Contra a anexação da Palestina

Manuel Raposo — 1 Julho 2020

Manifestação em Gaza

Milhares de pessoas manifestaram-se hoje em várias cidades da Palestina, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, contra o plano de anexação, por parte de Israel, de um terço dos territórios da Cisjordânia. Este plano, a aplicar a partir de 1 de Julho, tem o apoio declarado do presidente dos EUA e contraria todas as disposições das Nações Unidas acerca do chamado conflito israelo-palestino, nome de conveniência dado à guerra movida pelos sionistas israelitas contra os palestinos desde há mais de 70 anos.

Israel e EUA querem com este passo pôr termo definitivo à criação de um estado palestino e assim reforçar o papel de Israel no Médio Oriente como cão de fila do imperialismo norte-americano. Na verdade, sempre foi este o desígnio de todos os dirigentes sionistas e de todas as administrações norte-americanas. A diferença, desde que Trump assumiu funções, é que os EUA deixaram cair a máscara de “mediadores” que procuraram manter até há pouco, e assumiram de vez às claras o papel, que sempre foi o seu, de promotores do sionismo como guarda avançada do seu poder na região.

O governo português segue, uma vez mais, o exemplo de todos os seus antecessores: dócil seguidor da política norte-americana, apenas fazendo ouvir (baixinho) vagas recomendações de prudência a “ambas as partes”.

O Governo e o ministro dos Negócios Estrangeiros, que deveriam levantar a voz perante mais este crime de contornos nazis — quanto mais não fosse por respeito às decisões da ONU — calam-se e deixam que a onda lhes passe por cima da cabeça, esperando que o assunto passe à história.

Tendo em vista declarações anteriores do ministro Santos Silva, é mesmo legítimo pensar que a atitude do Governo e do ministro não seja sequer tão passiva. Recorde-se a vanglória com que Santos Silva, diante das criminosas sanções dos EUA contra o Irão, afirmou sorridente “Nós não somos equidistantes”.

Não se trata pois de neutralidade, trata-se de cumplicidade com os sionistas e com os EUA.

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Por iniciativa do MPPM, foi posta a circular uma carta aberta dirigida ao Governo português, na forma de petição pública, em que se protesta contra a anexação e se exige o reconhecimento do Estado da Palestina (ver aqui). Por sua vez, a CGTP, o CPPC e o MPPM promovem um acto público de solidariedade com a Palestina no dia 6 de Julho, às 18h30, no Martim Moniz, em Lisboa.


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