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Arquivo da Categoria 'Editorial'
Editorial
Nas últimas semanas, tiveram lugar importantes protestos de trabalhadores em vários países da Europa: Grécia, Espanha, França, Roménia, Hungria. Os motivos são os mesmos: o ataque do capital às condições de trabalho, aos salários e à segurança social.
Em grande parte unificado pelo euro, o capital europeu (como o de outras paragens) vê-se, contudo, num impasse que se chama: incapacidade de se reproduzir. Por isso, as medidas contra os assalariados, as mesmas por todo o lado, se resumem a esmagar a parte do trabalho na riqueza produzida. Ler o resto do artigo »
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Editorial
A acesa guerrilha travada há meses entre os partidos do poder é tudo menos luta política. A corrupção e as golpaças reveladas têm, seguramente, absoluto fundamento: fazem parte do modo de vida do capital e do poder político que o serve. Como disse Marx, vivemos no tempo em que “tudo se torna objecto de tráfico” e isso significa “o tempo da corrupção geral, da venalidade universal”.
Mas o fogo cruzado de escândalos serve apenas para que as forças do poder disputem entre si lugares e supremacia política. Nada que tenha a ver com uma correcção do rumo que o país leva. A política do PS reúne no essencial a concordância dos homens de negócios e essa é que é a bitola. PSD e CDS limitam-se a reclamar afinações e a anunciar, desde já, medidas ainda mais violentas. Ler o resto do artigo »
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Editorial
Como era óbvio, o governo conseguiu facilmente fazer passar o Orçamento de Estado em acordo com a direita. Tudo para aí apontava desde as eleições de Outubro e só espanta que ainda houvesse alguma esquerda a encenar a pantomima de que poderia forçar-se um acordo parlamentar “à esquerda”.
Não haja ilusões: a esquerda não obteve nenhuma vitória nas eleições que lhe permita vislumbrar uma mudança de rumo político. O que de politicamente significativo se deu foi uma divisão de forças no bloco do poder que fez com que nenhum dos três partidos da direita tenha ascendente suficiente para governar por si. Mas, na previsão deste desenlace, o patronato apontou de imediato a via: forçar os três partidos a acordos que permitam levar por diante a política de ataque ao trabalho. Ler o resto do artigo »
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Editorial
Dois temas marcam a actualidade: a onda contínua de despedimentos e de encerramento de empresas, sem que os poderes do Estado esbocem qualquer intervenção para a travar; e a revelação sucessiva, quase diária, de actos de corrupção mostrando a ligação familiar entre poder político e negócios.
A falta de qualquer intervenção séria do Estado para travar os despedimentos, ao mesmo tempo que presta generosa ajuda, com os dinheiros públicos, às empresas arruinadas por colapso dos negócios ou por simples fraude, tem o condão de mostrar a real face do Estado. A crise acentua a dependência do capital face ao Estado e exige dele mais intervenção; cada vez mais o Estado tem de ter papel activo na manutenção e na reprodução do sistema capitalista. Progressivamente, torna-se claro que o Estado é um instrumento das classes proprietárias para manter na linha os assalariados e lhes extorquir tudo o que puder. Ler o resto do artigo »
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Editorial
A questão importante a colocar no final da maratona eleitoral iniciada em Abril é se está à vista uma mudança de rumo político favorável aos trabalhadores.
Nas europeias foi claro que o PS sofreu forte penalização. Foi também claro que, nas legislativas, os dois principais partidos do poder (PS e PSD) saíram diminuídos. Mas é igualmente evidente, terminadas as autárquicas, que, no balanço geral, as forças da direita mantêm forte predomínio e guardam, portanto, uma larga margem de manobra política.
Isto considerando o PS como aquilo que é: um partido da direita, simplesmente com maior capacidade de arregimentar as camadas populares e que, por isso mesmo, tem demonstrado mais eficácia na aplicação da política que convém ao patronato. Ler o resto do artigo »
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Editorial
As autoridades portuguesas, correspondendo à pressão dos EUA, preparam o envio de mais tropas para o Afeganistão. Como no Iraque ou no Kosovo, os teatros de guerra abertos pelos norte-americanos vão sendo suportados por homens e meios de países que são comprometidos na agressão por governos subordinados aos EUA.
A campanha para convencer a população portuguesa da “obrigatoriedade” de enviar mais tropas está em marcha. Os ministros Luís Amado (Negócios Estrangeiros) e Severiano Teixeira (Defesa) são os ponta-de-lança da operação. Na frente jornalística, de novo em prontidão, o Público advogava, em editorial de 20 de Agosto, ser “importante que se tenha em Portugal consciência de que os nossos soldados vão correr riscos, que podem morrer porque vão combater, mas que não podem deixar de ir”. Ler o resto do artigo »
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Editorial
Passadas as eleições para o parlamento europeu, abriu a caça ao voto para as eleições autárquicas e legislativas. Percebe-se a razão do afã: está em jogo a escolha da equipa que vai gerir o país, concretamente os negócios que se oferecem às classes dominantes, nos próximos quatro anos.
No meio da intensa vozearia – particularmente dos dois partidos do bloco central, PSD e PS – não se vislumbra nenhuma abordagem de medidas imediatas contra os despedimentos, para a criação de emprego, pela melhoria das condições de vida da população trabalhadora, etc, problemas estes que constituem a verdadeira emergência que o país vive. O que está em causa na disputa é outra coisa: como dar continuidade à política dos últimos quatro anos. Ler o resto do artigo »
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Editorial
A sequência de eleições que aí vem é uma temporada óptima para fazer crer que as respostas à crise económica e social estão nos programas dos partidos concorrentes. E que para curar os males do país basta escolher “bem”.
Ora, se em tempo de negócios normais as eleições não têm a virtude de fazer valer os interesses da massa trabalhadora, em tempo de descalabro económico ainda menos. Toda a propaganda dominante, com efeito, vai no sentido de sugerir “medidas”, propor “alternativas”, penalizar “más políticas” – sugerindo que o êxito na “resposta à crise” é uma questão de competência. Ler o resto do artigo »
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Editorial
Existe resposta revolucionária para a crise actual? A pergunta tem de ser posta quando se toma consciência da profundidade da crise que o capitalismo mundial atravessa e quando, ao mesmo tempo, se verifica que o poder do capital não está a ser abalado na sua base política. Sem uma resposta dirigida para enfraquecer o poder, o capital fica com toda a margem para reedificar, com mais uma dose de violência, o mecanismo de exploração, cobrando pesados juros à massa trabalhadora. Ler o resto do artigo »
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Editorial
Uma operária com 54 anos, acabada de ser despedida, dizia à televisão em Fevereiro: “A empresa fecha, mas não fecha por minha culpa, que eu sempre dei mais do que podia”. É um resumo exacto da situação em todo o país: depois de ter sido sugada até ao tutano, a massa operária é atirada para o lado à medida que o capital se retira esperando a ocasião para novas aventuras lucrativas. Ler o resto do artigo »
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Editorial
Sejamos claros: é a classe operária que sofre em primeiro lugar, e acima de todas as outras, o desgaste da crise. Basta ver as notícias e os números dos despedimentos. E o grosso dos apoios do Estado exclui precisamente os que mais sofrem com a situação.
Não é de espantar: para os capitalistas, sair da crise é forçar os assalariados a produzirem mais valor por cada euro de capital investido. Ignorar isto é ignorar tudo. Ler o resto do artigo »
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Editorial
A ideia da presidente do PSD de suspender a democracia por seis meses para se poder fazer “reformas verdadeiras”, foi atacada pelos adversários como uma falta de sentido democrático, foi disfarçada pelos adeptos como uma “ironia” e foi motivo de piadas por parte dos humoristas. Em todos os casos, o assunto foi tratado como uma questão da pessoa de Ferreira Leite. Ler o resto do artigo »
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Editorial
Os meios políticos e capitalistas nacionais começaram por fazer crer que a crise era “americana” e que o sistema financeiro português não iria sofrer grandes danos. Agora, que a recessão é dada como certa, aproveitam a mundialização da crise para justificar a deterioração das condições de vida dos trabalhadores. A afirmação do ministro da Economia de que acabou “o mundo de prosperidade (?) em que vivemos durante 10 a 15 anos” é um primeiro sinal de uma nova ofensiva sobre o trabalho a coberto das “dificuldades”. Ler o resto do artigo »
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Editorial
As grandes manifestações da CGTP no último ano e meio e as iniciativas de protesto das populações foram a face mais consistente da oposição à política do governo.
Crescentemente, as movimentações tomaram como alvo o governo. Foi isso que muitos dos 250 mil manifestantes de 5 de Junho expressaram ao gritar “governo para a rua”. Ler o resto do artigo »
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Editorial
O Tratado Constitucional europeu é um passo na unificação política do capitalismo do Velho Continente. Três pontos são chave: criar o cargo de presidente da União; designar um ministro dos Negócios Estrangeiros; e revogar as regras de decisão a favor dos centros capitalistas mais poderosos.
A Europa dos patrões precisa desta couraça institucional para enfrentar os seus competidores mundiais; e para disciplinar as centenas de milhões de trabalhadores que o esbater de fronteiras vai colocando lado a lado. Ler o resto do artigo »
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EDITORIAL
Afinal, o desinteresse dos jovens pela política, que tanto incomodou Cavaco Silva, era fácil de resolver. Bastou um encontro no Palácio de Belém com uns quantos dirigentes das “jotas” do leque partidário, mais uns escuteiros, para que o PR se mostrasse “confiante quanto ao futuro do sistema democrático”, uma vez que os ditos dirigentes – todos eles, como se calcula, perfeitos representantes da juventude sem trabalho, com empregos precários, excluída das escolas, vivendo em bairros de lata – lhe prometeram contribuir para a “melhoria da qualidade” do sistema político. Ler o resto do artigo »
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EDITORIAL
O número 7 da edição em papel do Mudar de Vida sai um ano após o primeiro exemplar, experimental, do jornal. Iniciada a publicação regular em Outubro, temos mantido uma informação de ritmo diário na versão electrónica; e trouxemos para a rua sete edições mensais em papel.
Pelas reacções dos leitores, a aposta tem sido bem sucedida. Mas seria ingénuo pensar que o MV está consolidado. Ler o resto do artigo »
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EDITORIAL
“Compreendo perfeitamente as razões do descontentamento dos professores”, disse a ministra da Educação em resposta à gigantesca manifestação de dia 8. Compreende, mas não se demite. A contradição é só aparente: o que assim fica dito é que o ministério – melhor, o governo – vai travar um braço de ferro para quebrar as pernas ao protesto. Sócrates tentará com isso dar uma punição exemplar ao movimento popular de oposição à sua política e calá-lo por longo tempo. Ler o resto do artigo »
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EDITORIAL
Discursando para as hostes em Alcochete, José Sócrates rejeitou “lições de esquerda” e disse não haver governo que tenha deixado tantas “marcas de esquerda” na política social. Dias depois, substituiu dois ministros com o claro intuito de neutralizar as vozes críticas vindas, precisamente, da “esquerda” situada dentro, e nas imediações, do PS. Ler o resto do artigo »
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EDITORIAL
A decisão, congeminada por PS e PSD, de eliminar os pequenos partidos é mais um corte nos direitos democráticos estabelecidos há 33 anos. Tanto basta para qualquer força de esquerda se lhe opor. Mas, para além disso, importa ver como a medida evidencia o esvaziamento da democracia representativa.
Provou-se, bem cedo, que o voto apenas confere ao povo - reduzido à condição periódica de eleitor - a capacidade de escolher os representantes das classes dominantes que hão-de espezinhar os direitos da maioria. A distância entre as promessas eleitorais e as políticas praticadas nestas três décadas aí está para o demonstrar. Ler o resto do artigo »
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EDITORIAL
Em entrevista publicada - significativamente, a 25 de Novembro - no Diário de Notícias, Mário Soares faz rasgado elogio à política “determinada” e “corajosa” de Sócrates, e aconselha-o - “agora” - a “dialogar com o mundo do trabalho”. Ao mesmo tempo, declarando-se “chocado” com o modo “como as desigualdades sociais se agravam nos últimos tempos”, Soares diz que “tem de se lutar contra isso”.
Não faz mais do que transmitir ao jovem Sócrates a receita de um velho oportunista, mestre da arte de governar à direita piscando o olho à esquerda. Ler o resto do artigo »
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EDITORIAL
Causou escândalo, mas não surpreendeu, a afirmação do Procurador Geral da República de que as escutas telefónicas estão sem controle. Soube-se, só agora, que entre 2003 e 2005 foram feitas mais de 26 mil escutas, ficando no segredo do poder quantas terão sido feitas de 2005 para cá. Aproveitando a maré, o ministro da Justiça reclamou uma revisão constitucional que dê às “secretas” o direito de também fazerem escutas. Ler o resto do artigo »
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EDITORIAL
A riqueza produzida no país reparte-se hoje à razão de 60% para o capital e 40% para o trabalho - depois de ter chegado a meio por meio a seguir a 1974.
Bem reconhece o economista João César das Neves (professor, católico, de direita) que “a crise não é económica”. De facto, não é a produção, por si, ou a falta dela, que gera tamanha desigualdade. Porque é que, mesmo com baixo ritmo de crescimento, a riqueza não pára de aumentar, em volumes inéditos, nas empresas dominantes? Ler o resto do artigo »
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