Arquivo da Categoria 'Breves'

Greve dos estivadores

Os estivadores de quase todos os portos do país estão em greve desde há várias semanas. Neste momento, a paralisação tem lugar aos sábados, domingos e feriados e nos turnos da noite. Reclamam melhores condições de trabalho e a integração nos quadros das empresas de dezenas de trabalhadores e defendem as suas organizações sindicais ameaçadas pelas empresas portuárias. As empresas cervejeiras e a AutoEuropa queixam-se dos atrasos que a greve causa nas exportações e tentam criar o clima para a requisição civil dos estivadores. Mas se o problema são as exportações têm bom remédio: pressionem o governo para atender as reclamações dos estivadores.



Jornalistas em greve

Os jornalistas da agência noticiosa Lusa estão em greve até domingo próximo. Protestam contra um corte de 30% no financiamento do Estado à agência que põe em risco o funcionamento dos serviços. Dezenas de jornalistas concentraram-se na sede da agência e em frente da residência do primeiro-ministro defendendo o serviço público e acusando o governo de, com aquela medida, atentar contra o direito a uma informação democrática. Também os jornalista do Público fazem greve esta sexta-feira em protesto contra o despedimento de 40 colegas, a pretexto de “contenção de custos”, chamando a atenção para o facto de a Sonae de Belmiro de Azevedo, proprietária do jornal, ter lucros assinaláveis.



Contra o Orçamento do Estado! Pela demissão do governo! Hoje, 18h00, São Bento, Lisboa

Enquanto o sistema de poder permanecer como está, seja qual for a fórmula governativa, novas medidas ditadas imperiosamente pela crise vão aparecer – encarregando-se de fazer crescer a revolta de massas.
É essa revolta que a esquerda tem de estimular.
O que há de novo na situação actual não é o fracasso das metas do governo nem as medidas recém-anunciadas – é a resposta maciça que lhes foi dada nas ruas. Foi isso que abriu a crise governativa. É isso que pode bloquear a política de austeridade.



Criminosos de guerra

O cineasta americano Oliver Stone afirmou em San Sebastian, País Basco, que os protagonistas da cimeira da vergonha nos Açores deviam ser julgados como criminosos de guerra por decretarem a invasão do Iraque que causou cerca de 1,2 milhões de mortos. Os criminosos são Bush, Blair, Aznar e Barroso. O Tribunal Penal Internacional vai ter coragem para julgar este atentado contra os direitos humanos? Fernando Barão



D. José Policarpo esperneia

A profundidade da crise do capitalismo ajuda a clarificar as posições de classe de cada um. Em conferência de imprensa para apresentar a peregrinação de 12 e 13 de Outubro, em Fátima, D. José Policarpo condenou as actuais manifestações de rua. Quando, finalmente, milhares de pessoas decidem defender os seus direitos, o cardeal pergunta “até que ponto construímos saúde democrática com a rua a dizer como se deve governar?”. Quando as injustiças da austeridade são postas em causa, o bispo afirma que “não se resolve nada contestando, indo para grandes manifestações” e, tão pouco, “com uma revolução”, uma vez que “estes problemas foram criados ao longo de muito tempo”. Ler o resto do artigo »



Queremos saber

A famosa compra de dois submarinos à Alemanha por mil milhões de euros pelo então ministro da Defesa Paulo Portas, do PM Durão Barroso, esteve sempre envolta em mistério. Agora de novo na ribalta, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros de Passos Coelho remete-se ao silêncio. Onde estão as contrapartidas de 890 milhões de euros? Quem roubou os documentos do contrato? Fernando Barão



Luta no Estado Espanhol

No passado dia 7, em mais de 50 cidades do Estado Espanhol, dezenas de milhares de manifestantes protestaram em defesa dos seus direitos, contra a política do Governo e contra a proposta orçamental de 2013. Como em Portugal, também em Espanha as classes trabalhadoras e o povo estão submetidos a um brutal ataque aos seus direitos laborais e sociais. Madrid, Barcelona, Múrcia, Vitória, Bilbau e Pamplona foram os principais locais onde decorreram estas manifestações, em grande parte incentivadas pela Cimeira Social, organização integrada pelas centrais sindicais CCOO e UGT, assim como por mais 150 associações de carácter sindical, de educação, de saúde e de imigração.



As razões da UGT

João Proença, líder da UGT, deu como razões para não aderir à greve geral anunciada pela CGTP o facto de os objectivos apontados serem “Fora a troika, abaixo o governo”. Ora, estas foram precisamente as razões que levaram à rua nos dias 15 e 29 de Setembro centenas de milhares de pessoas por todo o país. Em Janeiro, Proença e a UGT fizeram o frete ao governo de assinar um acordo de concertação social prevendo o aumento dos dias de trabalho, despedimentos mais baratos, horas extra de borla, menos subsídios de desemprego e por aí fora. Proença falou então em “vitória dos trabalhadores”. Agora que essas medidas são repudiadas publicamente por todo o lado, a UGT volta a amparar o governo.



E se o rebanho acorda?

O governo de ocupação da troika, com o apoio do PR e do PS, tratam a maioria dos portugueses como se trata uma carneirada uniforme e adormecida. Mas se o rebanho acordar e tresmalhar, como vai ser? Fernando Barão



Uma chatice…

“Os cidadãos perceberam que manifestando-se na rua conseguem inverter medidas que o governo tinha tomado.” (António Costa, director do Diário Económico, à TSF em 2 de Outubro)
“Os partidos do governo perdem apoio… O espectro de eleições paira aí… A rua passou a conseguir inverter decisões [do governo].” (P. Marques Lopes, à SIC Notícias em 2 de Outubro)



Amanhã 29 de Setembro, 15h, todos à concentração no Terreiro do Paço

Contra o roubo de salários e pensões, em defesa dos teus direitos. Para dar continuidade à luta contra a austeridade é indispensável a tua presença e a do maior número dos que são agredidos pela política do governo PSD/CDS, a mando do capital e da troika. A CGTP apela aos trabalhadores e ao povo que, independentemente das suas opções sindicais ou políticas, se unam num grande levantamento de indignação geral contra o governo e a sua política de direita.



Vamos encher o Terreiro do Paço, sábado 29, 15h

O que há de novo na situação actual não é o fracasso das metas do governo nem as medidas recém-anunciadas – é a resposta maciça que lhes foi dada nas ruas. Foi isso que abriu a crise governativa. É isso que pode bloquear a política de austeridade. O importante é que esta ideia de mudança ganhe cada vez mais adeptos.
A continuidade do movimento de protesto é essencial para derrotar as forças que aprovaram e que aplicam o programa da troika.
A manifestação convocada pela CGTP para dia 29 deste mês será o próximo passo deste caminho, e nesse sentido deverá ter o apoio de todos os trabalhadores e de todos os que saíram à rua no passado dia 15.



HOJE 21 Setembro 18h Concentração Palácio de Belém

Nesta sexta-feira reúne em Belém o Conselho de Estado, convocado pelo presidente da República. Vamos de novo dizer NÃO À AUSTERIDADE.
A 15 de Setembro o país tomou conta das ruas para dizer BASTA! Exigimos o rasgar do memorando da troika e a demissão do governo.
Não queremos apenas mudanças de nomes, queremos mudanças de facto. Os protestos de 15 de Setembro exigem uma de MUDANÇA DE RUMO!
A luta continua! Que se lixe a troika!



Que se lixe a troika! Manifestações 15 Setembro

Protestos convocadas por um grupo de cidadãos que apelam à população para que vença o medo e faça frente ao saque praticado pelo Governo e pela Troika.
Lisboa: Pr. José Fontana – 17h
Porto: Av. Aliados – 17h
Braga: Av. Central – 15h
Funchal: Pq. Santa Catarina – 17h
Faro: R. Município – 16h
Guarda: Pr. Luís de Camões – 17h
Coimbra: Pr. República – 17h



Uma procuradora à medida?

Falando numa conferência na Universidade de Verão do PSD, e muito aplaudida, a directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Cândida Almeida, afirmou: “O nosso país não é um país corrupto, os nossos políticos não são políticos corruptos, os nossos dirigentes não são dirigentes corruptos”. Aliás, veja-se no que deram processos como o do Freeport e o dos Submarinos! Isto dá ânimo aos políticos do regime, particularmente aos do chamado arco governativo. Com as Universidades de Verão, a passagem por algumas sedes partidárias e várias benevolências a figuras gradas do sistema, talvez Cândida Almeida consiga o ambicionado cargo de Procuradora Geral.



Homenagem a Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira

Dia 2 de Setembro, no Porto, nos Jardins do Palácio de Cristal, às 18h, é prestada homenagem a Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, num espectáculo gratuito. A CulturePrint promove o Concerto e  apresenta o livro “Provas de Contacto”, com testemunhos sobre os dois Amigos Maiores que o Pensamento, compilando textos de Manuel Alegre, Alípio de Freitas, Francisco Duarte Mangas, João Pedro Mésseder, José Duarte, Regina Guimarães, Júlio Cardoso e Manuel Freire. No concerto participam: Coro dos Amigos Maiores, Frei Fado del Rei, Maestro António Victorino de Almeida, Miguel Leite e Os Contracorrente.



Amadora: ameaça de despejo em massa

Contra as demolições, pelo direito à habitação e extremamente preocupada com a situação dos moradores do Bairro de Santa Filomena (Amadora), a Habita – colectivo pelo Direito à Habitação e à Cidade – apresentou queixa contra as autoridades portuguesas a várias entidades internacionais. Este colectivo salienta que se trata de um bairro degradado construído por centenas de pessoas, maioritariamente famílias de trabalhadores/as imigrantes que ao longo de muitos anos trabalharam sobretudo na construção civil e nas limpezas, com salários extremamente baixos e sem estabilidade. Ler o resto do artigo »



Sabedoria e estupidez

A propósito da greve dos médicos de 11 e 12 de Julho, um utente do SNS, da aldeia de Bessa, serra do Barroso (António Linhares, 82 anos) declarava: “Concordo em absoluto com esta greve, pois os médicos estão também a defender os utentes. O ministro tratou esta greve com os pés … pois eles têm razão, não se pode mandar tratar dos doentes um qualquer que faça mais barato”. Entretanto, um jovem videirinho da Comissão Política Nacional do PSD, Rodrigo Moita de Deus, escrevia num conhecido blogue de direita: “Vi na televisão centenas de médicos a celebrarem o feito de terem deixado milhares de portugueses sem cuidados de saúde”. Mais palavras, para quê?



Dia 30, manifestações pelo Direito ao Trabalho

O agudizar da crise do capitalismo, na sua fase senil, faz alastrar uma calamidade entre as classes proletárias, com milhões de desempregados, precários e pobres. Em Portugal, os governos do patronato projectam em vão uma saída, procurando que sejam os trabalhadores a pagar a crise. Mas é papel dos explorados e oprimidos lutar pelos seus direitos, ao mesmo tempo que dificultam a vida aos capitalistas. No dia 30 de Junho, pelas 15h, promovidas pelo Movimento Sem Emprego (MSE), realizam-se diversas manifestações pelo Direito ao Trabalho: Lisboa, Largo Camões; Porto, Praça da Batalha; Braga, Avenida da Liberdade; Coimbra, Praça da República.



Amadora: luta pela habitação

Os moradores do Bairro de Santa Filomena (Amadora), ameaçados de despejo das suas casas (pois estas vão ser arrasadas), dirigiram-se pacificamente à Câmara Municipal da Amadora para entregar uma carta ao Presidente, onde expunham as suas razões quanto ao direito à habitação, que lhes querem negar. Trabalhadores com salário mínimo, pobres, desempregados, doentes, não estão em condições de arcar com rendas mais pesadas. A alternativa é ficarem na rua. E como lhes respondeu a Câmara? Com a brutalidade da intervenção da polícia municipal a uma manifestação pacífica. Mas a luta continua. Atentos ao desenrolar dos acontecimentos, manifestamos a nossa solidariedade.



Cavaco: sempre, sempre com o patronato

Quando se trata de ataque aos direitos dos trabalhadores, Cavaco Silva não tem dúvidas e também não se engana. Agora, sem hesitações de natureza constitucional ou política, promulgou as alterações ao Código do Trabalho, de agrado dos patrões, e exortou a que se “assegure” a estabilidade legislativa “com vista” à “recuperação” do investimento, criação de emprego e relançamento “sustentado” da economia. Com o beneplácito do presidente da República, os trabalhadores portugueses vão ter menos férias e feriados, será alargado o banco de horas e o trabalho extraordinário pago pela metade. O despedimento vai ser mais fácil e o valor das indemnizações reduzido.



Eles condecoram-se uns aos outros

Todos os anos, no dia 10 de Junho, o Presidente da República, como representante das classes dominantes, condecora um conjunto de figuras que, de uma ou outra forma, tenham ou possam contribuir para a coesão e glória do regime. Este ano, entre as dezenas de condecorados, salientam-se os nomes de Lobo Xavier e António Barreto, dois destacados homens de mão do capital, José Hermano Saraiva, historiador e ministro salazarento, vários ex-chefes militares e alguma outra gente do sistema. Pena é que tenham ficado esquecidas duas figuras gradas da pátria e de grande confiança de Cavaco Silva: Dias Loureiro e Oliveira e Costa.



Desemprego e altos salários

Segundo afirmação da troika que veio inspeccionar Portugal, assim como de alguns membros das classes dominantes, a elevada taxa de desemprego verificada entre nós dever-se-ia a uma falta de flexibilidade na formação de salários e no mercado de trabalho, a que corresponderiam salários elevados. A realidade é que estamos num país de baixos salários médios – entre 700 e 800 euros mensais – com mais de 35% dos trabalhadores a receberem salários líquidos inferiores a 600 euros, e onde a percentagem dos que auferem o salário mínimo (485 euros) tem vindo a aumentar. Afirmar que o elevado desemprego em Portugal se deve a altos salários merece resposta contundente.



Milhões de oportunidades

Nas teorias de Passos Coelho e da sua gente há milhões de oportunidades à espera dos portugueses: as dos mais de um milhão de desempregados, bem como de alguns milhões de pobres. Assim queiram eles aproveitar essas oportunidades, mudando de trajectória, alterando o rumo das suas vidas. De facto, nalguma coisa Passos Coelho tem razão: os portugueses podem mudar seriamente as suas vidas, mas a primeira coisa que têm a fazer é correr com a corja que nas últimas décadas tem governado o País. Dando-lhe, assim, a oportunidade de emigrar, de vigiar fogos e fazer a limpeza das florestas, de viver com o salário ou a pensão mínima ou, até, com o rendimento social de inserção.



Juízes europeus querem indulto para Garzón

António Cluny, presidente da Associação de Magistrados Europeus para a Democracia e as Liberdades (MEDEL), afirmou que esta organização, que conta com 15000 membros, pede indulto para o ex-juíz Baltasar Garzón, condenado a 11 anos de inabilitação profissional, por ter ordenado escutas ilegais no caso Gurkel (escândalo de corrupção política ligado ao Partido Popular). Só se lamenta-se que o Supremo Tribunal espanhol e estes senhores magistrados tenham tido diferente atitude (calando-se) aquando dos atropelos aos direitos do povo basco e às autênticas torturas infligidas aos seus presos políticos, ordenadas ou validadas pelo então juiz Baltasar Garzón.



Especialistas/assessores com 25 anos

O governo de Passos Coelho, dito tão amigo da austeridade e da transparência, tem vindo a nomear numerosos familiares, filhos de amigos e afilhados para cargos de especialistas/assessores nos seus vários ministérios. Estes “especialistas” (há listas
onde se podem ver os nomes dos contemplados) têm menos de 30 anos e em vários casos apenas 24/25 anos! E recebem, em geral, cerca de 3000 euros mensais, incluindo os subsídios de Férias e Natal, que tomam, por vezes, o nome de abonos suplementares.



Derrota dos EUA e da NATO

A situação no Afeganistão complica-se para os EUA. Depois de um ataque dos talibã à capital Cabul, em Abril, ter tomado conta, durante horas, das zonas onde se situam as embaixadas, o parlamento e o quartel-general da NATO, o presidente Karzai acusou os serviços de informação da NATO de fracasso. Em 1 de Maio, poucas horas depois de uma visita relâmpago de Barack Obama a Cabul, para assinar um acordo de “cooperação” com… o regime imposto pelos EUA, explodiu um carro bomba perto de uma base da NATO. Somado a isto, o presidente francês eleito, François Hollande, declarou que as tropas francesas (3300 homens) sairão do Afeganistão até final de 2012. Cheira a derrota ao estilo do Vietname.



Católicos em queda

Um estudo da Universidade Católica diz que menos de 80% de portugueses se declaram católicos, abaixo dos 86% de há 12 anos atrás. Cresceram os adeptos de outras crenças e cresceram também os crentes sem religião e os não crentes (14,2%), com destaque para os ateus. É sempre de saudar o advento da Razão, mas torna-se óbvio que o estudo não é inocente. A igreja católica tem todo o interesse em mostrar a sua hegemonia no ramo como argumento para justificar os privilégios de que goza junto do poder político. Sinal disso é o facto de o estudo insistir em que quase 50% dos portugueses (5 milhões!) vão à missa com regularidade, número que contraria todos os dados empíricos.



Economia dos EUA estagnada

A anunciada retoma da economia dos EUA dá sinais de fraquezas. Os 3% de crescimento do último trimestre de 2011 desceram para 2%, no primeiro trimestre deste ano. Além disso, estão a ser criados menos empregos dos que os esperados pelos gurus da recuperação e a baixa da taxa de desemprego deve-se ao número crescente de pessoas que desistem de procurar trabalho, por ser inútil. O presidente do Banco Central norte-americano, que tinha lançado foguetes nos dois primeiros meses do ano, teve agora, diante dos dados de Março, de reconhecer que as coisas “permanecem longe do normal”. A estagnação prossegue, afinal; e o crescimento, quando há, é à custa do emprego.



Proença ameaça

João Proença descobriu agora que o governo faz gato-sapato do acordo assinado com a UGT na chamada Concertação Social e ameaça rasgar o papel. Claro que não o vai fazer. O governo vai dar-lhe mais umas palmadinhas nas costas e Proença voltará a dizer que obrigou o governo a recuar. Até à próxima.



O teu nome é caridade

A letra e o sentido do hino do Movimento Zero Desperdício, lançado “com o alto
patrocínio da Presidência da República” e que pretende “aproveitar os incontáveis
desperdícios de bens, produtos e recursos existentes, um pouco por todo o País”, são
deploráveis. Respeitando os sentimentos de quem sinceramente se empenha na luta
contra a fome, consideramos hipócrita o patrocínio de Cavaco Silva, alguém altamente responsável pela miséria do País. Alguns músicos alinham ingenuamente, outros praticam a caridadezinha. Contudo, em relação a vários, lamentamos que tenham dado cobertura a uma operação que escamoteia a verdadeira razão da pobreza e da fome – o capitalismo.



Ao serviço dos “mercados”

Numa entrevista à RTP, em Maputo, Passos Coelho disse que a decisão de só repor parte dos subsídios de férias e Natal em 2015, se destina a dar boa imagem do país junto dos credores internacionais. Em 2013, sublinhou, “precisamos de uma preparação bem sucedida para regressar aos mercados”, pelo que repor os subsídios antes daquela data “poderia ser uma imagem precipitada que Portugal correria o risco de oferecer aos seus parceiros europeus e ao FMI”. Confirmou assim que o “regresso aos mercados” é sinónimo de arrasar os salários. As vigarices de Passos Coelho desmontam a sua fachada de “governante responsável” e revelam-no como mais um simples servidor do capital português e do imperialismo.



Polícias, como do antigamente

Quem viu as imagens da polícia a bater no Chiado, em Lisboa, no dia 22, não pode ficar com grandes ilusões sobre a polícia de choque que os “democratas” no poder estão dispostos a usar na repressão sobre quem questione as suas medidas, ou até, sobre simples jornalistas, que divulguem a actuação selvagem destes “agentes da ordem”. Quem “levou” da polícia de choque antes do 25 de Abril de 1974, sabe bem do que se está a falar. Porque o assunto mereceu destaque internacional, o governo de Passos Coelho e as suas polícias vão fazer uns inquéritos, dos quais não sairá grande coisa. E ainda continua a haver, à esquerda, quem bata palmas a estes “filhos do povo”!



Greve geral / Manifestação

No dia da greve geral (este 22 de Março) a CGTP promove em Lisboa uma manifestação que se inicia às 14h00, entre o Rossio e S. Bento.
Mais tarde, às 16h00, a Plataforma 15 de Outubro convoca um desfile, também entre o Rossio e S. Bento, seguido de uma assembleia popular.



O silêncio vale ouro

Nogueira Leite falava, falava – foi para a CGD, calou. Catroga, gritava, gritava – veio a EDP, silenciou. Por favor, arranjem um tacho ao beato reaccionário, neoliberal, João César das Neves. Já não suporto a suas evangélicas súplicas! FB



Lugares guardados

Luís Amado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do governo Sócrates e defensor do “choque neoliberal” já foi recompensado com a nomeação para chairman do Banif…
Pedro Passos Coelho confessa estar a aprender com a troika, tal como a troika está a aprender com ele. Se o seu governo cair pela destruição do país, já tem emprego garantido, ao contrário do exército de desempregados, pobres e indigentes que irá deixar como rasto. FB



Solidariedade com Falcão Machado

João Falcão Machado, membro da Plataforma 15 de Outubro e que informou o Governo Civil da realização de uma das duas manifestações ocorridas em 24 de Novembro último, foi constituído arguido pela PSP, por “crime” de desobediência civil. Isto, a pretexto de que tal manifestação contrariou a lei vigente, que, aos dias de semana, só permite manifestações a partir das 19 horas e esta se terá iniciado às 15. Com tais medidas, as forças repressivas pretendem intimidar os militantes, visando desmobilizar as lutas do movimento de massas contra as medidas de austeridade impostas pela troika e pelo governo do patronato. Não nos deixemos intimidar!



O bispo manda-chuva

“Noutros tempos já se teriam levantado súplicas ao céu a implorar a graça da chuva”, mas “parece que os crentes não se fazem ouvir e a maioria da população não acredita na providência divina, mas somente na previdência de Bruxelas”, disse António Vitalino Dantas, bispo de Beja, a respeito da seca. O bispo refere ainda que “as recomendações de Jesus no evangelho e de Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima, pedindo oração e sacrifícios pela conversão dos pecadores e pela paz no mundo, não encontram eco nos nossos ouvidos”. Razão têm “os crentes”: apesar da fezada de Assunção Cristas e dos lamentos de Vitalino Dantas, percebem que a providência divina pode menos que o anticiclone dos Açores.



Estado espanhol: milhão e meio nas ruas

Muitos milhares de trabalhadores (milhão e meio segundo os sindicatos) manifestaram-se dia 12 em dezenas de cidades do Estado espanhol, contra a brutal reforma das leis laborais que o patronato e o governo de Mariano Rajoy querem impor às classes trabalhadoras. As manifestações, convocadas pelas centrais sindicais Comisiones Obreras e UGT, foram fortemente participadas em Madrid, Barcelona, Valência, Bilbau, Sevilha e várias outras cidades. As mesmas centrais sindicais, que apelaram à mobilização dos trabalhadores para a greve geral marcada para o próximo dia 29, exigiram ainda que o governo se sente à mesa das negociações, condição sem a qual não se disporão desmarcar a projectada greve.



Prémio

Passou despercebida à maioria dos cidadãos a nomeação, em meados de Janeiro, de Franquelim Alves (militante do PSD, ex-administrador da SLN que controlava o BPN!) para presidente da comissão directiva da Compete, um programa dotado de 5500 milhões de euros para apoiar empresas. O governo salva o BPN com os milhões que tira aos salários dos trabalhadores e premeia a gestão danosa dos seus super-boys com lugares à mesa do orçamento. FB



Entendidos

Depois de umas pequenas escaramuças verbais acerca da política do governo, PS e PSD acertaram agulhas até no que respeita à linguagem. António José Seguro lançou a ideia brilhante de uma “austeridade inteligente” para, diz ele, evitar excessos a que o programa da troika não obriga; e o ministro das Finanças respondeu de imediato com a defesa de uma “austeridade controlada” para, argumenta, evitar uma austeridade descontrolada. O resultado da “inteligência” de Seguro e do “controlo” de Gaspar estão patentes nos últimos números divulgados sobre o desemprego em Janeiro – 14,8%, acima dos 14,6% de Dezembro – e nos valores da quebra económica, que se abeira dos 4% nas previsões para este ano.



Site do MV foi atacado

Durante mais de duas semanas, o site do Mudar de Vida esteve inacessível por força de um ataque que o utilizava como veículo para direccionar os leitores para outros sites, provavelmente para obter ganhos publicitários. Resolvida a questão, voltamos ao contacto com os leitores, agradecendo a todos aqueles que entretanto nos contactaram a perguntar o que se passava.



A mulher, segundo o cardeal

Manuel Monteiro de Castro é um dos novos cardeais aos quais o Papa entregou, no dia 18, os anéis e os barretes cardinalícios. O ministro Paulo Portas, que se deslocou de propósito a Roma, afirmou ser “uma honra” contar com o novo cardeal luso na Igreja Católica. E, em entrevista ao Correio da Manhã e ao Jornal de Notícias, Monteiro de Castro deixava algumas pérolas, afirmando que “A mulher deve poder ficar em casa, ou, se trabalhar fora, num horário reduzido, de maneira a que possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos”. Não sabemos de que século vem este cardeal, mas, pelas afirmações, parece um bocado desfasado destes tempos.



Solidariedade com os trabalhadores e o povo grego

Os trabalhadores e o povo grego têm dado significativas lições de combatividade na luta contra as opressoras e humilhantes medidas/imposições das burguesias europeias. A sua luta merece a nossa admiração e solidariedade. Mas não nos parece que as lágrimas de crocodilo derramadas por alguns subscritores de um Manifesto dito solidário com o povo da Grécia, onde pontificam Mário Soares, Almeida Santos e Ana Gomes, possam confundir-se com a solidariedade dos trabalhadores e do povo português. Pelas responsabilidades/cumplicidades desta gente na exploração e opressão dos trabalhadores e dos povos europeus, designadamente dos portugueses.



Há que lutar! O MV na manifestação de amanhã

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O Mudar de Vida, com a sua faixa “Contra o Capital”, vai participar na manifestação de amanhã, 11 de Fevereiro, em Lisboa, convocada pela CGTP. Convidamos os amigos e leitores do MV a reunirem-se na Praça dos Restauradores, junto ao elevador da Glória, pelas 14h30.

À margem dos intermináveis debates travados no parlamento ou nos meios de comunicação, o dia a dia dos trabalhadores torna-se um inferno mantido debaixo de silêncio. O Capital desencadeou uma guerra de classe contra o Trabalho. Isto exige do Trabalho nada menos do que uma guerra de classe contra o Capital. O movimento laboral, com destaque para o movimento sindical, precisa de uma capacidade de resistência acrescida, em número de lutas e em dureza – ao nível das medidas de terror que desabam sobre os trabalhadores. Só o medo pode fazer recuar os patrões e o governo.



Dito

A democracia depende da igualdade, o capitalismo da desigualdade. Numa democracia, os cidadãos chegam à praça pública com um voto cada; numa economia capitalista, os participantes chegam ao mercado com talentos e recursos desiguais e saem do mercado com recompensas desiguais. Nem a desigualdade é um simples efeito lateral do capitalismo. Uma economia capitalista não pode operar sem ela. H. W. Brands, historiador norte-americano contemporâneo (in American Colossus).



Despejos à vista

A nova lei do arrendamento, que a dinâmica ministra Assunção Cristas tirou da gaveta, veio acompanhada de vários argumentos: renovar as áreas urbanas degradadas e acabar com a “injustiça” dos inquilinos que não pagam ou pagam pouco. O fundo da questão é outro: trata-se de valorizar o capital fundiário que perdeu importância face aos investimentos na construção nova e no crescimento urbano. Com estes filões esgotados, procura-se agora fazer da propriedade urbana, nomeadamente da mais antiga, fonte de rendimento que valha a pena. Para isso há necessidade de despejar os inquilinos de baixos recursos, que nunca poderão pagar grandes rendas, libertando os edifícios para novas funções e novos arrendatários mais abonados. Na prática, vamos assistir a uma onda de despejos atingindo sobretudo as famílias mais pobres e os centros urbanos, mais valiosos.



Regresso tardio

Regresso ao mar, à agricultura e à indústria, defende o presidente da República e ex-primeiro-ministro que então permitiu a sua destruição a troco de muitos mil milhões. Onde está o rasto do dinheiro vindo da União Europeia que se eclipsou, desbaratado pelos correligionários de Cavaco Silva, e que a troika quer fazer pagar aos portugueses que vivem abaixo das suas necessidades? FB



Aldina Duarte por Manuel Mozos

Aldina Duarte, Princesa Prometida, é um cúmplice e excelente documentário de Manuel Mozos centrado sobre a vida desta importante fadista dos nossos dias. No documentário, além de nos brindar com a força telúrica da sua voz, Aldina Duarte expõe-se como uma mulher consciente e corajosa, que não esquece as suas raízes e assume publicamente uma opção de classe. Mesmo que possa persistir alguma ingenuidade da artista (afirmado por uma espectadora no debate que se seguiu à passagem do documentário na Malaposta), tal é largamente compensado pelo humanismo e generosidade que Aldina tem revelado ao longo de algumas das suas entrevistas.



Celebrar Zeca e Adriano

O movimento Amigos Maiores que o Pensamento, com mais de 460 adesões individuais e 120 colectivas, escolheu as escadas da Casa da Música, no Porto, para arrancar com a celebração da vida e obra de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira. Na passada terça-feira, ouviram-se os bombos do grupo Ritmo de Fogo, seguidos da actuação dos Canto D’Aqui. “José Afonso e Adriano Correia de Oliveira foram exemplos de cidadania política, cultural e social. Tinham uma capacidade de intervenção indiscutível que, ainda hoje, pode e deve servir de estímulo para todos quantos não abdicam das causas da liberdade e da dignidade humana”, lê-se no Manifesto do movimento. Consulta o site.



Mentalização

O Banco de Portugal prevê para 2012-2013 forte queda da produção (mais de 3%), desemprego recorde (mais 116 mil despedidos) e quebra sem precedentes do rendimento das famílias (mais de 10%). Em cima deste anúncio de desastre, afirma que há forte probabilidade de tudo ser ainda pior. Mais do que uma previsão, as revelações do BdP são uma espécie de serviço combinado com o governo para ir mentalizando as vítimas do costume.



Hospitais de campanha

Em Lisboa, com o encerramento das urgências do hospital Curry Cabral (sem estarem criadas alternativas), aumentaram os problemas no Santa Maria. Um maior afluxo às urgências, particularmente aos fins de semana e às segundas-feiras, traduz-se em corredores cheios de doentes em macas. Uma fonte hospitalar disse ao Público que “o Hospital de Santa Maria virou um autêntico hospital de campanha”. Do mesmo modo, 100 mil utentes de nove freguesias do concelho de Loures, que não são abrangidos pelo hospital de Loures, têm agora de deslocar-se para o São José, superlotando-o. Com este governo, piora, a passos largos, a situação dos utentes do Serviço Nacional de Saúde.



Guantânamo, dez anos depois

São 171 os detidos que ainda permanecem em Guantânamo. “A maioria deles, diz Victor Nogueira, da Amnistia Internacional, com uma situação indefinida, sem acusação nem julgamento. No limite, podem passar toda a vida presos. Foram detidos e transportados de forma ilegal, torturados e não têm acesso a justiça”. Só uma hipocrisia criminosa pode silenciar o que se passou nos últimos 10 anos com estes presos, a pretexto de que os EUA seriam uma democracia. Um regime que criou a prisão de Abu Ghraib, que construiu e mantém Guantânamo e que massacrou centenas de milhares de pessoas no Iraque e no Afeganistão não pode ser um regime recomendável. Na campanha eleitoral para a presidência que agora começou, o tema de Guantânamo é passado em silêncio, num acordo tácito entre democratas e republicanos. Não é isto um sintoma de que muita da política de Bush criou raízes?



Grito de revolta

O debate sobre o Orçamento do Estado para 2012 mostrou que o povo não vive acima das suas possibilidades mas abaixo das suas necessidades. Portugal vai empobrecer brutalmente com a política da partidocracia PSD/CDS/PS que nos quer obrigar a pagar uma dívida que não devemos. “Não pagamos” deve ser o nosso grito de revolta. Sempre que a tenebrosa troika diz que o governo está a cumprir o seu programa de “apoio” para pagarmos uma dívida que não contraímos, é um péssimo sinal. Quer dizer que vamos continuar a ser roubados por muitos e largos anos. FB



À manjedoura

Uma corrida desenfreada aos tachos, é o que se está a passar com as nomeações para cargos dirigentes de empresas ainda públicas, com a Águas de Portugal, ou recém-privatizadas, como a EDP. Sem pudor nem disfarce, autarcas e figuras gradas do PSD e do CDS foram colocados à cabeça de uma e de outra. Estão em causa não apenas os altos vencimentos, mas também a preparação das privatizações que estão na calha. Estes homens de mão bem pagos vão dar início a “um novo ciclo”, como disse a ministra Assunção Cristas. Quer dizer: entregar bens públicos ao capital privado nas melhores condições.



CGTP convoca manifestação para 11 de Fevereiro

A CGTP anunciou que vai convocar uma manifestação nacional, a realizar em Lisboa, para o dia 11 de Fevereiro. Sob o lema “contra o medo e a resignação”, a manifestação tem por objectivo protestar contra o aumento do horário de trabalho, a carestia, o desemprego e os cortes nos salários.



Assalto ao quartel de Beja faz 50 anos

O Movimento Cívico Não Apaguem a Memória, vai comemorar o 50.º aniversário do assalto ao quartel de Beja – acção ocorrida em 1 de Janeiro de 1962 e inserida num plano para o derrube do regime fascista. Realizar-se-á uma sessão aberta ao público na Biblioteca Museu República e Resistência, na Rua Alberto de Sousa,10 A, em Lisboa, com início às 15h horas, no próximo dia 14 de Janeiro. Serão oradores o coronel Matos Gomes e os historiadores António Louçã e Irene Pimentel, contando-se ainda com a presença de alguns dos participantes naquela acção.



Otelo processado?

Segundo a agência Lusa, o Departamento de Investigação e Acção Penal abriu um inquérito a Otelo Saraiva de Carvalho, por este, a propósito de uma manifestação de militares, ter admitido a hipótese de um golpe militar, caso fossem “ultrapassados os limites, com perda de mais direitos”. Este inquérito terá resultado de uma queixa apresentado por um “grupo de cidadãos”. Certamente estrénuos defensores do actual governo PSD/CDS e saudosos do fascismo, que Otelo ajudou a derrubar. Embora consideremos que a resolução dos problemas de fundo das classes exploradas passa por uma revolução de massas e não por qualquer golpe de estado, estamos com Otelo contra qualquer tentativa de incriminá-lo.



Há cada cristão

António Pinto Leite, presidente da Associação Cristã de Empresários e Gestores, e também conhecido romeiro (a pé) nas peregrinações a Fátima, afirmou que a legislação laboral deveria ser alterada para permitir às empresas baixarem salários, com mútuo acordo. “Afinal, é o que já se passa na realidade. A realidade ultrapassa as leis”, sublinhou durante a Desconferência “O Fim da Crise”, recentemente realizada no Teatro São Luiz. Isto, para além de pedir ao governo que alargue o leque de motivos legais de despedimento. É mais um (neste caso, um devoto cristão) a aproveitar a maré de ataque aos direitos dos trabalhadores levada a cabo pela troika e pelos seus amigos do PSD/CDS.



Crimes na Saúde

Os cortes no Serviço Nacional de Saúde desde 2010 e, mais recentemente, os brutais cortes do ministro Paulo Macedo, têm criado situações desesperantes nos utentes destes Serviços. Aqui, os cortes nas “gorduras do estado” conduziram a fortes aumentos nas listas de espera para cirurgias e para consultas urgentes, assim como à diminuição dos transplantes efectuados. Nos próximos tempos, com os aumentos previstos nas “taxas moderadoras”, verificar-se-á ainda um maior agravamento da situação. Quem será mais criminoso – o ladrão que dispara no assalto a uma ourivesaria ou o ministro que, friamente, no seu gabinete, decide cortar nos gastos com a saúde, pondo em risco a vida de milhares de utentes?



Braga: manifestação contra o desemprego

O Movimento dos Trabalhadores Desempregados prepara uma manifestação contra o desemprego, a realizar na próxima sexta-feira, dia 16, na Av. Central de Braga. Num distrito que conta com mais de 54 mil trabalhadores à procura de emprego, a luta contra o trabalho precário, o desemprego e a meia hora de trabalho gratuito que o governo quer impor a quem trabalha (infringindo a legislação laboral e os direitos conquistados), são motivos mais que suficientes para trazer às ruas de Braga milhares de trabalhadores, que vêem agravar-se diariamente as suas já duríssimas condições de vida.



Em apoio de Jorge dos Santos

Depois de uma primeira batalha ganha, com a decisão de um tribunal de Lisboa de não o extraditar para os EUA, Jorge dos Santos (George Wright) terá de passar por segunda prova, uma vez que as autoridade norte-americanas recorreram da decisão. Na próxima 6.ª feira, 9 de Dezembro, na livraria Ler Devagar / Lx Factory, em Lisboa, realiza-se um acto de solidariedade, promovido pela Plataforma Guetto, com a finalidade de divulgar a causa e a situação de Jorge dos Santos e angariar fundos para pagar as despesas legais. Haverá um concerto com diversos participantes e um debate a partir das 21h30 com Ana Benavente, António Pedro Dores (ACED) e um membro do Colectivo Mumia Abu-Jamal.



Dito

O objectivo dos bancos é facilitar os negócios, e tudo o que facilita os negócios favorece a especulação. J.W.Gilbart, banqueiro (1794-1863)



Emergência social

O plano (tão cinicamente) chamado de Emergência Social não é para combater a pobreza mas sim para a institucionalizar através da caridade e do assistencialismo hipócrita. FB



De bandeja

Depois da entrega em bandeja do BPN ao BIC por 40 milhões (custou mais de 4 mil milhões!) seguiu-se a venda da Groundforce da TAP à belga Aviapartner por 3 milhões (que tinha custado 30 milhões). Enquanto o governo anda a vender Portugal aos bocados quase a custo zero, as pequenas empresas, que empregam 80% dos trabalhadores, agonizam sem financiamento bancário e acossadas pelo terrorismo fiscal. FB



Para mudar de rumo

A crise do capitalismo assola a Europa e o mundo. Os trabalhadores europeus são os nossos primeiros aliados. Solidariedade e apoio são indispensáveis para reforçar a luta comum. Foi o que os comunistas gregos disseram ao colocar no alto da Acrópole a exortação “Povos da Europa, levantem-se!” Não foi só um pedido de ajuda, foi um apelo à união europeia dos trabalhadores. Cabe aos trabalhadores portugueses corresponder à chamada.

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Para mudar de rumo

Resistir ao aumento da exploração significa atacar os ganhos do capital; não há terceira via. O capital só sabe combater a crise aumentando a exploração. O trabalho terá de reagir da única maneira eficaz: reclamando medidas que empurrem os custos para cima do capital. Só assim o movimento de resistência acumulará força para travar a ofensiva do poder.

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Para mudar de rumo

O patronato quer reduzir os assalariados à condição de pobres sem direitos. Esta política precisa de resposta à altura: uma resposta anticapitalista. À cabeça da resistência têm de estar os mais sacrificados – o operariado e os demais trabalhadores assalariados. É essa a primeira condição para que o movimento de protesto não se limite a pedir benevolência ao governo e ao patronato, coisa a que eles serão surdos enquanto não se sentirem em perigo.

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Mais de um milhão de desempregados

Segundo o economista Eugénio Rosa, a política da troika, seguida pelo governo PSD/CDS (e apoiada pelo PS), no sentido de “tranquilizar os credores”, está a fazer disparar o desemprego, tendo a taxa oficial, no 3.º trimestre deste ano, subido para 12,4% (dados do INE). Ora, somando a este desemprego oficial os “inactivos disponíveis” e o “subemprego visível” (também dados do INE), obtemos uma taxa de desemprego real da ordem dos 18%, verificando-se assim, actualmente, que há mais de um milhão de trabalhadores efectivamente desempregados.



Dito

“Como importa acima de tudo não ser privado dos frutos da civilização, das forças produtivas adquiridas, é preciso quebrar as formas tradicionais nas quais elas foram produzidas.” Karl Marx, Miséria da Filosofia.



Os indignados de hoje

Por todo o mundo há manifestações de cidadãos indignados contra o impune e especulativo sistema financeiro e a globalização selvagem capitalista. Nenhum complexo político-policial e militar vai travar este movimento crescente. A indignação manifestada por milhões de cidadãos já não é uma esperança, é uma certeza. Os indignados de hoje serão os revolucionários de amanhã que vão criar um mundo novo e uma humanidade melhor. FB



À bomba

Na Líbia (como no Iraque e no Afeganistão) a democracia é imposta à bomba. Na Europa usam a coacção financeira para a limitar e até para a proibir. Quando é que a troika vai dar ordem à NATO para bombardear os povos que não aceitam a escravidão moderna das brutais medidas de austeridade? FB



De novo em apoio de Gaza

Mais uma flotilha (“Ondas de liberdade para Gaza”), composta por dois barcos, que estava a caminho de Gaza, foi interceptada pela marinha de guerra israelita. Os civis a bordo do “Tahrir” e do “Saoirse”, de vários países, tentaram de novo quebrar o cerco ilegal imposto por Israel a 1,6 milhões de palestinos de Gaza. Repetiu-se assim o que sucedera no verão passado com uma outra flotilha, a maior parte dela detida pelas autoridades gregas que actuaram em conluio com o governo de Tel Aviv. Agora, uma vez mais, as forças israelitas violaram o direito internacional em total impunidade e com a complacência das potências ocidentais.



Cães de fila

“Duvido que nas próximas décadas os funcionários públicos vão ter de novo subsídios de férias e de Natal. (…) Estou disposto a assinar de cruz quaisquer medidas desde que se cumpram os objectivos acordados com a troika”. Afirmações de Pacheco Pereira, PSD, ex-deputado, no programa da SIC Notícias “Quadratura do Círculo” (20 de Outubro).



Grécia: greve geral

Os principais sindicatos gregos começam ontem, dia 19, uma greve geral de 48 horas contra as novas medidas de austeridade anunciadas pelo governo, que prevêem o fim dos contratos colectivos, despedimentos de mais umas dezenas de milhares de trabalhadores e uma nova diminuição de salários. Também já foi convocada uma concentração para quinta-feira frente ao Parlamento, coincidindo com a discussão e eventual aprovação desse novo pacote de medidas. Estas lutas vêm na sequência das já numerosas, persistentes e combativas greves e manifestações levadas a cabo pelos trabalhadores e pelo povo grego contra as gravosas medidas de austeridade impostas pela UE e pelo FMI.



15 DE OUTUBRO MANIFESTAÇÃO, 15horas

A democracia sai à rua. Traz a tua voz.
– Lisboa, Marquês de Pombal
– Porto, Praça da Batalha
– Angra do Heroísmo, Praça Velha
– Braga, Avenida Central
– Coimbra, Praça da República
– Évora, Praça do Sertório
– Faro, Jardim Manuel Bivar
– Resto do Mundo (ver mapa)

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Não à extradição de George Wright

George Wright, ex-membro de uma organização de luta armada dos EUA – o Exército de Libertação Negra – foi recentemente preso em Sintra, a pedido das autoridades norte-americanas. É acusado por actos alegadamente praticados há cerca de 40 anos. Dada a conhecida subserviência do Estado português em relação aos EUA, é de prever que fortes pressões políticas sejam exercidas sobre o aparelho judicial português para a entrega de Wright a um país – os EUA – cujo desrespeito pelos direitos humanos é notório e em que a aplicação da pena de morte ou da prisão perpétua são práticas habituais.



MANIFESTAÇÃO 1 OUTUBRO

Contra o empobrecimento e as injustiças.
Lisboa 15h, do Saldanha aos Restauradores.
Porto 15h, da Pç dos Leões à Pç da Batalha

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Nada de conflitos

Disse João Proença, líder da UGT, que “Portugal só ficará melhor se conseguir evitar conflitos sociais” (Diário Económico, 29 de Agosto). Pelos vistos, o ataque aos assalariados por parte do capital e dos seus governos – reduções salariais, corte de pensões e de subsídio de desemprego, despedimentos, precariedade, piores condições de trabalho, revogação das protecções legais do trabalho – não são para João Proença marcas de um conflito social. Só há conflito social se forem os trabalhadores a reagir ao nível que a situação exige. Isto mostra bem como Proença e a UGT encaram a luta sindical.



Transparência

Sobre a transparência do Estado… porque é que o governo não revela o valor da dívida soberana, quando e quem a contraiu e o nome detalhado dos credores? FB



E não é da área…

“Não sou da área política do Governo, mas a situação do País é de tal modo grave que devemos ser cuidadosos na apreciação do papel dos governantes e, portanto, dar-lhes algum tempo”. Afirmações do psiquiatra Daniel Sampaio ao Diário de Notícias, em 1 de Agosto. Não passa pela cabeça de Daniel Sampaio que, aqueles a quem ele pede que se dê tempo, são os mesmos, e representam os mesmos interesses, que levaram o país ao estado em que está. O doutor Sampaio pode não ser da “área” do PSD/CDS, mas é da área um pouco mais ampla do PS/PSD/CDS. Daí o seu “cuidado”.



Cães de fila

“Estava muito mal impressionada com Passos Coelho, achava que ele era chocho; que não tinha carisma nem o killer instinct que um político precisa. Mas estou muito surpreendida, no sentido positivo, com ele e com o governo”. Afirmações de Maria Filomena Mónica, jornalista, escritora, historiadora e socióloga, ao Diário de Notícias, em 5 de Agosto.



Afastar a ideia perigosa

“Os ricos já perderam grande parte das suas fortunas na crise da Bolsa. (…) Dificilmente haverá consenso técnico e ainda menos coragem política [para as alterações fiscais incidirem em todas as outras fontes de riqueza, incluindo o património]. O que se espera, por isso, é apenas uma alteração do IRS que, se não der grandes contributos ao combate ao défice, ao menos servirá para afastar a ideia perigosa de que a crise está a ser paga pelos suspeitos do costume”. Editorial do Público de 26 de Agosto.



Tumultos

Passos Coelho alertou que não se deve confundir o direito à manifestação e à greve com “aqueles que pensam que podem incendiar as ruas” e trazer “o tumulto” para o país. O primeiro-ministro falava então em Campo Maior, durante a sessão de encerramento das Festas do Povo. Com este aviso, talvez Passos Coelho esteja a seguir os conselhos do seu mentor Ângelo Correia, ex-ministro da Administração Interna que, na altura, ficou conhecido pela sua famosa “Insurreição dos pregos”. Falando assim, o primeiro-ministro pretende intimidar os trabalhadores e os militantes políticos, ameaçando-os com as forças repressivas, praticando, de facto, terrorismo de estado contra os opositores do governo.



Cães de fila

“Os ricos já pagam a crise. Quando as taxas progressivas de impostos são aplicadas a quem ganha mais, eles estão a pagar muito mais. Toda a tributação que existe em Portugal já penaliza mais os ricos que os pobres”. Afirmações feitas em 31 de Agosto por Ângelo Correia, PSD, ex-ministro e empresário, contra a criação de um imposto especial sobre as grandes fortunas. Ângelo Correia é presidente dos Conselhos de Administração do Grupo Fomentinvest e da Lusitaniagás, vogal do Conselho de Administração da Fundação Ilídio Pinho, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa e cônsul honorário do Reino da Jordânia em Portugal.



Demasiado tolerantes

Cerca de mil pequenos agricultores do Douro manifestaram-se na Régua, a 31 de Agosto, diante do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto em protesto pela redução do volume de vinho que o instituto compra aos produtores, facto que ameaça arruiná-los. Apesar da presença da GNR, e dos apelos à calma de uma dirigente da associação dos vitivinicultores, os agricultores, homens e mulheres, atacaram as instalações, partiram vidros e despejaram uvas em frente ao edifício. Uma mulher, referindo-se à GNR, dizia: “Estes vagabundos de G3 deviam era ir trabalhar”. E um outro manifestante, contrariando uma jornalista que questionava os actos menos pacíficos, respondeu: “Nós temos sido é muito tolerantes”.



Ponte aérea

Sete mil milhões de dólares desapareceram sem rasto entre os EUA e o Iraque. O dinheiro, em notas, transportado em aviões militares, pertencia ao fundo iraquiano resultante da venda de petróleo por alimentos no tempo de Saddam Hussein e fora apreendido pelos EUA nas vésperas da invasão do Iraque. Após três investigações, os norte-americanos admitiram pela primeira vez que o dinheiro pode ter sido roubado, sugerindo que terá ido parar às mãos dos seus aliados no poder em Bagdad. Acontece porém que esses mesmos aliados dizem tratar-se não de 7 mas de 18 mil milhões. O que deixa a suspeita de 11 mil milhões se terem sumido antes de chegarem ao Iraque. Quando não há moralidade, comem todos.



Kabul Bank

Uma gigantesca fraude bancária ocorreu no Afeganistão. Sob a forma de empréstimos sem documentação, 850 milhões de dólares, de um total de mil milhões, do Kabul Bank, foram doados a accionistas que compraram 35 mansões no Dubai, acções em companhias de petróleo e centros comerciais. Beneficiários: os dirigentes do país, apoiados pelos EUA. A campanha eleitoral do presidente Karzai, um seu irmão e outras figuras gradas do poder foram os destinatários do dinheiro. Um dos responsáveis, Kalilulah Ferosi, aguarda calmamente o resultado das investigações num luxuoso hotel de Cabul. Outro, o governador do banco Abdul Fitrat, fugiu do país para lugar seguro: os EUA, onde obteve autorização de residência permanente.



Refugiados

A agência da ONU para os refugiados revelou que havia em 2010 quase 44 milhões de deslocados em todo o mundo, cerca de 16 milhões dos quais fora dos seus países. Significativo ainda é o facto de serem os países pobres a suportar o maior fardo no acolhimento desses deslocados. O maior número é de afegãos, iraquianos, somalis e congoleses. Mais de metade são crianças com menos de 18 anos.



A lebre

O governo PS foi a lebre que fez o trabalho sujo neoliberal da direita. Entre a fotocópia (PS) e o original (PSD) a maioria dos eleitores votou no original. Mas a globalização selvagem capitalista responsável pela actual crise está a esquecer a revolta social globalizada. FB



Despejos

O despejo sumário, na Amadora, de um casal de cidadãos pobres e vulneráveis, transmitido em directo pela TVI, prova o que a troika externa e interna ambiciona para o que resta da nossa soberania: rasgar a Constituição e acabar com o direito à habitação. Nem de propósito, o famigerado economista Camilo Lourenço defendeu no programa Sociedade Civil, na RTP2, que a liberalização dos despejos imposta pela troika é fundamental para facilitar a mobilidade dos trabalhadores (!). Porque é que também não o despejam sumariamente da comunicação social? O disparate e a provocação têm limites. FB



Solidariedade com a Palestina

No dia 5 de Julho, às 21h30, na Casa do Alentejo, realiza-se um debate de solidariedade com a Palestina. Esta iniciativa insere-se na campanha contra o muro com que as autoridade israelitas cercaram a Cisjordânia e pretende criar forças para organizar, a partir de Portugal, a participação numa caravana contra o muro e o bloqueio a Gaza. Trata-se de um debate organizado pelo Grupo de Trabalho das Revoluções Árabes, constituído nas Assembleias Populares do Rossio, e nele participam: Shaad Wadi (Comité Palestina), Sérgio Vitorino (M12M), António Serzedelo (Opus Gay) e Renato Teixeira (Rubra).



A revolta grega e nós

Os governantes portugueses e os média ao seu serviço têm vindo quase sistematicamente a demarcar-se da Grécia, como se este país tivesse peçonha. Isto, fundamentalmente, para convencer a gente da troika mas, também, para acalmar os “mercados” que parece não se terem comovido com tão mesquinhas manobras. Pelo contrário, da parte dos explorados e dos anticapitalistas portugueses o que deve é haver uma forte solidariedade com os trabalhadores e o povo gregos, que se têm batido valentemente contra o domínio do imperialismo e os governos seus lacaios, dando ao mundo um notável exemplo de combatividade.



As fantochadas do TPI

Na sequência de um pedido do procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, os juízes deste tribunal ordenaram, no dia 27 de Junho, a prisão de Muamar Kadhafi, de um seu filho e do chefe dos serviços secretos líbios, “por crimes contra a humanidade”. Ora, sabemos como os média ocidentais conduziram uma campanha contra a Líbia para justificar a guerra que aí pretendiam levar a cabo, conseguindo mesmo o apoio ou a tolerância de vária gente dita de esquerda. Quem ainda hoje pode levar a sério estas acusações de um tribunal que nunca foi capaz de acusar os criminosos de guerra Bush e Obama e que mais não é que um tribunal fantoche ao serviço dos EUA e da NATO?



Estaleiros navais em luta

No dia 20, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo anunciaram um plano de reestruturação que despede 380 dos 720 trabalhadores. A Administração, com uma razoável carteira de encomendas, pretende aliviar os custos fixos, admitindo contratar 200 trabalhadores através de subempreiteiros. Apreensivos e revoltados, os operários, em plenário no dia 22, decidiram uma greve para dia 29. À noite, o presidente do Conselho de Administração, Carlos Veiga Anjos, demitiu-se do cargo, alegando insultos e tentativas de agressão por parte dos trabalhadores. Não disse que, à saída da empresa, como afirmaram testemunhas, investiu com o carro contra os trabalhadores concentrados que lhe pediam explicações.



Battisti libertado

Apesar das pressões do estado italiano e das grandes conivências da reacção brasileira, incluindo a de alguns membros do Supremo Tribunal Federal brasileiro, com tais pressões, Cesare Battisti foi posto em liberdade no dia 8. Battisti estava preso no Brasil há 4 anos e corria o risco de ser extraditado para a Itália berlusconiana. Esta libertação acontece meses depois do asilo político que lhe foi concedido no Brasil pelo ex-presidente Lula da Silva. A solidariedade militante, brasileira e internacional, obteve, aqui, uma importante vitória com a libertação deste (longamente perseguido) militante político italiano.



País Basco: vitória do Bildu

Nas eleições locais de 22 de Maio de 2011, enquanto os dois principais partidos da burguesia espanhola, PSOE e PP, trocavam de posições entre si (sendo o primeiro derrotado pelo segundo), a longa resistência e luta do povo basco obtinham uma assinalável vitória. A coligação Bildu – que PSOE e PP tentaram ilegalizar – tornou-se na primeira força, no País Basco, em número de eleitos, e na segunda força em número de votos. Obteve 1137 eleitos e um total de 313.151 votos (22%), tendo o Partido Nacionalista Basco sido a força mais votada com 327.011 votos (22,97%) e 881 eleitos. Só depois ficaram o PSOE (16%) e o PP (11,64%).



Eles comem tudo

“Cerca de 20 administradores acumulavam funções em 30 ou mais empresas distintas, ocupando, em conjunto, mais de mil lugares de administração, entre eles os das sociedades cotadas”, lê-se num relatório divulgado agora pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Os dados são de 2009 e demonstram que esta prática não é uma excepção: mais de 75% dos 426 administradores desempenhavam funções de administração em mais de uma empresa. E, por cada um destes lugares recebiam, em média, 297 mil euros por ano, ou, no caso de serem administradores executivos, 513 mil euros. Cúmplices: gestores e partidos políticos do chamado arco governativo.



Idade Média

A 13 de Maio, em Fátima, um repórter da TSF assegurou que, no momento em que eram evocados passos da vida de João Paulo II, um arco íris rodeou o disco solar e “ouviu-se então entre a multidão a palavra: milagre! milagre!”. Para reforçar a “prova”, as televisões deram imagens dos rostos de gente apatetada a olhar para o ar, balbuciando coisas equivalentes. João Paulo II, que conseguiu o score mínimo de um milagre para ser beatificado, precisa urgentemente de um segundo milagre para chegar a santo. Se esse milagre fosse “português” talvez uma nova fonte de rendimentos do turismo religioso e uma nova arma de imbecilização do povo ajudassem a almofadar as agruras da crise. Força TSF, força TVs!



Derrapagens

Só o valor das derrapagens (embrulhadas com corrupção) das obras públicas realizadas no país permitia pagarmos parte substancial do défice do Estado. FB



Quem é Eduardo Catroga

O actual, e arrogante, coordenador do programa eleitoral do PSD, foi ministro das Finanças de Cavaco Silva entre 1993 e 1995 e fez parte de conselhos de administração de várias empresas, destacando-se na repressão e despedimento dos trabalhadores, nomeadamente na Sapec. Quando se aposentou, em 2007, como professor catedrático do ISEG, passou a receber 9693 euros de reforma. Mas, como se isto fosse pouco, continuou como Presidente da Sapec, Administrador da Nutrinvest e do Banco Finantia, assim como Supervisor da EDP. Por aquilo que já fez e pelo que actualmente defende, como eventual ministro de Passos Coelho é de prever qual política que procurará levar à prática.



Esmolar saúde

Centenas de cidadãos a esmolar consultas de oftalmologia no hospital dos Capuchos (das duas marcações permitidas anualmente) é o sinal de que, até na Saúde, Portugal está a resvalar para o terceiro-mundismo. O edifício do estado social está quase em ruínas por culpa do PS. O terrorismo privatizador do PSD quer a sua implosão. FB



Cardeal apolítico

Depois de ser eleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, o cardeal patriarca de Lisboa, José Policarpo, declarava aos jornalistas que defende a linha de manter a Igreja afastada da intervenção política. Palavras não era ditas, comentou o assassinato de Bin Laden para discordar “da forma” como “a morte” foi noticiada. E sugeriu mesmo uma forma alternativa de dar a notícia: “tentámos prender o senhor, houve resposta de tiroteio e num tiroteio o senhor morreu”. Sobre o assassinato em si mesmo, nem uma palavra. Um exemplo prático (em versão farisaica) de como fazer política sem parecer que se faz política.



Os métodos do “mundo livre”

Os dirigentes imperialistas Obama, Cameron, Sarkozy, Berlusconi e Ban Ki-moon, assim como alguns dos seus moços de recados, não esconderam a alegria, fazendo a festa – aí está o seu pendor humanitário – pelo assassinato de Osama Bin Laden. Embora sem simpatia pelos objectivos e métodos de Bin Laden, reconhecemos que o seu combate se dirigia contra os que se pretendem donos do mundo. Por isso, lembramos e repudiamos vigorosamente os métodos de acção e as chacinas levadas a cabo no Iraque, no Afeganistão, na Palestina, na Líbia (e, também agora, no caso de Bin Laden) a pretexto do “combate ao terrorismo” pela corja criminosa que dirige o chamado mundo livre.



Patriotas interessados

Dois dos subscritores de um chamado compromisso nacional, preenchido essencialmente por destacados homens do capital, parecem já ter começado a pôr em prática este seu compromisso com a pátria. Belmiro de Azevedo e Alexandre Soares dos Santos, proprietários do Continente e do Pingo Doce estão a fazer chantagem sobre os trabalhadores destas empresas de distribuição, ameaçando-os com processos disciplinares, pretendendo obrigá-los a trabalhar no 1º de Maio. O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio já apresentou um pré-aviso de greve para o dia 1 de Maio, de modo a permitir que os funcionários dos hipermercados possam gozar o feriado do Dia do Trabalhador.



José da Conceição

Morreu em 16 de Abril, com 74 anos de idade, José da Conceição, natural de S. Francisco da Serra, Santiago do Cacém. Desde jovem, foi um empenhado activista político desenvolvendo inúmeras iniciativas culturais em associações populares, primeiro em Grândola, depois em Viana do Castelo e em Lisboa. Privou então com José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Carlos Paredes, Fausto, José Saramago e outras figuras da oposição à ditadura. Nos anos 70, integrou como militante as organizações revolucionárias O Comunista, Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa e Partido Comunista Português (Reconstruído). A nossa homenagem ao antigo camarada e ao lutador que José da Conceição sempre foi. JCC, MR



Teoria por medida

Reflectindo sobre os assassinatos em massa praticados pelos nazis e pelos “comunistas soviéticos” (Público, 4 Abril), JC Espada, figura destacada da Universidade Católica, conclui, na linha de um historiador liberal inglês, tratar-se do efeito “do apagamento da dimensão religiosa da civilização europeia”, da perda do “papel civilizador da religião cristã e da tradição judaico-cristã” e do “ateísmo militante de ambos os exterminadores”. Ficam por explicar as chacinas dos EUA protestantes (In god we trust) em todo o mundo; dos britânicos anglicanos na Índia, África ou Irlanda; dos fanáticos israelitas na Palestina. O fôlego teórico foi curto, mas percebe-se a utilidade política da conclusão.



Espírito caritativo

Numa visita à Associação para o Desenvolvimento de Rebordosa, Passos Coelho afirmou que “Se não for dada uma atenção especial aos grupos de maior risco não conseguimos a paz e a justiça social para podermos fazer a recuperação da nossa economia e a criação de emprego” e “se nada for feito rapidamente pode-se ter uma situação de ruptura social em Portugal”. Ora, esta gente do chamado arco governativo bastante tem feito, e pretende continuar a fazer, para que haja muitos “desprotegidos”. Há quem fabrique os pobres para depois poder praticar a caridade. Mas, actualmente, o que mais parece preocupar Coelho é uma justificável e previsível agitação social no País.



EUA: povo contra a guerra

Milhares de pessoas (10 mil segundo os organizadores) participaram em Nova Iorque, a 9 de Abril, numa das maiores manifestações contra a guerra dos últimos anos nos EUA. Em S. Francisco teve lugar manifestação idêntica no dia 10. Convocadas por mais de 500 organizações, no âmbito de um Comité Nacional de Unidade Contra a Guerra, exigiram o fim das guerras e a retirada das tropas dos EUA do Afeganistão, Iraque, Paquistão e Líbia. Reclamaram o corte nas despesas militares e o apoio ao emprego, educação, saúde, habitação e ambiente. Defenderam o fecho de centrais nucleares. Exigiram o fim do apoio dos EUA a Israel e da ocupação da Palestina e o fim do racismo contra os árabes e o islamismo.



“Direitos humanos”

Um editorial do Público (4 Abril) condenava o “Ocidente” por não ter reagido à prisão recente de um opositor político chinês. Dizia tratar-se de “capitulação” ante o poder económico da China. Como de costume, o editorial tem fraca memória e olha só para um lado, omitindo as violações de direitos humanos no Iraque, no Afeganistão, na Palestina, etc. Mas sobretudo parece não entender que o argumento dos direitos humanos, lançado nos EUA por James Carter, nunca foi um princípio político do “Ocidente”, mas apenas uma arma de arremesso. Não são, pois, só os negócios que ditam o silêncio de agora – é a convergência das potências, no sentido em que se diz que os bons espíritos sempre se encontram.



Haja esperança!

Arrancou em Lisboa, Entroncamento e Feira um “projecto-piloto” de distribuição de refeições a pessoas com “dificuldades económicas”, isto é, fome. Promovida pela Associação da hotelaria e restauração, a iniciativa já garante 230 (!) refeições por dia, 5 (!) por cada restaurante aderente. Dos mais de 2 milhões de pobres do país, 230 já têm, pois, comidinha garantida – e de restaurante. A coisa tem o patrocínio do presidente da República e conta com uma comissão de honra que ambiciona levar o exemplo a outros países! É assim: primeiro, despedimentos e corte de apoios sociais; depois, entram as almas condoídas com a sua caridadezinha. Para ver se evitam o que mais temem: a revolta dos pobres.



FMI: os vampiros vêm em bandos

Vêm em bandos e avançam sem pés de veludo, vêm sugar o sangue fresco e o sangue velho dos trabalhadores. São os dirigentes do FMI, da OCDE, da UE, do BCE, dos partidos políticos do patronato (PSD, PS e CDS), são a generalidade dos analistas dos média… que todos os dias nos listam um conjunto de itens ditos necessários para sair da “crise”: flexibilização das leis laborais, redução de salários e pensões, embaratecimento dos despedimentos, diminuição dos subsídios de desemprego, crescente entrega da saúde e da educação aos privados, subida dos impostos, privatização dos transportes públicos… Não podemos franquear-lhes as portas. Com os meios necessários, há que correr com todos estes bandos!



Banqueiros ordenaram…

As classes dominantes, através dos banqueiros, deram a ordem à gente do chamado arco governativo para um pedido imediato de “ajuda” dirigido ao FEEF/FMI – e os executantes (PS/PSD/CDS e PR)… vão executar. Aqueles que têm sugado os trabalhadores e o País pretendem uma só coisa: aumentar o grau de exploração de quem trabalha. Durante os próximos meses e anos iremos sofrer medidas ainda mais gravosas impostas pelo FEEF/FMI, tornando a vida dos portugueses que vivem de salários num verdadeiro inferno. A resposta é só uma: mais força dos trabalhadores contra as decisões que os atingem. Só isso travará o bloco patronal PS/PSD/CDS. O poder e o patronato têm de temer a resposta dos assalariados.



Invasão a pedido

Tropas francesas invadiram a Costa do Marfim em apoio a Alassane Ouattara, declarado eleito presidente pela “comunidade internacional”, contra Laurent Gbagbo, que se diz vencedor. A invasão, a pedido do secretário-geral da ONU, invoca de novo “razões humanitárias”, mas visa de facto ajudar o “assalto final” das forças de Ouattara à capital na guerra civil que se desencadeou na ex-colónia francesa, primeiro produtor mundial de cacau. Entretanto, milícias de Ouattara massacraram 320 apoiantes de Gbagbo, diz a ONU (800, diz a Cruz Vermelha). O secretário-geral da ONU manifestou-se “alarmado” e recomendou a Ouattara que investigasse o caso quando fosse presidente. Chama-se a isto imparcialidade.



FMI ou FEEF

O economista e actual presidente da República, Cavaco Silva, quis corrigir os jornalistas, dizendo que a “ajuda” económica externa, que ele acha que se deve pedir, e que também o PSD e o CDS defendem abertamente, é proveniente do FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira) e não do FMI. Qualquer pessoa economicamente informada sabe que o FEEF e o FMI são sócios nestes negócios das ajudas e respectivas contrapartidas. Ora, Cavaco Silva sabe-o e o que pretende, mais uma vez, na sua habitual hipocrisia, é enganar os portugueses. Isto lembra aquela cena da ditadura fascista que, embora procurando manter o essencial, mudou o nome da PIDE para DGS.



Pobreza – um retrato

Há dois milhões de pobres em Portugal e, com as chamadas medidas de austeridade, a situação tem-se vindo a agravar. Segundo a Assistência Médica Internacional (AMI), 2010 foi o “pior ano em termos de pobreza em Portugal”, com os pedidos de apoio a aumentarem 24 por cento face a 2009. Apenas aos espaços da AMI, em 2010, recorreram mais de 12 300 pessoas, um “valor sem precedentes”. A maioria das pessoas (69 por cento) que recorreram aos centros sociais da AMI está em idade activa, enquanto 23 por cento tem menos de 16 anos e 18 por cento tem mais de 65 anos.



EUA: a tortura de Manning

O soldado Bradley Manning, de 23 anos, está detido desde Julho de 2010 na base militar de Quântico, por suspeita de ter fornecido ao WikiLeaks um vídeo militar que mostra um ataque contra homens desarmados no Iraque, documentos das guerras do Iraque e do Afeganistão e mais de 250 mil telegramas do Departamento de Estado. Tem sido mantido em isolamento, privado de sono, de exercício e de leituras. Por vezes, obrigado a manter-se de pé e nu perante guardas e agentes, com o objectivo de o humilhar. Em mais uma evidente violação dos direitos humanos. Acusado de “colaborar com o inimigo”, corre o risco de ser condenado a prisão perpétua. Solidariedade com Bradley Manning!



Cavaco revela-se

Do seu discurso proferido em 15 de Março de 2011, na cerimónia de Homenagem aos Combatentes das Guerras de África, salientamos estas duas pérolas: “Importa que os jovens deste tempo se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do País com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar”. “Saudamos com especial apreço, pelo muito que lhes devemos, os militares de etnia africana que, de forma valorosa, lutaram ao nosso lado. Todos, combatentes por Portugal”! Bem haja aquela minoria de portugueses valorosos que tal filho da nação elegeram para Presidente da República!



Obama: cai a máscara

Obama que, aquando da sua eleição para presidente dos EUA, foi objecto de grandes expectativas (ainda que infundadas) e de elogios, tem vindo a mostrar aquilo que de facto é. Emitiu agora uma ordem executiva para retomar as comissões militares (que ele próprio tinha suspendido) destinadas a julgar alguns detidos de Guantânamo. Assim falta a uma das promessas que fizera: encerrar aquele campo de concentração, onde o criminoso Bush colocara vários suspeitos de terrorismo. Para além das guerras do Iraque e do Afeganistão, que Obama mantém, de destacar ainda os dois pesos e duas medidas por ele usadas nas actuais lutas do Médio Oriente.



Líbia: o imperialismo manobra

Aproveitando o descontentamento popular e a rebelião que se verificam na Líbia, os dirigentes dos imperialismos europeu e norte-americano, que nos últimos anos colaboraram estreitamente com Khadafi, manobram com o objectivo de não perderem o controlo das riquezas petrolíferas deste país. Os média de serviço lançam campanhas à medida dos interesses dos seus patrões, falam da possibilidade do líder líbio deter armas de destruição maciça (lembram-se do que eles afirmavam sobre o Iraque?). Uma esquadra da NATO (incluindo navios portugueses) prepara um “exercício” no Mediterrâneo. Mais uma criminosa guerra imperialista em perspectiva?



Crimes de estado

A utilização de uma arma eléctrica (taser) pelo Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais contra o preso Carlos Gouveia, em greve de fome na prisão de Paços de Ferreira, apesar de alguns o apresentarem como um caso isolado, é um indicador significativo do tipo de sociedade repressiva em que vivemos. Foi um acto repugnante, particularmente no contexto em que se verificou. E que teve o apoio do Sindicato dos Guardas Prisionais. Provavelmente é para acções repressivas deste tipo (cá dentro e lá fora) que recentemente aumentaram os gastos dos Ministérios da Administração Interna, da Justiça e da Defesa.



O que faz falta">zeca-afonso.jpg O que faz falta

Em 23 de Fevereiro de 1987 morreu, com 57 anos, o grande Zeca Afonso. Nestes tempos tristes e difíceis das derrotas cinzentas de Outono, faz falta o Zeca para cantar as vitórias que hão-de vir com a Primavera alegre de todas as cores. FB



Os mixordeiros

Os mais recentes dados do INE sobre o desemprego desmentem as previsões do governo. O número de desempregados atingiu novo máximo, com 619 mil portugueses sem trabalho. A taxa de desemprego para o quarto trimestre de 2010 é estimada em 11,1%, agravando-se, assim, o valor face aos 10,9% verificados no trimestre anterior. Mas sabemos, que estes são dados oficiais, pois o desemprego efectivo já ultrapassa os 760 mil. Contudo, para lançar poeira para os olhos dos incautos, o governo costuma usar os habituais e torturados números do IEFP, que surgiram passadas umas horas sobre os dados do INE, salientando uma descida do desemprego em Janeiro relativamente ao mês homólogo de 2010!



Trabalhadores da CP em greve

Após uma mobilizadora semana de luta (iniciada a 7 de Fevereiro) no sector dos transportes, os trabalhadores destas empresas decidiram continuar os protestos contra os cortes salariais, caso a sua situação não se altere. Assim, hoje (dia 15) os trabalhadores da CP levaram a cabo mais uma greve a nível nacional, que se saldou numa paralisação dos comboios a quase 100%. Amanhã estes trabalhadores prosseguem esta forma de luta.



As “ajudas” do FMI e da UE

Uma missão da UE, do BCE e do FMI, que monitoriza o empréstimo feito à Grécia, esteve em Atenas entre 27 de Janeiro e 11 de Fevereiro para uma terceira revisão do programa económico. Seguidamente, em conferência de imprensa, a missão afirmou que o programa de “ajustamento” orçamental estava a ser implementado com sucesso, mas que o país precisava de realizar mais reformas estruturais e de aumentar o nível de privatizações para uns 50 mil milhões de euros. O governo grego, apesar da submissão às instituições imperialistas, não gostou destas declarações no que diz respeito às privatizações e acusou a missão de se estar a intrometer nos “assuntos internos” do país.



Balanço

O balanço sobre a economia capitalista em 2010 mostra que vivemos a maior crise e recessão capitalista dos últimos 80 anos. A contradição trabalho/capital existe e agudiza-se. A dicotomia esquerda/direita também. A luta de classes e a revolução não morreram. A História não acabou… O marxismo nunca esteve tão vivo, dinâmico, actual e alternativo ao capitalismo como hoje. FB



O mundo a mudar

Finalmente, caiu o ditador Hosni Mubarak, apoiado pelos EUA e Israel! A África do Norte, o Médio Oriente e o mundo estão a mudar… FB



Mudança de tom

No início da revolta no Egipto, Hillary Clinton recomendou a Mubarak que “não tivesse pressa em aplicar medidas duras” contra os protestos, o que foi uma forma de apoiar Mubarak. Os acontecimentos forçaram os EUA a mudar de tom: há duas semanas repetem a ideia de uma “transição ordeira”, o que ainda não é desapoiar o regime egípcio. Interpretando a mensagem a seu jeito, Mubarak diz que não sai por se achar a peça-chave da “transição ordeira”. Apesar de não coincidirem nos termos, ambos convergem nisto: tudo menos deixar o poder cair na rua. Lembra a portuguesa “evolução na continuidade” tentada por Marcelo Caetano. A acção das massas mostra o terreno estreito em que se move o poder burguês.



Egipto: a luta continua

Após duas semanas do começo do levantamento popular contra o regime de Mubarak, centenas de milhares de pessoas voltaram a sair ontem (dia 8 de Fevereiro) à rua em diversas cidades egípcias. E, apesar das dificuldades que o exército tentou impor àqueles que procuravam chegar à praça Tahrir, verificou-se uma das maiores manifestações realizadas até agora nesta praça. Conseguiram mesmo impedir que o actual primeiro-ministro, Ahmad Shafik, chegasse ao gabinete. Poucos acreditam que das “negociações” propostas pelo regime resulte alguma coisa positiva e, assim, estão marcadas três manifestações semanais até que o actual regime caia.



Auto-definição

Um voto de apoio ao povo egípcio, proposto pelo Bloco de Esquerda, foi chumbado hoje no parlamento com votos contra do PS e PSD e abstenção do CDS. Não admira, mas vale a pena ouvir as justificações. PS: “o voto do BE é oportunista” – mas o que fica à vista é o oportunismo do PS ao não tomar posição contra uma ditadura por ser aliada da UE e dos EUA. PSD: “ainda não se sabe o desenlace” – ou seja, é preciso ver se Mubarak cai mesmo, e não seremos nós a descalçá-lo. CDS: “há perigo de infiltrações islamistas” (antes diriam “comunistas”) – portanto, na incerteza, Mubarak dá mais garantias. Berlusconi foi mais claro: disse que Mubarak é homem avisado e merece continuar. Há momentos reveladores.



EUA: pelo fim da ajuda a Mubarak

No dia 5, uma marcha sobre a Casa Branca (Washington) vai exigir o fim da ajuda dos EUA ao regime de Mubarak. A acção responde a um pedido de solidariedade dos manifestantes egípcios. A convocatória da coligação ANSWER refere que os manifestantes da Praça Tahrir, brutalmente atacados por jagunços e polícias a mando de Mubarak, fizeram chegar aos EUA pedidos para que seja exigido a Obama o fim imediato do apoio que presta à ditadura. O Egipto é o segundo destinatário “de ajuda externa” dos EUA, 2 mil milhões de dólares por ano, logo a seguir a Israel. Esta “assistência” é usada para comprar as armas que matam os egípcios que se manifestam e para impor o cerco que mata os palestinos de Gaza.



Egipto: dois comentários

36 anos depois, o 25 de Abril chega ao Próximo Oriente, mas em força! Há muito a esperar, creio, sobretudo se a Argélia entrar na dança. MV
Estou solidário com a acção (de apoio à luta do povo egípcio). Parece-me que este vento revolucionário que varre o norte de África é um acontecimento bastante importante e que exige que se faça um colóquio em torno dele. ZM



“Hoje Battisti, amanhã tu”

É uma canção de apoio à não extradição de Cesare Battisti, da autoria de Manuela de Freitas e José Mário Branco, em que intervêm diversos cantores e músicos: Aldina Duarte, Amélia Muge, Camané, Duo Diana & Pedro, Duo Virgem Suta, Fernando Mota, João Gil, Jorge Moniz, Jorge Ribeiro, José Mário Branco, Luanda Cozetti, Norton Daiello, Paulo de Carvalho, Pedro Branco, Tim, José Peixoto e Paulo Curado. Pode ser vista e ouvida em http://passapalavra.info/?p=35123



AJA-Norte debate guerra colonial

No dia em que passam 50 anos sobre a revolta conduzida por patriotas angolanos do Movimento Popular de Libertação de Angola (em 4 de Fevereiro de 1961, em Luanda), com ataques a uma prisão, ao quartel da polícia e à Emissora Oficial de Angola – desencadeando-se, assim, a Guerra Colonial – a secção do Norte da Associação José Afonso inicia um ciclo de debates e análises sobre os factos e sobre uma época que marcaram a sociedade portuguesa. Contactos: ajanorte@gmail.com / Rua do Bonjardim 635, 1.º Trás, Porto.



Missão sindical europeia no Sahara Ocidental

Uma delegação de sindicatos europeus composta por oito centrais sindicais de Espanha, Euskadi, Galiza, França, Itália e Portugal, deslocou-se a El Aiun, capital do Sahara Ocidental, entre os dias 23 e 25 de Janeiro. Durante a visita, a delegação constatou a falta de liberdades políticas, sociais e sindicais da população e dos trabalhadores e trabalhadoras saharauis e expressou a sua solidariedade com o povo saharaui, exigindo que se respeite o seu direito à autodeterminação através da realização do referendo reconhecido em inúmeras resoluções das Nações Unidas e reiteradamente não cumpridas pelo reino de Marrocos.



Um sinal vindo de África

Depois da Argélia, a revolta social da juventude da Tunísia alastra pela África do Norte (Egipto) e pela península arábica (Iémen). Um aviso sério para as autocracias vendidas e submetidas à globalização capitalista. FB



Direita unida

Não se sabe bem se foi por terem notícia de sondagens favoráveis a Cavaco que os líderes do PS começaram já a falar da futura “cooperação institucional” entre governo e presidência (Sócrates em Castelo Branco, Santos Silva em Matosinhos, Alberto Martins em Vila Real); ou se são as sondagens que reflectem o facto evidente de a direcção do PS preferir a vitória de Cavaco. Seja como for, não escapa a ninguém que, se o candidato da direita unida ganhar à primeira volta, isso se ficará a dever à parte do eleitorado socialista que integra essa direita e que se exprime tanto pela voz de vários dos dirigentes cimeiros do PS como pelo silêncio de outros tantos.



A “família socialista”

Manuel Alegre reagiu à facada nas costas que lhe deu Correia de Campos dizendo “já estar à espera”, pelo facto de ele (Alegre) defender o Serviço Nacional de Saúde e o ex-ministro não. Mas isso ilude a questão fundamental: Correia de Campos, que é um dirigente político cimeiro do PS, exprime não apenas uma posição pessoal mas a de uma corrente do próprio PS. Se Alegre nunca foi um exemplo de oposição consistente à política de Sócrates, o acordo que agora o amarra à direcção do PS obriga-o ainda mais a optar por um silêncio comprometido e a ver em posições como a de Correia de Campos simples particularidades pessoais dentro da “família socialista”.



Recado de Sócrates

Depois de ter declarado ao jornal i que não apoiava Manuel Alegre e que apenas Cavaco Silva “garante a estabilidade de que o país precisa”, Correia de Campos (ex-ministro da Saúde, liquidador do Serviço Nacional de Saúde para benefício dos hospitais privados e membro da Comissão Política do PS) desmentiu que com tais afirmações estivesse a apoiar Cavaco Silva. É este o modelo seguido por boa parte da direcção do PS: apoiar Cavaco de forma mais ou menos aberta e procurar garantir, em troca, a permanência do governo. Como comentava um leitor do dito jornal, “acho que Sócrates usou o Correia de Campos para mandar recados ao Manuel Alegre”.



Vida e Resistência na Palestina

A convite da Biblioteca Orlando Ribeiro, o Comité de Solidariedade com a Palestina participa numa sessão sobre Vida e Resistência na Palestina. Será apresentado o documentário O Muro de Ferro a que se segue um debate. A sessão decorre no sábado 15 de Janeiro, às 15 horas, no Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro (Antigo Solar da Nora, Estrada de Telheiras, 146).



Caso Battisti em debate

Sábado, 15 de Janeiro, às 15h, no Teatro Comuna (Pr. Espanha, Lisboa), realiza-se uma sessão de solidariedade com Cesare Battisti, exigindo a libertação deste preso político italiano, detido no Brasil. Apesar de Lula da Silva ter decidido não extraditar Battisti e conceder-lhe asilo, o Supremo Tribunal Federal brasileiro mantém-no preso, naquilo que pode ser uma manobra dilatória para, posteriormente, o devolver a Itália, como não cessam de exigir Berlusconi e o poder judicial italiano. A sessão é promovida pela Comissão de Defesa de Cesare Battisti e conta com a participação, entre outros, de Diana Andringa, José Mário Branco, Leandro Vichi, José Nuno de Matos e João Bernardo. Comparece.



Cavaco e os 140%

Que Cavaco Silva tenha comprado (numa operação de favor) e vendido aos seus amigos da SLN/BPN um conjunto de acções, obtendo um lucro de 140%, parece uma coisa normal aos defensores do actual Presidente da República, pois eles já estão habituados a estas maravilhas do capitalismo. Aliás, a “honestidade” de Cavaco Silva não pode ser posta em causa, quando ele apenas se limitou a aproveitar as oportunidades que o sistema económico e político vigente lhe concedeu. Quem certamente diverge desta “honestidade” são aqueles que vivem com magros salários e que serão forçados a contribuir para tapar o buraco de milhões do BPN. É de esperar que já estejam vacinados contra o cavaquismo!



Boas festas III

No dia em que apresentou as assinaturas para se candidatar à presidência, dia também do seu próprio aniversário, Fernando Nobre prometeu “reerguer Portugal, recomeçar Portugal”. Para tanto, entre votos de parabéns dos entusiasmados adeptos, avançou duas medidas: por um lado, “apoiar os pequenos, médios e grandes empresários”; e, por outro, “criar almofadas sociais para que a explosão social não venha a acontecer no nosso país”. A isto, chama o dr. Fernando Nobre “mudar de paradigma”. Mas não tem sido isso mesmo – apoiar o capital e amordaçar as vítimas – o que têm feito todos os governos? Onde tem andado Fernando Nobre?



Boas festas II

Pelo Facebook e em dois minutos, Passos Coelho difundiu uma mensagem de Natal em que diz coisas lindas como “parar (?) para reflectir sobre o nosso futuro”, ou “todos darem o seu contributo”, ou “o exemplo deve vir dos responsáveis políticos”, ou “colocar o país na direcção certa”. Tudo indica que a frase chave da mensagem seja esta: “Com o esforço de todos nós, é possível transformar a esperança numa realidade, e esta crise numa oportunidade” – que, traduzida, quererá dizer que, com o sacrifício imposto aos assalariados, a crise se transformará numa oportunidade para reabilitar os negócios. É o que se vê com os cortes salariais e as demais medidas que Passos ajudou a aprovar.



Boas festas I

De visita aos militares portugueses no Kosovo, o ministro da Defesa pediu-lhes esperança no futuro e elogiou o desempenho das tropas num país em que “falta paz, segurança e bem-estar”. Teria sido oportuno que o ministro, em vez desta conversa de praxe, explicasse aos portugueses como justifica ter tropas num país cujos dirigentes foram acusados pelo Conselho da Europa de tráfico de órgãos humanos retirados a prisioneiros sérvios assassinados. É que, sabidos estes factos, o apoio à máfia que domina o Kosovo coloca as autoridades portuguesas mais perto do papel de cúmplices de um crime contra a humanidade do que do propósito anunciado pelo ministro de “permitir o bem conviver de pessoas”.



Eles entregam os nossos dados aos EUA

A corja que actualmente domina o País, representada pelo governo de José Sócrates, aqui com particulares responsabilidades dos ministros Rui Pereira, Alberto Martins e Luís Amado, prepara-se para entregar aos EUA numerosas informações. O governo já assinou um acordo bilateral com este país, que só espera ratificação da Assembleia da República, e pelo qual, a pretexto da luta contra o terrorismo, dará ao FBI acesso aos dados biográficos, biométricos e de ADN dos portugueses. E, sem as reticências levantadas pela Comissão Europeia sobre o mesmo assunto, o governo português revelou-se ainda mais capacho perante os EUA do que a própria União Europeia!



Lula recusou extradição de Battisti

No último dia do seu mandato, em 30 de Dezembro, Lula da Silva recusou a extradição do perseguido político italiano Cesare Battisti e concedeu-lhe asilo no Brasil. Em artigo recente do MV tratávamos deste caso, que pode ainda não estar acabado, dada a perseguição reaccionária que lhe movem o Estado e o governo italianos, que continuam a exigir a sua extradição. Apesar de o Tribunal Federal brasileiro ainda ir apreciar o caso em Fevereiro, é de crer que a decisão de Lula seja a definitiva. De saudar a vitória de Battisti e de todos aqueles que se empenharam nesta luta. Mas, também, a não esquecer a natureza política daqueles que, à esquerda, e conhecendo-a, se mantiveram silenciosos.



Dois anos após o massacre de Gaza

Grupos de cidadãos e diversas organizações (entre as quais o Comité de Solidariedade com a Palestina e o Tribunal-Iraque) assinalam hoje, dia 27, os dois anos do mortífero ataque a Gaza levado a cabo pelas tropas israelitas, que provocou perto de milhar e meio de mortos palestinianos. Para o efeito, terá lugar em Lisboa uma concentração, às 18h30, no Largo de S. Domingos, junto ao Rossio. A iniciativa pretende expressar solidariedade com o povo da Palestina e condenar o apoio do governo português à ocupação dos territórios palestinos e ao apartheid israelita.



Amigos e aliados

O jurista suíço Dick Marty, denunciou em relatório, solicitado pelo Conselho da Europa, o tráfico de órgãos humanos, retirados a prisioneiros sérvios liquidados com bala na cabeça. O tráfico foi praticado (pelo menos entre 1999 e 2000) pelo chamado Exército de Libertação do Kosovo. O seu dirigente, o actual primeiro-ministro kosovar Hashim Thaçi, é apontado como o chefe desta máfia, que se estendia à Albânia. O ELK e Thaçi foram apoiados pelos EUA e pela União Europeia, com o fim de separar o Kosovo da Sérvia, e dados como legítimos representantes dos albaneses kosovares. O Kosovo, como a Albânia, é hoje um território sem lei dominado por máfias e por bases militares da NATO e dos EUA.



Ao menos isso, também

Richard Holbrook, diplomata dos EUA, morreu de problema cardíaco. Evidenciou-se no conflito dos balcãs, nas negociações em que a União Europeia e os EUA promoveram o desmembramento da Jugoslávia (1995). A sua estirpe de canalha revelou-se em pleno em 1999 como portador de um ultimato a Belgrado para que a Sérvia retirasse do Kosovo e aceitasse a devassa do seu território pelas tropas da NATO. Meses antes, os EUA e o Reino Unido sabotaram as conversações de paz (Rambouillet, França) impondo sucessivamente aos sérvios condições inaceitáveis, mantidas secretas. Argumentando com a “recusa” sérvia, a NATO bombardeou a Jugoslávia. Holbrook era agora emissário de Obama no Afeganistão e Paquistão.



Ao menos isso

Jorge Videla, o principal responsável pela ditadura argentina (1976-83), foi condenado a prisão perpétua. Tratou-se da segunda condenação, depois de o presidente Menem o ter amnistiado da primeira, em 1985, numa decisão considerada inconstitucional. Em sete anos, a ditadura militar fez desaparecer 30 mil pessoas, consideradas “marxistas” e “subversivas”. Muitas delas foram atiradas de aviões para o mar. Rapto e tráfico de crianças filhas de prisioneiros foram também prática corrente dos militares. Milhares de argentinos saudaram a condenação aos gritos de “assassino”. Tal como as ditaduras chilena (1973-89) e brasileira (1964-85), os tiranos argentinos tiveram o apoio e a colaboração dos EUA.



Apelo a Dulce Pontes

Organizações e pessoas de vários países, incluindo Portugal e Israel, estão a enviar cartas à cantora Dulce Pontes, pedindo-lhe que cancele o concerto que tem marcado para dia 21 de Dezembro em Telavive, à semelhança do que fizeram dezenas de artistas famosos internacionais. A iniciativa, que o Comité de Solidariedade com a Palestina está a divulgar, pretende convencer a cantora a não associar o seu nome à ocupação da Palestina e aos crimes de guerra de Israel e a não colaborar com a política de branqueamento do apartheid israelita. O apelo insere-se na campanha internacional de Boicote-Desinvestimento-Sanções a Israel.



Duros confrontos na Grécia

Confrontos violentos entre polícias e manifestantes verificaram-se nas ruas da Grécia, no dia 15, por ocasião da sétima greve geral realizada já este ano. Mais uma vez, contra as medidas de austeridade do governo grego, a mando da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. Em Atenas, manifestantes encapuzados lançaram fogo a um piso do Ministério das Finanças e a um edifício na praça Sindagma. Noutro local, o ex-ministro dos Transportes, Costas Hatzidakis, foi atacado por manifestantes, quando caminhava numa avenida do centro da cidade. E, frente ao Parlamento grego, as forças policiais recorreram a gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.



Comício da FPLP em Gaza

Dezenas de milhares de palestinos participaram em Gaza, a 11 de Dezembro, num comício de celebração do 43.º aniversário da Frente Popular para a Libertação da Palestina. Jamil Majdalawi, da comissão política, insistiu na legitimidade de resistir à ocupação por todos os meios até que os direitos palestinos sejam concretizados, tanto os direitos nacionais, com a criação de um estado independente, como o direito de regresso dos refugiados. Numa crítica à Autoridade Palestiniana, denunciou a acumulação de riqueza, de poder e de influência à custa da luta do povo. Apelou ainda à reconciliação entre o Hamas e a Fatah. Todas as tendências palestinianas estiveram presentes na celebração.



Estamos envergonhados

Disse Cavaco Silva: “Envergonha-nos a todos saber que há portugueses com fome”. De um homem que tem tido as responsabilidades de presidente da república, que foi primeiro-ministro durante dez anos, assim como líder do PSD, um dos partidos que com o PS e o CDS se têm revezado no governo de Portugal nas últimas décadas, e que se candidata novamente a PR, uma afirmação destas só pode corresponder a uma grande lata. E não houve nenhum dos “jornalistas” presentes que o tivesse confrontado com tal situação! Envergonhados devem estar muitos de nós, não por uma pobreza que não criaram, mas, sim, por não termos sido ainda capazes de correr com todos estes vendilhões do capital.



Palestina livre e independente

“O governo argentino reconhece a Palestina como um Estado livre e independente, dentro das fronteiras existentes em 1967, e de acordo com o que as partes definam no decurso do processo de negociação.” Esta decisão foi agora oficialmente comunicada pela presidente Kirchner a Mahmoud Abbas. Recorde-se que as fronteiras de 1967 incluíam a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, hoje ocupados por Israel. Também o Brasil, em carta do presidente Lula, já fizera igual reconhecimento na semana passada. E o Uruguai anunciou que fará o mesmo em 2011. Dois estados não gostaram: Israel e os EUA lamentaram o reconhecimento.



Festa SOS Racismo

Para comemorar o seu 20.º aniversário, o SOS Racismo organiza de 7 a 10 de Dezembro uma festa contra o racismo sob o tema “Um planeta muitas culturas”, com um vasto programa de música (Tito Paris, João Afonso, Couple Coffee, Maria Viana, entre muitos outros) e ainda cinema, teatro, fotografia, performances, poesia, literatura, exposições. As diferentes iniciativas decorrem na Cinemateca Portuguesa (dia 7) e no Clube Ferroviário, em Santa Apolónia (nos restantes dias).



Solidariedade com a Palestina

O MPPM promove uma sessão pública evocativa do Dia Internacional de Solidariedade com o Povo da Palestina (29 de Novembro, 21 horas, na Casa do Alentejo, Lisboa). Intervenções de Maria do Céu Guerra, Carlos Almeida e Adel Sidarus, da direcção do MPPM, e do embaixador Mufeed Shami, representante diplomático da Palestina. Em 29 de Novembro de 1947, a ONU aprovou a criação, na Palestina, de dois estados, um árabe e um judaico. Só o estado judaico foi constituído. Passados 30 anos, a ONU adoptou nova resolução em que proclamou o 29 de Novembro como Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, convidando governos e organizações a cooperar na solução do problema da Palestina.



Projecto para Abril e Maio

Na sede do núcleo do norte da Associação José Afonso (dia 29, às 21h30), será dado o pontapé de saída ao projecto “Ocupar Abril, tomar de assalto o mês de Maio”, proposto pela AJA-N. Pretende-se com a iniciativa encher os meses de Abril e Maio de 2011 com actividades descentralizadas que celebrem datas, eventos, acontecimentos, homens, mulheres, factos, épocas, etc., que tenham contribuído para o desenvolvimento da humanidade, para tornar o mundo mais livre, mais justo, mais fraterno e solidário. O núcleo da AJA convida pessoas e organizações a estarem presentes na reunião, ou a apoiarem a ideia da forma que entenderem, para que o projecto possa ser partilhado o mais amplamente possível.



O crivo

As brutais medidas anti-sociais do Orçamento do Estado para 2011 foram aprovadas pela desavergonhada partidocracia PS/PSD. Não houve, portanto, chantagem entre o PS e o PSD. Houve sim, mais uma vez, uma chantagem de ambos contra a maioria do sacrificado e explorado povo português. As monstruosas medidas anti-sociais de Sócrates e Passos Coelho vão ter dois crivos: a Assembleia da República, primeiro, e a revolta popular, depois… FB



O regabofe

Foi dito que 630 mil portugueses estão com dívidas aos bancos. Porque é que o Banco de Portugal e o ministério das Finanças não divulgam a evasão fiscal e as dívidas da banca ao Estado? Se o Banco Central Europeu empresta dinheiro à banca a 1%, porque é que a banca empresta depois a Portugal a mais de 6%? É a especulação capitalista defendida pela partidocracia PS/PSD/CDS. Os serventuários do capitalismo sabem que a execução do orçamento para 2011 vai ser uma fraude porque o sistema financeiro não vai pagar os impostos devidos ao Estado. FB



AJA com a greve geral e contra a NATO

Em comunicado, a Associação José Afonso afirma não poder ficar indiferente à realização da cimeira da NATO e declara apoiar “o vasto movimento de cidadãos contra a Guerra, pela Paz e contra a NATO”, apelando aos associados e amigos para participarem nas iniciativas que vão decorrer em Lisboa, em particular, na manifestação do dia 20, no Marquês de Pombal. Igualmente, a Associação José Afonso afirma-se solidária com a Greve Geral do próximo dia 24 de Novembro, convocada pelas centrais sindicais CGTP e UGT e também por sindicatos independentes.



Enquanto forem os ricos…

Enquanto forem os ricos a tentar resolver o problema dos pobres – como ficou patente no último “Prós e Contras” da RTP – a pobreza não vai diminuir mas sim aumentar. FB



Aminetu Haidar em Portugal

A activista saharauí veio agradecer o apoio que lhe foi dado durante a greve de fome, de 32 dias, em Novembro de 2009, feita em protesto contra as autoridades marroquinas, que não a deixavam entrar no seu país. Regressava então dos EUA onde recebera o Prémio Robert F. Kennedy, atribuído a defensores dos direitos humanos. No dia 10 participará numa sessão pública, promovida pela Reitoria da Universidade de Lisboa, que terá lugar às 18h30 no Salão Nobre da Reitoria da Cidade Universitária. A homenagem tem ainda mais significado depois do massacre praticado por tropas marroquinas, ontem dia 8, num acampamento de saharauís que exigiam o reconhecimento dos seus direitos nacionais.



É o tempo dos canalhas

Pululam nos meios de comunicação os conselhos sobre boas práticas de poupança. Há dias, o economista para todo o serviço Camilo Lourenço moralizava, numa emissora de TV, dizendo que “todos” temos de nos convencer a gastar menos. E deu logo ali o seu próprio exemplo: “Ainda ontem fui a um restaurante japonês e paguei 30 euros; ora, posso perfeitamente jantar num restaurante comum e gastar apenas 10 euros”… Já sabem, caros desempregados, pensionistas e beneficiários desse luxo que é o rendimento social de inserção, sigam o exemplo do Camilo Lourenço: não escolham restaurantes japoneses e poupem 20 euros em cada jantar.



Herói português no Afeganistão?

O capitão Luís Silva, piloto da Força Aérea Portuguesa, que vai voar um F16 belga ao abrigo de um programa de troca de pilotos, já se encontra em Kandahar, no Afeganistão. A notícia foi dada na “nossa” RTP por um repórter entusiasmado (Armando Seixas Ferreira), que afirmou ainda que o piloto certamente iria lançar bombas no Afeganistão e que a RTP sabia que não estava excluída a hipótese de caças portugueses virem a entrar em combate naquele país. Mas o mesmo repórter, que interrogou Luís Silva sobre os perigos que este ali poderia correr, não foi capaz de lhe perguntar até aonde iria nos crimes que estaria disposto a cometer ao serviço da NATO!



Inquietando a NATO

A AJA-Norte (secção do Norte da Associação José Afonso) promove no Porto, na próxima sexta-feira, dia 5, uma sessão pública sob o tema Contra a NATO, pela Paz e Solidariedade entre os Povos. Numa “Noite de Inquietação”, intervenções de Paulo Esperança e José Pedro Rodrigues inquietam a NATO a partir das 21h30, na sede da Associação (Rua do Bonjardim, 635, 1.º, Traseiras).



Democracias e direitos humanos

Os crimes praticados pela coligação ocidental, particularmente pelos exércitos norte-americano e britânico no Iraque e no Afeganistão, embora em grande parte conhecidos do público, estão hoje bem mais às escâncaras com os documentos secretos recentemente divulgados pelo site Wikileaks e pelo jornal Guardian. Só não vê quem não quer ver. Os factos (torturas, assassinatos, etc.) deviam fazer corar de vergonha e gritar de indignação qualquer ser humano. Mas estes são sentimentos que os acérrimos defensores da superioridade moral das (suas) “democracias ocidentais” não têm. E, hipocritamente, continuam a dar a sua cobertura cúmplice aos nefandos crimes do imperialismo.



Solidariedade com militantes saharauis

A Amnistia Internacional apelou às autoridades marroquinas a que procedam à libertação imediata e sem condições de três militantes saharauis que estão presos há mais de um ano e começaram agora a ser julgados com outros quatro companheiros (estes em liberdade provisória), todos acusados de “atentado à segurança interna e à integridade nacional”. “É verdadeiramente inaceitável que as autoridades marroquinas inculpem estas sete pessoas por terem visitado livremente e sem segredos um acampamento de refugiados e se terem encontrado e reunido com membros da Frente Polisário”, declarou Malcolm Smart, da Amnistia Internacional.



NATO em debate

O novo conceito estratégico da NATO vai estar em debate numa conversa com Reiner Braun, organizada pela Plataforma Anti Guerra Anti Nato (Porto, 14 de Outubro, 21h30, Livraria Gato Vadio, Rua do Rosário, 281).
Em Novembro deste ano, a NATO realiza uma cimeira em Lisboa para definir a nova estratégia. Um grupo de “peritos” onde pontificava Madeleine Albright fez sair um texto de recomendações, no qual a palavra “desarmamento” não aparece. Reiner Braun, co-presidente do Comité de Coordenação Internacional da Coligação No to War No to Nato, vem ao Porto desmontar o significado das palavras de Madeleine Albright: “A Aliança deve ser versátil e flexível neste período de incertezas no século XXI”.



Extorsão financeira

Apesar da “crise”, os bancos a operar em Portugal continuam a fazer bons negócios. Vejamos apenas um deles. Há uma regra que impede que o Banco Central Europeu (BCE) empreste dinheiro directamente aos Estados. Assim, e enquanto os investidores estrangeiros se afastam de Portugal, a banca financia-se junto do BCE a taxas de juro de 1% e empresta depois ao Estado (investindo em dívida pública), assim como às empresas e famílias, a taxas bastante mais altas. Só ao Estado português já emprestou mais de 10 mil milhões de euros a taxas que variam entre os 4 e os 6%, arrecadando no negócio cerca 500 milhões de euros.



Quem ganha e quem perde

No último ano, o número de empregados com remunerações líquidas acima de 3 mil euros cresceu 26,7%, diz o Instituto Nacional de Estatística. Trata-se de uma minoria (32 mil pessoas) que não chega a 1% do total dos trabalhadores por conta de outrem. Ao contrário, também no último ano, os que ganham menos de 600 euros (37,4% dos trabalhadores por conta de outrem, perto de 1 milhão e meio de pessoas) viram os seus postos de trabalho diminuir 4,7% (menos 70 mil empregos).



Mais uma farsa

A corrupção e tráfico de influências na compra de dois submarinos no valor de mil milhões de euros investigados pelo ministério público alemão deviam, também em Portugal, pôr Durão Barroso e Paulo Portas como arguidos no processo. Dura Lex, sed lex é uma farsa: a justiça é dura para os fracos e mole para os fortes. FB



Protestos em França

Três milhões de franceses participaram em greves e manifestações nas ruas de França, no dia 23 de Setembro. Protestavam contra a nova lei das reformas de Sarkozy, que decidiu elevar de 60 para 62 anos a idade mínima de acesso à reforma. Segundo as sondagens, é grande a indignação entre a maioria dos franceses, particularmente entre os jovens dos 18 aos 24 anos, contra mais este conjunto de medidas injustas para os trabalhadores. Grécia, França, Espanha e Portugal, o mesmo combate. Há que avançar e unificar as lutas.



Aumentos nas FA custam 50 milhões de euros

O novo sistema retributivo das Forças Armadas, que entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2010, mesmo após ter sido determinado o congelamento salarial na Função Pública, vai custar cerca de 50 milhões de euros (já incluído o aumento com as despesas de representação). Apesar de o novo regime não implicar um aumento salarial automático, as primeiras promoções arrastaram os restantes militares para novas posições remuneratórias, que se traduz num aumento médio de cerca de 6% nos vencimentos. Além das Forças Armadas, também a PSP e a GNR parece que não serão afectadas pelo congelamento de salários no sector do Estado.



Boicote ao futebol do apartheid!

A equipa israelita do Hapoel de Telavive joga contra o Benfica, hoje, 14 de Setembro, em Lisboa, a 20 de Outubro em Gelsenkirchen (Alemanha) e a 7 de Dezembro em Lyon (França). Em todas estas cidades se preparam acções contra a presença de Israel na Liga dos Campeões integradas na campanha internacional BDS (Boicote, Desinvestimento, Sanções). Em Lisboa, a concentração de protesto terá lugar, a partir das 19 horas, à saída do túnel proveniente do Centro Comercial Colombo. A iniciativa foi convocada pelo Comité de Solidariedade com a Palestina, a Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental e o Colectivo Mumia Abu Jamal, e conta com o apoio do Tribunal-Iraque.



Salário mínimo em causa

Patrões, UGT e Ministério do Trabalho parecem estar de acordo quanto à necessidade de renegociar o salário mínimo (500 euros) já acordado para 2011. Embora tais entendimentos entre os diversos representantes do capital já não constituam novidade! Declarações de António Saraiva, da Confederação da Indústria, de Vieira Lopes, da Confederação do Comércio, de Pinto Coelho, da Confederação do Turismo, de João Proença, da UGT, e da ministra Helena André, apesar das nuances, todas admitem pôr em causa o previsto aumento do salário mínimo. Tudo isto, em nome da “crise” e do “realismo”! A CGTP recusa tal alteração e exige que a remuneração mínima aumente os 25 euros acordados.



Sahara Ocidental: uma enorme prisão

Os 14 activistas do colectivo pró-saharaui das Canárias, que recentemente procuraram inteirar-se das condições em que vive o povo do Sahara Ocidental, e que foram presos e espancados pela polícia marroquina, prestaram declarações ao chegar ao porto de Las Palmas, tendo um deles, Sara Mesa, afirmado que “O Sahara Ocidental é como uma enorme prisão, onde a gente vive sob um clima de continua repressão”. No porto esperavam-nos um grupo de simpatizantes da causa, empunhando cartazes onde se apelava à realização de um referendo livre e democrático naquela que foi a última colónia de Espanha em África e que é ocupada há mais de 35 anos por Marrocos.



Em apoio da população cigana. Concentrações, Lisboa e Porto. Sábado, 4 Setembro

Face à situação da comunidade cigana em toda a Europa, nomeadamente ao que está a ocorrer em França, com o governo reaccionário de Sarkozy a expulsar centenas de pessoas de origem cigana, um grupo de cidadãs e cidadãos e muitas associações ciganas e de defesa dos direitos humanos, convoca concentrações no Porto e em Lisboa para este sábado, frente ao consulado de França (Av. da Boavista, n.º 1681, Porto) e na embaixada deste país em Lisboa (Calçada Marquês de Abrantes n.º 5, em Santos). Associam-se assim às manifestações que vão decorrer em várias cidades francesas.



Têxtil FMAC despede mais de 100

A administração da FMAC, fábrica de Esposende, pediu a insolvência da empresa no Tribunal desta cidade e pretende ficar a trabalhar apenas com 43 dos actuais 151 trabalhadores. Os mais de 100 trabalhadores agora despedidos, que estavam de férias e com salários em atraso, receberam cartas de despedimento, por “extinção de postos de trabalho”. Segundo um dirigente sindical do Minho, “podemos estar a falar de mais uma dezena de fábricas com 10 a 30 trabalhadores, que não vão reabrir em Setembro”. Prossegue, assim, a destruição de postos de trabalho em Portugal que, segundo dados do INE, terá sido, só no segundo trimestre de 2010, de cerca de 17 mil.



CIA: jogo sujo para neutralizar Wikileaks

Os serviços secretos dos EUA têm no seu activo uma longa lista de malfeitorias: assassinatos, desestabilizações, golpes de estado, etc. Julian Assange, criador do site Wikileaks, divulgou recentemente milhares de documentos secretos sobre os crimes norte-americanos na guerra do Afeganistão e afirmou que iria divulgar mais. Como Assange não se dispusesse a denunciar as fontes e a retirar essas informações do site, foi ameaçado pelo governo dos EUA. Assim, recorrendo à sua prática de guerra suja, a CIA terá conseguido (a que preço?) alguém para acusar Assange de abuso sexual, tentando neutralizá-lo. Será que a justiça sueca vai colaborar?



Soldado israelita posa com as suas vítimas

À semelhança do que fizeram os torturadores americanos de Abu Ghraib, também a ex-soldado israelita Eden Aberjil publicou fotos suas com prisioneiros palestinianos atados e com os olhos vendados. Éden acha que não fez nada de mal e que é uma soldado exemplar. As imagens foram recentemente publicadas no Facebook, num álbum intitulado “O exército: os melhores dias da minha vida”. Segundo Yishai Menuchim, do Comité Israelita Contra a Tortura, este caso mostra uma atitude que se converteu em norma em Israel e que consiste em tratar os palestinianos como objectos e não como seres humanos.



Inspecções faz-de-conta

Há cada vez mais falsos recibos verdes e a fiscalização das condições de trabalho é ineficaz, denuncia o sindicato dos inspectores de trabalho. Na última década, foram descobertos quinhentos e poucos falsos recibos verdes por ano, uma gota de água no oceano dos trabalhadores precários. O mesmo se passa com a inspecção dos serviços de saúde, que veio à baila com a descoberta de uma clínica oftalmológica privada há anos a funcionar ilegalmente no Algarve, responsável por cegar quatro pessoas. Outra coisa não seria de esperar, dadas as prioridades do governo. Dos 2120 inspectores do País aqueles dois serviços têm apenas 450, enquanto o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras dispõe de 800.



Guerra e contra-informação

Valentina Marcelino prossegue no DN a sua saga a favor do estado policial. Em artigo de 8 de Agosto escreve: “A polícia quer ‘blindar’ o Parque das Nações durante a realização da Cimeira da NATO, agendada para os dias 19 e 20 de Novembro”. Depois prossegue descrevendo e justificando um conjunto de medidas a adoptar (leis de excepção para proibir manifestações e expulsar desordeiros) e de meios que vão ser mobilizados (polícias, carros blindados) para fazer face àquilo que ela refere como de previsível violência urbana. O artigo é um notável exemplo de propaganda a favor dos fautores de guerra (NATO) e de tentativa de atemorização dos opositores à guerra.



Estágios profissionais imunes ao PEC

O presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), Francisco Madelino, afirmou que as candidaturas aos estágios profissionais (suspensas desde 30 de Junho) serão retomadas a 15 de Agosto, não havendo qualquer dificuldade orçamental para manter o programa. “O objectivo é envolver mais pessoas com o mesmo dinheiro”, acrescentou Madelino. Segundo estas afirmações, a contenção orçamental do PEC não terá chegado aos estágios e, assim, espera-se (?) que a diminuição de 25% no tempo dos estágios (previstos 45000 estágios em 2010) se traduza realmente num aumento de 25% no número dos beneficiados. Vamos a ver como se torturam os números no IEFP!



Precários Inflexíveis em acção de protesto

O movimento Precários Inflexíveis pendurou, recentemente, nas principais entradas de Lisboa bonecos acompanhados de faixas com a frase Precários presos por um fio e outras frases alusivas ao impacto das medidas de austeridade na vida dos trabalhadores precários. “Muitos dos precários não têm direito a subsídio de desemprego, porque trabalham durante curtos períodos de tempo, nem a subsídio social de desemprego”, disse Ricardo Moreira, dos Precários Inflexíveis, acrescentando que a precariedade está a aumentar cada vez mais. “Hoje, quem cai no desemprego dificilmente volta a encontrar um emprego que não seja precário”, alertou ainda.



Liberdade para todos os presos políticos bascos

Está em marcha uma campanha pela libertação de Arnaldo Otegi. O conhecido dramaturgo Alfonso Sastre reclama a sua libertação, pela importância do político independentista no processo democrático em desenvolvimento no País Basco. Sastre defende, igualmente, a libertação de todos os presos políticos, como “condição sine qua non para a tão desejada paz em Euskal Herria”. Também Gerry Adams, líder do Sinn Féin (Irlanda do Norte), em carta enviada a vários jornais europeus, pede a libertação do dirigente independentista, assim como a legalização do Batasuna, para mostrar a vontade do governo espanhol de “contribuir para pôr fim a um dos mais velhos conflitos da Europa”.



Manifestantes absolvidos

No dia 14 de Julho terminou o julgamento dos 11 detidos em 25 de Abril de 2007, quando levavam a cabo uma manifestação contra o fascismo e contra o capitalismo. Todos os arguidos foram absolvidos de todas as acusações. Assim, o tribunal não deu como provados os actos atribuídos aos arguidos por um Ministério Público quase sempre pronto a dar crédito às polícias e que se podiam enquadrar nos crimes de ofensa à integridade física, injúria agravada, coacção e resistência a funcionário. Faltaria agora levar a polícia a tribunal pela brutalidade da repressão e pelas acusações infundadas.



Uma manipulação na Cultura

Em 8 de Julho, a ministra Gabriela Canavilhas justificava na AR os cortes de 10% na Cultura. E afirmava que tais cortes não iriam provocar desemprego, desafiando que lhe mostrassem algum caso. No dia 9, demitia-se o Director Geral das Artes, demissão logo aceite pela tutela, numa nota oficial arrogante e demagógica. Pressionado o governo por uma grande mobilização (600 artistas reunidos e uma petição com mais de 3000 assinaturas), veio a ministra, no dia 11, dizer que já não eram necessários os cortes. E, tentando manipular os acontecimentos a seu favor, afirmava que a decisão não se devia a um recuo do governo, mas a uma solidariedade entre os ministérios!



EUA: manifestantes boicotam navio israelita

Em 20 de Junho, na Califórnia, centenas de activistas pela paz realizaram uma manifestação, formando um piquete no porto de Oakland, que impediu temporariamente um barco israelita de descarregar as mercadorias. Os activistas conseguiram os seus objectivos quando o sindicato local dos estivadores se recusou a atravessar o piquete. Segundo um dos manifestantes, se os israelitas cometem actos de pirataria em alto mar, matam civis a sangue frio, constroem um muro de separação, sitiam Gaza, não é possível aceitar o comércio israelita. Isto acontece, à semelhança de idênticos boicotes já realizados na Suécia, Noruega e África do Sul.



Qual é a novidade?

Depois de gastar tempo e dinheiro dos contribuintes, de ocupar grande espaço nos media e de distrair os portugueses das graves questões que seriamente os afectam, a Comissão de Inquérito ao caso PT/TVI acaba por concluir que José Sócrates “tinha conhecimento” do negócio quando este afirmara no parlamento que desconhecia a operação. Como se a generalidade dos portugueses, desde há muito, não tivesse Sócrates na conta de mentiroso! Para além de dar crédito a José Eduardo Moniz e Moura Guedes como “heróis” da informação, assim como de revelar as vocações policiais de alguns deputados, não se vê que algo de realmente importante tenha saído desta Comissão de Inquérito.



Aumentam os refugiados e deslocados no mundo

Segundo relatório recente do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), verifica-se hoje o maior número de refugiados e deslocados desde meados dos anos 1990. Em 2009, mais de 43 milhões de pessoas tiveram de deixar as suas casas, incluindo refugiados, deslocados internos e requisitantes de asilo. Só as guerras imperialistas no Iraque e no Afeganistão são responsáveis por 45% de todos os refugiados sob responsabilidade da ACNUR, sendo o Paquistão o país que abriga mais refugiados. No que respeita a deslocações internas, e falando apenas da Colômbia, é de 3,3 milhões o número de pessoas deslocadas neste país.



Contra o encerramento das urgências pediátricas

Vigília/Concentração junto ao Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, na próxima segunda-feira, 14 de Junho, com início às 19 horas, contra o encerramento nocturno das urgências pediátricas. Ocorrerá no mesmo dia, com início à mesma hora, uma outra vigília no Hospital S. Bernardo, em Setúbal. As convocatórias para estas iniciativas de protesto estão a correr na internet no Facebook e numa petição contra o fecho das urgências. Mostrem a vossa indignação! Os nossos filhos não são números! – são os apelos lançados.



Repressão em Marrocos

Em 4 Junho, a polícia de Casablanca arrombou a porta do apartamento de Zineb El Rhazoui, jornalista e co-fundadora do Movimento Alternativo para as Liberdades Individuais, que se encontrava na companhia de Ali Amar, jornalista, antigo director do Journal Hebdomadaire (proibido em Janeiro) e autor do livro Mohammed VI, le grand malentendu. Os agentes transportaram os dois jornalistas à Prefeitura da Polícia onde os submeteram a longo interrogatório. O processo contra Zineb El Rhazoui faz menção ao consumo de vinho e à presença de um preservativo em sua casa. Ambos foram libertados, mas Ali Amar foi convocado a apresentar-se posteriormente na Perfeitura.



Protesto dos utentes de Saúde

No dia 8 de Junho, pelas 17h30, junto ao Ministério da Saúde (Av. João Crisóstomo/ esquina com Av. Defensores de Chaves), em Lisboa, concentram-se várias comissões de utentes de saúde em protesto contra a actual situação no sector. Milhares de utentes sem médico de família, longas esperas por consultas e, a pretexto da crise, novos apertos orçamentais no sector de saúde, tornando a situação ainda mais grave. E, com as fortes pressões políticas para acabar com a “saúde tendencialmente gratuita”, são, assim, variadas e pertinentes as razões desta luta.



Concentrações hoje em Lisboa e Porto

Mais de duas dezenas de organizações convocam para hoje, dia 2, às 18 horas, frente à embaixada de Israel em Lisboa (Rua António Enes, 16), nova concentração de repúdio pelo ataque das tropas israelitas à “Frota da Liberdade” cometido na madrugada de segunda-feira. Será entregue na embaixada uma posição conjunta de condenação do crime e exigindo a punição do estado de Israel. O texto reclama ainda a libertação dos activistas sequestrados, o levantamento do cerco a Gaza e o fim da ocupação da Palestina. Também no Porto haverá uma concentração, à mesma hora, na Praceta Palestina, na Rua Sá da Bandeira, acima do Bolhão. Protestos semelhantes estão marcados por todo o mundo ao longo da semana.



Proença, Helena e os trabalhadores

Há pessoas com posições diferentes das nossas que conseguimos ouvir com serenidade, embora discordando delas. Há outras que, por aquilo que fazem e por aquilo que dizem, nos causam logo repugnância. São os casos de João Proença e de Helena André. Um e outra já demonstraram sobejamente não passarem de dois miseráveis lacaios do patronato. Agora, a propósito da grande manifestação de protesto do dia 29, o senhor da UGT demarcou-se, pretextando que aquela “iria comprometer a imagem de Portugal no estrangeiro”. E a senhora ministra não encontrou melhor afirmação de que este tempo é de “mais concertação e menos contestação”.



Manifestação Nacional Lisboa, 29 de Maio, 15h

A forte ofensiva conduzida pelo patronato contra os trabalhadores, recorrendo a instrumentos como a Comissão Europeia, o BCE, o FMI e a OCDE, e servindo-se internamente dos testas-de-ferro Sócrates e Passos Coelho, precisa de respostas firmes e de massas. A Manifestação Nacional do dia 29, do Marquês de Pombal aos Restauradores, que é um protesto contra as penalizadoras medidas governamentais, pode e deve ser uma dessas respostas. Compete aos trabalhadores ir preparando desde já o prosseguimento da luta, de modo a impedir que sejam os explorados a pagar uma vez mais a “crise” do capitalismo. Participa!



Mais um pobre

No próprio dia em que PS e PSD impunham o pacote de medidas terroristas contra os assalariados, o secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, pediu ao partido que lhe cortasse, “com efeito imediato”, 5% do ordenado. Este esforço patriótico do pernóstico Relvas, que ganha o equivalente a vice-primeiro-ministro, isto é, 5300 euros por mês, leva-o, coitado, a privar-se de 265 euros mensais. Imagina-se o choque da pobre família quando o solidário Relvas chegar a casa apenas com 5035 euros.



“Tributo solidário” não passou

O projecto de lei do PSD de imposição de um “tributo solidário” a quem recebe prestações sociais foi rejeitado na AR. Votaram a favor deste repugnante projecto apenas o PSD e o CDS. Para o partido de Passos Coelho, o “tributo solidário” assumia-se como “um instrumento de moralização pública”. Tratava-se, na prática, de obrigar quem recebe prestações sociais a retribuir com 15 a 20 horas de serviço social ou em formação profissional. Com tal lei, centenas de milhares de desempregados, após terem descontado, para terem direito a subsídio de desemprego, ver-se-iam coagidos a um trabalho obrigatório e gratuito, a um trabalho escravo. Até aonde eles são capazes de ir!