Arquivo da Categoria 'Economia'

Gestores de topo

António Mexia, à frente da EDP há 12 anos e ex-ministro, está a ser investigado por suspeitas de corrupção. O mesmo com o presidente da EDP Renováveis, Manso Neto, e com Manuel Pinho, o ex-ministro de Sócrates que tutelava a EDP. Também um ex-responsável pela Direcção-Geral de Energia foi recentemente constituído arguido. Em causa está a suspeita de que as rendas pagas pelo Estado à EDP, no âmbito de um acordo estabelecido quando Pinho foi ministro, foram empoladas, tendo Mexia e Manso beneficiado do negócio. Só entre 2007 e 2011, diz a Comissão Europeia, a EDP recebeu do Estado 1500 milhões de euros. Os consumidores portugueses pagam a energia mais cara da União Europeia.



Pivot

Depois de ter sido posto fora do governo do seu amigo Passos Coelho por indecência e má figura, Miguel Relvas adoptou um perfil discreto: dedica-se na mesma a negócios chorudos mas sem estardalhaço. Recentemente, reforçou para 32% a sua carteira de acções da empresa Pivot, a qual é detida nos restantes dois terços por uma tal Aethel. A Pivot comprou em 2015, por 38 milhões de euros, a Efisa (um dos ramos do falido BPN) em que o Estado enterrou 77,5 milhões. Quem se movimenta também pela Pivot é o amigo Dias Loureiro, responsável pelo desfalque no BPN.
Acontece que a Aethel fez uma proposta para aquisição do Novo Banco, pelo que Relvas e Loureiro, esses dois modelos de seriedade, podem em princípio deitar a mão, com papel de relevo, a uma fatia importante da finança lusa.
O caminho, porém, parece estar difícil. Ler o resto do artigo »



Enquanto os trabalhadores apertavam o cinto

Fuga de milhares de milhões de euros a coberto do governo PSD/CDS

Carlos Completo

VGasparMLAlbuqEntre 2011 e 2014 saíram de Portugal para vários offshores mais 10 mil milhões de euros do que tinha sido inicialmente apurado, num total de 17 mil milhões, que terão escapado a qualquer controlo da Autoridade Tributária (AT). E, de acordo com um requerimento do PS, visando um esclarecimento da situação, “durante os mandatos dos ex-ministros das Finanças Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque e do ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, ficaram por tratar cerca de 20 declarações de instituições financeiras”, envolvendo diversas empresas e pessoas, que representavam mais de 9800 milhões de euros. Com um significativo pico das transferências financeiras efectuadas para offshores na proximidade das eleições legislativas de 2015, que previsivelmente iriam derrubar o odioso governo do PSD/CDS. Ler o resto do artigo »



A teta das PPP

A empresa Auto-Estradas do Atlântico exige ao Estado uma indemnização de perto de 30 milhões de euros que um tribunal arbitral lhe concedeu depois de ter reclamado 530 milhões de “reequilíbrio financeiro” ao abrigo da PPP que tem com o Estado. Isto porque, com a instalação, em 2013, de portagens em Scut que levavam tráfego à A8, a AEA perdeu clientes. Ou seja, o cidadão paga por dois lados: nas novas portagens das Scut e nas indemnizações aos mamutes das PPP.
E como a coisa rende também na Saúde, o Grupo CUF investe em novos hospitais e clínicas: só em 2016 perto de 250 milhões de euros. No total, tem 15 unidades, duas delas ao abrigo de PPP.
É claro que tais investimentos não se justificariam se a Saúde pública fosse plenamente eficaz, como também é evidente que o capital privado tudo fará para impedir que o seja.
No ano passado as quatro PPP na área da Saúde custaram ao Estado 430 milhões de euros.



A pacífica estatização da CGD

Manuel Raposo

CGDNão é estranho que o debate político em torno da Caixa Geral de Depósitos tenha sido tão brando? Depois de o governo Coelho-Portas ter feito tudo para a enfraquecer e preparar o terreno para a sua privatização, seria de esperar que a opção do governo de António Costa de capitalizar o único banco do Estado e de reforçar a sua natureza pública tivesse a mais encarniçada oposição por parte do PSD e do CDS, para não falar do resto da banca. Mas não — a discussão resumiu-se a questões laterais sobre a forma como o processo foi conduzido e sobre as trapalhadas que o acompanharam. Este desviar de atenções da direita mostra que, para o capital nacional, o caminho não podia ser outro. Ler o resto do artigo »



Mercenários do capital que nos governam

A partir de Bruxelas, Frankfurt e Washington

Pedro Goulart

Eurogrupo_lagarde Nos últimos meses prosseguiu forte o assédio a Portugal e ao governo de António Costa por parte da gente da CE, do BCE e do FMI, os mesmos que, nos últimos anos, em conjugação com o governo PSD/CDS, muito contribuíram para tornar mais difícil a vida dos trabalhadores e do povo português. Porque os média ao serviço do patronato fazem de megafone permanente da propaganda das classes dominantes, e nunca é demais denunciar estas situações, destacamos, para memória presente e futura, algumas dessas entidades e personagens. Ler o resto do artigo »



O folhetim do Panamá

Pedro Goulart

papeis-do-panama-ali-baba_cropAs revelações diariamente vindas a público a partir dos chamados Papéis do Panamá são claramente orientadas e ocupam grande parte do espaço informativo e de debate. Até agora não nos têm surpreendido: limitam-se a revelar alguma coisa do que já sabíamos ou pressentíamos sobre as múltiplas e habituais operações financeiras de muita gente das classes dominantes. Só os distraídos podem estar seriamente indignados. Ler o resto do artigo »



Contas ‘sãs’

Manuel Raposo

alemanhaSuperavitA Alemanha teve em 2015 um excedente orçamental de 19.400 milhões de euros, o valor mais alto desde 1990, quando o país foi reunificado. Também em 2014 conseguiu um excedente de 8.900 milhões. Estes resultados, em geral apresentados como uma façanha da disciplina das contas germânicas, posta em contraste com o “despesismo” da maioria dos países da União Europeia, não são independentes do facto de a Alemanha ser o principal aspirador da riqueza produzida na União. Ler o resto do artigo »



Sobre os gastos com as Forças Armadas e a Segurança

Carlos Completo

gnrO Orçamento do Estado para 2016 reserva para aquilo que é designado por Defesa e Segurança quase 4.000 milhões de euros. O que é muito dinheiro num País em que as classes trabalhadoras e o povo têm um tão baixo nível de vida.
Segundo o projecto de OE, os gastos com a Defesa apontam para 2.143 milhões de euros, mais 7,4% que o ano passado, aparecendo a “gestão eficiente e optimizada dos recursos já disponíveis” como uma das apostas. Este aumento no orçamento da Defesa resulta de alguns dos objectivos do actual Governo para esta área, nomeadamente da dotação da Lei de Programação Militar. E, também, do reforço do financiamento para as forças nacionais destacadas em missões internacionais. No que diz respeito às forças de segurança, o OE tem um orçamento de cerca de 1.612,7 milhões de euros e a protecção civil e luta contra incêndios 208,1 milhões de euros. Ler o resto do artigo »



Agravam-se as desigualdades

No mundo e em Portugal

Pedro Goulart

Oxfam_cropA Oxfam, uma organização não-governamental de âmbito mundial empenhada na luta pelo desenvolvimento e contra a pobreza, acaba de publicar dados recentes sobre a desigualdade social no mundo. Dois factos ressaltam: a desigualdade na distribuição dos bens é enorme e tende a aumentar; e a crise mundial do capitalismo tem agravado a situação, crescendo o fosso que separa os ricos dos pobres.
Os números apresentados não deixam margem a dúvidas. Ler o resto do artigo »



Benesses para os patrões

A pretexto da entrada em vigor do novo salário mínimo nacional (SMN), o governo de António Costa aproveitou para anunciar, como contrapartida, não apenas a intenção de manter uma medida do Governo do PSD-CDS, de redução de 0,75% na Taxa Social Única dos patrões para os trabalhadores com o SMN, como ainda decide promover o seu alargamento a todos os assalariados que em 31 de Dezembro de 2015 auferiam uma retribuição base não superior a 530€. Segundo a CGTP-IN, esta é uma medida injusta e incorrecta — pois irá provocar uma redução superior a 30 milhões de euros na receita da Segurança Social e abrirá portas a outras propostas do Governo, visando reduções da TSU para os trabalhadores com salários inferiores a 600€, assim como atribuindo créditos fiscais (ou complementos salariais) aos assalariados com contratos de trabalho a tempo parcial (suportadas pelos impostos pagos pelos trabalhadores e pensionistas).



Banif: melhor solução, para quem?

Pedro Goulart

banifSegundo o Tribunal de Contas, “entre 2008 e 2014 foram concedidos apoios públicos ao sector financeiro, cujos fluxos líquidos atingiram no final deste período 11.822 milhões de euros negativos” (6,8% do PIB de 2014). Juntando a este total os mais de 3.000 milhões euros, agora reservados para a “resolução” do Banif, é de prever que, no período posterior a 2008, os gastos do estado português para salvar bancos venham a ultrapassar um montante de 15.000 milhões de euros. Ler o resto do artigo »



Aumento da dívida pública

Portugal tem hoje a terceira maior dívida pública (em percentagem do PIB) da União Europeia, ultrapassado apenas pela Grécia e pela Itália — cerca de 130% do PIB de acordo com o cálculo do Eurostat.
Vejamos a evolução da dívida pública (líquida), com dados do Banco de Portugal e em milhões de euros, desde a chegada da troika, em 2011:
Dezembro de 2010 : 158.736
Dezembro de 2011 : 170.904
Dezembro de 2012 : 187.900
Dezembro de 2013 : 196.304
Dezembro de 2014 : 208.128
Agosto de 2015 : 212.684

Depois da criação de centenas de milhares de desempregados, da emigração forçada de mais de 350 mil portugueses, do agravamento da exploração dos trabalhadores e das condições económicas e sociais da maioria da população, é esta a dívida (para além da dívida privada), que nos deixa a troika e o governo PSD/CDS. E o mais que ainda não se sabe!



A ética alemã e o espírito do capitalismo

António Louçã

VWNa melhor tradição weberiana, Merkel e Schäuble têm abundado desde há vários anos em exortações ao trabalho honrado, à frugalidade e à poupança. Essas exortações, dizem ela e ele, são especialmente relevantes para os povos meridionais, levianos e despesistas.
E, como a leviandade e o despesismo não criam riqueza nem enchem a barriga a ninguém, também deve parecer natural que os PIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia, Espanha) se tenham tornado um alfobre de vícios morais: corrupção, fraude fiscal, desvio de fundos e um largo etcoetera.
Bem prega Frei Tomás. Nas últimas semanas, assistimos a duas monumentais fraudes, muito alemãs e bem à escala do capitalismo alemão. Ler o resto do artigo »



Editorial

O mistério do desemprego

Na conversa do poder, o desemprego tem sempre ar de mistério. Tudo na economia parece caminhar no bom sentido, até já há crescimento, diz o governo, mas estranhamente o desemprego não baixa. O mistério desfaz-se se atendermos a duas ou três verdades que o mundo capitalista não pode ver nem aceitar.

Uma, é que a actual crise resulta de uma produção superabundante para a qual não há mercado, em larga parte porque a massa dos assalariados não tem suficiente capacidade de compra — uns por terem sido despedidos, outros por verem os salários reduzidos. Logo, não é o aumento da produção em moldes capitalistas que resolve o problema. Ler o resto do artigo »



Preços de monopólio

A Galp foi multada em Portugal em 9 milhões de euros (e depois em Espanha em 800 mil euros) por “práticas anticoncorrenciais”, ou seja, por concertar preços em prejuízo dos consumidores. As consequências deste procedimento, resultante de um domínio do mercado de tipo monopolista, não se verificam apenas nos combustíveis automóveis, mas também no gás de consumo doméstico. Foi aliás na comercialização do gás de garrafa que a fraude se verificou no nosso país. Assim, enquanto a Galp distribui dividendos milionários aos seus accionistas — o principal dos quais é o grupo de Américo Amorim, com quase 40% das acções — os portugueses mais pobres cortam no consumo e passam frio para “não viverem acima das suas posses”.



Intocáveis

Nos primeiros seis meses do ano o Estado pagou às PPP mais de 690 milhões de euros, tanto como vai cortar na Educação em 2015. A despesa aumentou 26% no segundo trimestre, apesar de as receitas com portagens rodoviárias terem subido em 12%. Para o governo, todos os contratos de trabalho ou pensões são revogáveis; os das PPP são intocáveis.



O caso BES e as regulações

Pedro Goulart

BdPApós o enorme e ainda bem presente escândalo do Banco Português de Negócios (BPN), em 2008, envolvendo crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais, e que implicaram numerosas figuras do PSD, como Cavaco Silva, Dias Loureiro e Oliveira e Costa, muita gente julgava que os problemas com a regulação e supervisão dos bancos já estariam ultrapassados. Puro engano. Aos milhares de milhões de euros gastos com o BPN vêm agora somar-se aqueles milhões que o Banco Espírito Santo (BES) certamente nos irá custar. Ler o resto do artigo »



Editorial

O “flagelo”

Muita boa gente se tem mostrado condoída com a má sorte dos desempregados.
Depois de em 2012 ter dito que o desemprego era “uma oportunidade para mudar de vida”, Passos Coelho veio agora, com dois anos de governação sua em cima, verter lágrimas por um mal “insuportavelmente elevado”. O Papa falou em “flagelo” e na “perda de dignidade humana” em visita a uma região pobre de Itália. E Felipe VI, no seu passeio por Lisboa, proclamou o combate ao desemprego “um desafio ibérico”.

“Flagelo” é a expressão que melhor define o discurso do poder sobre o desemprego: um mal de ressonâncias bíblicas, sem sinal de origem nem remédio humano. A versão terrena do desemprego é outra: em fase de crise dos negócios, os patrões despedem trabalhadores, fecham empresas, retiram capital das funções produtivas, reduzem em cadeia toda a actividade económica. Ler o resto do artigo »



Saúde, educação e segurança social em causa

Acordo entre EUA e UE procura acelerar a concentração de capital à escala mundial

Carlos Completo

EU-US-tradeA WikiLeaks divulgou há dias um comunicado de imprensa sobre reuniões preparatórias e secretas que se têm realizado em Genebra (e que os seus organizadores pretendiam rigorosamente sigilosas), com vista a um acordo sobre o comércio mundial de serviços. Com este objectivo, os EUA, os países da UE e cerca de duas dezenas de outros países, envolvendo cerca de 70% do comércio mundial de serviços, encetaram negociações secretas e paralelas às da Organização Mundial de Comércio (OMC), de modo a contornar os obstáculos colocados a esta organização imperialista por alguns dos países ditos em desenvolvimento, assim como por diversos movimentos sociais. Ler o resto do artigo »



Futuro zero

Manuel Raposo

reformados e pensionistasCom a aproximação da data de partida oficial da troika e sobretudo com novas eleições no horizonte, o governo e os seus porta-vozes inauguraram o discurso da “recuperação económica” como prova do “êxito” das medidas de austeridade.
O ministro da economia, Pires de Lima, foi um dos pioneiros desta nova linha de propaganda. Mas, para além da insegurança e da precariedade dos dados em que a conversa se baseia — sublinhadas de resto por fontes tão insuspeitas como o FMI — é o próprio discurso do ministro que revela a fraqueza do que é dito e das circunstâncias em que a falada “recuperação” se processa. Ler o resto do artigo »



Uma imagem antecipada da política do PS

Manuel Raposo

seguropassosO PS justificou o acordo feito com o governo para baixar o IRC com o propósito de “criar emprego” e garantiu que, lá por isso, não vê condições para outros entendimentos com o PSD e o CDS. O que fica à vista, porém, é o facto de o PS ter facultado um importante apoio político ao governo, possibilitando um desagravamento fiscal que beneficia exclusivamente o capital, sem quaisquer garantias de que os assalariados venham a beneficiar do mesmo tipo de tratamento. Ler o resto do artigo »



Justiça EDP

Como foi noticiado, há algumas semanas funcionários da EDP, acompanhados de agentes da polícia, cortaram a energia eléctrica a várias casas de famílias pobres no bairro do Lagarteiro, no Porto, e anularam várias ligações ilegais feitas pelos moradores. A justificação são as dívidas por pagar dos consumidores. Os moradores receiam que venham a seguir os cortes da água, pelos mesmos motivos. Muitas dessas famílias já não têm água corrente em casa e valem-se da ajuda dos vizinhos. Para se avaliar da justiça da medida da EDP, saiba-se que a empresa anunciou 792 milhões de euros de lucros nos primeiros nove meses do ano, depois de ter lucrado 1012 milhões em 2012. E já agora saiba-se ainda que os sete membros do conselho de administração ganham, por junto, mais de 6 milhões de euros por ano, uma média de 870 mil euros a cada.



Não perdem tempo

Poucas horas depois da morte de Hugo Chávez, importantes empresas espanholas, com fortes interesses na Venezuela, fizeram saber (jornal La Vanguardia, por exemplo) da sua esperança de que a era pós-Chávez abra campo a sectores industriais e bancários menos regulados do que até agora. Mesmo impossibilitadas de repatriar dividendos, sujeitas a controlo de preços e a desvalorizações da moeda, gigantes como a Telefónica (comunicações), o BBVA (banca), a Repsol (petróleos) ou a Inditex (confecções) têm sido fortemente ajudadas pelos negócios que têm na Venezuela, já que em Espanha e na Europa a crise lhes limita o crescimento.



Os fundamentos do capitalismo entram em decadência

Fred Goldstein / MV

Conforme sublinham vários autores marxistas, a presente crise capitalista tem por origem uma queda da taxa de lucro dos capitais, em consequência do enorme progresso tecnológico verificado, digamos, no último meio século e no consequente aumento da produtividade do trabalho.
Com efeito, e como Karl Marx fez notar, o crescente peso das inovações tecnológicas no sistema produtivo capitalista aumenta a composição orgânica do capital, isto é, a proporção entre o capital constante (maquinaria, instalações, matérias primas, etc.) e o capital variável (salários). Por outras palavras, a proporção entre trabalho morto e trabalho vivo. Esta alteração orgânica está na origem da queda da taxa de lucro dos capitais, uma vez que, para um dado capital total, diminui a proporção de força de trabalho, o único factor responsável pela criação de valor novo. Ler o resto do artigo »



Economia dos EUA estagnada

A anunciada retoma da economia dos EUA dá sinais de fraquezas. Os 3% de crescimento do último trimestre de 2011 desceram para 2%, no primeiro trimestre deste ano. Além disso, estão a ser criados menos empregos dos que os esperados pelos gurus da recuperação e a baixa da taxa de desemprego deve-se ao número crescente de pessoas que desistem de procurar trabalho, por ser inútil. O presidente do Banco Central norte-americano, que tinha lançado foguetes nos dois primeiros meses do ano, teve agora, diante dos dados de Março, de reconhecer que as coisas “permanecem longe do normal”. A estagnação prossegue, afinal; e o crescimento, quando há, é à custa do emprego.



Ironias da crise

Despolarização, fim do crescimento global, rebeliões periféricas, crise ideológica

Jorge Beinstein / MV (*)

Pegando em dois factos aparentemente sem relação – a revolta árabe de 2011 e o desastre nuclear de Fukushima no Japão – o economista Jorge Beinstein mostra que ambos decorrem da corrida desenfreada do capitalismo industrial às fontes de energia. Num caso, condenou o Japão a atapetar o seu território, de alto risco sísmico, com uma multidão de centrais nucleares sem controlo eficaz; noutro caso, converteu o mundo árabe numa área subdesenvolvida consagrada à extracção intensiva e ao transporte de petróleo.
“O mundo burguês anterior aos colapsos económicos de 2007-2008”, diz o autor, “encaminhava-se eufórico e triunfalista para um variado leque de crises (energéticas, financeiras, sociais, ambientais, políticas, etc.) cuja convergência dava sinal da proximidade de um ponto de inflexão decisivo, de passagem rápida para uma época turbulenta”. É desta mudança que Beinstein procura captar o sentido. Ler o resto do artigo »



Mentalização

O Banco de Portugal prevê para 2012-2013 forte queda da produção (mais de 3%), desemprego recorde (mais 116 mil despedidos) e quebra sem precedentes do rendimento das famílias (mais de 10%). Em cima deste anúncio de desastre, afirma que há forte probabilidade de tudo ser ainda pior. Mais do que uma previsão, as revelações do BdP são uma espécie de serviço combinado com o governo para ir mentalizando as vítimas do costume.



Como eles extorquem os trabalhadores

Pingo Doce e Caixa geral dos Depósitos em paraísos fiscais

Pedro Goulart

mala-cheia.jpgA Sociedade Francisco Manuel dos Santos, liderada por Alexandre Soares dos Santos e detentora maioritária do Grupo Jerónimo Martins (proprietário dos supermercados Pingo Doce), mudou para a Holanda a sua participação neste Grupo. Não o confessando publicamente, fê-lo, porque considera que na Holanda o Fisco lhe é mais favorável que em Portugal, pagando menos imposto sobre os dividendos das operações internacionais, evitando uma dupla tributação dos investimentos previstos na Colômbia e tendo menos incerteza quanto a eventuais alterações (previsão de um novo aumento de impostos?) da legislação portuguesa.
Esta operação de Alexandre Soares dos Santos traduziu-se na venda de mais de 350 milhões de acções do Grupo Jerónimo Martins, num total de quase 4.600 milhões de euros, transferindo para a Holanda um valor que representa quase o dobro daquele entrado em Portugal através do investimento na EDP dos chineses da Three Gorges. Ler o resto do artigo »



Dito

O objectivo dos bancos é facilitar os negócios, e tudo o que facilita os negócios favorece a especulação. J.W.Gilbart, banqueiro (1794-1863)



De bandeja

Depois da entrega em bandeja do BPN ao BIC por 40 milhões (custou mais de 4 mil milhões!) seguiu-se a venda da Groundforce da TAP à belga Aviapartner por 3 milhões (que tinha custado 30 milhões). Enquanto o governo anda a vender Portugal aos bocados quase a custo zero, as pequenas empresas, que empregam 80% dos trabalhadores, agonizam sem financiamento bancário e acossadas pelo terrorismo fiscal. FB



Um orçamento brutal, a caminho do liberalismo económico puro e duro

Pedro Goulart

vgaspar.jpgCorte nos subsídios de Natal e férias dos funcionários públicos e dos pensionistas, acréscimo do trabalho não pago (por via de mais meia hora de trabalho diário e de cortes nos feriados), forte alteração na estrutura do IVA, subida do IMI e do IRS, menos dinheiro para a saúde (menos 710 milhões de euros) e educação (menos 864 milhões de euros), estes alguns dos mais brutais ataques aos trabalhadores e ao povo inscritos no OE para 2012.
O Orçamento de Passos Coelho vai muito mais longe que as exigências da troika no esbulho de parte significativa do rendimento das classes trabalhadoras e do povo, pretendendo reduzir os custos de contexto do trabalho e, assim, aumentar a taxa de mais valia extorquida pelos capitalistas. E visa, também (outro dos vectores principais da actuação do governo), alterar substancialmente o peso relativo dos chamados sectores público e privado. Nomeadamente nos campos da saúde, educação e segurança social, sectores onde as medidas gravosas mais se fazem sentir. Ler o resto do artigo »



Pôr os ricos a pagar, isso é que não!

Manuel Raposo

ricosepobres.jpgTem a sua graça ver como os ideólogos do capitalismo e da desigualdade de classes se esforçam por arranjar argumentos contra o, agora tão falado, imposto sobre os ricos. Há o argumento básico: “Cuidado que os ricos fogem com o dinheiro, e ainda é pior”. Mas há quem procure razões mais elaboradas. É o caso de João Carlos Espada (Público, 29 Agosto) que adopta o tom de quem vai “aos fundamentos” para chegar ao mesmo resultado: os ricos pagarem a crise, nem pensar. Ler o resto do artigo »



As grandes fortunas e o seu reverso

Manuel Raposo

amanifberni.jpgO despedimento em massa e a quebra dos salários são os aspectos mais destacados do processo de empobrecimento do trabalho. O seu contraponto está no aumento colossal da riqueza de uma pequena parcela de capitalistas que, no decurso da crise, concentram capital e, consequentemente, poder. Ler o resto do artigo »



O regabofe

Foi dito que 630 mil portugueses estão com dívidas aos bancos. Porque é que o Banco de Portugal e o ministério das Finanças não divulgam a evasão fiscal e as dívidas da banca ao Estado? Se o Banco Central Europeu empresta dinheiro à banca a 1%, porque é que a banca empresta depois a Portugal a mais de 6%? É a especulação capitalista defendida pela partidocracia PS/PSD/CDS. Os serventuários do capitalismo sabem que a execução do orçamento para 2011 vai ser uma fraude porque o sistema financeiro não vai pagar os impostos devidos ao Estado. FB



É o tempo dos canalhas

Pululam nos meios de comunicação os conselhos sobre boas práticas de poupança. Há dias, o economista para todo o serviço Camilo Lourenço moralizava, numa emissora de TV, dizendo que “todos” temos de nos convencer a gastar menos. E deu logo ali o seu próprio exemplo: “Ainda ontem fui a um restaurante japonês e paguei 30 euros; ora, posso perfeitamente jantar num restaurante comum e gastar apenas 10 euros”… Já sabem, caros desempregados, pensionistas e beneficiários desse luxo que é o rendimento social de inserção, sigam o exemplo do Camilo Lourenço: não escolham restaurantes japoneses e poupem 20 euros em cada jantar.



Extorsão financeira

Apesar da “crise”, os bancos a operar em Portugal continuam a fazer bons negócios. Vejamos apenas um deles. Há uma regra que impede que o Banco Central Europeu (BCE) empreste dinheiro directamente aos Estados. Assim, e enquanto os investidores estrangeiros se afastam de Portugal, a banca financia-se junto do BCE a taxas de juro de 1% e empresta depois ao Estado (investindo em dívida pública), assim como às empresas e famílias, a taxas bastante mais altas. Só ao Estado português já emprestou mais de 10 mil milhões de euros a taxas que variam entre os 4 e os 6%, arrecadando no negócio cerca 500 milhões de euros.



Como a Banca se impõe ao Estado

o-poder-da-banca.jpgEnquanto aumentam os impostos sobre os trabalhadores, diminuem os impostos sobre a Banca. Em 2009, a taxa efectiva de impostos sobre lucros paga pela Banca baixou para 4,3%. Estes dados, contidos num estudo do economista Eugénio Rosa, não provocam surpresa pois já numerosas vezes tem sido denunciado o papel privilegiado da Banca no contexto do capitalismo. Mas ajudam a perceber como o processo de financiarização do capitalismo português, tal como sucede mundialmente, coloca o capital financeiro no centro da actividade económica do país. Decorre daí a obediência dos governos aos interesses da banca e dos meios da finança. E a satisfação desses interesses traduz-se numa colossal transferência de riqueza da população trabalhadora para o capital. Ler o resto do artigo »



A crise rompe os elos mais fracos do capitalismo europeu

É decisiva a atitude que as organizações sindicais e as forças políticas da esquerda tiverem perante a crise social e política

Manuel Raposo

crise_site.jpgA crise da dívida pública que atinge todo o mundo capitalista – e que aflige as classes dominantes do planeta inteiro – é uma segunda fase da crise dita financeira que rebentou em 2007-2008. Em grande parte deriva justamente dos remédios então aplicados que consistiram em injectar volumes gigantescos de dinheiro na rede financeira para que os negócios capitalistas não fossem sufocados pela paralisia do sistema de crédito.
Esse influxo de dinheiro criou dívidas colossais aos Estados, que agora se vêem a braços com a forma de obter rendimentos que as permitam pagar. As fontes desses rendimentos são os trabalhadores assalariados que se vêem coagidos a ganhar menos, a pagar mais e a ser despedidos para que o capital obtenha receitas extra. Ler o resto do artigo »



“Tributo solidário” não passou

O projecto de lei do PSD de imposição de um “tributo solidário” a quem recebe prestações sociais foi rejeitado na AR. Votaram a favor deste repugnante projecto apenas o PSD e o CDS. Para o partido de Passos Coelho, o “tributo solidário” assumia-se como “um instrumento de moralização pública”. Tratava-se, na prática, de obrigar quem recebe prestações sociais a retribuir com 15 a 20 horas de serviço social ou em formação profissional. Com tal lei, centenas de milhares de desempregados, após terem descontado, para terem direito a subsídio de desemprego, ver-se-iam coagidos a um trabalho obrigatório e gratuito, a um trabalho escravo. Até aonde eles são capazes de ir!



Os conselheiros da Nação

Carlos Completo

bolsosvazios.jpgRecentemente, nove ex-ministros das Finanças foram expor a Cavaco Silva (também ele um do elenco) a “preocupação” pela grave situação económica e financeira do País, assim como as razões da sua oposição aos grandes investimentos públicos do actual governo. E, também, o tipo de medidas que consideram ser necessário adoptar face a esta situação. Foram, no fundo, repetir o essencial do que têm propagandeado nos media do sistema. Ler o resto do artigo »



Acima das nossas posses

Quando o governo e o PSD, correspondendo às determinações do patronato (nacional e internacional), nos vêm com a cantiga de que os sacrifícios têm de ser suportados “por todos” é bom lembrar alguns números. Por exemplo os que Manuel António Pina divulgou no Jornal de Notícias em 24 de Outubro passado. Aqui vão. Os portugueses comuns que ainda têm trabalho ganham em média pouco mais de metade (55%) do que se ganha na Zona Euro. Mas os gestores de empresas recebem em média mais 32% que os norte-americanos, mais 22,5% dos que os franceses, mais 55% do que os finlandeses, mais 56,5% do que os suecos. Quem vive afinal “acima das nossas posses” – nós ou eles?



O capital financeiro e a incapacidade dos governantes mundiais

Pedro Goulart

greciaeurobank_web.jpgApesar das evidentes responsabilidades do sector financeiro (mais claras com o início do desmoronamento financeiro mundial nos EUA, em Março de 2007) no agudizar da crise mundial do capitalismo, os banqueiros e os seus homens de mão têm conseguido, apesar do tempo já decorrido, evitar que lhes seja retirada parte significativa do poder e dos lucros do sector. A acumulação obcecada de capital financeiro tem-se mostrado claramente mais forte do que aquilo que pretenderiam fazer alguns governantes mundiais a favor de uma “regulação racional” do sistema. E a situação continua a manter-se – veja-se o que actualmente se passa na Europa, nomeadamente com Portugal, com as agências de rating servindo de veículo a uma forte especulação financeira. Ler o resto do artigo »



Ser banqueiro continua a dar

Apesar da actual “crise” económico-financeira, que atinge particularmente as classes trabalhadoras e os pobres, os quatros maiores bancos privados portugueses (BES, Santander Totta, BCP e BPI) ganharam, no conjunto, e apenas no primeiro trimestre deste ano, 362 milhões de euros. E embora tenha descido a margem financeira dos bancos, resultante da queda das taxas de juro, estes rapidamente quase a compensaram através do aumento de 13% nas comissões cobradas aos clientes. Razão tinha Brecht ao colocar a questão: o que é roubar um banco comparado com fundar um banco?



Lóbis da energia enfrentam-se

Empresários, economistas e engenheiros – incluindo vários defensores da opção nuclear em Portugal – apresentaram um manifesto que diz visar uma nova política energética. Escondendo manhosamente a sua opção pelo nuclear, os autores criticam a política energética seguida por José Sócrates, que, dizem, é dominada pela opção das energias renováveis, como a eólica e a fotovoltaica”. O manifesto é assinado, entre outros, por Mira Amaral, António Borges, Fernando Santo, Francisco Van Zeller (ex-presidente da CIP) João Salgueiro, Campos e Cunha, Miguel Cadilhe, Miguel Horta e Costa, Pedro Sampaio Nunes (do lóbi do nuclear) e José Luís Pinto de Sá (professor do IST e ex-colaborador da PIDE).



Para a tropa já há dinheiro!

Orçamento de Estado prepara-se para aumentar os gastos militares

Pedro Goulart

tropaafeg_web.jpgEnquanto os “políticos responsáveis”, os “analistas encartados” e os papagaios de serviço ao capital nos tentam convencer da necessidade de uma forte contenção das despesas nos próximos orçamentos (para eles, certamente, abaixando os gastos que ajudam a diminuir a penúria das classes trabalhadoras), surge ao mesmo tempo nos media a notícia da inevitabilidade, em 2010, do aumento das despesas com o Ministério da Defesa. Trata-se, dizem, de acrescentar mais 5% aos já elevados gastos deste ministério. Ler o resto do artigo »



O capitalismo não cria emprego, destrói emprego

Urbano de Campos

desempregosemabrigo_web.jpgDiz-se que uma mentira muitas vezes repetida passa por verdade. Será assim se não for contrariada. Diante da onda incessante de despedimentos e de encerramento de empresas, o patronato e a direita insistem no slogan – como se fosse uma evidência – de que só as empresas criam emprego, significando com isso: a iniciativa privada capitalista.
O slogan serve para pressionar a política do governo, ainda mais, no sentido do apoio estatal ao capital, da redução de impostos às empresas; e, simultaneamente, de limitação dos gastos sociais do Estado com os trabalhadores. Ora, é fácil mostrar que a afirmação é falsa. Ler o resto do artigo »



EDP saca mais dinheiro

Segundo o Eurostat, o preço médio da electricidade na União Europeia (a 27 países) é 2,2% inferior ao preço praticado em Portugal. Entretanto, a EDP, só nos primeiros 9 meses de 2009, já embolsou 800 milhões de euros de lucros líquidos! E, como sabemos que o poder de compra dos portugueses é bastante inferior ao da média comunitária, mais uma boa razão para protestarmos, agora que esta empresa se prepara para aumentar ainda mais o preço da electricidade (na ordem dos 2,9%), logo no início de 2010.



Dubai: o capitalismo em sobressalto

Pedro Goulart

dubaitowers.jpgBastou que o grupo Dubai World, sob controlo do governo do Dubai, pusesse em causa a amortização atempada das suas emissões obrigacionistas (no valor de 40 mil milhões de euros), para que as praças financeiras mundiais entrassem em depressão. Os estragos causados pela recente “crise financeira” mundial estão ainda bem presentes e os investidores permanecem nervosos.

O Emirado do Dubai é um dos sete que constituem os Emirados Árabes Unidos, cuja federação mantém relações fortes com os países capitalistas ocidentais, particularmente com o Reino Unido e os EUA. Ler o resto do artigo »



Corrupção e capitalismo

Pedro Goulart

corrupto.jpgOs mais recentes acontecimentos públicos no domínio da corrupção envolvem António Godinho, um “dinâmico” empreendedor de sucatas, de Aveiro, cujos lucros se têm multiplicado nos últimos anos, Armando Vara, vice-presidente do BCP, já useiro e vezeiro nestas andanças, José Penedos, presidente da REN (o tal que dizia abrir champanhe sempre que privatizava uma empresa), Paulo Penedos, Lopes Barreira e mais de uma dezena de outros cidadãos, atingindo sobretudo gente da área do PS. Os dados apontam também para várias outras empresas (Carris, CTT, EDP, Empordef e Estradas de Portugal), assim como para diversas autarquias envolvidas no “negócio”. Ler o resto do artigo »



Perdão de dívidas à Segurança Social?

Nos últimos anos têm aumentado fortemente as dívidas à Segurança Social, particularmente as das empresas. Já totalizam hoje cerca de 4 mil milhões de euros. Era precisamente 80% desta dívida (mais de 3 mil milhões de euros) que o muito “eficiente” ex-ministro do Trabalho e da Solidariedade Social (e actualmente ministro da Economia) se preparava para perdoar, com o pretexto de que seriam incobráveis. E depois viriam, certamente, as farisaicas justificações da impossibilidade de aumentar as pensões ou, até, da necessidade de as diminuir. Como parar esta gente?



Diante das dificuldades em sair da crise

“Agravam-se as tensões políticas e militares entre potências capitalistas”

Três perguntas a Henry Houben

Manuel Vaz

henryhouben_72dpi.jpgHenri Houben é economista, membro do secretariado do grupo Attac Bruxelas 1 (www.bxl.attac.be) e investigador do Instituto de Estudos Marxistas de Bruxelas (www.marx.be).
Na primeira conferência da World Political Economics Society, realizada em Xangai a 2 e 3 de Abril 2006, centrou a sua intervenção na análise marxista da fase actual da globalização do sistema capitalista, declarando a dado momento: “O projecto europeu de relançamento da competitividade da Europa entra em conflito com a posição dos Estados Unidos da América que pretendem manter-se como a única potência hegemónica e impedir assim a emergência de qualquer outro rival. Deste ponto de vista, a União Europeia, sob direcção liberal ou social-democrata, não representa uma alternativa à dominação imperialista dos EUA. Pois não se trata de substituir um capitalismo selvagem, como o dos EUA, por um outro pretensamente mais civilizado como seria o da Europa. Trata-se sim de substituir uma classe dominante hegemónica por outra. Se nos voltamos para um passado recente, sabemos que a elite europeia demonstrou sobejamente ser capaz do pior: colonialismo, fascismo e nazismo, tudo isto coroado por duas guerras mundiais desencadeadas no mesmo século”. Ler o resto do artigo »



”Estamos no começo de um longo período de perturbações e de revolução social”

Três perguntas a Tom Thomas

Manuel Vaz

crise-financeira-castelo.jpgTom Thomas é um economista marxista prolixo que nos últimos vinte anos publicou livro atrás de livro sobre as mutações capitalistas nos diferentes sectores da sociedade contemporânea (o trabalho, a mundialização, o Estado, o programa de transição para o socialismo, o capital financeiro, as crises cíclicas, o fascismo, o indivíduo…). A sua análise teórica, rica e variada, constitui, como o próprio autor diz, “um comentário actualizado de Marx”. Ler o resto do artigo »



Sindicatos dos EUA contra G20

A cimeira do G20 juntará, nos EUA, os 20 países mais ricos do mundo, em 24 e 25 de Setembro, na cidade de Pittsburgh. A crise mundial do capitalismo vai ser o centro das conversações. Ao mesmo tempo, no dia 20, terá lugar uma Marcha pelo Emprego. Esta mobilização de protesto, organizada por forças anticapitalistas norte-americanas, teve um grande impulso na semana passada com a adesão de dois dos maiores sindicatos dos EUA que têm sede nacional em Pittsburgh: a United Steel Workers Union (metalúrgicos) e a United Electrical Workers (electricidade) – que decidiram apoiar a iniciativa e mobilizar os seus membros para o protesto.



O fim anunciado do dólar

Urbano de Campos

dollar-a-arder_72dpi.jpgSe fosse algum economista suspeito de ser marxista a falar do fim do dólar como moeda internacional não faltaria quem o apelidasse de lunático. Mas agora é um prémio Nobel da Economia, o norte-americano Joseph Stiglitz, a dizer que “é preciso criar uma nova divisa mundial que substitua o dólar”.
Falando numa conferência na Tailândia, Stiglitz não deixou dúvidas: a moeda norte-americana tem hoje um valor “questionável” e investir em dólares é por isso um “grande risco”. Disse mais: “o actual sistema de reservas está em desgaste” e o dólar já “não é um bom refúgio de valor”. Ler o resto do artigo »



Crise do capitalismo acentua a vaga migratória dos trabalhadores pobres

Manuel Vaz (*)

imigrantes_web.jpgA crise sistémica do capitalismo está a acentuar a vaga migratória dos trabalhadores pobres oriundos de todas as regiões do mundo onde a dominação colonial e neocolonial cavou um fosso profundo entre zonas de acumulação capitalista e zonas de espoliação, entre os centros de desenvolvimento industrial e as vastas zonas de pilhagem de matérias primas e expropriação do campesinato. Ler o resto do artigo »



Os EUA adiam a crise

O governo norte-americano evitou a morte de gigantes industriais e financeiros, mas não os salvou: comprou tempo

Carlos Simões

chinaeuadebtcartoon.jpgNo calor do Verão, as economias ocidentais regressaram ao crescimento, mas é um falso milagre. Com a economia norte-americana a registar crescimento e desaceleração no desemprego, os economistas dizem que a recessão acabou. A França e a Alemanha foram surpreendidas por igual sinal positivo nas suas estatísticas. Até Portugal cresceu um terço de um por cento no segundo trimestre do ano, e José Sócrates correu para reclamar o resultado como prova da sua liderança e genialidade. Ler o resto do artigo »



Import/export de lixo tóxico

É velha e sórdida a história dos países ditos desenvolvidos que procuram exportar o seu lixo tóxico para os países com mais baixo nível de desenvolvimento. Agora, foram quase 100 os contentores, com centenas de toneladas de lixo tóxico (fraldas, preservativos, seringas e pilhas), vindos do Reino Unido e descobertos nos portos brasileiros de Santos e Rio Grande. Apesar das investigações ministeriais, prossegue o negócio sujo de quem, nos “países ricos”, não quer assumir o tratamento dos seus próprios lixos, com comerciantes sem escrúpulos e ávidos de dinheiro dos “países menos desenvolvidos”.



O antiterrorista

António Nunes, presidente da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) acaba de obter um Mestrado com 18 valores na Universidade Nova de Lisboa. Talvez a tese que defendeu – subordinada ao tema “Terrorismo, novos terrorismos e segurança interna em Portugal” – ajude a explicar a sanha repressiva com que a ASAE muita vez actuou. Na dissertação, António Nunes contou com um júri onde participaram conhecidas figuras da direita portuguesa ligadas aos serviços de informações: Jorge Bacelar Gouveia, presidente do Observatório de Segurança, Crime Organizado e Terrorismo, José Manuel Anes, especialista em terrorismo islâmico e Heitor Romana, director de formação do SIS.



“Recuperação” económica faz-se à custa do emprego

Dados da OCDE mostram que o desemprego em todo o mundo vai continuar a crescer

Manuel Raposo

chomageweb.jpgA Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgou em 24 de Junho uma visão optimista sobre a evolução da crise económica. Fala mesmo em luz ao fundo do túnel. Mas, vistas as coisas em concreto, a luz não será para todos. Ler o resto do artigo »



Salários reais e desemprego

Um estudo do instituto alemão IZA, da autoria de três economistas portugueses, conclui que cada ponto percentual de aumento da taxa de desemprego se traduz numa diminuição de 1,1% a 1,4% no salário real de quem está a trabalhar e de 2,3% a 2,8% para os novos contratados. Isto explica-se pelo congelamento ou pela subida abaixo da taxa de inflação dos salários de quem está a trabalhar e pelo recurso a salários mais baixos para os novos contratados. Assim, para os patrões e os seus economistas de serviço, um grande número de desempregados pode ser útil para aumentar a “competitividade” e ajudar à saída da crise!



O assalto a África

Um estudo da FAO (organização da ONU para a alimentação e agricultura) revela que, em África, 2,5 milhões de hectares de terras férteis foram comprados, desde 2004, em apenas cinco países – Etiópia, Gana, Madagáscar, Mali e Sudão. Os compradores são maioritariamente estrangeiros e grande parte das terras destinam-se a culturas para biocombustíveis. Milhares de camponeses pobres estão assim a ser privados dos seus terrenos de cultivo ao mesmo tempo que a produção alimentar tenderá a diminuir. Vem aí mais fome, portanto; e não vai faltar, no mundo ocidental, quem depois lamente o “atraso” dos africanos.



De consciência limpa e bolsos cheios

No âmbito do inquérito parlamentar ao caso BPN, a direita não se cansa de pedir a cabeça do governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, para ganhar pontos ao PS. Constâncio defende-se dizendo que a supervisão do BP não falhou e afirma-se de “consciência limpa”. De certo modo tem razão: é que o papel do BP não é entravar os negócios da banca, especialmente quando eles correm de feição. Por isso mesmo, Constâncio se mostrou sempre muito mais zeloso ao longo dos anos no aconselhamento de governos e patrões a “moderarem” o aumento de salários dos trabalhadores. É para isso que recebe um chorudo ordenado.



Fala quem sabe

A mais interessante declaração de Oliveira e Costa, ex-presidente do Banco Português de Negócios, na comissão parlamentar de inquérito às fraudes no banco, não foi sobre as mentiras do seu parceiro e conselheiro de Estado Dias Loureiro, coisa que toda a gente já sabia. Foi a afirmação de que, se todos os bancos portugueses fossem investigados como o BPN, a banca entraria em colapso.



Os lucros dos bancos

Apenas nos três primeiros meses deste ano os cinco maiores bancos que operam em Portugal (CGD, BES, BCP, BPI e Santander Totta) obtiveram 533 milhões de euros de lucro. Estes milhões de lucros foram conseguidos, em grande parte, à custa do aumento do preço dos serviços bancários e das elevadas margens impostas no crédito à habitação. Desde 2005, quando José Sócrates assumiu o governo, estes grupos financeiros já embolsaram 9.260 milhões de euros de lucros. A crise, portanto, não é para todos: a pobreza crescente da população trabalhadora é o reverso da acumulação de capital.



“Patrões, não pagaremos a vossa crise!”

Operários franceses não hesitam em sequestrar patrões e administradores para fazer valer os seus direitos

Manuel Vaz (em Paris)

patraosequestro1_72dpi.jpgA crise aguda do sistema capitalista conduz os actores políticos e económicos da burguesia a batalhar em diversas frentes para suster o fim do mundo (capitalista): introdução maciça de capitais no sistema bancário ameaçado de falência, nacionalizações parciais ou totais do sector, destruição de capital pela baixa acentuada do preço das mercadorias em super-abundância, supressão ou paralisação de segmentos inteiros da produção. Ler o resto do artigo »



As crises na era senil do capitalismo

Jorge Beinstein / MV (adaptado de www.rebelion.org)

criseprato72dpi.jpgA crise actual do capitalismo é mais uma das muitas que o sistema superou na sua história, ou o que está em causa é algo de novo, a ponto de os remédios do passado não servirem? O que está em causa: mais um ciclo de “renovação”, ou a sobrevivência do próprio capitalismo? São estas questões importantes que o artigo (aqui abreviado) do economista argentino Jorge Beinstein aborda. A resposta da parte dos trabalhadores, que é o campo que nos interessa, depende do conhecimento do que se passa diante dos nossos olhos. Ler o resto do artigo »



Lista dos maus offshores

Na sequência da cimeira do G20, a OCDE apresentou uma lista dos “maus” offshores: entre eles, os da Costa Rica, Malásia, Filipinas e Uruguai. Por outro lado, os dos EUA, da China e do Reino Unido (nomeadamente o conhecido paraíso fiscal das Ilhas Caimão), onde se concentra grande parte dos dinheiros escondidos do fisco, ficaram de fora desta categoria. É de prever, assim, que as promessas de sanções, decididas naquela cimeira para calar a opinião pública, se traduzam em quase nada.



Alípio, o figurante

Alípio Dias, que foi Ministro das Finanças de Pinto Balsemão, vice-governador do Banco de Portugal e, mais recentemente, administrador do BCP, não passou, segundo a sua defesa jurídica no processo que a CMVM lhe moveu por falsas declarações, de “um simples figurante” no “filme” realizado neste banco. Sendo responsável pela área da recuperação de crédito, não conhecia os offshores das Ilhas Caimão nem o tipo de relação que tinham com o BCP. Além do mais, apunha as suas assinaturas (utilizadas com “propósitos menos dignos”) em documentos importantes, apenas na base da confiança. Tal como Dias Loureiro, esta gente se não fosse mentirosa seria seriamente incompetente.



Cooperação?

A Lactogal, a maior empresa de lacticínios da Península Ibérica, paga ordenados entre os 410 mil e 900 mil euros aos seus administradores. Mas os produtores de leite, que recebiam 30 cêntimos por litro, vão passar a receber agora apenas 26 cêntimos (perdem 4 cêntimos por litro). Isto, a pretexto do decréscimo verificado na procura de leite. Quer dizer, a “crise”, aqui também, é só para a produção! Para uma empresa que funciona segundo a “lógica cooperativa”, este aumento do fosso entre os rendimentos dos administradores e os rendimentos da produção ajuda-nos a melhor compreender algumas das mistificações e contradições do capitalismo.



Alegria no trabalho

Num recente debate promovido pelo PSD, o patrão da Sonae, Belmiro de Azevedo, afirmava: “Não basta estudar, é preciso estudar, começar às sete ou oito da manhã e terminar quando o trabalho estiver feito”. E a propósito da necessidade de formação dos trabalhadores, defendendo-a, diz, contudo, que “em alguns casos nem implica nada de mais: para certos empregos basta ser simpático e sorrir, não é preciso nenhum curso universitário”. Trabalhar muito, ganhar pouco e, ainda por cima, manter-se alegre, parecem ser as condições necessárias para se merecer um emprego, segundo Belmiro de Azevedo. Por que será que isto nos faz lembrar a salazarenta Alegria no Trabalho?



Corrupção e capitalismo de mãos dadas

Pedro Goulart

bpn.jpgAo contrário do que alguns possam pensar, a corrupção não é um fenómeno desligado do sistema capitalista. Tal como a crise, a corrupção é inerente ao próprio sistema. E, também ela, contribui para a reprodução deste. Só que, em alturas de agudização da crise política e/ou económica, há acontecimentos que vêm mais à superfície, que assumem mais relevo do que habitualmente teriam. Ler o resto do artigo »



Bons e maus offshores

Pedro Goulart

madeira72dpi.jpgFalando na cimeira de Bruxelas, o ministro das Finanças Teixeira dos Santos referiu-se aos offshores reconhecendo que “a bem da transparência e da própria estabilidade dos mercados financeiros internacionais, estaríamos bem melhor se não tivéssemos essa realidade pela frente”. Mas, logo a seguir, o ministro considerou também que, “se não existisse a zona franca da Madeira, essa realidade ocorreria noutras praças ou noutros offshores, necessariamente não transparentes”. E, como que para nos sossegar o espírito, tentou dar a garantia de que “nós na Madeira ainda temos capacidade de supervisionar, ainda há regras, ainda há informação”. Ler o resto do artigo »



Prisões privadas e acumulação

Na Pensilvânia, EUA, os juízes Ciavarella e Conahan, que estão a ser julgados por corrupção, num processo que ainda decorre, consideraram-se culpados por terem recebido 2,5 milhões de dólares dos proprietários de prisões privadas, em troca da condenação à prisão de cerca de 2 mil crianças que, muitas vezes, nem sequer tinham acesso a qualquer advogado. A privatização das prisões nos EUA nas últimas décadas transformou o que era encargo do Estado num chorudo negócio capitalista alimentado com dinheiros públicos. Pelos vistos, tanto aos proprietários das prisões, como aos juízes, não faltou a tal iniciativa privada tão necessária à acumulação de capital e de riqueza pessoal.



A crise e as medidas do governo PS

Pedro Goulart

cimpor.jpgRecentemente, e sob a capa da crise, o governo/CGD presentearam o capitalista e especulador Manuel Fino com, pelo menos, 60 milhões de euros. Para muitos, tal constituiu escândalo, mas acho que não têm razão. Tratou-se, antes, de um acto normal (só que este foi mais às escâncaras) de um governo cujo papel é a defesa e a gestão dos interesses do sistema capitalista. E, aqui, quem mais ordena é mesmo o grande capital. Ler o resto do artigo »



Governo/CGD “ajudam” Manuel Fino

O empresário Manuel Fino pedira à Caixa Geral dos Depósitos muito dinheiro para compra de acções. Como a especulação desta vez correu para o torto, o empresário deu à CGD 10% das suas acções da Cimpor, à conta da dívida. Só que as acções valiam no momento 244 milhões de euros e a CGD adquiriu-as por 305 milhões, dando a M. Fino uma prenda de mais de 60 milhões. Mais: a CGD não pode vender as acções durante 3 anos, mas o empresário pode recomprá-las. Se o valor continuar abaixo do preço de compra, perde a Caixa; se o valor tender a subir, M. Fino pode comprá-las e ganha de novo. Na “resolução da crise”, aqui, como em outros exemplos, é clara a opção do governo PS pelo grande capital.



Dias Loureiro mente

Dias Loureiro, ex-ministro de Cavaco Silva e actualmente Conselheiro de Estado, comprovadamente mentiu quando foi ouvido na Assembleia da República sobre o seu envolvimento no caso SLN/BPN. Negou desconhecer o fundo (Excellence Assets Fund), veículo de um negócio ruinoso em Porto Rico, que causou um prejuízo de 38 milhões de dólares à SLN/BPN, afirmando peremptoriamente que não fora ele quem fizera tal negócio. Verifica-se, agora, com documentos, que Dias Loureiro interveio por duas vezes, assinando quer o contrato-promessa quer a finalização do negócio de Porto Rico. Como diz o ditado popular, cesteiro que faz um cesto faz um cento, se lhe derem vimes e tempo.



Flores de Gaza, lucro de Israel

Carlos Simões

boicotisraeligoodsmargem.jpgApós 20 meses de bloqueio, Israel permitiu a exportação para a Europa de 25 mil cravos provindos de Gaza. Desde a eleição, em Junho de 2007, do movimento Hamas para governo da autoridade palestiniana que Israel e Egipto, com o apoio dos Estados Unidos da América e da União Europeia, impuseram uma proibição à entrada e saída de bens da Faixa de Gaza. Alimentos, combustível e medicamentos, sejam mercadorias ou ajuda humanitária, são inspeccionados e confiscados na fronteira. Durante a breve trégua do Outono de 2008, Israel permitiu movimento de bens, mas o seu volume manteve-se abaixo de 3% dos valores de 2007. Ler o resto do artigo »



O Polvo chega aos CTT

Os tentáculos do Polvo que tinha por cabeça a SLN/BPN estendiam-se a várias empresas bem conhecidas, nomeadamente aos CTT. Quando Carlos Horta e Costa era seu presidente, os CTT participaram num negócio de milhões de euros com a SLN/BPN, relativo à aquisição de viaturas, actualmente a ser investigado. Através de uma adjudicação de favor a um dos tentáculos da SLN, os CTT terão pago pelo fornecimento de viaturas mais 2 milhões de euros do que deviam. Outro negócio dos tempos de Horta e Costa, que também está a ser investigado, é o que diz respeito ao pagamento de comissões na venda de um edifício dos CTT em Coimbra. E o Polvo não acaba aqui!



A crise: imagem da irracionalidade do capitalismo

Manuel Raposo

fome2jpg_72dpi.jpgNas notícias e nos comentários sobre a crise financeira domina a ideia de que a causa do descalabro está no comportamento de determinados agentes económicos. O exagero dos empréstimos de alto risco, a ganância, a falta de controlo das operações de crédito, etc., são apontados como origem do problema, e sugere-se mesmo que uma eficaz fiscalização teria evitado que se chegasse a tal ponto. Ler o resto do artigo »



Duas nações

Pela segunda vez, o governo abre linhas de crédito às empresas. Desta vez são 1400 milhões de euros que se somam ao pacote de 1700 milhões destinado às pequenas e médias empresas. Os sacrifícios impostos à população trabalhadora durante os últimos três anos para controlar o défice foram um modo de salvaguardar o lucro das empresas, enquanto a crise não vinha. Uma vez desencadeada, é desses mesmos sacrifícios, agora agravados, que vêm os milhões dados às empresas a título de salvamento da economia “nacional”. Há assim uma nação que paga e uma nação que recebe.



Sistema financeiro em pane

Num relatório de Novembro, o BPI receia que o sistema financeiro português não dê resposta às necessidades de financiamento dos privados e das empresas. Motivos: a) o crédito bancário representa 70% dos meios de financiamento da economia portuguesa, isto é, a maioria das empresas não tem meios próprios de financiamento; b) o disparar do crédito nos últimos anos não foi acompanhado pelos depósitos, o que levou a banca a endividar-se no estrangeiro; c) depois de a crise financeira ter afundado a economia, agora é a quebra da economia a retirar meios ao sector financeiro. Quem disse que o sistema financeiro português era “imune” desvalorizou os laços entre as economias do capitalismo mundial.



Uma ajuda aos saltimbancos

O ministro do Trabalho desmentiu o presidente da Segurança Social sobre o destino de 300 milhões de euros da Segurança Social depositados no falido BPN. José Gaspar, do IGFSS, afirmou que, no Verão, o governo levantou aquela quantia, de um total de 500 milhões, quando já sabia da situação crítica do banco. Mas Vieira da Silva garantiu não ter havido levantamento, apenas um “movimento de tesouraria”. Tesouraria ou não, o certo é que o governo tinha 500 milhões num banco especializado em trafulhices; e que ainda lá terão ficado 200 milhões. Isto, mais os mil milhões aplicados para salvar o BPN é para já a “nossa” contribuição, decidida pelo governo, para ajudar a trupe de Oliveira e Costa.



A vantagem das crises

Ismael Pires

Nem tudo é mau nas crises. A crise do Banco Português de Negócios (BPN) tem a virtude de mostrar, a quem ainda tivesse dúvidas, a verdadeira face dos políticos pertencentes ao bloco central de interesses que governa Portugal há décadas. E saem dela todos irremediavelmente esturricados. Ler o resto do artigo »



A “nacionalização” do BPN

Pedro Goulart

bpn72dpi.jpgO governo de José Sócrates anunciou no dia 2 de Novembro, após uma reunião extraordinária do conselho de ministros, a apresentação de uma proposta à Assembleia da República com o objectivo de nacionalizar o BPN (Banco Português de Negócios). A justificação para este acto do governo centra-se na situação de falência técnica em que se encontrava o banco, com perdas acumuladas de 700 milhões de euros, na necessidade de assegurar os depósitos de alguns milhares de portugueses (incluindo as centenas de milhões de euros da Segurança Social que lá se encontram), assim como em tentar evitar a contaminação de todo o sistema financeiro. Ler o resto do artigo »



Salários chorudos

O economista Vítor Bento, ao falar no Fórum da Competitividade, manifestou-se contra os aumentos propostos pelo Governo para o salário mínimo nacional (assim como para a Função Pública), considerando que “nas presentes condições da crise isso é um tremendo erro macroeconómico”. O ex-dirigente da CIP, Pedro Ferraz da Costa, o actual dirigente desta mesma associação patronal, Francisco Van Zeller, a dirigente do PSD, Manuela Ferreira Leite, assim como vários outros economistas e empresários, também pensam do mesmo modo. Seria interessante verificar como esta gente era capaz de viver com um salário mensal de 450 euros!



A crise e as suas consequências

José Luís Félix

Em meu entender nos dias de hoje o sistema capitalista esgotou as capacidades que lhe permitam dar uma resposta positiva aos problemas com que se depara e não consegue satisfazer as necessidades do conjunto das populações do globo. Isto tudo apesar das capacidades de produção terem atingido uma dimensão sem paralelo na história da humanidade, mas a distribuição é distorcida e a obtenção generalizada de bens e serviços só se encontra ao alcance daqueles que têm capacidade aquisitiva. Mesmo segundo os paradigmas do sistema, iníquos e destrutivos, a sede do lucro que é o principal móbil do sistema não encontra saídas que permitam satisfazer as necessidades básicas das populações. Ler o resto do artigo »



Salário justo e desemprego ideal

Pedro Goulart

salariojusto72dpi.jpgSão vários os economistas de serviço que se afadigam a demonstrar a bondade do sistema capitalista e a excelência das suas teorias económicas. Daniel Amaral tem sido um deles. E bastante persistente. Ao longo dos anos, em vários jornais e revistas, nomeadamente no Expresso, na Visão e no Diário Económico, tem-se esforçado na defesa da competitividade das empresas, sobretudo através do recurso à diminuição da parcela dos salários no PIB (Produto Interno Bruto). E, apesar das suas boas relações nos meios empresariais, tem procurado fazer-nos acreditar na independência das análises com que habitualmente nos presenteia. Ler o resto do artigo »



A reputação do capitalismo

“Se entrarmos num período de grande recessão e de perda de empregos, mas os principais administradores continuarem a receber enormes quantias, isso será mau para a reputação do capitalismo” declarou Peter Montagnon, director de investimentos da Associação de Seguradoras Britânicas.



Boicote

Em resposta à decisão do governo em baixar 30 por cento o preço dos medicamentos genéricos, os farmacêuticos ameaçam com a “ruptura dos stocks”. A coberto de argumentos técnicos, a Ordem dos Farmacêuticos declarou, afinal, que assim o negócio não interessa às farmácias, que estão a deixar de encomendar genéricos.



208 anos de trabalho

Segundo dados que circulam na net, Ana Maria Fernandes, presidente da EDP Renováveis, tem uma remuneração anual fixa de 384 mil euros para 2008, mais uma contribuição para o plano de pensão e ainda um prémio anual e um prémio plurianual para períodos de três anos, cada um dos quais até uma verba máxima de 100% do salário base. Se todos os objectivos de desempenho forem cumpridos, Fernandes receberá mais de 1 milhão e 100 mil euros no seu primeiro ano de actividade, o que equivale a mais de 2.500 salários mínimos (426,5 euros por mês em 2008), ou seja, o trabalho de 208 anos pelo salário mínimo.



Tranquilidade

Diante da avalanche financeira, Sócrates tranquilizou as famílias portuguesas quanto à segurança das suas poupanças, elogiando “a boa resistência” do sistema financeiro português. Evitar o pânico é a evidente palavra de ordem dos homens do poder e do capital. Percebe-se: é que se as pessoas perderem a confiança nos bancos pode começar uma corrida aos levantamentos, e aí, como dizia um comentador económico, “seria a catástrofe”. Vivemos portanto num sistema em que, no limite, nenhuma garantia pode ser dada da parte das instituições financeiras aos seus depositantes, a não ser que estes tenham sempre total confiança naquelas. Como no caso Dona Branca.



EUA: nacionalização dos prejuízos

Na continuação das intervenções governamentais em relação à crise que varre os EUA, Bush apresentou um novo plano que visa investir 700 mil milhões de dólares (cerca de 475 mil milhões de euros) em empresas à beira da falência. Trata-se de uma efectiva nacionalização dos prejuízos, à custa dos contribuintes. Se tal plano se concretizar, cada norte-americano (homem, mulher ou criança) terá de contribuir com cerca de 1.500 euros para mais este remendo no sistema económico e social dos EUA. Já não referindo o que habitualmente paga para as guerras em que o seu país se envolve pelo mundo fora.



Casas em leilão

Com as taxas Euribor a atingirem valores altíssimos, é cada vez maior o número de portugueses que se vêem obrigados a devolver as casas aos bancos. Isto tem ficado patente nos mais recentes leilões de casas. Tal não é de admirar, quando, em Portugal, mais de 1 milhão e 800 mil famílias estão endividadas à banca e, em 2008, terão de lhe pagar cerca de 5800 milhões de euros. A crise do capitalismo à escala mundial é um motivo de agravamento das já precárias condições vividas pela generalidade dos portugueses nos domínios do emprego, do consumo e da habitação.



A maior crise financeira mundial desde 1929

Loren Goldner

domino72dpi.jpgA 7 de Setembro os mercados mundiais foram encerrados. O banco central (Reserva Federal) e o Tesouro dos Estados Unidos anunciaram que iriam disponibilizar 25 milhares de milhões de dólares para salvar “Freddie Mac” e “Fanny Mae”, duas agências que subscrevem 5,4 biliões de dólares em dívidas hipotecárias nos Estados Unidos. Ao longo de várias décadas, Freddie e Fanny têm ajudado a proceder a empréstimos a 70% das famílias norte-americanas com meios para possuir casa própria. Ler o resto do artigo »



Negócios em família

Como o SIRESP foi adjudicado por cinco vezes mais do que vale

Carlos Completo

siresp.jpgO SIRESP (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal) é um sistema de comunicações que permite uma ligação permanente entre os Serviços de Informação, as várias polícias, a emergência médica e a protecção civil.
O presidente do grupo de trabalho que preparou o primeiro relatório sobre este assunto, Almiro de Almeida (e que nunca foi ouvido no inquérito aberto pelo Ministério Público à muito questionada adjudicação do sistema), veio agora dizer publicamente que se gastou cinco vezes mais do que o negócio valia. Ler o resto do artigo »



Corrupção: uma onda imparável

Pedro Goulart

Já se sabia. Mas, recentemente, os meios de comunicação oficiais têm contribuído com mais pormenores sobre a crescente corrupção que se manifesta, a todos os níveis, onde quer que haja uma alavanca de poder.
Nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes foi um fartar vilanagem. Aí, a gente do CDS parece ter tido um papel significativo. Ler o resto do artigo »



Escândalo de corrupção EUA-Arábia Saudita

Príncipe saudita Bandar recorre à Opus Dei

VoltaireNet.org

bandarfreeh_72dpi.jpgO maior escândalo de corrupção da História – o caso Al-Yamamah – continua a abalar os Estados anglo-saxónicos. O príncipe saudita Bandar bin Sultan, filho adoptivo dos Bush, é acusado de ter cobrado e distribuído grandes comissões ocultas sobre as vendas de armas da empresa anglo-estadunidense BAE Systems à Arábia Saudita. Ler o resto do artigo »



Lucros sobem na hotelaria

Os estabelecimentos hoteleiros registaram proveitos totais na ordem dos 808,2 milhões de euros durante o primeiro semestre de 2007, crescendo na ordem dos 6,9% face ao apurado no mesmo período de 2006.