Costa deu-se por satisfeito com a buchas metidas na moção, e não se candidata (para já). O “ponto de viragem”, como lhe chamou Costa, na política de oposição conduzida pelo PS resume-se a vagas críticas ao modo como o PSD encara a crise, à distribuição de culpas por “todos os governos”, à aceitação da “reforma do Estado” (desde que não seja “nas costas dos portugueses”), e ao ajustamento das metas de pagamento da dívida. Nada que afronte a troika ou atrapalhe o propósito Ler o resto do artigo »



Eles celebram um “herói”

Carlos Completo

Morreu Jaime Neves. Os partidos da burguesia, figuras destacadas das classes exploradoras e gente da extrema-direita, incluindo fascistas, têm sido unânimes nos encómios a um dos grandes “heróis” da direita portuguesa. Com a intensa luta de massas, a ampla democracia popular e de bases (que então se ensaiava) e o poder dual (mesmo com forças diferentes) que seguiu ao 25 de Abril de 1974, a burguesia não podia governar e explorar como pretendia. Foi neste contexto que Jaime Neves, juntamente com Ramalho Eanes, militares do Grupo dos Nove e gente dos partidos do chamado arco governativo – PS, PSD e CDS, avançaram com o golpe reaccionário do 25 de Novembro de 1975. Golpe que havia de conduzir ao regime que hoje explora e oprime as classes trabalhadoras e o povo português. Ler o resto do artigo »



Mentirosos compulsivos ou políticos vigaristas

A propósito das declarações de Passos Coelho, em Paris, de que “ninguém (no governo) aconselhou os portugueses a emigrar”, surgiram diversos comentários que logo o classificaram como um mentiroso compulsivo. Quando um secretário de estado, Alexandre Mestre, afirmou: “Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras” e, em posteriores declarações, Miguel Relvas e o próprio Passos Coelho se pronunciaram no mesmo sentido, é evidente que estamos aqui perante uma evidente mentira. Mas, como já antes acontecera com José Sócrates, não se trata de casos patológicos, mas, antes, de políticos vigaristas.



Cuidado com os colaboradores da GNR!

Pedro Goulart

“A GNR está a dar formação a civis para que sirvam de interlocutores junto da população. De norte a sul do país já foram formadas cerca de 1700 pessoas, autarcas, padres, agentes de IPSS, que junto das populações vão ajudar a promover acções de sensibilização e prevenção das forças policiais”. Esta informação resulta de recentes declarações do chefe da repartição de programas especiais da GNR, o major Fonseca, à Antena 1. No dizer do major Fonseca, trata-se de uma relação biunívoca entre a GNR e as populações, considerando que os colaboradores locais também fornecerão às forças policiais “informação privilegiada sobre o que se passa nas suas comunidades”. Ler o resto do artigo »



Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública

O 1.º Encontro Nacional da IAC realiza-se no dia 19 de Janeiro de 2013, das 10 às 18 horas, no Instituto Franco Português em Lisboa (Rua Luís Bívar, 91). Os promotores do encontro, para além de afirmarem que “O sufoco da generalidade dos cidadãos, provocado pela política de austeridade aumenta a nossa obrigação de contribuir para a identificação das causas e das responsabilidades políticas do endividamento, assim como dos caminhos que nos podem libertar da armadilha da dívida”, vão submeter à discussão do movimento as orientações e projectos para o trabalho futuro.
Contacto: http://auditoriacidada.info/



Jornada de luta CGTP a 16 de Fevereiro

A iniciativa, decidida pelo Conselho Nacional na sua primeira reunião deste ano, prevê a realização de manifestações e concentrações em todos os distritos do país e também nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores. “Vamos ter grandes manifestações e concentrações e, desta vez, entendemos que era de dar oportunidade a todos, que vivem fora da região de Lisboa, para manifestar a sua indignação contra o que se está a passar no país”, disse o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, na conferência de imprensa, em que foi anunciada a jornada de protesto.



Menos Saúde

Governo quer que os portugueses recorram menos ao Serviço Nacional de Saúde

Pedro Goulart

O secretário de estado da Saúde, Leal da Costa, useiro e vezeiro em afirmações que pretendem pôr em causa o acesso da generalidade dos portugueses aos cuidados de saúde, afirmou que todos temos obrigação de contribuir para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), “prevenindo doenças e recorrendo menos aos serviços”.
Prevenir doenças é bom, não o nego. Mas, como pretende este governo do capital que os portugueses previnam doenças se o acesso ao SNS é cada vez mais difícil, com uma autêntica sangria de médicos dos hospitais públicos para os privados e com uma forte diminuição dos médicos nos centros de saúde, ficando estes com menos tempo disponível para atenderem bem e atempadamente os utentes? Ler o resto do artigo »



Mais pobres

O Instituto Nacional de Estatística disse recentemente que a pobreza em Portugal, em 2010 (!), se situava nuns lisonjeiros 18% – valores que deram um jeitão ao governo, quando todos os cálculos actuais apontam para mais de 25%. Diz ainda que (também em 2010) o rendimento dos 10% mais ricos do país era 9,4 vezes maior que o dos 10% mais pobres. Gostaríamos que o INE desse rapidamente os números de 2012, passados dois anos de austeridade brutal e de transferência de riqueza para os detentores de capital. Teríamos certamente um bom retrato da política de austeridade e da “igualdade de sacrifícios” que o governo diz que anda a praticar.



Sanguessugas e lacaios

“Temos de rever a Constituição para não ser um entrave à governação”, afirmou Eduardo Catroga, apoiante de Passos Coelho e antigo ministro de Cavaco Silva, a propósito de um eventual chumbo do OE 2013 no Tribunal Constitucional. Este velho sanguessuga, que se destacou na repressão e no despedimento de trabalhadores em várias empresas, vê a Constituição como um empecilho ao descarado roubo perpetrado no OE. Também Camilo Lourenço, um inefável lacaio do capital, vem, a este propósito, defender que a actual Constituição terá urgentemente de ser revista “não só ao nível da lei laboral, mas de todos os direitos adquiridos”. Para esta gente, todos os meios são legítimos!



Com um pano encharcado

Numa visita ao centro paroquial e social de S. Jorge de Arroios, o ministro da caridadezinha, Mota Soares, em vez de falar da maioria das pensões e subsídios, que levam fortes cortes (autênticos roubos), preferiu destacar o aumento das pensões mínimas de 246 para 256 euros, como grande um feito deste governo. Num país em que o valor das pensões é menos de metade da média da zona euro e o mais baixo do grupo dos países da moeda única, destacar um aumento de 10 euros numa miserável pensão de 246 euros, tentando fazer esquecer o empobrecimento de mais de 60% da população, é de uma tal desvergonha que o ministro, pelo menos, com um pano encharcado na cara merecia levar.



Editorial

A face do regime

As grandes esperanças (de facto, esperanças de último recurso) depositadas no Tribunal Constitucional para chumbar o Orçamento do Estado têm todas as condições para sair furadas. O TC até pode levantar objecções, mas, como fez em 2012, não vai atrever-se a bloquear a linha seguida pelo governo. E mesmo que isso sucedesse, o governo (a mando do capital e da troika) encontraria outra via para seguir com o mesmo rumo – se outra oposição não tiver.
Como os últimos meses (e anos) mostram, o que assusta e pode travar o poder é uma única coisa: a força dos protestos de rua. Foi isso que as acções de Setembro mostraram.
A primeira lição para 2013, portanto, é a de que a luta de massas e de rua tem de prosseguir, ganhando mais força e radicalismo. Ler o resto do artigo »



Em 2013

PCR

Em 2013 não sei se Obama continua a tolerar o aliado israelita e quantos palestinianos vão morrer, se o Irão anuncia a bomba nuclear, se a guerra termina na Síria, se o Líbano vai sobreviver, se os atentados prosseguem no Iraque, se mais tropas estrangeiras retiram do Afeganistão, se Guantánamo vai encerrar.

Em 2013 não sei se a Coreia do Norte prescinde de lançar mísseis, se as tiranias vão soçobrar, se novas bases militares serão instaladas no Pacífico, se mais países serão invadidos e destruídos, se mercenários serão recrutados e empréstimos financeiros para a reconstrução concedidos. Ler o resto do artigo »



João César das Neves

“Esta crise é uma oportunidade de bondade, de caridade e de solidariedade para com os outros. Bendita crise que nos trouxe ao essencial.” Esta, mais uma pérola de João César das Neves, ex-assessor de Cavaco Silva e actualmente professor de Economia da Universidade Católica, em declarações à revista Visão. Trata-se de uma das habituais afirmações patetas deste catedrático, que representa uma autêntica burla, mesmo em termos do ensino da economia burguesa.



Testas de ferro e cheques carecas

António Louçã

O modo de pagamento das privatizações em curso é um livro aberto sobre a degenerescência do pessoal político da burguesia.
O Governo decidiu vender o BPN ao BIC e avançou logo com milhares de milhões, para o banco comprador fazer a fineza de pagar um preço de escassas dezenas de milhões. Não vamos aqui ao “detalhe” de quantos milhares nem de quantas dezenas, porque as desculpas esfarrapadas se multiplicam como cogumelos e obscurecem o que devia ser limpidez cristalina dos números. Fiquemo-nos pela ordem de grandezas: milhares de milhões do contribuinte, contra dezenas de milhões dos rentistas petroleiros de Angola, que afinal ainda se fazem rogados e apresentam novas condições para cumprirem a sua parte. Ler o resto do artigo »



Paula Montez perseguida

“Activista da desobediência civil e da resistência pacífica”, Paula Montez foi constituída arguida na sequência da manifestação de 14 de Setembro, em São Bento. Não tendo sido presa na manifestação, foi posteriormente convocada para se apresentar no DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal), saindo arguida por cometimento de “ofensas à integridade física da PSP”. Com algumas das habituais “provas” das chamadas forças da ordem: fotografias de qualidade duvidosa, onde se vê um braço erguido segurando um objecto (máquina fotográfica), e que, segundo os investigadores, baseados em “denunciantes” (leia-se provocadores), seriam pedras para atirar à polícia.



Mais uma execução impune

Amadora, Janeiro de 2009. Elson Sanches, conhecido por “Kuku”, 14 anos, é abatido à queima-roupa por um agente da PSP, na sequência de uma perseguição policial. No julgamento agora realizado nos Juízos Criminais de Lisboa provou-se que: o disparo do agente da PSP provocou a morte de Elson Sanches; esse disparo foi efectuado a 11 cm da cabeça do jovem; Elson não possuía qualquer tipo de arma. Apesar disto, na decisão da juíza de absolver o agente da PSP parece ter pesado mais o facto do assassinato se ter verificado num “bairro perigoso”, assim como a “credibilidade” do testemunho da PSP. Houve aqui preconceito racial? Houve, certamente, mais uma sentença de classe.



A constitucionalidade do OE 2013

Um combate, mas sem alimentar ilusões

Pedro Goulart

Teresa Pizarro Beleza, directora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, afirmou recentemente que está em curso uma “revisão constitucional clandestina” e criticou “a ideia de que, em situação de necessidade, vale tudo, inclusive passar por cima da Constituição”. No alerta dado por Teresa Beleza está implícita uma crítica às decisões do Tribunal Constitucional (TC) que, embora considerando inconstitucionais normas do OE 2012, acabou por aceitá-las como facto consumado, a pretexto da situação económica e financeira do País. E, também, por abrir portas à generalização do saque.
Será que o Tribunal Constitucional, se interpelado sobre a constitucionalidade do OE 2013, será tão “eficaz” nas suas decisões como o foi em relação ao OE 2012? Será que as classes trabalhadoras e o povo podem alimentar grandes ilusões quanto às decisões do TC sobre o OE 2013, quando continuam a sofrer forte na carne as pesadas consequências das medidas do Orçamento anterior? Ler o resto do artigo »



“Território nacional”

Moçambique e Portugal estabeleceram em 20 de Novembro um acordo que transfere para o estado moçambicano as últimas acções que o estado português ainda detinha na Hidroeléctrica de Cahora Bassa. Noticiando o facto (Jornal da Meia-Noite, SICNotícias, 20 Novembro), o jornalista João Abreu acrescentou que Moçambique “na altura [da construção da barragem] fazia parte do território nacional”. Sabemos que o ranço colonialista custa a sair, mas expliquem a João Abreu e à redacção da SIC que o território nacional sempre foi composto por Portugal continental e insular, e que os restantes “territórios” eram colónias que se libertaram do jugo português através de 13 anos de guerras.



Cães de fila

“Antes de recebermos a esmola, temos de nos portar bem”. Afirmação do jornalista José Gomes Ferreira numa discussão com Silva Peneda, presidente do Conselho Económico Social, a propósito do Orçamento Europeu e do empréstimo da troika a Portugal (programa Negócios da Semana, SICNotícias, 21 Novembro).



Só a luta anticapitalista porá fim à crise!

José Borralho

A luta contra a fascização do regime político e, consequentemente, para manter as liberdades democráticas burguesas, faz parte da luta diária e permanente de qualquer agrupamento ou partido político que se situe numa perspectiva de esquerda, se até a direita precisa de manter a fachada democrática.
A questão que nos está colocada não é pois a de elevar a luta democrática ao expoente máximo e ficar nesse terreno que, sendo necessário, não põe contudo em causa o sistema capitalista, este mesmo que está envolto numa crise sem retorno e que descarrega sobre os trabalhadores todos os seus malefícios. Ler o resto do artigo »



Nuno Santos, Luís Castro e Ana Pitas – tudo boa gente

Pedro Goulart

Ainda a propósito da manifestação de 14 de Novembro, que terminou com uma brutal carga policial, sabe-se que o inquérito interno da RTP concluiu que Nuno Santos (director de informação da estação) teria autorizado que “a PSP visionasse as imagens num sítio discreto que não no Arquivo”. E agora também se ficou a saber que dois elementos pertencentes a uma unidade secreta da PSP estiveram no gabinete de Luís Castro, subdirector da RTP (e com a presença de alguns membros da Direcção de Informação), a visualizar as imagens captadas durante a manifestação. Ler o resto do artigo »



Manifestações contra OE 2013 e contra o governo

Contra o ataque aos direitos dos trabalhadores, contra a precariedade e o desemprego, contra o brutal aumento de impostos previsto no OE 2013, realizam-se em Lisboa duas manifestações, nos dias 27 e 29.
Dia 27, 10h30, contra o Orçamento do Estado (votação final). Promovida pela CGTP, com concentrações prévias no Largo do Rato, no Jardim da Estrela e no Largo de Santos.
Dia 29, Manifestação Internacional dos Estivadores. Com a participação de centenas de estivadores de outros países. A AR debate a proposta governamental de um novo regime jurídico do trabalho portuário. Concentração na Praça do Município, pelas 13h, seguindo depois para a Assembleia da República.
Participa.



O 14 de Novembro e o aparelho repressivo de Estado

Carlos Completo

“Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.” Bertolt Brecht

Em anterior artigo de Urbano de Campos ficou expressa a posição do Mudar de Vida no apoio à Greve Geral de 14 de Novembro. A grande dimensão por esta assumida e o seu significado apareceram, contudo, por iniciativa própria dos jornalistas ou a mando dos seus chefes, ofuscados na comunicação social pelos acontecimentos da parte final da concentração de São Bento. Apesar de não estar de acordo com a acção de alguns dos manifestantes (embora uns pudessem estar sinceramente revoltados e, outros, provavelmente, não passarem de vulgares provocadores policiais), que dedicaram grande parte do seu tempo a atirar pedras à polícia fardada, considero dever repudiar fortemente a actuação das forças repressivas. Ler o resto do artigo »



Em defesa de Gaza

O ataque em curso de Israel à população de Gaza causou já dezenas de mortos e centenas de feridos, muitos deles mulheres e crianças. Nos últimos dias as tropas de Israel assassinaram dirigentes palestinos e atacaram território sírio. Estas acções militares, que contam com o apoio dos EUA e da UE, prenunciam uma escalada guerreira cujos limites são imprevisíveis.
Condenemos o terrorismo israelita. Condenemos a conivência do governo português com os crimes de Israel.

PORTO: vigília, hoje dia 19,18h, Praceta Palestina (esquina R. Sá da Bandeira/R. Fernandes Tomás/R. do Bolhão).

LISBOA: concentração, amanhã dia 20, 14h, Rossio.



Largo apoio à greve geral, 14 Novembro

A luta está boa, mas é preciso mais

Urbano de Campos

Poucas greves gerais terão tido um sentido político tão marcado como irá ter a de 14 de Novembro. As razões parecem evidentes.
A crise económica redundou numa crise política e governativa. Não há soluções à vista no quadro de “recuperação” que as classes dominantes defendem e tudo se encaminha para um agravamento da mesma política de austeridade. O crescendo dos protestos de massas coloca nos pratos da balança uma força de rua com que o poder não contava ainda há dois meses e que rompe os limites da tradicional oposição parlamentar. Em muitos sectores populares as exigências ultrapassam a questão reivindicativa imediata e colocam em causa o regime político, a falta de democracia, etc. Tudo se encaminha, por estes factos, para uma confrontação cada vez maior entre os interesses do Capital expressos nas medidas de austeridade e os interesses da massa trabalhadora. Ler o resto do artigo »



Merkel fora daqui

Dia 12 de Novembro, Angela Merkel estará em Portugal. A dirigente alemã vem inteirar-se pessoalmente de como se comportam os seus capatazes no extremo ocidental da Europa, confirmar se o saque imperialista prossegue em boa forma e reforçar as condições para que os capitalistas alemães façam aqui bons negócios, nomeadamente abocanhando boa parte do que ainda resta das privatizações. Mostremos-lhe que repudiamos esta política espoliadora e opressiva. De entre as várias iniciativas contra a presença de Merkel entre nós, no dia 12, destacamos duas concentrações em Lisboa:
– 15h, Praça Camões
– 16h, Largo do Calvário.



“Refundação” do memorando da troika ou a destruição do Estado Social

Pedro Goulart

O projecto político de Passos Coelho e da sua gente assenta, desde o início, na existência de um Estado mínimo, destinado à defesa dos interesses da burguesia e mantendo apenas um aparelho de estado – polícias, justiça, defesa e uma parte burocrática – necessário ao domínio económico dos mercados e aos lucros do capital. A Saúde Pública, a Educação Pública e a Segurança Social acabariam, em grande parte, entregues à iniciativa privada, ficando os trabalhadores e os pobres relegados, muitas vezes, para um tratamento caridoso e de carácter assistencialista. Muito este governo já tem feito nesse sentido e só mais não fez até agora porque não o deixaram. Ler o resto do artigo »



Editorial

O único rumo que pode dar frutos

Em ano e meio, o governo foi atirando medidas punitivas sobre os trabalhadores com o à-vontade de quem julgava que “a malta” suportaria tudo em nome da austeridade, resignada à ideia de “não haver alternativa”. Enganou-se: debaixo dum aparente conformismo a revolta foi crescendo e explodiu em Setembro nas duas grandes manifestações de 15 e 29. Os alvos políticos da fúria popular ficaram bem identificados: a austeridade, o governo e a troika. “Gatunos!” é a expressão que tudo resume.

O abalo abriu uma crise política no poder que está longe de sanada, provando que só através da luta de massas – e de uma luta de massas apontada contra o capital – se pode travar a política de austeridade. Ler o resto do artigo »



Para as polícias há dinheiro

“Não vamos deixar de ser um País seguro”, afirmou o Ministro da Administração Interna, durante as jornadas parlamentares conjuntas PSD/CDS. Manter Portugal como País seguro “é uma aposta estratégica e uma prioridade política”, assegurou Miguel Macedo, que explicou aos deputados que em 2013 vai ser feito o reposicionamento de todos os agentes da PSP e da GNR no sistema remuneratório, aumentando o suplemento de segurança de 18% para 20% nessas duas forças e também o subsídio de fardamento de 200 para 300 euros. Assim, para protecção do governo e dos capitalistas seus mandantes há dinheiro, enquanto se afirma não haver para a Saúde, Educação e Segurança Social!



Contra o Orçamento do Estado! Contra o capital!

Todos à Assembleia da República, dia 31, pelas 17h, no dia da votação, na generalidade, do Orçamento do Estado.

O OE 2013 é mais um violento assalto do capital às classes trabalhadoras. Consequências: agravamento das condições de vida da generalidade dos portugueses, mais de um milhão de desempregados e três milhões de pobres.



A preço de saldo

Quem são os responsáveis pelas dívidas das empresas públicas de 30 mil milhões de euros? São os administradores nomeados pelos governos PSD/PS/CDS cuja gestão incompetente e danosa visa as privatizações a preços de saldo. Fernando Barão



Orçamento do Estado 2013

Um violento assalto que é preciso combater

Pedro Goulart

As linhas gerais do OE 2013 representam mais um violento assalto do grande capital e do imperialismo (via Troika) às classes trabalhadoras e o povo português, atingindo intensamente as chamadas classes médias. Assalto que, nos últimos tempos, já vinha a ser perpetrado pelo governo do PSD/CDS, com a evidente cumplicidade do PS. Este orçamento é mais um exemplo de como as classes dominantes pretendem que sejam os trabalhadores a pagar a crise do capitalismo. Ler o resto do artigo »



Greve dos estivadores

Os estivadores de quase todos os portos do país estão em greve desde há várias semanas. Neste momento, a paralisação tem lugar aos sábados, domingos e feriados e nos turnos da noite. Reclamam melhores condições de trabalho e a integração nos quadros das empresas de dezenas de trabalhadores e defendem as suas organizações sindicais ameaçadas pelas empresas portuárias. As empresas cervejeiras e a AutoEuropa queixam-se dos atrasos que a greve causa nas exportações e tentam criar o clima para a requisição civil dos estivadores. Mas se o problema são as exportações têm bom remédio: pressionem o governo para atender as reclamações dos estivadores.



Jornalistas em greve

Os jornalistas da agência noticiosa Lusa estão em greve até domingo próximo. Protestam contra um corte de 30% no financiamento do Estado à agência que põe em risco o funcionamento dos serviços. Dezenas de jornalistas concentraram-se na sede da agência e em frente da residência do primeiro-ministro defendendo o serviço público e acusando o governo de, com aquela medida, atentar contra o direito a uma informação democrática. Também os jornalista do Público fazem greve esta sexta-feira em protesto contra o despedimento de 40 colegas, a pretexto de “contenção de custos”, chamando a atenção para o facto de a Sonae de Belmiro de Azevedo, proprietária do jornal, ter lucros assinaláveis.



Contra o Orçamento do Estado! Pela demissão do governo! Hoje, 18h00, São Bento, Lisboa

Enquanto o sistema de poder permanecer como está, seja qual for a fórmula governativa, novas medidas ditadas imperiosamente pela crise vão aparecer – encarregando-se de fazer crescer a revolta de massas.
É essa revolta que a esquerda tem de estimular.
O que há de novo na situação actual não é o fracasso das metas do governo nem as medidas recém-anunciadas – é a resposta maciça que lhes foi dada nas ruas. Foi isso que abriu a crise governativa. É isso que pode bloquear a política de austeridade.



D. José Policarpo esperneia

A profundidade da crise do capitalismo ajuda a clarificar as posições de classe de cada um. Em conferência de imprensa para apresentar a peregrinação de 12 e 13 de Outubro, em Fátima, D. José Policarpo condenou as actuais manifestações de rua. Quando, finalmente, milhares de pessoas decidem defender os seus direitos, o cardeal pergunta “até que ponto construímos saúde democrática com a rua a dizer como se deve governar?”. Quando as injustiças da austeridade são postas em causa, o bispo afirma que “não se resolve nada contestando, indo para grandes manifestações” e, tão pouco, “com uma revolução”, uma vez que “estes problemas foram criados ao longo de muito tempo”. Ler o resto do artigo »



Queremos saber

A famosa compra de dois submarinos à Alemanha por mil milhões de euros pelo então ministro da Defesa Paulo Portas, do PM Durão Barroso, esteve sempre envolta em mistério. Agora de novo na ribalta, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros de Passos Coelho remete-se ao silêncio. Onde estão as contrapartidas de 890 milhões de euros? Quem roubou os documentos do contrato? Fernando Barão



Proveitosas coincidências

A propósito de Passos Coelho, Miguel Relvas e da Tecnoforma

Carlos Completo

Em 2003, Miguel Relvas era secretário de Estado da Administração Local do governo de Durão Barroso e tutelava o programa “Foral”, composto por dinheiros do Fundo Social Europeu e do Estado português, destinados à formação profissional ao nível das autarquias. Este programa era da competência do secretário de Estado da Administração Local, mas a aprovação dos projectos apresentados por empresas privadas na região Centro era feita pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, dirigida por Paulo Pereira Coelho, também do PSD. Ler o resto do artigo »



As razões da UGT

João Proença, líder da UGT, deu como razões para não aderir à greve geral anunciada pela CGTP o facto de os objectivos apontados serem “Fora a troika, abaixo o governo”. Ora, estas foram precisamente as razões que levaram à rua nos dias 15 e 29 de Setembro centenas de milhares de pessoas por todo o país. Em Janeiro, Proença e a UGT fizeram o frete ao governo de assinar um acordo de concertação social prevendo o aumento dos dias de trabalho, despedimentos mais baratos, horas extra de borla, menos subsídios de desemprego e por aí fora. Proença falou então em “vitória dos trabalhadores”. Agora que essas medidas são repudiadas publicamente por todo o lado, a UGT volta a amparar o governo.



E se o rebanho acorda?

O governo de ocupação da troika, com o apoio do PR e do PS, tratam a maioria dos portugueses como se trata uma carneirada uniforme e adormecida. Mas se o rebanho acordar e tresmalhar, como vai ser? Fernando Barão



Uma chatice…

“Os cidadãos perceberam que manifestando-se na rua conseguem inverter medidas que o governo tinha tomado.” (António Costa, director do Diário Económico, à TSF em 2 de Outubro)
“Os partidos do governo perdem apoio… O espectro de eleições paira aí… A rua passou a conseguir inverter decisões [do governo].” (P. Marques Lopes, à SIC Notícias em 2 de Outubro)



Um frete ao governo

O parecer do Conselho Nacional da Ética sobre o “racionamento” dos recursos da Saúde pública

Pedro Goulart

A pedido do governo PSD/CDS, o Conselho Nacional da Ética para as Ciências da Vida (CNECV) deu recentemente um parecer em que considera existir fundamento ético para que o SNS promova medidas no sentido de conter os custos com medicamentos, tentando assegurar uma “justa e equilibrada distribuição dos recursos”. O mesmo parecer do Conselho Nacional da Ética sugere que se passe do actual “racionamento implícito” para um “racionamento explícito e transparente, em diálogo com os cidadãos”. É, de facto, um parecer que defende a “poupança” na despesa com os tratamentos mais caros para doenças como o cancro, a sida ou as doenças reumáticas. Ler o resto do artigo »



Amanhã 29 de Setembro, 15h, todos à concentração no Terreiro do Paço

Contra o roubo de salários e pensões, em defesa dos teus direitos. Para dar continuidade à luta contra a austeridade é indispensável a tua presença e a do maior número dos que são agredidos pela política do governo PSD/CDS, a mando do capital e da troika. A CGTP apela aos trabalhadores e ao povo que, independentemente das suas opções sindicais ou políticas, se unam num grande levantamento de indignação geral contra o governo e a sua política de direita.



Vamos encher o Terreiro do Paço, sábado 29, 15h

O que há de novo na situação actual não é o fracasso das metas do governo nem as medidas recém-anunciadas – é a resposta maciça que lhes foi dada nas ruas. Foi isso que abriu a crise governativa. É isso que pode bloquear a política de austeridade. O importante é que esta ideia de mudança ganhe cada vez mais adeptos.
A continuidade do movimento de protesto é essencial para derrotar as forças que aprovaram e que aplicam o programa da troika.
A manifestação convocada pela CGTP para dia 29 deste mês será o próximo passo deste caminho, e nesse sentido deverá ter o apoio de todos os trabalhadores e de todos os que saíram à rua no passado dia 15.



O povo saiu à rua num dia assim

Posição do Colectivo Mudar de Vida sobre a situação política

1. NO PRAZO DE UM ANO E MEIO (12 de Março de 2011 – 15 de Setembro de 2012), duas enormes vagas de manifestações expressaram nas ruas de todo o país a revolta contra as medidas de austeridade. Pelo meio, inúmeras greves e lutas de resistência deram continuidade, praticamente diária, ao protesto de grande parte dos trabalhadores.
O que ficou dito é simples de entender: quem trabalha abomina a política de Sócrates, de Coelho e da troika. Ler o resto do artigo »



O “Conselho do Povo” e o Conselho de Estado

José Borralho

“O país só se levanta quando a crise da dívida estiver resolvida, e por isso, em primeiro lugar é preciso equilibrar a situação financeira, dado que as empresas estão endividadas e precisam de ser ajudadas para procederem ao crescimento económico e ao emprego; só o povo pode salvar a situação suportando os custos da austeridade.” Esta é a tese defendida pelo governo e pela troika estrangeira. Mas quem provocou esta situação de endividamento e de estagnação da economia, foram os trabalhadores e o povo? Ler o resto do artigo »



HOJE 21 Setembro 18h Concentração Palácio de Belém

Nesta sexta-feira reúne em Belém o Conselho de Estado, convocado pelo presidente da República. Vamos de novo dizer NÃO À AUSTERIDADE.
A 15 de Setembro o país tomou conta das ruas para dizer BASTA! Exigimos o rasgar do memorando da troika e a demissão do governo.
Não queremos apenas mudanças de nomes, queremos mudanças de facto. Os protestos de 15 de Setembro exigem uma de MUDANÇA DE RUMO!
A luta continua! Que se lixe a troika!



Gatunos! Gatunos!

15 de Setembro, uma explosão de protestos

Pedro Goulart

Uma das palavras mais gritadas nas manifestações de 15 de Setembro foi: gatunos, gatunos! Raramente uma palavra se mostrou tão adequada para expressar aquilo que é hoje efectivamente sentido por milhões de portugueses que, diariamente e de diversas maneiras, são espoliados pelo governo do PSD/CDS, a mando do patronato e da troika. E, ao contrário do que pretendem certos analistas e serviçais do sistema, o que está essencialmente em jogo nestas manifestações é o conteúdo – o esbulho – e não tanto um “défice de comunicação”. Ler o resto do artigo »