Tribuna

Temas e ideias para discussão.

Um livro

Comunismo: Situação e perspectivas

O declínio das bases materiais do reformismo

SacrificesNa continuidade do texto aqui divulgado em 1 de Junho (e no número 52 do MV, edição em papel), publicamos agora uma adaptação do segundo capítulo do livro 2015 Situação e Perspectivas, do marxista francês Tom Thomas. Depois de ter analisado as razões do predomínio do reformismo na maioria dos movimentos proletários até à data, o autor mostra como a actual crise mundial do capitalismo dá o sinal do declínio e do desaparecimento das bases materiais do reformismo. Vivemos uma novidade histórica, afirma, em que a senilidade do capital faz desaparecer as condições do reformismo e, ao mesmo tempo, amadurece as do comunismo. Ler o resto do artigo »




Debate

Um grande movimento social é… “milagre”?

Manuel Raposo

25AcasassimO último Editorial do MV, intitulado “Mais além”, mereceu as críticas, não exactamente iguais mas convergentes, de dois leitores (ver comentários publicados). Apesar de, a nosso ver, os reparos feitos estarem deslocados do centro das questões abordadas no texto, os assuntos que levantam cremos merecerem um debate — não só porque se referem à actualidade política que estamos a viver no país, e ao modo de a esquerda a encarar, mas também porque remetem, de forma mais geral, para o papel de uma esquerda revolucionária nas actuais condições. Aqui vai pois um comentário, esperando que a discussão não se fique por aqui. Ler o resto do artigo »




Um livro

Comunismo: situação e perspectivas

CapitnotWorkQue dados novos traz a actual crise do capitalismo em relação à história recente? Que possibilidades abre a uma transformação radical da sociedade? Pode o movimento comunista ser renovado a partir das condições que estão criadas no mundo de hoje?
Tom Thomas, um marxista francês, responde (num pequeno livro com o título 2015, Situação & Perspectivas) que estão reunidas duas condições necessárias ao sucesso de um processo revolucionário comunista. Por um lado, o esgotamento histórico do crescimento capitalista, evidenciado na crise, que corrói as bases da ideologia burguesa reformista que domina os movimentos sociais. Por outro lado, o imenso desenvolvimento material proporcionado pelo capitalismo nas últimas décadas, facto que permite à humanidade desfrutar de abundância de bens e libertar-se do trabalho escravo.
Nesta situação histórica nova, diz Tom Thomas, falta construir a força necessária para pôr em marcha este processo, ou seja, erguer um novo movimento comunista. Ler o resto do artigo »




Tribuna

Tempo perdido

José Borralho

bandeira-vermelhaEstaremos perdendo tempo e energias se nos concentrarmos a criar uma corrente de ideias que se reclame dos interesses do proletariado e se recuse a criticar, sem tibiezas, as causas da derrota do movimento operário em toda a linha, quando os comunistas de então tiveram ao alcance da mão a libertação das garras da exploração de mais de metade da população mundial.
Repetir as receitas do passado, significa miopia política e em última análise colaboração com o inimigo de classe. Ler o resto do artigo »




Documento

Enfrentar a crise, lutar pelo socialismo

Uma perspectiva comunista

“O que se passa sob os nossos olhos é a falência do sistema produtivo capitalista. É uma civilização inteira que se decompõe. A presente crise tem pois um potencial revolucionário como não tiveram as crises do passado mais recente: ela é o sinal de que se fechou a época de expansão capitalista iniciada com o segundo pós-guerra e que se criam, com isso, condições para um novo ciclo revolucionário à escala mundial”.

Este é um dos pontos de vista expressos no manifesto Enfrentar a crise, lutar pelo socialismo – Uma perspectiva comunista, divulgado no início deste ano, que publicamos de seguida na íntegra. Ler o resto do artigo »




Regresso de Marx? Oxalá!

Resposta a A. Poeiras

Manuel Raposo

Caro A. Poeiras:

Mais tarde do que gostaria de ter feito, respondo ao seu texto Regresso a Marx / Regresso de Marx, que publicámos em 7 de Agosto. Como poderá ver por esta minha resposta, não poderia discordar mais das suas posições. Mas não deixo de saudar a sua decisão de as colocar a debate. É disso que precisamos.

Comecemos pelo fim, porque aí parece estar o motivo dos seus argumentos contra o marxismo. O que o inquieta não é o regresso do marxismo enquanto literatura – inquieta-o sim o regresso do marxismo revolucionário. Você acha útil que se procure em Marx respostas que não existem noutros autores; mas repudia a inspiração revolucionária que (inevitavelmente, a meu ver) decorre do marxismo. Ler o resto do artigo »




Os resultados eleitorais e a luta contra as políticas capitalistas e reaccionárias do próximo governo!

José Manuel Andrade Luz

Depois de quatro anos de políticas reaccionárias capitalistas de combate aos direitos dos trabalhadores, o P”S” perdeu a maioria absoluta parlamentar.
Pela gravidade social das suas políticas, muitos esperariam que este, à imagem do que sucedeu nas eleições europeias, obtivesse uma grande derrota ou que no mínimo perdesse essa maioria absoluta, o que veio a concretizar-se. No entanto, e ao contrário do que todos esperavam e pelo peso que tal acção governativa teve sobre as camadas trabalhadoras e mais pobres da população, tudo indicava que a perda da maioria absoluta revertesse a favor dos partidos à sua esquerda no parlamento. Mas tal não se verificou, apesar de o BE crescer aproximadamente para os 550 mil votos e eleger 16 deputados (o dobro do que tinha) e o PCP crescer também aproximadamente 15 mil votos e eleger mais um deputado; este, especialmente, ficou aquém das expectativas criadas por ele e pela própria imprensa burguesa, mas só a arrogância, o oportunismo e o triunfalismo e a mentalidade política pequeno burguesa dos seus dirigentes os impediu de reconhecer e assumir tal fracasso eleitoral. Ler o resto do artigo »




Regresso a Marx / Regresso de Marx

A. Poeiras

Após a queda do muro de Berlim ter removido o biombo que impedia a crítica aberta dos regimes instalados a leste e de a social-democracia ter entusiasticamente abraçado a herança dos avôs Reagan/Thatcher, seguiu-se a destruição dos sindicatos de base nacional, a incapacidade do movimento operário responder à escala global – não é fácil conciliar os interesses imediatos de um operário europeu com os de um indiano – num refluxo da esquerda tradicional e o surgimento de um produtivo debate que procurava acima de tudo encontrar o acordo entre a esquerda e a própria natureza das coisas, o que conduziu igualmente à procura de formas diferentes de acção política. A chamada “construção europeia”, com toda a trama de golpes e contragolpes, de fintas e simulações e as formas de resistência “selvagem” – dos jovens apedrejadores aos operários sequestradores – é um exemplo magnífico do que sucintamente acima se descreve. Ler o resto do artigo »




Sete reflexões sobre a actual crise

João Bernardo

Contrariamente ao que é hábito afirmar na esquerda, tenho defendido desde há bastantes anos a inutilidade de proceder a uma teoria das crises no capitalismo. Cada crise é específica e resulta do facto de o sistema económico, com o agravamento de certas contradições, não conseguir dar uma resposta a obstáculos que noutras circunstâncias seriam facilmente superados. Tudo depende, então, de saber quais as contradições que se agravaram, e este diagnóstico muda de uma crise para outra.
Além disso, as crises sectoriais são frequentemente confundidas com crises globais ou, pior ainda, o funcionamento cíclico da economia é confundido com uma crise. Na verdade, a extrema-esquerda revela nestas ocasiões a sua fragilidade fundamental, esperando que se consiga, graças à crise do capital, o que não se tem obtido pela força própria do proletariado. As luminárias da revolução ainda estão sem decidir se o capital se há-de destruir a ele mesmo ou se há-de ser a classe trabalhadora a destruí-lo. Enquanto andar nesta indecisão, a extrema-esquerda nunca terá uma estratégia própria. Ler o resto do artigo »




Existe ‘uma posição revolucionária’ sobre «A Crise do Capitalismo»?

Rui Pereira

“a vitória universal da irresponsabilidade e do cinismo”
Cornelius Castoriadis (*)

A pergunta do título da peça não é retórica. Trata de saber, em primeiro lugar, que pode ser uma posição ‘revolucionária’. Posição ‘revolucionária’ por oposição ao sentido de ‘reformista’; transformadora, por oposição ao sentido de ‘reformadora’. Muitas diferentes propostas poderão ser revolucionárias, não custa imaginar, relativamente àquilo que nos é quotidianamente representado como a «crise do capitalismo»? Ler o resto do artigo »




A crise do capitalismo e as limitações e inconsequências do sindicalismo reformista

José Manuel Andrade Luz

Em recente artigo da responsabilidade do corpo redactorial do MV, critica-se o movimento sindical e em particular a CGTP por não dar uma maior consequência às manifestações e outras formas de luta, inconsequência essa que tem contribuído para uma maior arrogância do governo na aplicação das suas politicas anti-sociais, que têm agravado de forma drástica a situação económica e social das classes trabalhadoras. Ler o resto do artigo »




Paradoxos da história georgiana

António Louçã

Quem seguiu pela televisão a mais recente guerra no Cáucaso, pôde pasmar diante das imagens de uma estátua de Estaline na capital georgiana, Tbilisi. Não é pouca coisa, numa ex-república soviética, quando sabemos que a implosão da antiga URSS foi acompanhada pelo sistemático derrubamento das estátuas de dirigentes bolcheviques. Ler o resto do artigo »




A revolução por dentro das palavras

José Mário Branco

Já nos aconteceu a todos partilharmos as mesmas ideias com amigos nossos e, no entanto, não haver entendimento entre nós acerca das palavras que usamos para definir e designar essas ideias. Isto deve preocupar-nos, porque “a falar é que a gente se entende”.

Em tempos, um amigo meu, que era revolucionário e comunista, foi destacado para desenvolver a organizar a luta política numa região (Trás-os-Montes) onde, pensava-se, as pessoas estavam muito dominadas pelas ideias reaccionárias dos padres e dos caciques ex-fascistas. Ele foi para a região e, numa tasca de aldeia, pôs-se à conversa com trabalhadores do campo que ali estavam a beber e a conviver. Evitou usar palavras como socialismo, comunismo ou revolução que, pensava ele, podiam despertar a desconfiança ou a rejeição. Foi conversando sobre a vida “em geral” e lentamente, à medida que iam estando de acordo sobre as ideias simples (da democracia, da liberdade, da justiça social para acabar com diferenças entre pobres e ricos), ele ia explicando “os nomes dos bois”: isto é o socialismo, aquilo é o comunismo, aqueloutro é a revolução, etc. Ler o resto do artigo »